O cavalo de competição é, antes de tudo, um atleta de alta exigência fisiológica. Para que expresse todo seu potencial, não basta apenas genética e treinamento: a base da performance está na nutrição adequada, em estratégias de suplementação equilibradas e no cuidado contínuo com o trato gastrointestinal.
A saúde digestiva impacta diretamente o bem-estar, a capacidade de recuperação e o desempenho esportivo dos equinos. Estudos demonstram que desequilíbrios alimentares, dietas mal formuladas e falhas no manejo podem levar a distúrbios comprometendo não apenas a performance, mas também a longevidade esportiva do animal.
Pesquisas indicam que a prevalência de úlceras gástricas em cavalos atletas pode chegar a 100%, com média entre 72% e 88% em animais de corrida durante o período de treinamento. Esses números refletem o impacto de dietas inadequadas, excesso de carboidratos e falhas no manejo alimentar, que comprometem tanto a performance quanto o bem-estar. Para minimizar esses riscos, é essencial oferecer dietas balanceadas, com forragens de qualidade, proteínas de alto valor biológico, minerais e vitaminas em proporções adequadas, além do uso estratégico da suplementação em fases específicas de treinamento e competição.

Manejo alimentar
O manejo alimentar merece atenção: número de refeições, intervalos, acesso a água fresca e até o ambiente em que o animal se alimenta interferem diretamente na eficiência digestiva. Esses cuidados fazem diferença tanto na absorção dos nutrientes quanto na estabilidade do trato gastrointestinal.
Além da formulação nutricional, o acompanhamento clínico é essencial. O uso de ferramentas modernas de diagnóstico tem permitido que médicos veterinários identifiquem precocemente alterações que afetam o trato gastrointestinal, possibilitando intervenções mais assertivas.
Outro aspecto fundamental é o manejo sanitário. Parasitas internos, por exemplo, podem provocar lesões na mucosa do trato digestivo ou liberar toxinas que prejudicam a saúde da mucosa e do trato digestório. Esse impacto compromete a absorção de nutrientes e, consequentemente, a performance do animal. Nesse cenário, práticas de controle parasitário baseadas no diagnóstico, na escolha criteriosa de moléculas eficazes e na rotação estratégica de princípios ativos tornam-se determinantes para preservar a saúde gastrointestinal e garantir resultados consistentes na equinocultura de competição.
A busca por melhores índices de desempenho em cavalos atletas passa, inevitavelmente, pela atenção à saúde digestiva. O tripé nutrição balanceada, manejo adequado e prevenção clínica deve ser a base de qualquer programa de excelência. Ao integrar conhecimento técnico, inovação em diagnóstico e protocolos sanitários bem estruturados, é possível não apenas potencializar o rendimento esportivo, mas também assegurar o bem-estar e a longevidade dos cavalos de competição.
Artigo assinado por Chester Batista, Gerente Técnico de Equinos na Zoetis Brasil
Foto: Divulgação/Zoetis
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