Um dos sons mais marcantes do universo equestre acaba de ganhar uma nova explicação científica. Um estudo internacional revelou que o relincho dos cavalos é muito mais complexo do que se imaginava: os animais são capazes de produzir dois sons diferentes simultaneamente, como se estivessem cantando e assobiando ao mesmo tempo.
A descoberta foi publicada na revista científica Current Biology e solucionou um mistério que intrigava pesquisadores há décadas. Até então, sabia-se que o relincho misturava tons graves e agudos, mas não se compreendia como um animal de grande porte conseguia emitir frequências tão distintas ao mesmo tempo.
Segundo os cientistas, o som grave é produzido pela vibração das pregas vocais, mecanismo semelhante ao utilizado pelos humanos ao falar ou cantar. Já o componente agudo surge de um processo diferente: um verdadeiro “assobio” gerado dentro da laringe, quando o ar passa por uma pequena abertura específica do aparelho vocal do animal.
Dois sons em uma única vocalização
Esse fenômeno recebe o nome de bifonação, quando duas frequências independentes são emitidas simultaneamente. A combinação cria o relincho característico, formado por uma base sonora mais grave acompanhada por um som agudo de alta frequência.
Os pesquisadores destacam que essa habilidade é extremamente rara entre grandes mamíferos e pode representar um sistema de comunicação mais sofisticado do que se imaginava. Cada frequência parece carregar informações diferentes, relacionadas às emoções e intenções do animal dentro do grupo.
Para chegar às conclusões, a equipe utilizou técnicas avançadas, incluindo câmeras inseridas pelas narinas dos cavalos para observar o funcionamento da laringe durante o relincho, além de testes acústicos em laboratório. Os resultados mostraram que os dois sons são produzidos por mecanismos distintos que atuam ao mesmo tempo.

Comunicação mais eficiente
A descoberta também ajuda a explicar por que o relincho pode ser ouvido a grandes distâncias. O tom grave contribui para a projeção do som, enquanto a frequência aguda aumenta a capacidade de percepção, permitindo que outros cavalos identifiquem rapidamente a mensagem transmitida.
Especialistas acreditam que essa característica tenha evoluído como uma estratégia social, ampliando a comunicação entre indivíduos — algo essencial para animais que vivem em grupo e dependem da interação constante para segurança e organização.
Com isso, um som cotidiano para quem convive com cavalos passa a ser visto sob uma nova perspectiva científica. Por trás de cada relincho existe um sistema vocal complexo, capaz de combinar diferentes sinais sonoros em uma única emissão, reforçando a sofisticação comportamental e comunicativa dos equinos.
Com informações do O Globo
Fotos: Reprodução/Freepik
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