Dica do Profissional

Bater não é domar

Para o treinador Marcos Toledo o cavalo é reflexo do que o humano ensina para ele. Se agir com estupidez ele responderá da mesma maneira

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Nos últimos dias, os feeds de notícias ficaram sobrecarregados com o vídeo de um cavaleiro com grande histórico na modalidade de hipismo sendo flagrado batendo em um cavalo que não obedecia seus comandos.

A ação, apesar de totalmente contrária as novas técnicas de doma, ainda acontece e deixa a comunidade equestre abismada.

Segundo o treinador Marcos Toledo Filho, que adota o horsemanship em seus treinamentos, no caso em questão, infelizmente o cavaleiro utilizou a maneira mais fácil para fazer o animal obedecer ao seu comando. “Neste caso, ele deveria pedir para o cavaleiro descer do animal e ele, montado em outro cavalo, puxar o animal que não respondia ao comando para assim, vendo o animal montado entrar na água, ele fazer o mesmo”, afirma Toledo Filho.

Para o treinador, o que falta em situações como essa é paciência com o animal. “Falta paciência. Eu sempre falo: quer trabalhar com cavalo, você precisa ter paciência, paciência e paciência. Se você não tiver paciência, estiver apenas pensando na conta no banco, na briga com a mulher ou em algum outro problema e não estiver focado no trabalho, ou mesmo com excesso de trabalho, você perde a paciência e não consegue domar o animal”, ressalta.

Domar o cavalo exige técnica e muita vivência e, infelizmente, ainda existem pessoas que querem domar seus animais sem auxílio de um profissional. “Primeiramente, se seu cavalo não obedece aos comandos, você deve procurar um especialista da área para ver o que está acontecendo com o seu animal, para descobrir o porquê que ele não está respondendo”, pontua.

Principal erro

O principal erro, afirma Toledo, é a pessoa não saber domar e querer fazer a força. “A maioria das pessoas que passam por este tipo de problema, são pessoas que se atrevem a fazer algo que não sabem fazer, querem fazer a força, e não são capacitadas para isso”, alerta.

O cavalo, ensina o profissional, aprende tudo aquilo que você ensina para ele, desde o certo até o errado. Por isso, se você agir com estupidez, bater no cavalo, ele vai responder da mesma maneira.  “O que ele aprendeu certo é reflexo do que você ensinou e o que ele aprendeu errado é reflexo do que você deixou ele fazer. A partir do momento que você trabalha seu cavalo certo, com coerência, sabendo respeitar o tempo de aprendizado de cada animal, você não terá erro, não vai precisar bater nele”, alerta Toledo.

Bater no cavalo, afirma o treinador, é reflexo da falta de capacidade da pessoa que está tentando domar o animal. “Falta entender a mente do cavalo. As pessoas não sabem e o jeito mais fácil é bater, porque ele não fala, não reclama”.

Técnica ultrapassada

Antigamente, afirma Toledo, as pessoas não tinham o conhecimento técnico como o que existe disponível hoje em dia, e por isso, batiam para ensinar. “Hoje, temos muitas técnicas que comprovam que não precisa bater, mas ainda temos pessoas cabeça dura, turrão, ‘esse é o meu jeito’, ficou ultrapassado”, afirma.

Para não ser surpreendido com um cavalo bravo, quente, o treinador aconselha observar o pedigree do animal. Se ele é de uma linhagem forte, quente, agressiva, ele provavelmente terá este comportamento e o domador deverá ter em mente que terá mais dificuldade para domar. “Essa doma deve ser feita por um profissional capacitado, que terá competência para domar, iniciar e preparar o cavalo para ser montado”, finaliza Toledo.

Assim como os humanos, o cavalo que recebe amor, respeito e atenção transmitira o mesmo ao seu dono.

Por: Camila Pedroso

Fotos: Divulgação

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