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8 dicas para aspirantes a treinadores

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Ao longo do tempo, depois de receber muitas perguntas sobre o tema ‘aspirantes a treinadores’, Zane Davis resolveu escrever suas impressões sobre o assunto

O assunto ‘aspirantes a treinadores’ parece chamar atenção dos repórteres. Por isso, Zane Davis, treinador de Working Cow Horse, resolveu abordá-lo. Por um tempo, em entrevistas, ele conta que sempre recebia uma pergunta desse naipe. Em 2016, o profissional fez uma série de posts em seu Facebook, traduzidos pela Plusoneandahalf que a gente adaptou nesse artigo.

Antes de mais nada, Zane Davis tornou-se treinador profissional de Working Cow Horse só depois dos 30 anos. Ademais, muito dessa decisão dele teve influência do brasileiro Eduardo Ribeiro, que o ajudou a aprimorar a parte da Rédeas. Já passou um tempo no Brasil em missão religiosa e fala português fluentemente.

Apesar de ter começado ‘tarde’, ele teve uma ascensão rápida, sendo o 12° cavaleiro ganhar US$ 1 milhão pela NRCHA em dez anos de carreira. Além disso, Davis cresceu no meio do cavalo e participou de rodeios profissionais durante o ensino médio e a faculdade. Aliás, há previsão de um curso dele pela ANCH no Brasil assim que a pandemia permitir. Confira os conceitos!

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1-Tenha uma alta tolerância à pobreza

“Sim, você será pobre por um tempo. Talvez por muito tempo, dependendo de quão bom profissional você for. Se você pensa que vai ficar rico treinando cavalos, está errado. Ou se você for bom, você vai conseguir sobreviver. Se você for excepcional, você vai viver bem. No entanto, nunca vai ficar rico treinando cavalos.

Por quê? Porque você só consegue montar certo número de cavalos por dia. Sim, você pode delegar uma parte do trabalho para ajudantes e assistentes, mas se você quiser que seus cavalos de prova atinjam o potencial que eles podem você mesmo precisa fazer a maior parte do trabalho.

Além disso, os custos indiretos para o treinamento de cavalos de performance são muito altos. Custa caro fazer direito. Existem outras maneiras de ganhar dinheiro com o seu negócio além do treinamento. Mas não planeje o próprio negócio de treinamento pensando que ele vai te dar uma aposentadoria precoce e feliz, porque não vai. Para resumir, não se torne um treinador tendo o enriquecimento como seu objetivo principal ou você ficará desanimado e frustrado”.

2-Escolha um prospecto vencedor

“Por prospecto quero dizer uma esposa, ou companheiro, vencedor. Inegavelmente, algo que os aspirantes a treinadores precisam encontrar nas qualidades de seu cônjuge é estabilidade mental. Em suma, é preciso ter a cabeça no lugar. A vida será difícil às vezes. Por exemplo, o companheiro terá de lidar com a pobreza periódica, mencionada no conselho um. Assim como irá enfrentar uma série de outras questões, como a solidão quando seus cônjuges estiverem na estrada.

Irão se deparar ainda com o cansaço de fazer todo o trabalho enquanto os companheiros treinadores estão fora. Tem ainda a frustração quando se tenta consolá-los depois que perde. Sua dor é a dor dela, assim como sua perda é a perda dela. E sua depressão é a depressão dela. E elas suportam tudo isso. Não sou conselheiro matrimonial, nem posso dizer quem é a pessoa certa pra você. A verdade é que tive sorte”.

3-Desenvolva uma incrível ética de trabalho e seja brutalmente honesto com você mesmo

“O que você precisa saber é que pare ser um treinador bem-sucedido, precisará trabalhar duro. Se não sabe o que isso significa, então precisa passar algum tempo com um treinador de sucesso que sabe. Veja se você consegue acompanhar. O que encontrará pode te surpreender. Montar cavalo o dia inteiro parece ser uma boa vida, não é? Bem, a vida boa nem sempre é boa.

Não sei dizer quantos treinadores aspirantes, depois de observar os melhores programas de treinamento, admitiram que não tinham ideia de que seria tão trabalhoso. Será que você está pronto para esse tipo de comprometimento? Seja como for, e não há forma suave de dizer isso, você é bom o suficiente? Você é realmente um bom treinador? E apresenta bem? Sabe que existe uma diferença e é melhor você ser bom nas duas coisas para ter sucesso.

Outra pergunta: você consegue entrar na pista sabendo que os proprietários vão tirar o único cavalo bom que você tem se não ganhar? E se esse cavalo for embora, você não terá dinheiro para pagar o aluguel das baias no próximo mês? Portanto, se você não puder pagar o aluguel das baias, terá que mandar embora os outros três cavalos que ainda tem em treinamento e procurar um emprego de verdade? De fato, consegue lidar com toda essa pressão e não engasgar?

Não quero desencorajar ninguém. Treinamento e provas são uma pequena parte do que acontece no mundo dos cavalos. Há outras coisas que você pode fazer. No entanto, se você sabe que pode trabalhar e se for sincero consigo mesmo sobre suas habilidades de treinar e sua capacidade de lidar com a pressão, então você não tem limites”.

4-Cale a boca e seja mais humilde

“A humildade para jovens treinadores de cavalos, eventualmente significa que se houver um problema com seu programa de treinamento, o problema provavelmente será você. Por isso, seja humilde o suficiente para reconhecer isso e depois fazer algo construtivo a respeito. Vou dar um exemplo da minha experiência.

Logo após meu primeiro ano como profissional de Working Cow Horse, entrei na lista dos 20 principais treinadores da NRCHA. Estava no final dela, mas estava. Fiquei orgulhoso, pelo menos por um tempo. Todavia, eu não tinha o direito de estar na lista, porque não tinha ideia do que fazia na pista. Tive sorte no ano anterior e um cavalo excepcional. Ao mesmo tempo em que grande parte do dinheiro ganhei divisões Limitada e Intermediária.

De tal forma que no ano seguinte, sendo um dos 20 melhores do ano anterior, só puder competir na Aberta. Ou seja, corri contra os ‘grandes’ o ano todo e ‘apanhei’ feio. Mal ganhei um centavo e acabou sendo a melhor coisa que já aconteceu na minha carreira. Tive que ser humilde e reconhecer que eu era o problema. Portanto, fui trabalhar nas minhas fraquezas e haviam muitas.

No ano seguinte, ainda na lista, tive muito sucesso. Ainda tento, anos depois. Avaliar humildemente meu programa e admitir para mim mesmo o pouco que sei, foi primordial. Então, treinadores aspirantes, aprendam com meus erros. Encontrem seus pontos fracos. Conserte-os.”

Ao longo do tempo, depois de receber muitas perguntas sobre o tema ‘aspirantes a treinadores’, Zane Davis resolveu escrever sobre o assunto

5-Evite: ‘Meus cavalos não são bons o suficiente’; ‘O julgamento é péssimo’

“Embora possa ser verdade, e todos nós passamos por isso, não importa o nosso nível, há algo que você precisa saber: choramingar é uma tática de treinamento inútil! Se o cavalo não tem habilidade, faça a coisa certa e mande ele embora. Entretanto, se tem habilidade média, tente torná-lo um bom cavalo. Por outro lado, se o cavalo tem boa habilidade, tente torná-lo um cavalo realmente bom. Se tem grande habilidade, ajude-o a encontrar seu potencial e tente não estragar tudo.

A maior parte dos meus ganhos foram em cavalos médios e bons. Posso contar em alguns dedos quantos ótimos cavalos já tive. Qualquer um pode treinar um cavalo ótimo. É preciso um treinador de verdade para ganhar com todos os outros. Ajude cada um a atingir seu potencial máximo e esteja pronto quando o ótimo surgir.

Em contrapartida, às vezes o julgamento é péssimo mesmo. Alguns juízes, sem culpa, não são bons em julgar. Alguns não têm a coragem para fazer a coisa certa. Por outro lado, alguns têm os seus favoritos. Mas a maioria está tentando fazer o melhor que pode. Ocasionalmente, somos vítimas das decisões ruins.  Eu, eventualmente, criei um sistema que me mantém agindo de forma mais profissional.

Em primeiro lugar, assisto ao vídeo com olhos honestos. Muitas vezes, descubro que a corrida não foi tão boa quanto eu pensava. Outras vezes, foi boa como eu pensava, mas pelo menos consigo ver o ponto de vista do juiz. Parei, entretanto, de ficar nervoso e reclamar dos juízes antes de ver o vídeo e me acalmar. Em segundo lugar, é preciso aceitar que você perderá algumas que deveria ter vencido e ganhará algumas que deveria ter perdido. Apenas faça o seu melhor todos os dias”.

6-Cuide bem dos cavalos dos clientes

“Acredito que a maioria dos treinadores cuida. Os poucos que não, por preguiça ou ignorância, usarei como exemplo. É nosso trabalho pegar o sonho dos proprietários e torná-lo realidade. Agora, como você acha que eles se sentem quando aparecem nas suas baias e o sonho deles está no meio da sujeira? Os proprietários vão perdoar você por muitas derrotas se cuidar da saúde física dos cavalos deles!

Todos nós perdemos. Às vezes, a culpa é nossa e, muitas vezes, é só um detalhe. No entanto, se você puder manter o cavalo com boa aparência, os proprietários tendem a ignorar algumas de suas performances ruins. O que você precisa fazer então? Na verdade, é bem barato e simples. Elaborei uma lista de dez tarefas mínimas.

1.Mantenha a entrada do seu local limpa. 2. A baia do cavalo precisa estar nivelada, limpa e segura. 3. Água limpa e fresca. 4. Certifique-se que o cavalo foi vermifugado. 5. Medique qualquer ferida, dermatites, etc. 6. Tenha um bom volumoso. 7. Faça algo sobre o excesso de moscas. 8. Cercas seguras. 9. Cuide da sua pista. 10. Limpe o interior do seu trailer.

Por fim, você precisa saber também que imprevistos acontecem. Os cavalos perdem peso, ficam doentes, ficam doloridos, sofrem acidentes etc. Se alguma dessas coisas acontecer ou parecerem que vão acontecer, informe o proprietário com antecedência, se possível. Dessa forma, se o proprietário aparecer na sua casa e ver o cavalo magro e aleijado, não será um choque. Eles precisam saber que você está ciente de que há um problema e que está cuidando disso”.

7-Não, você não pode bancar isso

“Lembro-me da minha primeira prova na NRCHA. Era um novato com mais de 30 anos com muita confiança (ou talvez ‘ignorância’ seja uma palavra melhor) e nenhuma experiência. Lembro de ver todos aqueles caminhões e trailers sofisticados estacionando. Os cavalos foram descarregados e amarrados com selas artesanais e freios de prata. Todo mundo tinha boas botas, esporas, capas, etc. Bem, quase todo mundo tinha.

Minha camionete velha quebrou a caminho da prova e morreu no estacionamento quando chegamos. Eu não tinha nada chique. Na verdade, eu nem sabia o que precisava. Fiquei intimidado e envergonhado. Também queria coisas boas! Esse sentimento de inadequação pode acontecer com qualquer treinador aspirante, tenho certeza. Não deixe que isso tire o que você tem de bom. Aqui está a verdade: a maioria dos treinadores com todas as coisas chiques está com dívidas até o pescoço!

Não estou tentando ser consultor financeiro. Isso está fora do meu escopo. Vou manter isso simples para você. Gaste seu dinheiro com o bem-estar dos seus cavalos e a sua educação, e não com ‘coisas’. Vai chegar a hora de ter as coisas boas mais tarde, se você for bem sucedido em seus negócios. Se você se permitir um monte de dívidas e gastar todo o seu dinheiro extra com ‘coisas boas’, isso afetará seu treinamento, sua apresentação e, provavelmente, sua honestidade com seus clientes. Você vai fracassar antes de começar tudo em nome da boa aparência”.

8-Curta seu trabalho

“O que? Depois de tudo que eu disse como você pode curtir alguma coisa, certo? Me desculpe. Eu não queria te assustar. Essas foram apenas verdades para facilitar seu trabalho. Pessoalmente, gosto de ir trabalhar todos os dias. Por natureza sou muito intenso. Você nunca saberá se estou me divertindo enquanto trabalho, mas estou. Eu gosto de cavalos. Gosto de ver o progresso deles. Acordaria e faria isso de graça todos os dias se não tivesse três filhos que acham que precisam comer.

Foi difícil às vezes, mas fui muito abençoado por causa do que faço. Levou dez anos para que eu chegasse ao ponto de relaxar, mas saímos de férias todos os anos nos últimos anos. Há esperança para você. Minha camionete ainda pode quebrar de vez em quando, mas agora pelo menos é uma camionete nova (quitada)!”

Tradução: Karoline Rodrigues/Plusoneandahalf
Adaptação: Luciana Omena
Crédito das fotos: Divulgação/Zane Davis

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Alguns deveres dos proprietários de cavalos

O quanto você conhece seus cavalos e sabe o que se passa com eles no dia a dia do haras ou centro de treinamento?

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Nesse artigo, Aluisio Marins lista 9 deveres dos proprietários de cavalos. Sem dúvida, apenas alguns pontos a respeito de uma ‘função’ que exige amor e dedicação. Confira!

  • É importante que o proprietário saiba tudo o que acontece com seus cavalos no local em que vive;
  • Precisa ainda conhecer o que eles comem. Por exemplo, quantidades, qualidades, tipos, horários. Enfim, tudo o que envolva a alimentação;
  • Saber sobre: odontologia, reprodução, aspectos clínicos. De tal forma que entenda o que está pagando, porque, como e tudo o que acontece com a saúde dos seus cavalos;
  • Conseguir montar seu cavalo e fazer absolutamente o que quiser com ele. Obviamente, que para este item exige-se um mínimo de técnica. Bem como a ciência de que um cavalo em treinamento para uma modalidade tem um plano de trabalho traçado pelo treinador. Por isso, montadas fora de hora podem atrapalhar;
O quanto você conhece seus cavalos e sabe o que se passa com eles no dia a dia do haras ou centro de treinamento? Deveres dos proprietários
  • Conhecer os aspectos de etologia, comportamento natural do seu cavalo;
  • Telefonar ou entrar em contato com qualquer um dos profissionais que estão em volta do seu animal sem constrangimentos;
  • Ter em mente que um cavalo leva tempo a ser treinado, domado, ‘feito’ para alguma modalidade. Neste caminho, muitas vezes se vai a uma prova já sabendo que as chances de vitória são remotas, mas que esta ida serve para dar experiência ao cavalo;
  • Oferecer a ele o melhor que suas condições financeiras possam dar;
  • Entender que um cavalo precisa de um dono. Uma pessoa que tenha preocupações diversas com ele. Acima de tudo, que faça com que ele se sinta cada vez melhor e mais atendido por todos.

Por Aluísio Marins
Diretor da UC, instruindo cavaleiros a mais de 20 anos
Crédito das fotos: Divulgação/Pexels

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Nacional ANLI 2020 bate recorde de inscrições

Evento – que acontece nos dias 27 e 28 de novembro, no Haras NSG, em São Pedro/SP – registrou 450 inscritos, resultado de 245 cards

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O número de inscrições para o Nacional ANLI 2020 bateu todos os recordes. Ao todo, foram registrados 450 inscritos, entre as provas do Potro do Futuro, Prova Técnica, Final Pro Tie Down, Prova de Cronômetro, além de Breakaway Feminino e Jovem.

Antes de mais nada vale destacar que o evento acontece nos dias 27 e 28 de novembro, na arena do Haras NSG, em São Pedro/SP. Portanto, o local receberá os amantes do Laço Individual para a  disputa de uma premiação garantida que já ultrapassou os R$ 175 mil anunciado incialmente e está em R$ 200 mil. 

De acordo com o presidente da Associação Nacional do Laço Individual (ANLI), Fábio Luis Parizi, o recorde de inscrições é resultado de outra conquista da entidade. Afinal, o número de cards, ou seja, competidores associados pagantes atingiu a marca de 245. 

“A associação todo ano faz um card, que o competidor paga como se fosse uma anuidade. Assim, ele ganha o direito de correr nas provas credenciadas da associação. Além das provas que a associação faz. Como o Potro do Futuro, Prova Técnica e a Final. Vale lembrar que esse ano não teve a Final por causa da pandemia. Então, quem adquiriu o card esse ano vai poder participar da Final no ano que vem. Então, esses 245 cards aí são 245 competidores. Que é um numero muito legal”, frisa o presidente.

Nacional e Potro do Futuro da ANLI 2019 – Foto: Divulgação/Rodolfo Lessa

Ano de ascensão do Laço Individual

Fábio ainda enfatiza que, apesar da pandemia do novo coronavírus, a modalidade de Laço Individual teve uma ascensão significativa em 2020. Sobretudo, até a mais do que a ANLI imaginava no início do ano.

“Começamos o ano com 35 provas agendadas, credenciadas na associação, para ir tirando os rankings. Com isso, a gente projetava 180 cards no ano. Mas veio a pandemia e teve poucas provas. Mesmo com todos esses acontecimentos, conseguimos agora chegar com essa prova fazendo 245 cards, é muito legal. Porque o dinheiro da anuidade do card é 100% revertido para premiação da Final, que ficou para o ano que vem agora”.

Expectativa para o Nacional ANLI 2020

Diante destes números, a expectativa para o Campeonato Nacional ANLI é a melhor possível, garante o presidente. “Nos vamos fazer as provas em uma das melhores estruturas do país. Eu acho que a associação nunca teve uma prova tão bem feita, num lugar tão legal, como vai ser esse evento do dia 27 e 28. Vai ter competidor do Paraná, Rio de Janeiro, Goiás, Brasília e São Paulo”.

Paralelo a isso, a ANLI também tem se preocupado com os demais itens determinantes para o sucesso do evento. “A gente está preparando tudo de melhor. Uma bezerrada de uma qualidade excelente, de cruzamento industrial, de nelore, sadia, tudo lote homogêneo. Além de tudo dividido por categoria. Quadro de juízes com americano muito experiente, um dos melhores que tem nos Estados Unidos para julgar junto dos brasileiros. Manejo e preparado de pista igual é nos eventos da ABQM. Locução do Alessandro Mendes. Então, tudo caminhando para ser a melhor prova que a ANLI já fez”.

Programação do evento

Por Natália de Oliveira
Crédito da foto em destaque: Divulgação/Haras NSG

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Três Tambores: o que acontece depois daquela ‘pegada’ na boca do cavalo

Claudia Ono fala em sua coluna da semana sobre os efeitos das embocaduras. Seu cavalo tem segurança dentro e fora de casa?

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É muito comum nos Três Tambores as cenas de puxões nas rédeas, manobras cheias de movimentos de braços e mãos. Algumas vezes desmedidos, outras somente aleatórios. Mas isso não tira o efeito negativo dessa ação que demonstra uma baixa qualidade na equitação.

Quando você dá uma ‘catada’ na boca do seu cavalo, se esquece de que existe um ferro lá dentro. De tal forma que esse ferro causa dor e, principalmente, insegurança. De fato, a mesma insegurança que causaria dentro das nossas bocas. E olha que somos caçadores, não caças…

Psicologicamente, a ‘pegada’ causa receio e o cavalo rapidamente irá associar esse receio ao local onde a ação acontece. Ou seja, se der a ‘pegada’ no segundo tambor, logo ele entenderá que esse tambor é o local do castigo.

Mecanicamente: quando você pega forte o cavalo defende a boca (até nós faríamos isso). Assim como se perde no trabalho e deixa de focar no percurso para prestar atenção na embocadura. Além disso, a paleta dele escapa para fora e ele não consegue se manter no giro e acaba abrindo para se reequilibrar.

Os cavalos não nascem ansiosos ou nervosos, eles ficam assim como consequência das ações pelas quais passa na doma (principalmente) e inicio de treinamento. Se em casa tudo é tranquilo e seguro, quando sai para a prova existe a tensão do cavaleiro, as rédeas mais curtas, o reio, as ‘pegadas na boca’. Com isso ele aprende que na prova ele passará por situações ruins, que deve se defender disso.

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Claudia Ono fala em sua coluna da semana sobre os efeitos das embocaduras nos Três Tambores. Seu cavalo tem segurança dentro e fora de casa?

Por isso, nos Três Tambores e nas modalidades equestres de forma geral, algumas coisas não devem ser feitas nunca. Isso mesmo, nunca!

Se a adrenalina da prova de Três Tambores faz seu cavalo ficar mais duro de frente é porque ele fica mais ‘para frente’ também. Então mostre que não há motivo. Caminhe, trote, monte com seu corpo relaxado. Seja a mesma pessoa dos treinos, não mude. E trate seu cavalo como o mesmo cavalo dos treinos, não mude nada.

As consequências do aumento da pressão no dia da prova são: cavalos ansiosos, nervosos, que ‘amarram’ nas retas, que largam e só pensam em correr, que não largam, que brigam nos giros, que passam reto pelos tambores. Enfim, se mostrar ao seu cavalo que em casa ou fora dela, em treino ou em prova, tudo pode ser seguro, terá um cavalo seguro.

Apenas cavalos medrosos são inseguros. A insegurança gera nervosismo. Isso tudo reflete na hora da prova. E se ele trabalhar mal será ‘corrigido’ em casa; e tudo se agrava mais.

Claudia Ono fala em sua coluna da semana sobre os efeitos das embocaduras nos Três Tambores. Seu cavalo tem segurança dentro e fora de casa?

O correto? Evitar o estrago ao invés de correr atrás de consertar depois

Imagine o seguinte: Todos os dias você chega na quadra da escola para jogar vôlei. Na entrada, para pegar a bola e iniciar o jogo, precisa passar por um corredor de pessoas e sempre uma delas dá um beliscão em você.

Isso aconteceu uma vez. Depois se repetiu semanalmente. Você entra na quadra, vê o corredor humano e a bola no final dele. Tem que pegar a bola para jogar, mas precisa passar pelas pessoas e levar um beliscão.

Ao final de um tempo, você estará nervosa antes de chegar à quadra. E vai sentir o beliscão toda a vez que pensar que precisa pegar a bola. Para consertar isso, as pessoas param de te beliscar. Mas você entra no corredor humano e acha que vai tomar um beliscão. Na semana seguinte, a mesma coisa.

Vai levar um bom tempo para você seguir relaxada até a quadra e passar pelo corredor para pegar a bola. Pense nisso. Pense no seu cavalo.

Por Claudia Ono
Três Giros
Crédito das fotos: Reprodução/Facebook

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