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À procura da velocidade

Claudia Ono fala em sua coluna da semana sobre não ter medo de criar velocidade para você e seu cavalo

Velocidade! Nós criamos para isso, nós nos condicionamos para isso, treinamos para isso, nós alimentamos para isso. Ainda assim, mesmo explorando o máximo da velocidade que podemos, permanece um mistério.

Até agora.

Dessa forma, hoje vou compartilhar algumas observações interessantes que fiz sobre velocidade e dicas nada convencionais para criá-la. Especialmente quando todas as outras vias foram esgotadas.

Momentos

Muitos anos atrás, um juiz de uma competição (quando eu tive que montar um cavalo desconhecido) me disse que achava que eu tinha um efeito calmante sobre os cavalos. De fato, isso realmente ficou comigo. Durante muito tempo, fiquei orgulhosa desse comentário.

No entanto, como ‘meus olhos’ se tornaram mais aguçados, comecei a notar outras pessoas com esse mesmo efeito calmante. Elas eram ótimas com cavalos nervosos ou jovens, mas quando se tratava de competir no tambor essas pessoas (e seus cavalos) eram slow, ou seja, lentas.

Então, observei algumas mudanças em uma pessoa que havia tido um acidente sério a cavalo. Ela estava voltando a montar, mas algo havia mudado em seu interior e isso estava afetando a sua equitação. Segurava seu cavalo, hesitava. Suas pernas podiam bater dizendo ‘Vá! Corra!’, mas sua energia comunicava ‘Não vá, não corra’. Dessa maneira, afetando totalmente a forma como o conjunto acelerava.

Então, um dia eu estava ajudando em uma prova quando vi uma competidora (particularmente bem sucedida) vindo pelo beco de largada. Nunca me esqueci do seu olhar – olhos abalados, determinados, quase em guerra! A energia em seu corpo era intensa e seu cavalo captou isso (e eu também). Essa energia tomou conta dela e de seu cavalo e eles venceram a prova.

Não é brincadeira!

Energia

O que eu aprendi é que os cavalos captam o que está dentro de nós. Mensagens subconscientes dentro de nós que muitas vezes nem sequer conhecemos. Às vezes, nossos cavalos parecem não estar em sintonia conosco.

Além disso, algumas vezes isso pode ser verdade, mas na maioria dos casos estão. Muito mais do que nós percebemos. 

Os cavalos são bons em sincronizar energia, porque é dessa forma que eles se conectam para sobreviver. É da natureza deles assumir a energia daqueles ao seu redor.

Como quando um cavalo se assusta e refuga e todos pensam que devem fazer a mesma coisa, como se pensassem ‘Corram, salvem-se!’.  São animais de presa e de bando e isso explica tudo.

Assim sendo, algumas semanas atrás notei uma mudança dramática no meu cavalo de tambor quando coloquei meu pai de 70 anos (que não está no melhor da saúde) com ele para dar uma volta no pasto.

Meu cavalo não apenas passeou calmamente com meu pai; ele acionou seu modo preguiça, lento, um pé após o outro… É comum ver uma conexão especial que alguns cavalos fazem quando levam uma criança ou idoso nas costas.

Eu liguei os mesmos pontos quando percebi que, quando eu monto Pistol sem sela, ele parece se sentir um fracasso. Talvez seja porque no fundo eu não me sinta tão segura como na sela e pode ser que ele sinta isso ou sente que há uma deficiência da minha parte.

Cavalos sentem coisas, eles percebem coisas. Eles são ultra conscientes e muito mais sensíveis do que lhes damos crédito. Seria sensato não ignorar isso em nossa busca pela velocidade.

À procura da velocidade
Foto: Divulgação/Matt Cohen/Facebook

Experiências

A verdade é que os cavalos são como computadores – eles podem não fazer o que queremos que eles façam, mas eles sempre fazem o que nós programamos para fazer!

Um dos passos mais importantes para o desenvolvimento da ‘programação positiva’ começa com a remoção do que está no caminho e precisa que tenhamos consciência de nós mesmos. Quando penso em PORQUE eu tenho esse efeito calmante sobre os cavalos, não posso deixar de refletir sobre os cavalos que disparavam comigo na infância.

Mais tarde, na minha juventude, tive mais experiências de pesadelo no meu próximo cavalo de infância. Eu desenvolvi muitas habilidades para solucionar problemas e inclui uma atitude de nunca desistir.

E certamente tive muitas experiências boas e confiança nos anos seguintes, com vários cavalos em todas as etapas de treinamento e de competição. Mas talvez ainda houvesse um vestígio, bem lá no fundo, meio escondido e dizendo ao meu cavalo ‘Vá, mas não vá muito’, mesmo que eu não me lembre de ter tido algum pensamento assim ou de ter sentido medo. 

Como as colocações em uma prova de tambor se reduzem a pequenas frações de segundo, é tão importante abrir nossa mente e se esforçar para perceber esses pequenos detalhes com a mesma profundidade que nossos cavalos fazem. A velocidade de nosso cavalo no percurso depende disso.

Kristie Peterson

Essas observações estão corretamente alinhadas com os comentários que recebi há alguns anos, quando enviei alguns vídeos das minhas passadas para a campeã mundial Kristie Peterson dar sua opinião.

“Meus primeiros pensamentos depois de assistir suas passadas é que você precisa confiar em seu treinamento. Você monta muito bem e parece que seu cavalo está bem treinado. Eu sugiro que você fique ‘selvagem’. Não se aprofunde ou pense demais. Divirta-se! E fique louca!”. Me disse ela.

Dou risada quando leio isso até hoje, porque sou uma introvertida racional. Eu cavo detalhes, processos, perfeição, pensamentos … TODOS são qualidades muito valiosas na fase de treinamento. No entanto, torna necessário criar um equilíbrio entre as coisas, eliminando essa forma de ser para se soltar mais nas competições.

‘Se jogue’

Como fazer isso? Com a prática, é claro! Uma maneira simples para aprender a ‘soltar’ ou ajudar a superar o receio da velocidade ou o medo de perder o controle, é acelerar com seu carro com mais frequência.

Contudo, não estou recomendando que coloque sua segurança em risco, mas certamente um pouco de adrenalina pode ser ótimo! A verdade é que não estou tão confortável com a velocidade como costumava estar, porque não tenho feito isso recentemente.

Quando você tem uma rotina onde está preparando um potro ou acertando pontos do seu cavalo, começa a se distanciar da velocidade e isso não é bom.

Então, acelere de vez em quando, ande de montanha russa, dê uma corrida com seu cavalo em uma estrada de terra segura ou em um campo de feno plano. Dê um Sprint com seu cavalo!

Aproxime-se da velocidade!

Conclusão

É importante deixar de lado qualquer medo subconsciente que possa estar te segurando e ficar mais confortável com ‘virar mais solto!’.

Seu cavalo provavelmente não o fará, até que você o faça. Além disse, vai sair de nossa zona de conforto. Sendo, então, um exercício para seu corpo e sua mente responderem mais rápido e, portanto, ser mais eficiente em uma competição.

Podemos melhorar as tendências naturais de qualquer cavalo, tanto os que estão sempre querendo velocidade quanto os que são preguiçosos. E adequar nossa energia para adicionar velocidade. 

É verdade que a maioria das pessoas não percebe que estão segurando seus cavalos. Ser objetivo e determinado pode ser a chave para desbloquear a sua prova de tambor.

Dessa forma, antes de esperar que o seu cavalo dê tudo de si na pista, certifique-se de estar preparado para fazê-lo também. Isso requer um trabalho interno e externo em nome de nós mesmos e dos nossos cavalos.

Você precisa desejar VELOCIDADE e trabalhar sem medo para ser capaz de extrair o melhor daquilo que seu cavalo tem para oferecer.

Isso vem do interior!

Quando você entender isso, certamente verá o reflexo disso nos seus resultados. Coloque isso em ação para ter grandes resultados ainda nessa temporada!

Por Claudia Ono
Baseado na história de Heather Smith
Três Giros
Crédito da foto de chamada: Reprodução/Facebook

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