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Como anda a nova jornada do brasileiro Filipe Masetti Leite

Em um ano, o ‘Cavaleiro das Américas’ completará sua trajetória como um ‘cavaleiro de longas distâncias’

Filipe Masetti Leite saiu de Fairbanks, Alaska, no dia 17 de maio. Vai cavalgar quatro mil quilômetros até chegar ao maior rodeio do Canadá – e um dos maiores do mundo -, o Calgary Stampede, em julho de 2020. “Minha partida reuniu amantes de cavalos de todo o mundo”, contou ele ao The Star, um jornal canadense em que ele tem na programação publicar uma coluna por mês durante esse ano.

Entre as pessoas que foram saudar a partida do cavaleiro, Johanna Ray, uma cowgirl canadense. Ela, que conheceu Filipe por causa dos cavalos, estavam muito felizes em fazer parte desse momento. Johanna Ray e o marido John, que vivem em Fairbanks, se organizaram em uma verdadeira caravana de cavalos. Também estavam presentes, o irmão de John; Sara Turner, que acompanhou Filipe em Honduras em sua primeira jornada, e suas amigas Tara, Max e Cole.

Filipe Masetti Leite
Partida no dia 17 de maio ao lado de amigos, cavaleiros de várias partes do mundo

Foram Sara e as amigas que ajudaram no transporte – de British Columbia para o Alaska – dos cavalos que Filipe está montando. Pete e Alys, originalmente da Califórnia e Nova York – que agora moram em Palmer, no Alaska, também foram dar um ‘boa sorte’ a Filipe. Assim como a sorridente Debra Moore, uma oficial veterana americana, que esteve na ‘Tempestade no Deserto’ e no Iraque. Todos montados em seus cavalos.

Filipe, na partida – e em toda viagem – teve a companhia de sua namorada, Clara Davel. A argentina esta sendo um grande suporte à jornada. É ela que dirige o motorhome, veículo de apoio do Cavaleiro das Américas nessa aventura. Ela também partiu ao lado dele, montada em um Friesian. Clara ficou impressionada. “Não conseguia acreditar que todas aquelas pessoas tinham ido lá para partir junto com Filipe. Foi incrível”.

Filipe Masetti Leite
Filipe e Clara

E assim começou a terceira e última jornada dele. “Seguimos uma estrada de cascalho ao lado do oleoduto Trans-Alaska durante a maior parte do dia. Parte do maior sistema de oleoduto do mundo, pode fornecer dois milhões de barris de petróleo por dia. Mas rapidamente o oleoduto desapareceu no panorama majestoso da paisagem do Alaska. No Pólo Norte, uma pequena cidade a 30 quilômetros ao sul de Fairbanks, passamos um dia. A partir daí, seguimos a rodovia”.

O Estado é pantanoso e os rios tão largos, quase não há alternativas para viajar para o sul. Em alguns pontos, Filipe , Smokey e Mac (seus cavalos mustangs), foram forçados a andar sobre o asfalto. O que causou apreensão, não só pelo perigo inerente, mas também porque Smokey teve menos tempo de treinamento e ainda era um cavalo selvagem. Segundo Filipe, nessa fase, os instintos selvagens faziam com que ele se assustasse a cada barulho alto, forma desconhecida ou a proximidade de animais selvagens.

Filipe Masetti Leite
Filipe, Smokey e Mac

Eles cruzaram com seis alces, duas vacas com bezerros e várias raposas. “Embora eu não visse nenhum urso, Smokey e Mac os cheiravam regularmente, ficando agitados com a cabeça erguida, bufando repetidamente, examinando o ambiente ao redor e querendo fugir”. Ainda tiveram que passar por áreas de treinamento de jatos, perto de Delta Junction. “Jatos de combate quebrando a velocidade do som, estrondos sônicos, que fizeram meu coração pular e meus mustangs decolarem a toda velocidade”. Tiveram que tomar cuidado ao passar perto da Base da Força Aérea Eielson.

Em uma viagem como essa, tudo pode acontecer. Mas não é só com os cavalos que os problemas chegam. E eles apareceram bem cedo, antes de duas semanas de jornada. Primeiro, a bateria do motorhome explodiu e Filipe teve que atrasar um pouco a caminhada para resolver. Depois foi Mac, que fugiu de madrugada do piquete montado em uma das paradas. Mas Mac não foi o único. “Estava montando em Smokey, apreciando a vista ao meu redor, quando ele começou a pular por conta de um incomodo. Ainda bem que consegui controlar a tempo”.

Filipe Masetti Leite

Em 6 de junho, às 17h12, no último dia em que os cavalos puderam estar legalmente no Alaska, eles cruzaram a fronteira para Yukon, no Canadá. “Enquanto esperávamos que o oficial de imigração canadense examinasse os documentos dos cavalos e meu passaporte, eles foram atração. ‘Bem-vindo ao Canadá’, me disse o oficial de cabelo espetado depois de alguns minutos. Então, entramos em Beaver Creek”.

Os cavalos pareciam bons e Filipe estava exausto. “Mas, estar na comunidade mais ocidental do Canadá me fez sorrir. Com uma população de cerca de 80 pessoas, foi o lugar perfeito para descansar por alguns dias. Era hora de preparar para o nosso passeio pela terra do sol da meia-noite.” Ele segue viagem e você consegue acompanhar tudo pelo Instagram. Belas paisagens, lindos cavalos e um cavaleiro arrojado em uma aventura de tirar o fôlego.

Por Luciana Omena
Fonte: The Star
Fotos: Cedidas