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Diana Brooks expressa sua arte através da arquitetura equestre

A arquiteta se inspirou em projetos de fora do Brasil que culminou com o direcionamento da sua carreira, pautada também no bem-estar animal

Diana Books, 33, é formada em arquitetura há dez anos pela PUC de Campinas, cidade em que vive atualmente. No entanto, desde os 9 anos de idade os cavalos estão em sua vida. Ela começou a montar em uma escola de equitação, Hípica Indaiatuba, em Indaiatuba/SP, e foi dessa forma que aflorou essa paixão. O contato com cavalos é constante desde então, quando no começo participava de competições de Salto.

“Sempre fui medrosa, sempre gostei mais do animal, do contato, do que do esporte em si”, recorda. O lado atleta de Diana Brooks, então, deu lugar ao lado mais artístico. A ideia de trabalhar especificamente com arquitetura equestre aconteceu de uma maneira muito natural para ela, já que logo depois de formada criou um blog para compartilhar projetos que gostava e esse assunto era recorrente em seus posts.

Diana Brooks expressa sua arte através da arquitetura equestre A arquiteta se inspirou em projetos de fora do Brasil que culminou com o direcionamento da sua carreira, pautada também no bem-estar animal

“Eu sempre postava projetos de arquitetura equestre de inspirações fora do país, pois aqui no Brasil eu não encontrava muitos projetos feitos por profissionais, ou que levassem em conta as questões de segurança e eficiência que eu via de fora do Brasil”, relata. Como o acaso não existe, o proprietário de um loteamento de alto padrão entrou em contato pedindo um projeto de uma hípica dentro do condomínio.

Em primeiro lugar, apesar de conhecer e estudar, Diana ainda não tinha realizado trabalho semelhante. “Isso aconteceu há cerca de cinco anos e eu fui sincera em falar que eu ainda não tinha feito nenhum projeto e em nossa conversa ele disse que eu deveria me especializar no assunto, pois não tinha encontrado ninguém no Brasil que fizesse isso”.

Diana Brooks expressa sua arte através da arquitetura equestre A arquiteta se inspirou em projetos de fora do Brasil que culminou com o direcionamento da sua carreira, pautada também no bem-estar animal

O começo

Foi então que Diana percebeu uma oportunidade de mercado e se jogou nos estudos, buscando especializar-se e conhecer mais sobre arquitetura equestre. “Montei um site – www.arquiteturaequestre.com.br – e os clientes foram aparecendo. Como todo meio, o começo foi difícil, escasso, mas hoje em dia não posso reclamar”.

E os trabalhos foram aparecendo. Diana já fez projetos para clientes em diversas regiões do país, desde lugares de clima quente como Maranhão até lugares mais frios como Rio Grande do Sul. “Em todos os projetos, a preocupação principal é o conforto em bem-estar dos animais, que sempre caminham junto com o desejo dos proprietários”.

Bem-estar animal

Diana aponta ainda que a segurança, conforto e bem-estar dos cavalos são assegurados por diretrizes de projeto que estimulam o contato e interação social entre eles. O arquiteto, acima de tudo, deve entender os instintos e necessidades básicas dos cavalos.

“Por exemplo, na natureza, os cavalos vivem em grupos. Ao serem isolados em baias individuais podem se sentir inseguros, entediados e desenvolver comportamentos de ansiedade já conhecidos como aerofagia (engolir ar), tecelagem (dança do urso), balançar a cabeça constantemente, mastigação, entre outros, que podem afetar a saúde e bem-estar do cavalo”, reitera.

Por isso, em nos trabalhos que realiza Diana prima por estimular a socialibilidade entre os animais, sempre que possível. Sendo, segundo ela, um fator primordial para otimizar sua qualidade de vida. “Simples medidas como tirar as paredes sólidas entre uma baia e outra, colocar divisórias vazadas nas laterais e frente, adicionar uma porta ou janela para a parte externa da baia já podem otimizar a qualidade de vida e, consequentemente, até o desempenho profissional de um cavalo”.

Diana Brooks expressa sua arte através da arquitetura equestre A arquiteta se inspirou em projetos de fora do Brasil que culminou com o direcionamento da sua carreira, pautada também no bem-estar animal

Arquitetura Equestre

Atualmente, a arquitetura das instalações voltadas para cavalos, quer seja ela um grande haras, um rancho, quer seja uma hípica ou até um pequeno méneje, são baseadas em uma cultura de replicar o padrão construtivo adotado de forma equivocada no país, conta Diana.

“Por exemplo, uma deficiência encontrada em 95% das construções de cocheiras do Brasil é a privação de luz natural, isso vem de uma cultura de que em um país tropical, predominantemente quente, fazer baias escuras para os cavalos irá tornar o lugar mais fresco e, por conseqüência, mais saudável para o equino.

Quando, na verdade, só deixará o local mais úmido e abafado. Se projetarmos adequadamente, a exposição a luz natural só trará benefícios como desenvolvimento de vitamina D, ou seja, a pele, o casco, os dentes e ossos dos cavalos se beneficiarão da luz solar”.

A arquiteta ainda aponta que a luz natural é comprovadamente eficaz ao eliminar germes e patógenos continuamente. Além disso, é o único fator que ajuda a regular a produção de hormônios como a melatonina. E, conforme os conceitos que baseia os seus projetos, a luminosidade atrai o interesse dos humanos pelo lugar.

E também ajuda a otimizar o desempenho dos ocupantes e tarefas dos funcionários, com uma visibilidade melhor, tornando o espaço mais seguro para o animal, consequentemente, melhorando o humor e a produtividade de todos lá dentro. “Basta dizer que, como uma defesa natural do ser humano, ao entrar em um lugar escuro, mal iluminado, você quer sair logo, buscar a luz; ao passo que ao entrar em um lugar iluminado”.

Otimização através da arquitetura

 Por outro lado, alerta Diana, além de todos esses benefícios, os locais ainda conseguem a economia de energia elétrica, sem luzes acesas durante o dia. “Como disse, a maioria das nossas instalações no Brasil não desfrutam dessa vantagem gratuita que é a luz do Sol, a boa notícia é que mesmo em haras e hípicas com edificações já existentes é possível mudar isso”.

E de que forma ela trabalha para sanar os problemas apontados e criar projetos diferentes, que pensam além do usual? “Podemos adicionar, sobretudo, painéis translúcidos no forro, maximizando aberturas superiores, janelas, etc. Essas medidas, combinadas com a ventilação adequada irão tornar o ambiente muito mais saudável e seguro”.

Outra deficiência que ela aponta frequentemente encontrada no Brasil é negligência à ventilação natural, com poucas e ineficientes aberturas. “Além do fator conforto térmico a ventilação também tem papel crucial na eliminação da amônia de dentro da cocheira, um gás tóxico resultante da urina do cavalo.

Portanto, a chave para uma boa ventilação natural é o estudo da posição da cocheira em função das brisas prevalecentes no local. Antes de iniciar qualquer projeto, faço um estudo dos ventos predominantes, clima e microclima local, análise de encostas, áreas verdes, tudo isso irá impactar no conforto térmico dos cavalos”.

Traduzindo sua paixão

Sua paixão por cavalos se traduz muito no amor que passa em seus projetos. “Posso ficar aqui, horas citando exemplos de estruturas mal executadas e inseguras para os cavalos que já causaram até acidentes fatais. Por isso, eu não só faço projetos, mas também compartilho muitas informações sobre tudo que devemos nos atentar na hora de executar uma construção para cavalos”.

Desse modo, ela acredita que aquelas pessoas que não contratam um profissional para fazer seu projeto, podem também executar estruturas que não sejam perigosas ou insalubres. “Faço conteúdo e deixo disponível no canal do YouTube – Arquitetura Equestre, no Instagram – @arquitetura_equestre e no próprio site que já citei acima.”

Por Luciana Omena
Crédito das fotos: Arquivo Pessoal

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