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Ganhando controle nos Três Tambores

Claudia Ono trás essa semana em seu artigo um texto em que Fallon Taylor fala sobre equipamentos e a funcionalidade das embocaduras

“Tenho um mau hábito e acho que não sou a única nos Três Tambores fazer isso. Costumo tentar adequar o cavalo à embocadura ao invés de fazer o contrário. E imagino que você já tenha feito isso também”.

Em 1995, Fallon Taylor se classificou para a National Finals Rodeo pela primeira vez com sua famosa égua Flowers And Money. Ela e ‘Flo-Jo’, portanto, eram inseparáveis. Fallon diz que ninguém mais gostava de Flo-Jo, mas que ela a adorava.

A competidora tinha 14 anos nessa época. Sobretudo, gostava de usar os equipamentos da moda e escolheu um hackmore de Jim Warner. Esse equipamento fez a cabeça de Flo-Jo baixar demais toda vez que ela corria.

Além disso, Fallon também usava rédeas de couro trançado que eram as suas favoritas, e ainda são. Contudo, nessa idade, ela não gastou muito do seu tempo cuidando melhor de seu equipamento ou aprendendo como usar o hackmore de forma mais apropriada.

Assim sendo, após alguns anos de sucesso com Flo-Jo, Fallon decidiu aposentá-la para criar alguns potros incríveis. Então, veio o mau hábito. Escolheu seu potro favorito pensando em qual trabalharia melhor com seu velho hackmore, uma vez que isso a havia levado à NFR nos anos anteriores.

Filosofia

Segundo Fallon, essa filosofia romântica se parecia com o conto de fadas da Cinderela, que se tornou uma princesa porque seu pé coube em um sapatinho. E que apesar de BabyFlo carregá-la a tantas vitórias usando o hackmore (mal ajustado), percebeu que tinha pouco controle.

Acima de tudo, que derrubaram muitos tambores por isso. O que terminou por decepcioná-la quando se terminou o mundial da PRCA de 2012 em 16° lugar (sem vaga na final). Ainda assim, não desistiu de usar seu equipamento ‘mágico’.

 Após a NFR de 2013, onde Fallon derrubou mais tambores do que suas concorrentes juntas, decidiu reavaliar o uso de seu equipamento. Passou a usar uma embocadura com uma perna mais longa e um ‘tie-down’ para reunir Babyflo antes dos giros.

Dessa forma, fez um trabalho para melhorar a sua comunicação com a égua. Ao mesmo tempo em que passou a se concentrar mais em sua equitação. Levou um bom tempo e muitos passadas pelo percurso. Fallon se perguntava por que ela não poderia ajudá-la mais, usar corretamente seus posteriores? Afinal, ela já era uma égua treinada.

Então, precisou reavaliar as suas habilidades de equitação e se perguntava por que suas mãos não trabalhavam melhor. Eventualmente, porque não conseguia levar Babyflo ao lugar certo. E ainda, porque se preocupava mais em segurar no pito do que em ajudar a égua?

Ganhando controle nos Três Tambores
Foto: Springer

Mudança

Após praticar muito o percurso, Fallon percebeu que Babyflo precisava mais dela e que ela precisava de mais controle sobre sua égua. Por isso, a amazona aconselha que os competidores avaliem melhor cada parte de seus equipamentos antes da próxima prova para que possam ter um ano com mais sucesso.

E ela coloca algumas questões:
-Você está usando uma sela que ajuda o seu desempenho e o do seu cavalo ou usa esta sela porque é bonita?
-As suas rédeas são adequadas as suas mãos?
-Sua cabeçada e embocadura são ideais para o controle que você precisa, adequadas a você a ao seu cavalo?

E o que Fallon pensa sobre o hackmore? Ela ama! E agora sabe qual é o propósito desse equipamento. Também sabe em quais cavalos pode e não pode usar e sabe como ajustá-lo.

Como escolher esses equipamentos

Aqui um pequeno resumo de como Fallon escolhe os bocais e cabeçadas após todo esse aprendizado:

  • Pernas curtas ou nenhuma perna criam muita flexão e quebra nas costelas com um pequeno ‘whoa’ e leve elevação.
  • As pernas médias criam flexão e um pouco mais de curvatura com uma suave redução de velocidade.
  • Pernas longas criam muito controle e flexão quando usadas corretamente.
  • Embocaduras suaves e lisas oferecem menos controle, mas são muito apropriadas para um cavalo jovem que está apenas aprendendo.
  • O bocal torcido ou de três peças, quando combinadas com uma haste média a longa, oferecem muita elevação e controle. Lembre-se, quanto mais fino o diâmetro do bocal, maior a possibilidade de ferir a boca sensível de um cavalo e só devem ser usadas por cavaleiros muito experientes e técnicos.
  • Os bocais de corrente proporcionam muito movimento nas paletas e quando combinados com uma haste mais longa podem ajudar a obter mais controle.

Claro que esta lista é apenas um pequeno exemplo, porque há milhares de embocaduras disponíveis no mercado.

O importante é aprender sobre eles e usar aquele que mais se adeque às suas necessidades e as do seu cavalo para que vocês subam de nível nas suas provas.

Por Claudia Ono
Três Giros
Foto de chamada: Reprodução/Facebook

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