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O adeus a Rolando Boldrin

Grande percussor da música caipira, o ator, cantor, apresentador e compositor fez história em prol da cultura sertaneja e vai deixar saudades

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A cultura sertaneja do Brasil está de luto. A morte de um dos principais expoentes do sertanejo e das raízes da música caipira no Brasil, Rolando Boldrin, faleceu na tarde de ontem (09/11), aos 86 anos, em São Paulo.

Quem nunca se sentou em uma roda com amigos e não contou um causo, cantou uma de suas 170 composições ou ainda riu relembrando alguma de suas histórias… Rolando Boldrin “tirou o Brasil da gaveta e fez coro com os artistas mais representativos de todas as regiões do país”, afirmou em nota a TV Cultura, sua casa há 17 anos.

Além de sua importância na música caipira nacional, como cantor e compositor, Boldrin marcou época com seus programas de televisão. Na TV Globo, lançou em 1981 o Som Brasil, programa que inicialmente começou no rádio, e na televisão, abriu as portas para as mais diversas atrações da música caipira, grande destaque do programa. Boldrin ainda contava causos, dançava e exibia peças teatrais e pequenos documentários.

Na sequência, apresentou os programas “Empório Brasileiro” na TV Bandeirantes e “Empório Brasil” no SBT. Atualmente, estava na TV Cultura à frente do “Sr. Brasil” desde 2005.

“Em seu programa, o cenário privilegiava os artesãos brasileiros e era circundado por imagens dos artistas que fizeram a nossa história, escrita, falada e cantada, e que já viajaram, muitos deles ‘fora do combinado’, conforme costumava dizer Rolando”, diz nota da TV Cultura

Boldrin também era ator

Com mais de 60 anos de carreira na TV, Boldrin também fez sucesso na teledramaturgia, atuando em mais de 30 novelas, como: “O Direito de Nascer”, “As Pupilas do Senhor Reitor”, “Os Deuses Estão Mortos”, “Quero Viver”, “Mulheres de Areia”, “Os Inocentes”, “A Viagem”, “O Profeta”, “Roda de Fogo”, “Cara a Cara”, “Cavalo Amarelo” e “Os Imigrantes”.

Composições que marcam os corações

‘Eu, a viola e Deus”, Vaca Estrela e Boi Fubá”, “Acorda Maria Bonita”, “Brasil Poeira”, entre outras. Basta a leitura dos títulos para a memória trazer a mente momentos marcantes de nossas vidas. As músicas de Rolando Boldrin representavam a vida simples do homem do campo, com todas as suas nuances e belezas.

Além de compositor, Boldrin era cantor. Começou a sua carreira na infância, aos doze anos, ao lado de seu irmão, formando a dupla Boy e Formiga que fez sucesso na rádio de sua cidade natal, São Joaquim da Barra, interior de São Paulo.

Aos dezesseis anos, Boldrin foi para a capital São Paulo, de carona em um caminhão, para buscar a sua carreira de cantor. Trabalhou como sapateiro, frentista, carregador, garçom e ajudante de farmacêutico. Aos dezoito, serviu o exército em Quitaúna e, nos anos que se seguiram, dedicou-se à atividade musical.

Sua grande estreia foi em 1960 como um participante do disco de Lourdinha Pereira, que mais tarde se tornou sua esposa.  Seu primeiro álbum solo foi lançado em 1974, “O Cantadô”. Sucessos que marcaram época e inspiraram novos artistas, ontem, hoje e sempre.

Rolando Boldrin está eternizado na história da cultura caipira do Brasil.

Despedida de Rolando Boldrin

Rolando Boldrin é velado no Hall Monumental da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), até às 15h, e o sepultamento ocorrerá no cemitério Gethsêmani Morumbi, na Zona Oeste da capital, às 17h.

Por Camila Pedroso . Redação Cavalus

Fotos: Uol/ G1/ Terra

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