Essa é a minha tríade de hoje: o uso do reio, a dor e a adição de coragem. E elas estão intimamente ligadas a você, ao seu cavalo e ao comportamento dele na pista.

O Dr. Andrew McLean – PhD em neurociência, responsável pelo estudo sobre Aprendizado e Comportamento Equino (Australian Equine Behaviour Centre) – comprova que a base do aprendizado do cavalo, portanto, se dá pelo alívio da pressão.

O cavalo aprende quanto a pressão é removida. Então ele associa ao seu comportamento. Você solicita com um pouco de pressão e mostra o acerto aliviando a pressão imediatamente. É, sobretudo, em uma fração de segundos que o seu cavalo relaciona uma coisa com a outra.]

Dessa forma, o Dr. McLean afirma que o uso repetido do chicote apenas confunde o cavalo. Porque ele entende que está sendo punido, mas não sabe o motivo.

Nesse sentido, quando você usa o chicote repetidas vezes, o cavalo aprende que aquilo é um sofrimento. Eventual,ente, que quando você treina ou corre, períodos de dor e punição vão ocorrer. Acima de tudo, entra em um estado de ‘torpor’ apenas se submetendo ao sofrimento.

As marcas de chicote visíveis no cavalo são as lesões cutâneas multifocais elevadas (inflamação) dispostas em padrões lineares nos locais afetados. Os vergões são o resultado do rasgo e esmagamento dos tecidos sob a pele quando atingidos pelo reio. Inflamação devido a trauma é dolorosa. Foto de Kristen Manning. Diagramas explicativos das lesões por solda da revista Horses and People

Entenda melhor

A pele dos nossos cavalos tem 0,5 milimetros de espessura. As nossas têm 0,8 milimetros. Portanto, eles têm a pele mais fina e sensível do que a do ser humano. Certamente já te disseram que eles não sentem dor ao serem chicoteados.

Na Austrália foram realizadas necropsias em cavalos de Corrida e foram encontrados rompimentos e lacerações musculares causados pelo uso do reio. Acredite, esses cavalos sentiram dor.

Não é nada raro ter cavalos excessivamente nervosos e ansiosos. Mas o que você sentiria se fosse você sob o reio?

Se você está pensando que sem o reio os cavalos farão tempos mais altos, engana-se. O mesmo estudo provou que as mais altas velocidades nas corridas foram alcançadas justamente nos trechos sem o uso do chicote.

Acelerar, incentivar o seu cavalo a correr é muito mais uma ação vinda da sua explosão energética do que de outro artifício qualquer.

Um cavalo pode ser ensinado a correr. Na verdade existe uma série de ações equivocadas que fazem com que o cavalo deixe de adicionar velocidade. A saber, pressão exagerada da embocadura nas entradas dos tambores.

Você pode desenvolver o desejo pela velocidade, passar a se divertir e querer cada vez mais.

Na medida em que essa velocidade se tornar algo prazeroso para você ela será um convite à diversão para o seu cavalo.

Você pode optar por cruzar a fotocélula com um tempo baixo e uma passada cheia de energia. Entretanto, pode optar por não causar dor no seu cavalo.

Mude a forma de pensar e agir

Eleve o nível da sua equitação, reprograme o seu mindset e adicione coragem à sua prova. Essa coragem, essa sensação libertadora mudará a sua energia e o seu cavalo seguirá você sentindo-se seguro e confiante.

Comece agora refletindo sobre o assunto. Estou certa de que o seu ganho será imenso. O seu cavalo agradecerá e isso virá na forma de resultados no percurso.

Pense nisso! Lembre-se de que muitos conceitos atuais foram gerados a partir da ideia de que cavalos eram animais violentos, há cerca de quatro mil anos. Contudo, graças à ciência, muitos desses velhos conceitos estão sendo derrubados.

Eu acredito que a cooperação sempre trará melhores colheitas. E a nossa relação com os cavalos é tão forte e intensa que não cabe domínio ou repressão.

Três Tambores: velocidade sem reio, sem dor e com coragem

Nas minhas quatro décadas com eles aprendi que eles desejam ser nossos parceiros. Vejo e vi em todos os meus cavalos um olhar de cumplicidade e confiança conquistados a partir do respeito e de um amor infinito.

Os únicos momentos em que NÃO tive o melhor que eles podiam me dar aconteceram quando NÃO foram tratados com respeito. No mais, sempre me deram 110% de si.

Repense seus conceitos e duvide de explicações rasas. Busque por informação. Após quatro mil anos de domínio do homem sobre os cavalos, acho que é hora de criarmos mais laços do que domínio.

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Por Claudia Ono
Três Giros
Fotos: Cedidas