Olhando para trás, Bobby Ingersoll lembra bem a epifania que moldaria todos os seus dias, do começo até o fim

Bobby Ingersoll tinha 12 anos e assistiu a uma prova de Working Cow Horse, na categoria Bridle.Tinha ido com seu pai em sua terra natal, Califórnia. Inesperadamente, em exibição estavam os cavaleiros que mantinham a tradição do vaqueiro espanhol.

A cultura desse tipo de cavalo vem do cavaleiro espanhol e mexicano, que gerenciava as raças nas fazendas da Califórnia durante os séculos 18 e 19. “Eu babei vendo o que aqueles cavalos faziam e como eram treinados”, conta Ingersoll para a reportagem da Quarter Horse News enquanto monta um cavalo na arena do Will Rogers Coliseum.

Difícil é vê-lo longe de um cavalo, desde que disse ao pai naquele tempo que era aquilo que queria fazer da vida. Três anos depois, portanto, encontramos Ingersoll vencendo sua primeira prova, na Hackamore Class. Montava em um cavalo que seu pai comprou para ele quando tinha apenas dois anos de idade.

Hoje o treinador tem 80 anos e está competindo na prova mais concorrida do ano, o National Reined Cow Horse Association Snaffle Bit Futurity. Conforme dados de sua carreira, são 49 anos participando desse evento, desde 1970. E há 65 anos ele é treinador de cavalos.

Primeira edição e ele estava lá

Ingersoll e Les Vogt, então com 31 anos, compartilharam o prêmio principal concedido no Futurity, há quase 50 décadas. Eles montaram, respectivamente, Leocita Chex (King Fritz x Honey’s Best x Leo) e Wrong Key (Salero Bar x Diana Morelock x Del Rio Darkey).

Essa edição foi revolucionária, e acima de tudo, reverberou durante décadas. Até esse ponto, não havia mercado para os cavalos mais jovens (potros). Os pessimistas de disseram que o Futurity não ia vingar. Porém, Ingersoll e os demais treinadores permanecem, ano após ano, levando seus cavalos de três anos.

E é nesta época do ano que o principal evento de Working Cow Horse acontece, o que muitos consideram a mais emocionante disciplina, mostrando a versatilidade do cavalo. Ingersoll, NRCHA Hall of Fame, apresentou cinco dos 27 cavalos em 1970, no primeiro Futurity.

A saber, na edição desse ano os números registraram quase 300 potros, todos competindo por uma parte da bolsa total de mais de US$ 1,2 milhão. Só para o campeão do Snaffle Bit NRCHA Futurity Open serão US$ 125.000,00. A final acontece hoje, dia 19 de outubro.

Bobby Ingersoll mantém alta performance 49 anos depois
Bobby Ingersoll na cerimônia do Hall of Fame

História

Bobby Ingersoll, que hoje vive em Reno, Nevada, diz que foi abençoado por montar com os melhores cavaleiros de Working Cow Horse que já passaram pela costa oeste dos Estados Unidos. “Aprendi muito com eles e sempre gostei do que eles representavam, a tradição do vaqueiro espanhol”.

São três campeonatos mundiais no currículo. Em 1975, tornou-se tríplice coroado ao vencer o mundial no Futurity, Hackamore e Bridle – algo que nunca se repetiu. Ele esteve em 43 dos 49 Futurities.

Sua filosofia, como o vaqueiro espanhol, tem raízes no tempo e na paciência com o cavalo. Além de conhecer o tipo de equipamento necessário, ele sabe que é preciso conquistar o coração e a mente do animal.

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Talvez a mais notável realização de Ingersoll foi ter acabado em 21° lugar no Futurity de 1992, em Reno, Nevada. Ele apresentou um mustang que comprou por US$ 125,00. O treinador ficou intrigado com a idéia de treinar um cavalo selvagem que tinha um instinto natural para trabalho com gado.

“Eu o treinei igualzinho faço com todos os outros cavalos domados. Mostrei ao mustang como se fazia e ele aceitou. Cavalos têm coração e mente. Só precisamos de paciência com eles.”

Fonte: Quarter Horse News
Tradução e adaptação: Luciana Omena
Foto: Silver Legacy Hotel & Casino

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