Doce, determinada, talentosa e ganhadora de fivelas importantes em sua carreira como competidora

Essa é Giovanna Lima Diniz, 23 anos. Natural de Goiânia/GO, representa há muitos anos a cidade de Itapira/SP, onde mora e treina, no Rancho Diniz, o centro de treinamento da família. Falar de Rédeas é falar de Gilson Vieira Diniz, seu pai, treinador conceituado e respeitado. É também falar de Gilson Vieira Diniz Filho, seu irmão, experiente e ganhador de muitos títulos. Mas também é falar dela, que já conquistou seu espaço no esporte, mostrando que talento é algo que tem de sobra. A família fica completa com a mãe, Roseli, o esteio de todos eles, Gisely, sua irmã, seus sobrinhos Mariana, Daniel, Filipe e Liz, e seus cunhados, Hiram e Pâmela. Uma turma que o mundo do cavalo admira e respeita.

Campeã Potro do Futuro 2017 ao lado da família. Foto: Adilson Silva

Para ela, montar cavalo foi algo natural, já nasceu com seu pai sendo treinador. Campo, cavalos, treinos, provas, são a sua vida desde que ela se lembra. Poderia até ter escolhido outro caminho, mas não. Sorte a nossa! Que podemos vê-la arrasando nas pistas. Também está estudando medicina veterinária e pretendo atuar com cavalos, que não consegue ficar longe, só não definiu ainda em que área. Acabou de receber o prêmio de Melhor Competidor Amador da temporada 2016/2017 pela Associação Nacional do Cavalo de Rédeas – ANCR. O segundo da carreira. Até agora, apesar de gostar de muitas outras modalidades, ela nunca praticou outra que não seja a Rédeas. Mas quem sabe um dia, né?

Quer conhecê-la melhor? Confira o bate papo abaixo:

Aos quatro meses em cima da Lady Doc

Você já nasceu no cavalo, qual a primeira lembrança?

Giovanna: Lembrança mesmo não é, porque eu era muito nova, mas eu tenho uma foto com quatro meses de idade, em cima de uma égua muito querida pelo meu pai, a Lady Doc GDF (Reservada Campeã Potro do Futuro em 1996), ainda lá em Goiás. Acho que é a foto mais antiga que tenho em cima de um cavalo, sozinha. Meu pai dizia que era assim que ele me fazia dormir todas as tardes. Me colocava para andar com ele e eu gostava tanto que acabava dormindo. E eu tinha um pitiço palomino, muito grosso, que eu dei o nome de Melodys, quando eu tinha quatro anos. Levei muitos tombos dele também.

Com seu pitiço Melodys

E como é essa sua relação com os cavalos desde pequena, sempre gostou?

Giovanna: Sempre quis me envolver com tudo. Sempre admirei as provas. Eu gostava muito de montar e também de estar perto dos cavalos desde pequena, só que eu tinha bastante medo. Até que um dia meu pai me disse que se eu quisesse fazer prova eu tinha que treinar bastante. Isso foi um incentivo e eu treinava todos os dias. Amo treinar, mas o que eu gosto mesmo é de competir. Gosto de treinar o cavalo que eu vou competir, evoluir com ele (até porque eu sou beeemmm perfeccionista) e estarmos prontos para enfrentar as pistas juntos. Além de claro, cuidar muito bem de todos. Esse cuidado e carinho eu tenho por todos, até mesmo os que eu não monto.

E como foi sua primeira prova?

Giovanna: Eu tinha 11 anos, foi com o Tari Dun It, lá em Americana, na Fazenda São Jerônimo. Foi péssima! (risos) Muitos jovens me pedem dicas, do que eu penso enquanto eu estou fazendo prova, como eu faço para não ficar nervosa. E minha resposta é sempre a mesma: pense no seu percurso. Na minha primeira prova eu errei o percurso e esqueci dois círculos (risos).  Na verdade, nem foi por nervoso. Eu fiquei entusiasmada que eu consegui trocar de mão e troquei de novo, esquecendo mais dois círculos que faltavam. Mas sem dúvida nenhuma esse erro me fez errar pouquíssimas vezes o percurso novamente e também me deu muito mais incentivo de treinar, me aperfeiçoar e ir fazer outra prova.

Como buscou aperfeiçoamento?

Giovanna: Sempre me inspirei no meu pai e irmão. Então sempre quis me aperfeiçoar baseado neles e na ajuda deles. Lógico que aprendo muito de outros treinadores também, pois não perco a oportunidade de sempre perguntar e pedir ajuda pra alguns, principalmente em prova. Mas meu dia a dia, com certeza, sempre foi e sempre será meu pai e irmão. Ele são importantes na minha formação como competidora.

No Potro do Futuro de 2013.
Foto: Adilson Silva

Consegue expressar em palavras o que é tê-los perto?

Giovanna: Não consigo expressar em palavras. Eu passei um tempo nos Estados Unidos para aprender algumas coisas de Rédeas e foi muito válido! Mas quando voltei para casa eu percebi que era aqui que estavam meus professores de verdade e que me passam tudo que eles sabem (resta só eu conseguir aprender tudo, né? Hahaha). As vezes antes de prova fico até atordoada com tanta informação que eles me dão! Difícil é colocar em prática! Mas tenho certeza que eu tenho os melhores professores do mundo!

Como se sente quando esta prestes a entrar para fazer uma prova importante?

Giovanna: Como eu disse, eu penso muito no percurso. Penso muito nas manobras individualmente e no que eu preciso tomar cuidado em cada uma delas. A dica é nunca deixar o nervoso tomar conta, por mais que seja difícil. Como todo mundo, eu também me sinto nervosa, mas eu tento me manter muito concentrada para explorar os pontos fortes do meu cavalo e administrar as manobras que eles têm mais dificuldade.

Smart Country RLT. Foto Adilson Silva

Qual cavalo mais importante na sua trajetória?

Giovanna: Smarty Country RLT. Foi o cavalo que mais me passou confiança em pista e o que eu mais ganhei prova até hoje. Além de eu amar ele de paixão!

Principais títulos:

Giovanna: Tricampeã Potro do Futuro ANCR, sendo em 2013 e 2017 do nível 4 e em 2015 do nível 3; Tricampeã Derby ANCR (2012, 2015 e 2016); Tricampeã Super Stakes ANCR (2009, 2011 e 2016); Campeã Congresso Brasileiro ABQM 2016; Campeã Nacional ABQM 2016; Bicampeã Nacional ANCR (2012 e 2016); Reservado Campeã Copa dos Campeões 2016;  Campeã Copa Querência 2012, entre outras provas de Núcleo.

Qual prova ainda não ganhou e quer ter no currículo?

Giovanna: Alguma prova principal da ANCR na categoria Aberto, em qualquer nível.

Foto: Adilson Silva

Sua temporada nos Estados Unidos te ajuda hoje no seu dia a dia aqui no Brasil?

Giovanna: Ajuda muito! A dar valor ao que temos aqui e, principalmente, por em prática muitas coisas que aprendi lá. Não só na parte prática de Rédeas, mas em gestão também. Para mim foi uma primeira faculdade. Aprendi outra cultura, outra língua, técnicas de treinamento, e a me relacionar. E o maior presente dessa viagem é ter amigos e pessoas muito queridas por lá. Fiquei cinco meses com a Dori Schwartzenberger e sua família, no Colorado, e mais um mês no Shawn Flarida, em Ohio.

Porque a Rédeas é importante na sua vida?

Giovanna: Porque Rédeas eu sinto que é o meu lugar. Onde eu tenho todo apoio da minha família e uma paixão muito grande pelo esporte. Porque aqui não é quem tem o cavalo mais caro, importado, melhor, com o papel melhor ou qualquer coisa do tipo que ganha. Na Rédeas ganha o conjunto. Tem que ser perfeccionista, tem que treinar muito e estar em sintonia. É disso que eu gosto.

Antes de entrar em pista, ela faz uma oração

Um recado para quem se espelha em você e tem o sonho de ser uma competidora?

Giovanna: Nunca desistir dos sonhos. Como eu disse, Rédeas não é só o cavalo. Depende de muitas coisas numa prova pra ganhar! Então meu conselho é nunca desistir.

Para encerrar, quem você admira na Rédeas, além do seu pai e irmão?

Giovanna: Marcelinho Almeida.

Por Luciana Omena

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