“O Bulldog é uma necessidade para me manter vivo!”

Fernando Pierini Costa, 33 anos, é apaixonado por animais desde que se recorda. Médico Neurologista, ele é um dos bulldogueiros que resolveu chamar para si a responsabilidade de não deixar a modalidade acabar de vez.

De São João da Boa Vista, onde aprendeu a andar a cavalo, fez cursos e conheceu o Bulldog, Fernando hoje mora em Santos, onde montou sua clínica, ambas cidades paulistas. Casado com Tamires Santos Datoguia Costa, 32 anos, tem nela e na família o apoio necessário para seguir com seus objetivos.

Seus cavalos ficam no Rancho Bisturi, em Vargem Grande do Sul/SP, o reduto hoje do Bulldog no Estado. Já praticou Laço de Bezerro, com o amigo Mateus Bovo, mas não sentiu muita afinidade com a corda. Ao lado de competidores veteranos e novatos, Fernando segue sua carreira na modalidade mais radical do rodeio.

Confira a entrevista que ele concedeu ao portal Cavalus!

Você lembra do seu primeiro contato com cavalos?

Fernando: Sim, foi aos três anos de idade. Meu pai sempre teve propriedade rural e desde criança sempre fui apaixonado pelos animais. Aos quatro anos fiz um curso de equitação em um haras chamado Tenéra, em São João da Boa Vista. Daí em frente, nunca mais abandonei o mundo dos cavalos e das provas equestres.

Como tomou contato com o Bulldog?

Fernando: Realizei um curso proporcionado pelo Rancho VT ‘Vazta’, em São João. O rancho era administrado pelos bulldogueiros de São João – Diego Domingues, Marcelo Domingues ‘Mortadela’, Adriano Vaz de Lima, Felipe Vaz de Lima e Zito. Foi em 1999, quando tinha 12 anos de idade.

Foto: @MardomPhotos | Marcelo Domeniqueli

Começou cedo, né? Você lembra da sua primeira prova?

Fernando: A primeira prova de Bulldog que competi foi no rodeio de São João da Boa Vista,a famosa EAPIC. Me lembro perfeitamente que consegui entrar para final na primeira classificatória. Uma emoção contagiante! Ainda mais na minha cidade natal. Estava montando um animal que eu e meu amigo Deivis preparamos para a modalidade, chamado Perpétua. Eu tinha apenas 14 anos, mas me sentia em casa diante dos demais profissionais.

Para ter sucesso, precisou buscar aperfeiçoamento. Como foi?

Fernando: Através de muita dedicação! Treinando por muitos anos com Renato Finazzi, Lucas Ranzani. Também indo até os Estados Unidos, competindo com os melhores do mundo, graças também ao apoio do grande amigo Cássio Jorge. Ele fazia Bulldog aqui no Brasil e hoje mora no Texas.

Gosta do estilo de algum buldogueiro ou admira alguém no esporte como fã?

Fernando: Tyler Waguespeck. Pela constância e técnica que demonstra durante o ano no atual campeonato mundial da PRCA. Tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente e competimos juntos. Pessoa de extrema humildade e dedicação, mostrando um dos motivos de ser bicampeão mundial.

Como terminou o campeonato 2019 da ANB

Não temos tantas provas de Bulldog hoje em dia, mesmo com a volta da ANB, então como faz para manter-se em treinamento?

Fernando: Me dedico semanalmente 12 horas por dia para a Neurologia. A profissão que valorizo muito e faço com muito amor. Aos finais de semana, vou aos treinos de Bulldog, em média cinco horas por dia. Se pudesse, sem dúvida, treinaria mais. Além de hobby, levo muito a sério. Me preparo como atleta para estar sempre pronto para competir. Um esporte que exige muito condicionamento físico e técnica.

Quais títulos você destaca na sua carreira?

Fernando: Entre os mais importantes, finalista Jackpot Roy Duvall 2019, em Oklahoma, Estados Unidos; bicampeão do Rodeio de Divinópolis/MG; campeão do Rodeio de Guaxupé/MG; duas vezes reservado campeão do Rodeo de Barretos/SP e de Divinópolis; reservado Campeão Nacional ABQM e ANB; campeão da Copa Barretos.

Fernando competiu nos Estados Unidos

Tem algum título que ainda não conquistou e deseja agora nessa retomada?

Fernando: Sem dúvida, um título internacional. De preferência em uma das maiores provas de Bulldog dos Estados Unidos, o Jackpot Roy Duvall.

Qual prova te marcou mais até hoje?

Fernando: A primeira fez que tive o prazer de competir nos Estados Unidos em um mesmo evento com alguns campeões mundiais. Aumenta muito o nível técnico e a disputa é decidida em detalhes. Não existem tantos erros e a chance de ficar entre os melhores depende muito do competidor e não de sorte.

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Qual, entre os animais que montou, que considera especial?

Fernando: Sim, o Nilo. Até hoje é de propriedade do Renato Finazzi. Um cavalo que já ganhou mais de uma vez todas as competições do Brasil. Sem dúvida o cavalo mais honesto que montei.

Você está à frente da retomada da ANB e de reerguer o Bulldog junto com outras pessoas. Como foi que essa nova fase começou e você decidiu se engajar?

Fernando: Tive que ficar longe da modalidade por três anos devido a minha formação profissional, mas nunca deixei de competir nos rodeios que ainda restavam em Minas Gerais. Sempre tive um bom relacionamento com todos os competidores e percebi que a modalidade estava em ascensão em Minas Gerais.

Então, convidei os bulldogueiros Lucas Gonçalves e Gerônimo Luis para assumir novamente a ANB junto comigo. Havia programado de competir em maio nos Estados Unidos e assim, com novas regras e premiação fixa, conseguimos consolidar a nossa associação.

A ANB é antiga, passou pela mão de muita gente boa, mas precisava que alguém retomasse para reerguer a modalidade. Hoje já vislumbramos grandes conquistas, com a proposta de levar o campeão de 2020 para competir nos Estados Unidos com inscrição paga.

Para finalizar, o que o Bulldog e o esporte equestre representam para você?

Fernando: Acho que a palavra que resume tudo isso é ‘família’! Fazemos grandes amizades, dentro e fora da competição. Vício não é uma palavra legal para resumir o que o Bulldog significa pra mim. Porém posso definir como uma necessidade para me manter vivo!

Por Luciana Omena
Colaboração Ricardo Pantaleão
Fotos: Cedidas