Feno recompactado ganha espaço ao unir qualidade e eficiência logística

Tecnologia preserva as características nutricionais da forragem, melhora o aproveitamento de espaço e pode reduzir custos com transporte, armazenamento e manejo

O avanço da profissionalização no agronegócio brasileiro também está transformando a maneira como as forragens são produzidas, armazenadas e comercializadas. Entre as soluções que ganham espaço nesse cenário está o feno recompactado, tecnologia que aumenta a densidade dos fardos e proporciona maior eficiência logística sem modificar a composição nutricional do alimento.

Diferentemente do que o nome pode sugerir, a recompactação não transforma o feno nem acrescenta componentes ao produto. O processo altera apenas sua apresentação, tornando os fardos mais compactos, uniformes e adequados para transporte, armazenamento e distribuição.

Segundo Daniel Felipe Adamczuk, sócio-proprietário da VIP Feno, a principal diferença entre o feno convencional e o recompactado está no formato e na densidade do produto, e não em sua qualidade nutricional.

“O alimento continua sendo o mesmo. O que evolui é a maneira como ele é armazenado, transportado e distribuído”, explica.

Como é produzido o feno recompactado?

O feno convencional é enfardado diretamente no campo depois que a forragem passa pelo processo de corte e secagem. Para a produção do feno recompactado, esses fardos são submetidos a uma segunda etapa, na qual uma máquina específica exerce pressão sobre o material.

O resultado são fardos mais densos, compactos e padronizados, capazes de ocupar menos espaço durante o transporte e o armazenamento.

Esse processo, entretanto, não interfere na composição do alimento. Quando o feno é produzido corretamente, com respeito ao ponto ideal de corte, secagem adequada, controle da umidade e boas condições de armazenamento, suas características nutricionais são preservadas mesmo após a recompactação.

Proteínas, fibras e os demais nutrientes presentes na forragem permanecem disponíveis. A tecnologia atua sobre o volume do fardo, não sobre a composição do alimento.

“A recompactação não corrige problemas de produção. Ela potencializa a eficiência de um produto que já possui qualidade”, ressalta Adamczuk.

Por isso, a escolha da matéria-prima é determinante. Um feno que tenha sido colhido fora do ponto adequado, armazenado com excesso de umidade ou produzido sem os cuidados técnicos necessários não se torna melhor simplesmente por ser recompactado.

Ganho de eficiência no transporte

Um dos principais benefícios do feno recompactado está na logística. Como os fardos apresentam maior densidade e ocupam menos espaço, é possível transportar uma quantidade maior de produto em uma mesma carga.

Na prática, isso melhora o aproveitamento da capacidade dos veículos e pode reduzir o número de viagens necessárias para transportar determinado volume de feno. A economia torna-se especialmente relevante em períodos de aumento dos custos de frete ou quando o alimento precisa percorrer longas distâncias até chegar ao consumidor.

A padronização também facilita o carregamento, a conferência das cargas e o planejamento da distribuição. Para produtores e empresas que trabalham com volumes elevados, essa previsibilidade contribui para operações comerciais mais organizadas.

Mais do que acomodar uma quantidade maior de alimento em cada viagem, a recompactação permite estruturar melhor toda a cadeia de abastecimento, desde a saída da unidade produtora até a chegada ao haras, centro de treinamento, propriedade leiteira ou distribuidor.

Melhor aproveitamento dos espaços de armazenamento

A redução do volume também traz vantagens dentro das propriedades. Por serem compactos e padronizados, os fardos podem ser organizados de maneira mais eficiente nos galpões, permitindo melhor aproveitamento da área disponível.

Essa característica facilita o controle de estoque, a identificação dos lotes e o planejamento do consumo. A organização também contribui para que a movimentação do produto seja realizada com maior segurança e menor risco de perdas.

Em propriedades que recebem grandes quantidades de feno, a disponibilidade de espaço pode ser um desafio. Nesse contexto, armazenar mais produto em uma área menor representa um ganho importante, principalmente durante períodos de formação de estoque ou de menor oferta de forragem.

As condições do galpão, no entanto, continuam sendo essenciais. Mesmo recompactado, o feno deve permanecer protegido da chuva, da umidade do solo e de locais com ventilação inadequada.

Praticidade no manejo diário

A padronização dos fardos também pode tornar a rotina mais eficiente. O formato uniforme facilita a movimentação, o empilhamento e a distribuição do alimento, reduzindo o tempo gasto pelas equipes durante o manejo.

Para haras, criatórios, centros de treinamento e propriedades leiteiras, essa praticidade pode significar redução de custos operacionais e melhor aproveitamento da mão de obra.

Outro benefício está na diminuição das perdas durante a movimentação. Quando os fardos apresentam medidas regulares e estão embalados adequadamente, o manuseio tende a ser mais organizado, ajudando a reduzir o desperdício entre o armazenamento e o fornecimento aos animais.

Entre as principais vantagens do feno recompactado estão:

  • preservação das características nutricionais da forragem;
  • maior padronização dos fardos;
  • melhor aproveitamento do espaço nos galpões;
  • facilidade de transporte, carregamento e descarregamento;
  • maior eficiência logística;
  • redução de desperdícios durante a movimentação;
  • melhor organização e controle dos estoques;
  • praticidade no manejo diário;
  • maior previsibilidade nas negociações e na conferência das cargas.

Fibras recuperam o volume após a abertura

Uma das dúvidas comuns entre os consumidores é se a pressão exercida durante a recompactação pode deixar o alimento excessivamente amassado e prejudicar sua aceitação pelos animais.

De acordo com Daniel Felipe Adamczuk, depois que o fardo é aberto, as fibras retornam naturalmente ao seu volume. Dessa maneira, o consumo pelos animais não é prejudicado pelo processo, desde que o feno utilizado como matéria-prima tenha boa qualidade e seja armazenado corretamente.

Isso significa que a compactação é mantida enquanto o produto está fechado, facilitando sua movimentação e estocagem. Após a abertura, a forragem recupera sua apresentação e pode ser fornecida normalmente.

Tecnologia atende diferentes setores

Embora o transporte seja um dos pontos mais evidentes, os benefícios da recompactação não se restringem ao frete. A tecnologia pode atender diferentes segmentos que utilizam o feno na alimentação animal, como haras, centros de treinamento, criatórios, distribuidores e propriedades leiteiras.

Esses consumidores buscam produtos com qualidade, mas também valorizam soluções que tragam padronização, segurança no abastecimento e praticidade para a rotina.

O crescimento dos custos operacionais aumenta a necessidade de melhorar o aproveitamento dos veículos, galpões e equipes. Nesse cenário, a recompactação agrega valor ao feno principalmente por tornar mais eficientes as etapas posteriores à produção no campo.

O avanço dessa tecnologia também acompanha uma mudança no perfil do consumidor. Além de avaliar a qualidade da forragem, o mercado está mais atento à apresentação do produto, à regularidade dos fardos, às condições de embalagem e à previsibilidade dos lotes.

VIP Feno alcança 20 mil fardos em três meses

Na VIP Feno, a adoção da tecnologia já apresenta resultados expressivos. Em apenas três meses de operação, a empresa produziu aproximadamente 20 mil fardos recompactados.

O volume, segundo Daniel Felipe Adamczuk, demonstra a aceitação da solução e consolida a empresa como uma das referências na utilização da tecnologia em sua região.

O resultado também sinaliza que o feno recompactado está deixando de ser apenas uma possibilidade futura para integrar efetivamente a rotina da cadeia de forragens. A adesão está relacionada principalmente à busca por economia, padronização e melhor organização das operações.

Mitos e verdades sobre o feno recompactado

Apesar do crescimento no mercado, a tecnologia ainda desperta dúvidas entre produtores e consumidores. Confira alguns dos principais esclarecimentos:

“O feno perde qualidade quando é recompactado”

Mito. A recompactação não altera a composição nutricional do produto. Quando o feno é produzido, seco e armazenado corretamente, proteínas, fibras e outros nutrientes permanecem preservados. O processo modifica apenas o formato e a densidade do fardo.

“O feno fica amassado e prejudica o consumo”

Mito. Depois da abertura do fardo, as fibras recuperam naturalmente o volume. A aceitação pelos animais permanece a mesma, desde que a matéria-prima seja de qualidade e tenha sido conservada adequadamente.

“A recompactação serve apenas para facilitar o transporte”

Mito. A eficiência no transporte é uma das principais vantagens, mas não é a única. O processo também melhora o aproveitamento dos galpões, facilita o controle de estoque, agiliza o manejo, reduz perdas durante a movimentação e aumenta a padronização.

“Qualquer feno pode ser recompactado”

Mito. O resultado depende diretamente da qualidade do produto original. O feno deve ser produzido dentro dos critérios técnicos recomendados, com ponto de corte adequado, secagem correta e controle de umidade. A recompactação não recupera um produto de baixa qualidade.

“O feno recompactado é apenas uma tendência passageira”

Mito. A busca por redução de custos e eficiência logística vem impulsionando a adoção da tecnologia. À medida que a cadeia de forragens se profissionaliza, cresce a procura por soluções capazes de otimizar o transporte, o armazenamento e a distribuição.

Evolução da cadeia de forragens

O feno recompactado representa mais do que uma mudança na aparência dos fardos. A tecnologia propõe uma evolução na forma como a forragem circula entre produtores, distribuidores e consumidores.

Ao preservar as características do alimento e, ao mesmo tempo, melhorar o aproveitamento de veículos e galpões, o processo ajuda a tornar a cadeia mais eficiente e preparada para atender a mercados cada vez mais exigentes.

Para Daniel Felipe Adamczuk, os resultados obtidos mostram que a recompactação já é uma realidade no setor. A tendência é que a tecnologia ganhe espaço conforme produtores e consumidores compreendam que sua principal função não é alterar o feno, mas facilitar todas as etapas que acontecem depois que ele está pronto.

Por Heloisa Alves/Portal Cavalus (Com informações do Jockey Club Brasileiro)
Fotos: Divulgação/Vip Fenos

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