O café ajudou a transformar a economia e a paisagem de São Paulo e continua fazendo parte dessa história. Presente em diferentes regiões produtoras, a cultura reúne tradição no campo, diversidade de sabores e pesquisas que buscam melhorar o desempenho das lavouras e a qualidade da bebida.
Introduzido no território paulista pelo Vale do Paraíba no século XIX, o cultivo avançou pelo interior acompanhando a expansão das ferrovias. Nesse percurso, contribuiu para o desenvolvimento de regiões como a Alta Paulista, a Alta Sorocabana e o Noroeste Paulista.
Hoje, essa trajetória ganha novos capítulos com a valorização da origem dos grãos, o melhoramento genético e a adoção de práticas de manejo sustentável.
Diferentes regiões, diferentes cafés
A diversidade de condições naturais é uma das características da cafeicultura paulista. As diferenças de solo, altitude e clima influenciam o cultivo e ajudam a explicar por que cafés produzidos no mesmo Estado podem apresentar perfis distintos na xícara.
Na região de Franca, associada à Alta Mogiana, a combinação de altitude, solos profundos e estações bem definidas favorece a produção. Segundo o Instituto de Economia Agrícola, essas condições contribuem para a qualidade que tornou a região reconhecida no setor.
Assim, a procedência do café oferece ao consumidor informações que vão além do local de cultivo: também ajuda a compreender a relação entre o ambiente de produção e as características da bebida.
Origem como instrumento de valorização
O reconhecimento dos territórios produtores tem aberto novas possibilidades para a cafeicultura. Um exemplo é a Nova Alta Paulista, que conquistou, em outubro de 2025, uma Indicação Geográfica para o café arábica produzido em 30 municípios.
Concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial, o registro é do tipo Indicação de Procedência. A certificação valoriza a origem e estabelece critérios técnicos para a utilização do selo pelos produtores.
A conquista contou com apoio da pesquisa e da extensão rural, por meio da APTA e da CATI, em parceria com instituições de ensino e associações locais. A gestão ficou sob responsabilidade da Associação dos Produtores Rurais de Pacaembu e Região.
Além de diferenciar o produto, esse reconhecimento cria oportunidades para dar visibilidade aos cafeicultores e fortalecer a identidade regional.
Pesquisa que transforma a lavoura
Parte da evolução do café brasileiro passa pelo Instituto Agronômico, o IAC. Seu Programa de Melhoramento de Café soma 94 anos de pesquisas e resultou em 68 cultivares, conforme informações da Secretaria de Agricultura e Abastecimento paulista.
Entre os materiais de destaque estão Mundo Novo e Catuaí, reconhecidos pela adaptação, rusticidade e produtividade. O porte baixo do Catuaí, por exemplo, favoreceu o plantio mais adensado, facilitou a colheita manual e contribuiu para viabilizar a mecanização.
O trabalho de melhoramento também busca reunir características como qualidade dos grãos e resistência a doenças e nematoides. Na prática, a escolha da cultivar precisa considerar as condições da propriedade e os objetivos de produção.
Outra frente do IAC pesquisa o desenvolvimento de café naturalmente sem cafeína. A proposta é obter uma variedade que dispense os processos industriais de retirada da substância, ampliando as possibilidades de oferta ao consumidor.
Um laboratório em meio à capital
A ligação de São Paulo com o café também pode ser observada longe das grandes áreas rurais. Na Vila Mariana, o Instituto Biológico mantém um cafezal urbano utilizado em pesquisa, educação e divulgação científica.
Em março de 2026, o espaço recebeu cerca de 900 novas mudas das variedades Obatã Amarela, IAC RN 125 e IAC SH3, desenvolvidas pelo Instituto Agronômico. Com a renovação, passou a reunir cerca de 3 mil plantas.
O cafezal funciona como uma área de estudos sobre agricultura regenerativa, manejo sustentável do solo e controle biológico de pragas. Também aproxima os visitantes de uma cultura que marcou o desenvolvimento do Estado.
Entre a lavoura e a xícara, o café paulista reúne histórias de produtores, características de cada território e décadas de investigação científica. Essa combinação ajuda a explicar sua importância para o agronegócio e as possibilidades de evolução da atividade.
Com informações: Secretaria de Agricultura de SP
Fotos: Reprodução/Pexels
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