Da doma à Equoterapia: projeto com cavalos Quarto de Milha ganha livro apresentado na ABQM

Encontro realizado na quinta-feira (15/10) destacou trabalho que acompanhou a preparação de sete animais e as primeiras sessões com mais de 30 crianças

A preparação de um cavalo para a Equoterapia começa muito antes do primeiro contato com quem será atendido. Da doma à adaptação às atividades terapêuticas, cada etapa integra um processo que exige conhecimento, acompanhamento e atenção à segurança. Esse percurso foi o foco de um projeto desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) e pela Associação Nacional de Equoterapia (ANDE-Brasil), com parceria e financiamento da Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Quarto de Milha (ABQM).

Os resultados do trabalho foram apresentados na quinta-feira (15/10), no Centro de Relacionamento da ABQM, durante o Potro do Futuro, a Copa dos Campeões e o Derby da raça, em Araçatuba (SP). O encontro marcou também o lançamento do livro que reúne a experiência do projeto “Agronegócios Cavalos: Perspectivas da Equoterapia”, idealizado pela professora e pesquisadora da UnB Letícia Correia Celeste.

A iniciativa acompanhou sete cavalos Quarto de Milha desde o início da doma até as primeiras sessões de Equoterapia com crianças. Após seis meses de preparação, os animais demonstraram estar aptos para a prática, segundo os responsáveis pelo projeto.

Um acompanhamento desde a formação dos cavalos

Um dos diferenciais da iniciativa foi trabalhar com animais ainda não domados. Conforme explicou Alexandre, conselheiro da ANDE-Brasil, instrutor, domador e participante do projeto, a entidade habitualmente incorpora cavalos que já passaram por treinamento. Dessa vez, a proposta permitiu acompanhar toda a formação dos animais na sede da associação, em Brasília (DF).

“Normalmente, a gente incorpora cavalos já treinados, já domados. Nesse caso, nós testamos o limite tanto do método quanto do cavalo”, relatou.

Ao longo de seis meses, os sete Quarto de Milha passaram pela doma e pela preparação específica para o trabalho equoterápico. O processo utilizou um método de formação que, de acordo com Alexandre, vem sendo estudado e desenvolvido pela ANDE-Brasil há quase dez anos.

A proposta dessa preparação é formar cavalos capazes de participar dos atendimentos com segurança e contribuir para o trabalho terapêutico realizado com os praticantes. Assim, o projeto permitiu observar a aplicação do método desde as etapas iniciais, até a participação dos animais nas sessões.

Das etapas de treinamento ao contato com as crianças

O acompanhamento não se encerrou quando os cavalos concluíram o treinamento. A pesquisa também observou o início da interação dos animais com as crianças, conectando o processo de formação às situações vivenciadas nos atendimentos.

“É um projeto muito especial porque ele vai desde a formação do cavalo até as primeiras sessões de Equoterapia”, destacou Letícia.

Segundo os participantes do projeto, foram atendidas mais de 30 crianças, entre elas crianças com transtorno do espectro autista (TEA), trissomia do cromossomo 21 (T21) e dislexia. Esse contato integrou a etapa que sucedeu a preparação dos animais e permitiu acompanhar sua atuação na prática equoterápica.

Na avaliação de Alexandre, os cavalos responderam positivamente ao processo. “Em seis meses, os cavalos se mostraram totalmente aptos para a prática equoterápica”, afirmou.

O relato apresentado pelos responsáveis destaca a aptidão dos animais para os atendimentos. O foco da experiência esteve no acompanhamento da formação dos cavalos e de sua inserção nas primeiras sessões com o público participante.

Conhecimento registrado em livro

A publicação apresentada no Centro de Relacionamento da ABQM reúne o resultado desse percurso, documentando uma experiência que aproxima pesquisa acadêmica, formação de cavalos e atendimento equoterápico.

Durante a apresentação do trabalho, Letícia ressaltou que o livro é resultado de todo o projeto. Alexandre, por sua vez, destacou a participação da ABQM como parceira financiadora da iniciativa, que viabilizou o trabalho com os sete animais da raça.

Ao levar essa experiência para a programação do evento, o encontro abriu espaço para uma atuação do Quarto de Milha que vai além das pistas esportivas. O trabalho apresentado mostrou como a preparação direcionada pode inserir esses animais na Equoterapia, com acompanhamento desde a doma e atenção às exigências específicas dos atendimentos.

Com o registro em livro, as etapas e os resultados da experiência passam a compor um material de consulta sobre a formação de cavalos para essa atividade, ampliando a circulação do conhecimento produzido pela parceria.

Por Heloisa Alves/Portal Cavalus
Foto: Divulgação/ABQM

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