O agronegócio brasileiro alcançou 28,4 milhões de pessoas ocupadas no segundo trimestre de 2026, o maior contingente registrado para esse período desde o início da série histórica, em 2012. Com o resultado, o setor concentrou 26% dos trabalhadores do país, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
Divulgados em 16 de outubro, os dados mostram crescimento de 0,7% em relação ao mesmo trimestre de 2025. O indicador considera a população ocupada na cadeia do agronegócio, abrangendo diferentes formas de inserção no trabalho, como empregados, profissionais por conta própria e empregadores.
Produção no campo impulsiona o resultado
Na comparação com o primeiro trimestre de 2026, o número de ocupados no agro avançou 0,1%, equivalente a aproximadamente 27 mil trabalhadores. O principal impulso veio do segmento primário, que acrescentou 145,8 mil pessoas, uma alta de 1,9%. Atividades agrícolas e florestais, incluindo café, milho e outros cereais, contribuíram para esse movimento.
O crescimento, porém, foi parcialmente compensado por retrações em outros elos da cadeia. Os agrosserviços perderam cerca de 101,7 mil ocupados, enquanto o segmento de insumos agropecuários recuou em 15,3 mil. A agroindústria apresentou relativa estabilidade, com redução de aproximadamente 1,8 mil trabalhadores.
Participação feminina e rendimentos avançam
No recorte por gênero, o contingente de mulheres ocupadas no agronegócio cresceu 0,7% em relação ao segundo trimestre de 2025, com acréscimo de aproximadamente 76 mil trabalhadoras. Entre os homens, a expansão foi de 0,6%, correspondente a cerca de 112,5 mil pessoas.
O boletim também aponta mudanças na composição da mão de obra, com avanço da escolaridade e dos rendimentos médios dos empregados. No segundo trimestre, a massa de rendimentos do agronegócio chegou a R$ 71,84 bilhões, dimensão que ajuda a demonstrar a importância do setor para a renda dos trabalhadores brasileiros.
Os resultados revelam um mercado de trabalho com movimentos distintos ao longo da cadeia: enquanto a produção primária ampliou a ocupação na comparação trimestral, serviços e insumos registraram retração. Ainda assim, o saldo manteve o agronegócio no maior nível de ocupação já observado para um segundo trimestre.