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Safari no Zimbábue – Parte 2

Em sua coluna da semana, Paulo Junqueira continua sua viagem pelo Zimbábue, na segunda parte desse relato

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Antes de mais nada, logo depois de cavalgar no norte do Zimbábue, cruzamos o País de carro. Foram cerca de 750 km até chegarmos ao Parque Nacional Hwange. Sem dúvida, um local para entrar na lista de qualquer amante de safaris.

Do tamanho da metade Bélgica – 14.600 km² -, ele tem uma das maiores diversidades de mamíferos dentre os parques nacionais do mundo. De tal forma que inclui cerca de 50.000 elefantes e uma das maiores populações de cães selvagens ameaçados de extinção.

A grande variedade de paisagens e terrenos significa que uma série de espécies diferentes habitam o Parque Nacional Hwange. Acima de tudo, local composto por áreas de savana aberta, mata nativa densa intocada.

Ademais, o Parque Nacional Hwange no Zimbábue fica entre dois rios famosos – o Zambeze e o Limpopo. Além disso, tem uma variedade de vida selvagem fascinante, incluindo os famosos ‘Big 5’ e mais de 100 espécies de mamíferos.

Paulo Junqueira continua sua viagem pelo Zimbábue, na segunda parte desse relato; elefantes, caçadores clandestinos; raça sul-africana

Cavalgada em trilhas abertas por elefantes nessa parte do Zimbábue

Nossa cavalgada foi na maioria do tempo em trilhas abertas por elefantes. Um terreno típico da região com areias do Kalahari e bosques de teca e acácia. Muitas dessas trilhas eram acidentadas e difíceis. Fato que ofereceu, com toda a certeza, uma experiência desafiadora de equitação.

Nessa cavalgada, mais do que nunca, tínhamos que confiar na segurança de nosso cavalo. Assim cruzamos muitos poços de água que atraem a vida selvagem. Também permitiram que víssemos interações brilhantes. Nos campos abertos aproveitamos para fazer bons e emocionantes galopes.

Na maioria dos dias, nossa parada para o lanche de almoço (levado no alforje) foi em algum kopje (rochas ou montanhas isoladas) que servem como mirantes naturais.

Não tínhamos roteiro definido para cada dia. A programação dependia do que nos chegava de informação durante a noite. Ou seja, quais rastros de animais encontramos e como estavam as condições do tempo.

Paulo Junqueira continua sua viagem pelo Zimbábue, na segunda parte desse relato; elefantes, caçadores clandestinos; raça sul-africana

Boerperd – raça sul-africana

Janine Varden – você saberá mais sobre ela lendo a parte 1 dessa viagem – foi quem selecionou e treinou os cavalos que usamos. Uma raça escolhida por sua adequação ao trabalho, habilidades e temperamento.

Cada cavalo é muito especial para ela. Não são apenas o aspecto central do trabalho, mas também parte da família. Meu cavalo, o Bump, um Boerperd, justificou a fama dessa raça sul-africana.

Como na maioria dos safaris na África, neste também montei numa sela McClellan sul-africana feita à mão. Projetadas especialmente para trilha, são muito confortáveis para a maioria dos cavalos e também para cavaleiros por longas horas na sela.

Caçadores clandestinos – Poachers

Um problema sério em toda África é a caça ilegal, principalmente de rinocerontes e elefantes. Só para ilustrar, eu já acompanhei trabalhos de proteção em outros safaris.

No Hwange Park o problema apresenta maiores dificuldades devido a limitação de recursos frente ao tamanho do parque e grande quantidade de elefantes. Em todos safaris na África sempre nossos guias estão armados, com revolver, pistola e/ou espingarda.

Mas, desta vez, o guia do Hwange que nos acompanhou estava armado com uma metralhadora (vide foto) e explicou que tomou essa medida por conta da possibilidade de encontrar caçadores clandestinos (poachers).

Paulo Junqueira continua sua viagem pelo Zimbábue, na segunda parte desse relato; elefantes, caçadores clandestinos; raça sul-africana

Acampamento

Nosso acampamento de tendas em estilo safari tradicional era semimóvel. Mudamos de local a cada dia. Não havia eletricidade no acampamento, mas tínhamos água quente para o banho com os chuveiros de balde. Água aquecida na fogueira.

 Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
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Ioga e Cavalgada

Paulo Junqueira, em sua coluna da semana, escreve sobre a junção da ioga e cavalgada e seus benefícios.

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Paulo Junqueira, em sua coluna da semana, escreve sobre a junção da ioga e cavalgada e seus benefícios.

Vários livros foram escritos sobre o uso de posturas de ioga para apoiar os cavaleiros por meio de maior flexibilidade, força e equilíbrio. “Uma das coisas bonitas sobre ioga e equitação é que são jornadas sem fim, permitindo-nos continuar a crescer, aprender e expandir – não é disso que se trata a vida? ”, do livro Ioga para Cavaleiros, da instrutora de ioga e amazona Cathy Woods.

Ioga e Cavalgada na Espanha

A boa notícia é que agora podemos fazer uma cavalgada na Espanha e ter essa experiência! São duas opções ambas excelentes:

Na praia com cavalos Friesian

A 170 Kms de Barcelona, em Castellon, o haras da Orion com 80 belos cavalos Friesian, oferece espetaculares cavalgadas na praia combinadas com aulas de ioga. As aulas de ioga são projetadas para atender os cavaleiros com exercícios específicos que enfocam a força, postura e presença, a função é priorizada sobre a forma. Você não precisa ser um praticante de ioga experiente para participar.

O local das aulas alterna entre a Villa, a praia e as montanhas e são intercaladas com cavalgadas nas praias. Os cavalos estão acostumados a cavalgar na praia e gostam de galopar na beira da água.

Paulo Junqueira, em sua coluna da semana, escreve sobre a junção da ioga e cavalgada e seus benefícios.

Nas montanhas do Pirineus

O Cavalo, a Montanha e Você – fusão de almas. Assim definem a Programação “Ioga e Cavalgada” nas montanhas dos Pirineus. Uma experiência única para conectar você e a magia da natureza através do maravilhoso mundo dos cavalos.

Um fim de semana alternando cavalos em semiliberdade, cavalgadas e passeios a cavalo com sessões de yoga, meditação e banhos de floresta. Uma aproximação do mundo equestre desde o conhecimento do cavalo em estado natural, incluindo aspectos de etologia (comportamento do cavalo). Vamos encontrar os cavalos no pasto e ver seu comportamento em manada, a aproximação será progressiva e intercalada com seções de ioga, banhos de bosque e meditação.

Paulo Junqueira, em sua coluna da semana, escreve sobre a junção da ioga e cavalgada e seus benefícios.

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
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Cavalgada no Valle Escondido – Pireneus – Espanha

Paulo Junqueira, em sua coluna da semana, conta de uma cavalgada no “Valle Escondido” localizado nos Pireneus de Huesca

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Cavalgada no Valle Escondido - Pireneus - Espanha

Cavalgada no Valle de Benasque o “Valle Escondido” localizado nos Pireneus de Huesca, um lugar conhecido e admirado por suas montanhas e natureza. Considerado o mais bonito de todos os vales dos Pireneus, preservou a tradição, mantém a arquitetura alta aragonesa e uma língua (dialeto) própria – Patués.

Monumentos Naturais das Geleiras dos Pireneus

Cavalgamos 5 dias em ótimos cavalos andaluzes e cruzados andaluz, no vale no meio das montanhas mais altas dos Pireneus, na região de Aragão, que faz fronteira com a França. Cada dia uma paisagem espetacular diferente e variada. Passamos por florestas, campos alpinos e altas montanhas com geleiras e neve permanente nos picos.

A cavalgada seguiu trilhas ao longo do Parque Natural de Posets-Maladeta, onde existem três maciços que foram declarados Monumentos Naturais das Geleiras dos Pireneus. Essas geleiras modelaram o vale há mais de 40 milhões de anos e cavalgamos pela paisagem que elas criaram. O maciço da Maladeta é coroado pela montanha mais alta dos Pireneus, o Aneto com 3404ms. Além dele vimos várias outras montanhas altas e belíssimos lagos azuis.

Vilas medievais

Durante a cavalgada, passamos por vilas medievais como Ansils, Cerler, Sahun e Solano, e aprendemos sobre a história, arquitetura e modo de vida nas montanhas. A vilas de Benasque e Anciles são muito charmosas. No centro histórico de Benasque encontram-se edifícios emblemáticos como a Torre de Juste e o Palácio dos Condes de Ribagorza. A vila de Anciles tem a arquitetura tradicional mais bem preservada da região com esplêndidas casas ancestrais.

‘Accompagnateur du Tourisme Equestre’

Nosso anfitrião é um ‘Accompagnateur du Tourisme Equestre’ qualificado. Ele passou muitos anos trabalhando como guia na França e na Islândia, além da Espanha. Ele é PhD em Arte, Natureza e Paisagem, e adora compartilhar sua paixão e explicar sobre as paisagens enquanto cruzamos as montanhas. Ele é acompanhado por outro guia que é professor em Barcelona quando não está a cavalo nas montanhas. Com esses guias, durante a cavalgada aprendemos muito sobre a região.
Nessa cavalgada tivemos a sensação de mergulhar na história em um dos espaços naturais mais espetaculares dos Pirineus.

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
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Cavalgada em Laguna celebra o bicentenário de Anita Garibaldi

Paulo Junqueira, em sua coluna da semana, conta de uma cavalgada que fez no último sábado em homenagem a Anita Garibaldi

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Essa semana eu falo sobre a Cavalgada em Laguna, organizada no último sábado pelo Instituto Cultural Anita Garibaldi. O passeio teve como objetivo homenagear e celebrar os 200 anos de nascimento de Anita Garibaldi. De acordo com os organizadores, contou com a participação de mais de 40 mulheres.

Assim, a cavalo, elas fizeram o sentido inverso da última viagem da heroína em Laguna. Caminha que, simbolicamente, representou o retorno de Anita Garibaldi a sua cidade natal. Chamou atenção o gesto, feito pelas Guardiãs de Anita, quando cada uma colocou uma Rosa de Anita aos pés do seu monumento.

Paulo Junqueira, em sua coluna da semana, conta de uma cavalgada que fez no último sábado em homenagem a heroína Anita Garibaldi
Foto: Elvis Palma

Cavalgada

Foram quase dez horas de cavalgada entre a Barra do Camacho e a praça República Juliana. Participaram do passeio grupos a cavalo do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Houve ainda a participação da vice-governadora de Santa Catarina, Daniela Reinehr.

“Ficamos muito felizes de poder celebrar Anita Garibaldi de uma forma que muito a representa, cavalgando. Todos sabemos que Anita foi uma exímia amazona e as guardiãs e suas convidadas farão jus a essa história”.

“O sonho de muitas mulheres é conhecer onde Anita passou, morou. E fomos justamente nesses caminhos de Anita”, comenta a diretora do Departamento de Guardiãs, Ivete Scopel.

Paulo Junqueira, em sua coluna da semana, conta de uma cavalgada que fez no último sábado em homenagem a heroína Anita Garibaldi
Foto: Juarez Schmitt/Colaboração/CulturAnita

200 anos do nascimento de Anita Garibaldi

Antes de mais nada, o evento integrou as programações mundiais da data comemorativa. A cavalgada relembra o momento em que a guerreira lagunense deixou sua terra natal a fim de seguir rumo ao Rio Grande do Sul.

O bicentenário de Anita Garibaldi tem coordenação do Museu e Biblioteca Renzi, na Europa, e do Instituto CulturAnita, para a América do Sul. O projeto conta ainda com apoio de cidades catarinenses, gaúchas, italianas, uruguaias e são-marinenses.

“Entre seus objetivos, além de preservar e difundir a memória e a história, o projeto também pretende promover o turismo internacional, de caráter histórico, cívico e cultural em todas as cidades dos quatro países, compondo um roteiro internacional para realização de diversos atos que deverão acontecer, sempre em comemoração ao bicentenário”, explica o presidente do CulturAnita, Leo Felipe Nunes.

Confira o vídeo da cavalgada clicando aqui.

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
Crédito da foto de chamada: Juarez Schmitt/Colaboração/CulturAnita
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Cavalgada e Cultura Equestre na Rússia

Paulo Junqueira, em sua coluna da semana, conta dessa cavalgada para quem busca conhecer uma cultura equestre secular e ainda participar de uma aventura nas montanhas do Cáucaso, ao longo dos montes Urais

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Realizada no extremo oeste do país, ao norte da Geórgia, essa Cavalgada na Rússia tem como paisagem dominante o Monte Elbrus, a montanha mais alta não só da Rússia, como também da Europa.

O Elbrus tem uma calota de gelo permanente que alimenta 22 geleiras. Além disso, tem dois picos, ambos vulcões dormentes (não entra em erupção desde 50 d.C.). Seu cume oeste é o mais alto, com 5.642 metros.

Nessa viagem a cavalo, as paisagens são selvagens. Vemos penhascos e gargantas impressionantes, antigos sistemas de cavernas, cachoeiras e cânions. A saber, trata-se de uma cavalgada em trilhas, longe das rotas turísticas, sob as montanhas imponentes do Elbrus.

Da mesma forma que na viagem à Mongólia, para mim, o principal objetivo dessa cavalgada é a experiência cultural com os circassianos. Termo que inclui doze tribos Adyghe.

Oportunidade, então, de conhecer a história e as tradições dos cavaleiros circassianos, seus cavalos Cabardino e as selas cherkess/circassiana, que têm características únicas no mundo.

Desde os tempos antigos, os circassianos amam os cavalos. Em sua língua, eles chamam o cavalo de ‘Shi’, cuja tradução tem dois significados: irmão ou cavalo.

Paulo Junqueira conta dessa cavalgada para quem busca conhecer a cultura equestre secular da Rússia e participar de aventura nas montanhas

Cavalos Cabardino/Kabardin

Criados no Cáucaso, por tribos das montanhas desde o Século 16, a raça surgiu a partir de uma combinação de cavalos das estepes. Principalmente o Karabakh, o Árabe e o Turcomano.

Os Cabardinos, portanto, têm cascos duros e são bem musculosos. Seu sangue tem elevada capacidade de transporte de oxigênio, adequada para trabalhar nas altas montanhas.

Sela circassiana/cherkess

A sela circassiana/cherkess não se assemelha a nenhuma outra sela no mundo! É única em sua construção e detalhes, muito bem pensados. Antes de mais nada, detalhes esses que evoluíram ao longo de várias centenas de anos de história da equitação no Cáucaso. E, provavelmente, vários milhares de anos antes.

Como a maioria dos cabardianos passou uma parte significativa de sua vida na sela, viajando milhares de quilômetros por mês durante as operações militares, as projetaram a fim de cumprir alguns objetivos básicos: conforto do cavaleiro e do cavalo, estabilidade do cavaleiro e durabilidade da sela.

Ao olhar para a sela circassiana, ela parece grande, pesada e com o centro de gravidade muito alto. Mas, uma vez que você se senta nela e dá alguns passos, descobre a sabedoria dos antigos fabricantes dessas selas. Baseada em uma armação semelhante às utilizadas nas selas militares, distribuindo o peso do cavaleiro no dorso do cavalo.

Paulo Junqueira conta dessa cavalgada para quem busca conhecer a cultura equestre secular da Rússia e participar de aventura nas montanhas
Foto: copyright by Catherine Michelet e Paweł Krawczyk

Detalhes da sela

A armação é, relativamente, curta. Mas ela própria repousa sobre uma ‘almofada’ de couro longa e elástica. Assim, essa armação evita que a sela bloqueie o movimento dos ombros do cavalo enquanto espalha o peso em uma parte mais longa das costas.

Outro segredo dessa sela é uma almofada quadrada, feita de couro macio e recheado com pelo de cabra da montanha. Graças à sua forma específica, não apenas é confortável, como também com a pressão do corpo, aperta as pernas do cavaleiro, estabiliza-o e amortece-o, protegendo o cavaleiro e o cavalo.

Além disso, é muito útil em trilhas de longa duração, principalmente no trote. Ao contrário do que parece olhando as fotos, o cavaleiro não fica alto no meio dessa ‘almofada’. O quadril do cavaleiro, portanto, fica logo acima da armação, como nas selas inglesas.

Outro detalhe interessante são as três cilhas, sendo a última voltada para trás na barriga do cavalo (esta é opcional e quando usada, não é apertada). Isso melhora a estabilidade da sela durante descidas e subidas íngremes nas montanhas.

As competições equestres

Como bem descreveu o historiador Amjad M. Jaimoukha, os circassianos foram guerreiros nascidos no cavalo. E sempre foram famosos por suas habilidades equestres, que atingiu o seu apogeu na época dos lendários Narts. Tinham regras e códigos especiais e para coroar tudo, um deus, Zeik’wethe, designado como divindade evocado nas campanhas militares.

As competições equestres (Adigean) eram ocasiões para os heróis da aldeia mostrarem suas habilidades equestres. Cavaleiros intrépidos montavam em todas as posições: em pé ou agarrados ao lado do cavalo, em simulação de manobras de batalha.

Eles tinham a incrível habilidade de ficar sob a barriga do cavalo, a galope – uma manobra chamada ‘schinibech’epsh’ – com o intuito de confundir o inimigo. ‘Shurelhes’ – que significa montar-desmontar -, outra manobra em que um cavaleiro, a toda velocidade, salta e depois monta em seu cavalo, também fazia parte das apresentações.

Neste link – clique aqui – uma filmagem antiga (1965) de cavaleiros circassianos demonstrando suas habilidades.

Paulo Junqueira conta dessa cavalgada para quem busca conhecer a cultura equestre secular da Rússia e participar de aventura nas montanhas

Por Paulo Junqueira Arantes
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Cavalgada e Cultura Equestre – Escócia

Paulo Junqueira, em sua coluna da semana, escreve sobre uma cavalgada que tinha agendado para fazer junho de 2020, foi adiada para 2021, adiada novamente, mas que agora está confirmada para junho de 2022

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Durante todos os verões, as cidades da fronteira da Escócia com a Inglaterra organizam os Common Ridings, um dos festivais equestres mais antigos do mundo.

Antes de mais nada, são cavalgadas que se transformam em um espetáculo de equitação. Enquanto é um costume mantido com verdadeiro fervor pelos habitantes locais em homenagem à identidade da região, moldada por seu passado tumultuado.

O evento acontece em 11 cidades, cada um com sua própria visão particular da tradição. Portanto,  em algumas cidades, os eventos duram até duas semanas. Usualmente envolvem cavalgadas, churrascos, esportes tradicionais, jogos, música e bebidas tradicionais.

Milhares de Borderers aplaudem centenas de cavaleiros galopando em torno de suas cidades.

Uma tradição equestre de 900 anos

Dessa forma, a história da Scottish Borders está profundamente entrelaçada com a turbulenta era dos Borders Reivers. Trata-se do nome dado aos invasores e bandidos que pilharam as terras em ambos os lados da fronteira anglo-escocesa do final do Século 13 ao início do Século 17.

Hoje, os escoceses comemoram os tempos em que seus antepassados patrulhavam os limites de seus assentamentos a cavalo. Arriscava, portanto, suas vidas a fim de proteger sua cidade e seu povo de invasores.

Uma tradição equestre que evoluiu ao longo de 900 anos para se tornar um dos maiores espetáculos equestres da Europa.

Paulo Junqueira, em sua coluna da semana, escreve sobre uma cavalgada para a Escócia, adiada para 2022 por conta da pandemia de covid-19

Borderes escoceses

Em nossa programação vamos ter o privilégio de cavalgar no Common Ridings – um dos festivais equestres mais antigos do mundo. Vamos montar um cavalo irlandês e cavalgar junto com os Borderes escoceses, vestidos em seus tweed, felizes por compartilhar conosco uma tradição consagrada pelo tempo.

Kilchurn Castle e Loch Awe – Foto: P. Tomkins Visit Scotland Scottish Viewpoint/Divulgação Rabbie’s Tours

Outlander

A Escócia é um país com paisagens de tirar o fôlego e uma história milenar. Antes de tudo, é a terra de lendas celtas, castelos medievais, a gaita de fole, o kilt e os fabulosos single malts. O espírito guerreiro e as heranças gaélicas, nórdicas e saxãs moldaram a cultura escocesa.

Além das cavalgadas com os Borderes, vamos conhecer a cavalo belos campos da Escócia. Cavalgaremos por vales, campos com muitas ovelhas e praias.

O cenário nos levará de volta ao tempo dos confrontos de clãs e contos românticos de donzelas em perigo que vimos na série Outlander. Depois, ao final, podemos nos qualificar como um escocês honorário, participando de um jogo kilt, bebendo um single malte e apreciado um bom cachimbo.

Paulo Junqueira, em sua coluna da semana, escreve sobre uma cavalgada para a Escócia, adiada para 2022 por conta da pandemia de covid-19

The Kelpies

Nossa programação termina com uma viagem até Falkirk. Lá está as The Kelpies, esculturas enormes em forma de cabeças de cavalo, feitas com armação de metal e revestidas com aço inoxidável.

Elas estão na entrada do canal Forth and Clyde e são consideradas a maior escultura de equinos do mundo. Pesam 300 toneladas e foram inspiradas em uma criatura mitológica que assombrava os rios e córregos da Escócia e era conhecida por possuir a força e a resistência de dez cavalos.

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
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Cavalgada em Parques Nacionais

Paulo Junqueira, em sua coluna da semana, faz um passeio por diversas regiões do mundo contando histórias sobre cada um dos locais

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Na maioria dos países do mundo existem centenas de Parques Nacionais aonde se permitem cavalgadas. Ademais, organizadas obedecendo critérios que visam a proteção de seu ambiente.

Cavalgar em um Parque Nacional é uma experiência de contato com uma natureza diferenciada e preservada. Além disso, proporciona melhor consciência e compreensão de seus valores naturais e culturais, a conscientização da importância de preservar aquele local para que ele continue existindo.

A maioria dos Parques Nacionais que permitem cavalgadas tem um Código de Boas Práticas com orientações para minimizar os impactos sobre os valores naturais e culturais. Isso inclui garantir que os cavalos sigam por caminhos apropriados, geralmente em trilhas de manejo pré-estabelecidas.

Infelizmente o Brasil é um dos poucos países do mundo aonde ainda não se permite cavalgadas em Parques Nacionais/Unidades de Conservação. Desse modo, a ABTE – Associação Brasileira de Turismo Equestre vai apresentar ao ICMBio, responsável pela gestão das Unidades de Conservação federais, uma Proposta Técnica de Normatização de Turismo Equestre em Unidades de Conservação.

Vale ressaltar, entretanto, que a Proposta não contempla todos os Parques Nacionais. Somente aqueles que são adequados às atividades de turismo equestre. Espero que em breve seja possível cavalgar em Parques Nacionais no Brasil.

O Turismo Equestre em Unidades de Conservação contribuirá, sem dúvida, para o desenvolvimento sustentável dessas áreas e seu entorno. Eu já cavalguei em muitos Parques Nacionais ao redor do mundo, experiências inesquecíveis. Destaco alguns nas linhas a seguir.

Nahuel Huapi

Parque Nacional Nahuel Huapi – Bariloche – Argentina

Primeiro Parque Nacional da Argentina, o Nahuel Huapi tem a oeste uma cadeia de montanhas que separa a Argentina do Chile. Subimos até essa divisa, uma das cavalgadas mais bonitas que já fiz na vida. Uma vista espetacular para vários picos e vulcões no lado chileno. Ao mesmo tempo em que no lado argentino, o famoso Monte Tronador bem próximo.

Los Glaciares

Parque Nacional Los Glaciares – Calafate – Argentina

Localizado no sudoeste da Patagônia, também na fronteira com o Chile, o Los Glaciares abriga 47 geleiras, altas montanhas cobertas de neve, lagos, rios glaciais, florestas e estepes subantárticas. Fiz várias cavalgadas nesse parque em diferentes viagens. Assim, em cada uma explorei uma região e fica difícil dizer qual é mais espetacular. Mas arrisco dizer que a vista do Mirante do Glaciar Upsala é surreal.

Lanin

Parque Nacional Lanin – Junin Los Andes – Argentina

Parque conhecido pelo vulcão Lanín, permanentemente nevado, pelo lago Huechulafquen e os bosques de árvores centenárias de grande porte. Nessa cavalgada percorri a cavalo a floresta mais bonita que conheci (Coihues, Lengas, Araucárias – que eles chamam de pehuén e cipreste patagônico). Essa foi uma viagem especial que organizei para uma filmagem com a EPTV Globo de Campinas. Os cavalos de nosso guia mapuche nos levaram a lugares incríveis.

Parque Nacional Los Cardones – Salta – Argentina

Los Cardones é uma das maiores reservas da Argentina. Nela cavalguei num mar de cactos da espécie cardón. Um cardón vive cerca de 400 anos e depois seca. Os moradores locais dizem que debaixo de cada cacto da espécie cardón existe um indígena enterrado.

Parque Nacional Cotopaxi – Equador

Primeiramente, o Cotopaxi é um dos vulcões ativos mais altos do mundo. A CNN Travel inclui essa cavalgada pela avenida dos vulcões como uma das melhores cavalgadas do mundo. Dessa forma, cavalgar na companhia dos chagras, que são os vaqueiros dos Andes Equatorianos, foi uma oportunidade para conhecer a cultura equestre dos altos campos andinos do Equador. Merece destaque a beleza cênica dos 11 vulcões que existem na Cordilheira.

Bryce Canyon – Foto: John e Lisa Merrill

Parque Nacional Bryce Canyon – Utah

Composto por uma coleção de gigantescos anfiteatros naturais, o Bryce Canyon foi formado pela erosão de rios e rochas sedimentares. É uma cavalgada em cenários de filmes do Velho Oeste.

Parque Nacional de Yellowstone – Wyoming

Primeiro Parque Nacional do mundo, essa foi a primeira viagem a cavalo que fiz fora do Brasil. O parque é enorme e muito diverso. Vi muitos animais, incluindo os bisões, muito interessantes, me lembraram dos filmes com índios.

Parque Nacional do Grand Canyon – Arizona

Cavalgar no maior cânion do mundo está na lista de desejos de muitos. Com toda a certeza, é uma cavalgada de tirar o fôlego. Desci com uma mula da empresa de Fred Harvey, que desde 1887 opera com mulas no parque. Na descida dá para observar as camadas de rocha revelando a linha do tempo da Terra.

Hustai

Parque Nacional Hustai (ou Khustain Nuru) – Mongólia

 A razão de minha visita ao parque foi para ver os cavalos Takhi (cavalos de Przewalski), reintroduzidos na região em 1990. Foi uma experiência incrível poder chegar perto (relativamente) deles e observá-los. Ademais, o cavalo de Przewalski é o único cavalo realmente selvagem do mundo (que nunca foi domesticado). A viagem a cavalo na Mongólia foi uma experiência de convivência com um povo que mantém suas tradições pastorais e cuja cultura está baseada em cavalos.

Göreme

Parque Nacional de Göreme – Capadócia – Turquia

Cavalgada em uma paisagem espetacular, totalmente esculpida pela erosão. O vale de Göreme e seus arredores contêm santuários, moradias, aldeias e cidades subterrâneas, tudo escavado na rocha. A cavalo passamos por lugares que não estão em rotas turísticas. Essa cavalgada é, sobretudo, classificada pela National Geographic como Top Horseback Ride.

Peneda-Gerês

Parque Nacional da Peneda-Gerês – Portugal

Única área protegida portuguesa classificada como Parque Nacional. Antes de mais nada, nas vilas de seu entorno são preservados valores e tradições muito antigas. A principal razão de minha viagem até lá foi para cavalgar num Garrano e ver esses pequenos cavalos selvagens vivendo em liberdade pelo parque, convivendo com seu predador, o lobo ibérico. Montei num garanhão muito bom e durante a cavalgada tive oportunidade de encontrar gado da raça barrosã e os famosos cães de Castro Laboreiro.

Hwange

Parque Nacional Hwange – Zimbábue

Esse parque deve entrar na lista de qualquer amante de safáris. Inegavelmente, ele tem uma das maiores diversidades de mamíferos dentre os parques nacionais do mundo, incluindo cerca de 50 mil elefantes. Bem como uma das maiores populações de cães selvagens (que estão ameaçados de extinção). Fiz essa viagem quando estavam organizando o primeiro safári a cavalo do parque, uma oportunidade de grande aprendizado.

Petra

Parque Nacional de Petra e Wadi Rum Area Protegida – Jordânia

Desde tempos imemoriais o povo nômade do deserto da Jordânia cria cavalos. Montando em cavalos árabes, explorei a antiga cidade nabateia de Petra, uma das modernas Sete Maravilhas do Mundo, e o deserto de Wadi Rum, uma paisagem desértica impressionante. Dormindo em tendas de pêlo de cabra aprendi com meu guia sobre tradições beduínas. Além disso, a hospitalidade é uma das características mais marcadas deles. Acreditam que se tratarem bem alguém em sua tenda terão o mesmo tratamento quando forem fazer uma visita em outro acampamento. Não apenas um simples ato de educação, mas também de sobrevivência, pois sabem que as jornadas no deserto são difíceis.

Parque Natural de Maremma – Toscana – Itália

Região acidentada da Toscana, conhecida pelos cavaleiros/vaqueiros ‘butteri’ que ainda trabalham a terra como o fizeram por séculos. Em outras palavras, montando um cavalo Maremmano, raça nativa da região, percorri caminhos traçados pelos etruscos e romanos.

Madonie e do Etna

Parque Nacional Madonie e Parque Nacional do Etna – Sicília – Itália

Numa mesma viagem a cavalo visitei dois Parques Nacionais. Comecei pelo Madonie, aonde subimos montanhas com afloramentos rochosos que datam de milhões de anos. Nas partes mais altas, vistas espetaculares a perder de vista. O final da cavalgada foi na base do Etna, vulcão ativo mais alto da Europa e um dos vulcões mais ativos do planeta. Só para ilustrar, ele está em um estado de erupção quase contínua há meio milhão de anos. Explorar a área do Etna a cavalo revela, sem dúvida, uma história escrita na lava.

Camargue

Parque Nacional de Camargue – Reserva Natural Nacional – Sítio RAMSAR – Patrimônio Europeu – Reserva da Biosfera da UNESCO – Provence – França

Meu principal objetivo nessa viagem foi conhecer a raça de cavalo Camargue ou Camarguês, nessa bela região aonde vive o famoso horseman Lorenzo. Considerada uma das raças mais antigas do mundo, durante séculos, o cavalo Camarguês viveu selvagem no ambiente hostil dos pântanos e nas zonas úmidas do delta do Ródano. Aqueles que os domesticam e trabalham na lida com o gado são conhecidos como Le Gardians. Esses vaqueiros são realmente seus ‘guardiões’, pois preservam a raça e suas tradições. Cavalguei alguns dias nessa bela região montando um Camarguês, acompanhando os ‘guardiões’. Foi mais um rico de aprendizado sobre tradições e cultura equestre.               

Por Paulo Junqueira Arantes
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Cavalgada e Tradições Equestres: estribos e selas

Paulo Junqueira conta, na coluna da semana, sobre como cavalgar em diferentes países é uma ótima oportunidade para conhecer a cultura local e diferentes tradições equestres

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Com toda a certeza, cavalgar em diferentes países é uma ótima oportunidade para conhecer a cultura local e as diferentes tradições equestres espalhadas pelo mundo.

Desse modo, em uma cavalgada fora de nosso país de origem, temos a chance de conhecer diferentes raças, outros estilos de equitação. Bem como aprender sobre as tradições, a cultura equestre local. E, assim, também conhecer e usar diferentes equipamentos de montaria.

Neste último quesito, a variedade de selas, estribos e freios é imensa. Assim, no texto de hoje escrevo sobre alguns estribos e selas que tive a oportunidade de usar pelo mundo afora. Desde estribos de ‘corda’ artesanais aos ricamente ornamentados. Típicos de cada região/país, a maioria com características únicas.

Estribo típico peruano com detalhes em prata

Estribos

As primeiras versões de estribos datam da Índia no Século 2 a.C. Originalmente feitos de fibra ou couro, eram apenas tiras simples, para colocar o dedão do pé. Somente no Século 8, os estribos chegaram à Europa e representaram o maior avanço na equitação de todos os tempos.

E como escreveu o grande mestre Bjark Rink, os estribos desempenharam um papel importante na expansão da civilização moderna. Eu tenho uma pequena coleção de selas e estribos que usei em diferentes cavalgadas ao redor do mundo, vou mostrar alguns deles.

Paulo Junqueira conta sobre como cavalgar em diferentes países é uma ótima oportunidade para conhecer diferentes tradições equestres
Sela típica marajoara

Brasil

Na ilha do Marajó encontrei o estribo mais ‘curioso/diferente’ de nosso país. Ele é bem pequeno, para colocar somente o dedão do pé. Devo lembrar que na ilha, em boa parte do ano, o vaqueiro lida com os Búfalos na água. Por isso cavalgava descalço, sem botas.

Hoje em dia é mais difícil encontrar um vaqueiro que ainda use esse tipo de estribo. Mas, a maioria usa bota de borracha. A sela Marajoara também é bem peculiar, única no gênero. Fabricada em Soure, ‘capital’ da Ilha, com couro de Búfalo e madeira local.

Sela típica peruana

Peru

A cavalgada que fiz no Vale Sagrado a caminho de Machu Picchu, com cavalos Paso Peruano, foi uma experiência inesquecível. Nela usamos a sela típica peruana, que é fruto de mais de 400 anos de tradição.

Primeiramente, foi moldada pela necessidade de conforto ao viajar longas distâncias e cruzar terrenos difíceis à cavalo. Aquelas usadas em desfiles são obras de arte com detalhes em prata. Levam, sobretudo, até um ano para serem feitas. Produzidas à mão e projetadas para distribuir o peso corporal por uma grande parte do dorso do cavalo, minimizando assim a tensão do cavalo e do cavaleiro.

Os estribos parecem uma caixa de madeira, são pesados e  muito bonitos. Quando os espanhóis chegaram ao Peru não encontraram nenhuma fonte local de ferro para fazer estribos. Então,  projetaram o estribo da caixa de madeira e o adornaram com prata.

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Estribo típico no Chile

Chile

Quando fiz a Travessia dos Andes, da Argentina ao Chile, a sela era de armação de madeira. Continha ainda várias peles de ovelha em camadas sobre o topo e estribos tipo gaiola de couro. Ao cruzar para o Chile trocamos de cavalos. 

Os cavalos Argentinos não podem entrar no Chile. Os estribos das selas tradicionais chilenas são de madeira, muito bonitos, entalhados artesanalmente. Já vi em alguns lugares sendo usados como decoração.

Sela típica mongol – Foto: Debbie Green

Mongólia

Os mongóis cavalgam de pé nos estribos. As selas e estribos tradicionais são quase uma obra de arte. As selas são de madeira, bruta, cobertas somente tecidos decorativos. Sem condições para quem cavalga em nosso estilo, por isso usei uma sela de trilha.

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Sela típica portuguesa

Portugal

Eu já cavalguei em várias regiões de Portugal. Por exemplo, na região do Parque Peneda Geres, divisa com a Espanha; no litoral próximo a Lisboa; no Ribatejo e no Alentejo. Na maioria das cavalgadas usei as selas tradicionais portuguesas, originalmente concebidas para touradas e trabalho com o gado no campo.

O punho e a patilha altos oferecem segurança ao cavaleiro ao executar mudanças rápidas de direção e ritmo. Os estribos de madeira, em forma de caixa, são frequentemente adornados e gravados com o nome da Quinta ou Herdade.

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
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Cavalgadas Brasil

Safári no Zimbabue – parte 1

Paulo Junqueira conta nesse artigo uma aventura e tanto com direito a dados históricos, bat cave, cavalgadas em montanhas e cavalos

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A antiga Rodésia foi colônia britânica até 1980. Até que, após cerca de 20 anos de guerra, conseguiu sua independência. Mudou o nome para Zimbábue, que no idioma Shona significa ‘casa de pedras’ ou ‘casas veneradas’.

Antes de mais nada, o país é famoso pelas Cataratas Vitória, considerada uma das maiores cachoeiras do mundo. São muito bonitas, mas nada que tire o brilho da nossa Cataratas do Iguaçu.

Então, desde a independência até 2017 quem governou o País foi Mungabe, ditador que o comandou de forma ruinosa. Em 2006, durante um encontro de operadores de cavalgadas na África do Sul, conheci o casal Varden, do Zimbábue, e recebi um convite para visitá-los.

Para a maioria das agências de viagens do mundo, o País não oferecia condições necessárias para uma viagem segura. Em março de 2009, com a adoção do dólar como moeda oficial, a situação começou a melhorar.

Decidi, portanto, aceitar o convite do James Varden para um safari piloto de exploração. Contudo, eles não operavam comercialmente ainda, estavam em fase de implantação e organizando o safari.

Fomos ao famoso Parque Nacional Hwange, que tem grande quantidade de animais. E, por ser muito pouco explorado, oferecia condições excepcionais para um safári a cavalo.

Cavalgada nas montanhas no Zimbábue

Antes de ir para o Hwange, programei com o James uma cavalgada nas montanhas do norte do Zimbábue. Da capital Harare seguimos direto para Mavhuradonha, um  lugar com água corrente no idioma Shona.

Antes de chegarmos ao Lodge, paramos na fazenda Siya Lima. Ela foi a maior da região, empregando 2.000 pessoas com grande produção de milho, porcos, tabaco e gado. Além disso, tinha cerca de 50 cavalos de Polo. Inclusive, abrigava um campo de polo cross, modalidade mais praticada no País na época.

A casa da fazenda, muito bonita, tinha um pavilhão de cocheiras bem interessante, com enorme pé direito. Como na maioria das fazendas, quem assumiu a propriedade foi algum parente ou apadrinhado do ditador e não agricultores.

O estado de abandono em que encontramos a fazenda foi triste de ver. Com toda a certeza, um bom exemplo do fracasso da reforma agrária realizada por lá.

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Kopje Tops

No final do dia chegamos à Kopje Tops Lodge. Jantamos no topo de uma construção que, além de servir como área para refeições, também era um ótimo mirante. Ademais, estava em uma altura acima da copa das arvores, muito interessante e bonito.

A construção da Kopje Tops teve a família inglesa Carew à frente. Primeiramente, com a ideia de operar safaris a cavalo intercalados com alguns dias de jogo de polo. Localizada junto ao rio Tingua, tem várias cabanas construídas com paredes de pedra.

Devido aos problemas políticos e a reforma agrária de 2000 – reforma em que simplesmente o governo expropriou violentamente praticamente todas as fazendas do País – os Carew voltaram para a Inglaterra. Assim, os Varden assumiram o local que, com muita dificuldade vem tentando manter. Sem a atividade de polo.

Paulo ao lado do guia Nesbert

Mavhuradonha Wildness

Em seguida, na nossa programação uma cavalgada para uma parte da enorme área conhecida como Mavhuradonha Wildness – Comuniuty Áreas Managment Program For Indigenous Resources Area. Em outras palavras, um tipo de área destinada a preservação, com belas florestas e montanhas.

Meu cavalo, o Apache, um tordilho muito bom, ideal para aquela região montanhosa.

Não foi um safari aonde vimos quantidade de animais, pois além da vegetação alta e tipo de terreno, a área é muito grande (600 km2). Mas, com sorte, encontramos alguns que estão criticamente ameaçados de extinção.

Por ser uma área totalmente selvagem, sem estradas, nem trilhas, a única maneira de percorre-la é a cavalo. De tal forma que esse fato transformou o safari numa verdadeira aventura!

A noite, retornamos para o Lodge de pedras, que tinha um charme especial com sua iluminação a luz de velas. Não tinha energia elétrica no local.

Bat Caves

No último dia de safari, o guia Nesbert nos acompanhou. Um antigo policial das forças britânicas até a independência do Zimbábue. Ele conhece muito bem a região, seu povo e costumes.

Assim, saímos cedo com destino a Bat Caves. Situado acima das Cavernas de Morcegos do Rio Tingwa. Montamos um acampamento remoto em área totalmente selvagem. Enquanto levamos nossos suprimentos no cavalo de carga.

À noite, pudemos ver o voo dos morcegos egípcios de fruta. Eles vivem nessa enorme caverna, cujos números são estimados em cerca de 20.000. A maior colônia conhecida ao sul do Equador.

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Bat Cave

James Varden

James Varden é conhecido como um dos melhores guias profissionais e operadores de safari da África. Desde muito jovem mostrou grande interesse e amor pela natureza. Desse modo, ao deixar a escola começou sua carreira de guia de safari no Parque Nacional de Hwange.

Ele guiou nos principais parques e áreas selvagens do Zimbábue, como Mana Pools, Hwange, Matusadona e o Baixo Zambeze. De fato, tem muita experiência e é particularmente especializado em pássaros, botânica e fotografia da vida selvagem.

Fazer o safari a cavalo com ele foi uma grande oportunidade em partilhar de seu conhecimento especializado. Janine esposa do James cresceu com cavalos na Austrália e trabalhou por muitos anos como Jillaroo* em uma fazenda de ovelhas e gado em Victoria. Logo depois, ela foi para o Werribee Open Range Zoo, em Melbourne, como tratadora especializada em mamíferos africanos.

Os cuidados e a manutenção dos cavalos são de sua responsabilidade. Janine também tem um grande interesse em questões de conservação e comunidade rural no Zimbábue.

*Jillaroo é o termo usado para designar as jovens que vão para propriedades rurais da Austrália a fim de aprender como trabalhar em uma fazenda de ovelhas ou gado. Então, as Jillaroo’s e os Jackaroo’s (termo masculino) recebem treinamento para serem versáteis. Por isso também os chamam de ‘auxiliares de estação’.

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
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Cavalgadas Brasil

Cavalgada no Parque Nacional Los Glaciares – Patagônia Argentina

A coluna de Paulo Junqueira dessa semana passeia pela Argentina, e ele conta sobre uma cavalgada que fez Parque Nacional Los Glaciares

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Desta vez escrevo sobre uma cavalgada que fiz dentro do Parque Nacional Los Glaciares na Patagonia Argentina, região de Calafate.

A estância onde cavalgamos, portanto, tem mais de 100 anos na mesma família. ‘La Jerónima’, nome de fundação por imigrantes croatas da estância, tinha cerca de 20.000 hectares. O foco era a criação de ovelhas. Atualmente com 12.000 hectares cria gado Hereford.

Cavalgada no Parque Nacional Los Glaciares

Essa cavalgada permitiu contato com geleiras em áreas remotas do Parque Nacional Los Glaciares. Seguimos trilhas onde encontramos a natureza no seu melhor estado: uma combinação única de bosques andinos, lagos azuis, altas montanhas e glaciares imponentes.

Na tarde do terceiro dia cruzamos um bosque com muitas lengas. Logo depois de mais uma hora de cavalgada, chegamos no marco de divisa com o Chile. Sem dúvida, momento de comemoração e fotos.

Puesto

Pequenos abrigos no campo, estrategicamente localizados, servem como abrigo para os puesteiros. Puesto , assim são chamados esses locais na Patagônia Argentina. Puesteiros são aqueles que cuidam do gado e do campo.

Eles moram sozinhos, acompanhados apenas de seu cavalo, seu cão e da imensidão dos campos patagônicos. Todos os dias saem para cuidar do gado e do campo. É uma vida difícil, principalmente no inverno.

Nessa viagem vivenciei um pouco essa rica experiência cultural, pois nos hospedamos duas noites no Puesto Laguna. Local de quarto com dois beliches e um cômodo que serve como cozinha e sala de jantar. Dois bancos para a sala de jantar se transformam em camas para dormir. Tudo muito básico e rústico.

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Pumas

Os dias começam bem cedo para ver se alguma raposa ou puma matou algum cordeiro ou bezerro. Tem que ser antes que clareie completamente, porque senão os condores deixam apenas os ossos. A raposa e o puma, geralmente, pegam uma cria mais gorda e comem o máximo que pode.

Eu me surpreendi ao saber que nessa região os proprietários são autorizados a caçar os pumas (existia até um incentivo para isso). Então, decidi acompanhá-los em uma dessas caçadas, a fim de encontrar um macho que estava matando muito ali na Estância.

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A caça

Saímos com os cachorros no final da manhã para seguir a trilha. Era um trecho muito íngreme numa rocha grande. Ouvimos o barulho dos cachorros que tinham encurralado um puma. Quando nos aproximamos, o puma saltou de trás de alguns arbustos. Ele nunca ataca: sempre tenta escapar, aliás, foi o que aconteceu naquele dia.

O trabalho no campo é sempre imprevisível, presas e predadores são atores comuns. O puesteiro contou que o problema maior é quando um puma está ensinando os filhotes a caçar. Chegam a matar 28 capões em uma noite. E como os filhotes não sabem, eles deixam alguns deles meio vivos e também machucam em qualquer lugar. É uma imagem muito feia de se ver.

Nessa cavalgada vivenciamos experiências que remetem aos pioneiros e aventureiros que fazem parte da história da região.

Por Paulo Junqueira Arantes
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Foto de chamada: Divulgação/Luis Franke

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Cavalgada do Parque Nacional na Polônia

Paulo Junqueira comenta em sua coluna de hoje sobre esse passeio mágico pelas florestas da Polônia em cavalos Hucul

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Desta vez escrevo sobre uma cavalgada na região mais exótica da Polônia, no Parque Nacional Białowieża. Podlasie fica logo abaixo da fronteira entre a Polônia e a Bielo-Rússia.

Nessa cavalgada de três dias, exploramos a Floresta Białowieża. A última floresta natural nas terras baixas da Europa, um Patrimônio Mundial da Unesco. É uma floresta com história milenar e cheia de vida. Nela, o bisão europeu é ‘o rei da selva’.

Nossos guias são guardas-florestais do Parque Nacional Białowieża e funcionários da Academia Polonesa de Ciências. São pessoas com muito conhecimento da natureza e muitos anos de experiência na convivência com animais. Entre eles, bisões, lobos, veados e outros habitantes da floresta.

Manada de bisões europeus

Hucul

Essa cavalgada é uma oportunidade rara para cavalgar numa raça de cavalos primitiva, conhecida como Huculs. Espécime que escapou da extinção devido aos esforços de cientistas e criadores.

A origem do Hucul é na cordilheira dos Cárpatos da Europa Oriental. Em resumo, uma raça que tem alguma semelhança com o extinto Tarpan (Equus ferus ferus). Esse segundo, considerado como o antepassado das espécies de cavalos que existem atualmente.

Paulo Junqueira comenta em sua coluna de hoje sobre esse passeio mágico da Cavalgada no Parque Nacional pelas florestas da Polônia em Hucul
Foto: Grzegorz Lesniewski/Rewilding Europe/The Daily Mail

O Hucul tem pelagem bem grossa e resistente, por isso aguentam as condições climáticas severas da região no inverno. Justamente pela força e resistentes a longas distâncias em terrenos difíceis, os Hucul foram amplamente usados na Segunda Guerra Mundial no leste europeu. De fato, algo que fez com que essa raça quase chegasse à extinção.

Cavalgada no Parque Nacional Białowieża

Seguindo uma tendência cada vez mais presente, montamos os cavalos sem embocadura (bitless). Levamos, então, mais conforto e bem-estar a eles.

Cada dia tem cerca de seis horas de cavalgada. E organizamos as trilhas com foco na natureza paisagística e animal. Em primeiro lugar, observar a natureza, ouvir sons dos animais, reconhecer rastros de lobos, bisões e veados.

Paulo Junqueira comenta em sua coluna de hoje sobre esse passeio mágico da Cavalgada no Parque Nacional pelas florestas da Polônia em Hucul

A Trilha do Lobo começa em Stary Masiewo e segue um trecho ao longo do caminho para Kosy Most. Mais adiante, ao longo do vale do rio Narewka até as vizinhanças da vila de Gruszki. No caminho, passagem pelo Santuário de Bisões.

Nos alojamos em uma tradicional casa de Podlasie. À noite relaxamos em uma sauna ou em um banho ‘banya’ russo (barril quente). Nesse momento, observamos as estrelas e ouvimos os sons dos cervos.

Por Paulo Junqueira Arantes
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