Juliana Oliveira e o marido embarcaram numa aventura rumo ao Fort Dundlod, reduto da raça conhecida por suas orelhas curvadas

Ela uniu o amor pelas viagens e pelos cavalos e roda o mundo para conhecer melhor esses animais e também a si mesma, já que garante que em cada destino que visita, volta para casa com um novo aprendizado.

Fort Dundlod

Em 2012, Juliana Oliveira adquiriu um cavalo Mangalarga chamado Montenegro. Ela sempre admirou o formato das suas orelhas, que lhe chamaram muito a atenção pelo fato de serem bem curvadinhas. Um dia, assistindo TV, ela viu uma matéria sobre um exótico cavalo indiano de orelhas curvadas. Era o Marwari. E, desde então, não conseguiu parar de pensar no assunto.

Juliana com Montenegro

“A primeira coisa que me perguntei foi: Será que eles cortam ou amarram as orelhas dos cavalos quando potros? Mas quando comecei a pesquisar eu percebi que não tinha nada de disso, eles apenas nasciam assim. Essa semelhança entre meu cavalo e o Marwari era apenas uma coincidência. Eu queria saber mais e comecei a estudar melhor a história desta raça. Fiquei tão fascinada que comecei um planejamento para conhecê-los de perto. Este fascínio me levou a Índia!”, conta Juliana.

A viagem aconteceu em novembro de 2017. Juntamente com seu esposo Rolands Menezes, e grande companheiro de viagens, ela planejou um roteiro que possibilitasse a visita ao forte de Dundlod, além de conhecer a parte histórica e turística da Índia. Para isso ela tinha apenas sete dias.

“Planejei tudo sozinha, desde a compra da passagem aérea, roteiro e a visita ao Fort Dundlod, de propriedade do Sr. Bonnie e sua esposa. O senhor Bonnie é da linhagem dos Marajás, e tem por tradição criar cavalos da raça Marwari. Acertamos tudo por e-mail e eles nos receberam no Forte com tanta hospitalidade e simpatia, que foi como se estivéssemos em casa”, relembra Juliana.

Roland, Juliana e sr. Bonnie

Ela conta que o Fort Dundlod está localizado no nordeste da Índia, na região do Rajastão, entre Nova Déli e Jaipur. Juliana e seu marido passaram três noites lá, cavalgando pela região por dois dias completos vendo paisagens muito diferente da que estão acostumados no Brasil.

“Minha experiência por lá teria sido mais uma linda aventura que une duas de minhas paixões: cavalos e viagens. Uma experiência que me faria viajar no tempo, até a época que aqueles cavalos guerreiros eram parte da história e de grandes feitos. Mas eis que o destino me prega uma peça, me tirando a principal razão que me levou até o Marwari. No dia em que embarquei para Índia, meu Mangalarga, o Montenegro (sim, aquele das orelhas curvadinhas), foi diagnosticado com Mioencefalite Protozoaria Equina, mais conhecida popularmente como ‘doença do gamb´’. Ele veio a óbito em três dias. Acredito que isso contribuiu e muito para que essa viagem fosse ainda mais marcante”.

Segundo Juliana, estar na Índia, em companhia desses animais, de certa forma lhe aproximou de casa e acalentou o seu coração naquele momento de perda irreparável.  No último pôr do sol sobre a sela de um descendente dos cavalos guerreiros dos Rajputs, ela afirma que seu coração transbordava de gratidão pela oportunidade de vivenciar tamanha emoção. E gravou a seguinte homenagem ao seu Montenegro:

Ela garante ter feito muitas pesquisas para saber a origem da raça Marwari. Aprendeu de onde vieram, sua história, sua trajetória desde a Mongólia até a Índia e como foram considerados divindades e grandes heróis de guerra, até serem deixados de lado por questões políticas. Retornando, tempos depois, ao patamar de onde nunca deveriam ter saído.

Entretanto, Juliana garante que nenhuma pesquisa descreve com precisão o verdadeiro sentimento de poder apreciá-los de perto. “Sua pelagem brilhante, o olhar atento, sua incrível audição girando as orelhas por 360 graus a qualquer ruído, e claro, sua andadura! Essa última, mais difícil de descrever, mas que se se assemelha, um pouco, com a marcha picada do Mangalarga, mantendo sempre três membros apoiados no chão. Extremamente confortável, o que tornava nossas longas cavalgadas muito confortáveis”, menciona.

Ela ressalta que em todas as viagens que faz, tenta extrair o máximo de aprendizados. Na Índia, não foi diferente. Ela afirma ter voltado para casa com muitas lições aprendidas. A principal delas, conforme conta, foi dar ainda mais valor em tudo o que temos: “Não é segredo que a condição social da Índia é um assunto delicado e que requer atenção, mas isso não tira deles a paz e a esperança de um dia melhor, ainda que em outras vidas. O Brasil, não é o melhor lugar do mundo, mas quando eu olhava para aquela terra seca e deficiente de um sustento agrícola de qualidade, eu só conseguia pensar em como nosso solo é rico, onde a agronomia traz o nosso sustento e dos nossos animais! Precisamos reclamar menos e agradecer mais. Quando temos um coração grato, atraímos coisas boas e nos tornamos pessoas melhores. Quando temos dois corações repleto do bem, sobre quatro patas, nos tornamos invencíveis”.

Juliana afirma que aquela semana na Índia, apesar de incrível não foi o suficiente e já se organiza para participar de uma expedição no Rajastão montando o Marwari. Entretanto, o próximo destino da aventureira será o Peru, onde ela conhecerá de perto o famoso Passo Peruano.

Essas e outras aventuras da Juliana você pode acompanhar de perto pelo Instagram dela: @caminhosdaju e também pelo seu blog caminhosdaju.com.

Por Juliana Antonangelo

Fotos: Cedidas

9 Comentários

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