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Conheça a tradição do cavalo Baio, herança do Exército desde 1889

Animal de pelagem rara, idêntico ao usado por Marechal Deodoro da Fonseca, na Proclamação da República, é tratado com regalias em Brasília (DF)

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Há 133 anos, um personagem ganhava destaque para toda a eternidade: o cavalo sobre o qual Deodoro da Fonseca estava montado e protagonizou o golpe que findou o Império no Brasil. A Praça da Aclamação, no Rio de Janeiro, foi o palco da Proclamação da República. Para fins de apresentações, o nome formal é cavalo baio de número 6, em referência à cor amarelo-torrado de sua pelagem e ao seu posto na cavalaria. Nada de alazão imponente, não: era mesmo uma montaria pacata cedida por um simples alferes (segundo-tenente).

Isso porque no dia da derrubada da monarquia, Deodoro da Fonseca, então com 61 anos, estava doente e febril, e o temor era de que ele não conseguisse se manter sobre o animal. Por precaução, o alferes Eduardo Barbosa lhe cedeu o cavalo baio número 6, considerado o menos agitado da tropa do Primeiro Regimento de Cavalaria e que não oferecia risco para o comandante. “Herói involuntário de uma escolha casual”, como bem define o jornalista Laurentino Gomes, o bicho foi o primeiro beneficiário da república brasileira.

Aposentado do serviço militar durante o governo do próprio Deodoro por serviços relevantes prestados ao novo regime, ele passaria o resto dos seus dias ao léu, vivendo no estábulo de seu quartel no Rio de Janeiro. O cavalo teve papel fundamental na Proclamação da República. Sem ele, provavelmente Deodoro não conseguiria depor o imperador Pedro II”, diz o jornalista, autor do livro 1889: Como um imperador cansado, um marechal vaidoso e um professor injustiçado contribuíram para o fim da Monarquia e a Proclamação da República no Brasil.

Cavalo premiado

Você provavelmente já viu o quadro do pintor Henrique Bernardelli que celebra a Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889. Enquanto posava para a pintura, Deodoro recordou o episódio retratado e disse: “Vejam os senhores, quem lucrou no meio de tudo aquilo foi o cavalo”. Depois do golpe republicano, o Exército iniciou uma tradição de manter sempre um cavalo baio de número 6 em posição de destaque nas formaturas e desfiles militares, com o mesmo tom de pelagem e medidas daquele usado pelo marechal em 1889.

Além disso, o animal conta com uma série de regalias. “Ele é montado exclusivamente pelo comandante do 1º Regimento de Cavalaria de Guarda (RCG) — Dragões da Independência, sendo tratado com xampus e produtos especiais para manter o brilho da crina”, conta Israel Blajberg, presidente da Academia de História Militar Terrestre do Brasil. Ele é penteado diariamente e recebe alimentação equilibrada duas vezes por dia, com ração, feno e cenoura, além de água à vontade e atenção especial por parte da seção de veterinária regimental.

“Ele ainda faz treinos de marcha, trote e circuito”, completa Israel, que também é sócio titular do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil, cuja sede era a residência do marechal Deodoro da Fonseca. Para garantir que o cavalo baio de n° 6 seja idêntico àquele de 1889, o criatório dos equinos do Exército Brasileiro cruza genes recessivos a fim de obter animais machos, baios e de crina branca ou preta. A reprodução é feita de maneira pontual e através de monta natural, permitindo a cópula entre macho e fêmea sem interferência humana.

Na ocasião, a matriz de pelagem baia cruza com um garanhão de pelagem alazã e dá luz a filhos de pelagem baia. “Via de regra, a progênie é composta por animais com a crina preta e, esporadicamente, com a crina branca. Quanto ao sexo do animal, a probabilidade de nascer macho ou fêmea é de 50% para ambos os sexos”, esclarece o Centro de Comunicação do Exército Brasileiro. O baio é um animal de cerimoniais e só se apresenta em eventos marcantes — como o 7 de Setembro, desfiles para autoridades, ocasiões em que recebe adereços de gala.

Dentro do regimento, ele permanece no estábulo ao lado de outros 400 cavalos do 1º RCG, responsável pela guarda presidencial. Mas ganha destaque na baia, que conta com uma plaqueta de identificação e decoração especial. Hoje, o ocupante do posto tem 7 anos, 550 kg, 1,66 m de altura e crina preta. A sua estimativa de vida varia entre 25 e 30 anos, mas, enquanto estiver saudável, ele permanece prestando serviços militares. O baio 6 permanece em atividades de cerimonial militar desde que apresente requisitos de saúde e vigor físico.

Mas também há possibilidade do cavalo baio aposentado receber os cuidados do projeto geriátrico do Exército Brasileiro, voltado àqueles animais que prestaram bons serviços às Forças Armadas e que estejam em idade avançada ou problemas clínicos. “O projeto garante que os equinos tenham uma vida confortável. Os animais vivem em liberdade nos campos onde nasceram recebendo todos os cuidados necessários, tais como medidas profiláticas e tratamento veterinário”, explica o Centro de Comunicação do Exército Brasileiro.

Por Redação, com informações do G1/Globo
Imagens: Reprodução/Internet

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