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Dia do Repórter: Moacir Russo fala sobre os quase 30 anos atuando no meio equestre

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Por conta da experiência no Suplemento Agrícola do jornal Estadão até os anos dedicados a Revista Quarto de Milha, o repórter foi o escolhido para ser homenageado no dia em que é comemorada a sua profissão

Em comemoração ao Dia do Repórter, celebrado neste domingo (16) em todo o país, o portal Cavalus conversou com um dos profissionais mais renomados e conhecidos no meio do cavalo. Trata-se de Moacir Miguel Russo, que há quase 30 anos se dedica a contar histórias aos apaixonados por cavalos.

No entanto, a sua carreira não se resume apenas a sua atuação no meio equestre. Afinal, após iniciar na profissão trabalhando em jornal de bairro, fazendo jornalismo regional, Moacir ainda soma passagens pelo Estadão (onde atuou como repórter, copy desk e revisor de textos) e pelo, hoje extinto, Jornal da Tarde.

Foi no Estadão, inclusive, que Moacir começou a ter o seu primeiro contato com o mundo equestre. Como trabalhava no suplemento Agrícola, escrevia sobre os leilões de todas as raças de cavalos e, assim, conheceu os principais criadores e empresas do meio.

Dessa forma, acabou por migrar para o primeiro veículo segmentado do meio equestre, iniciando pela Revista do Cavalo Árabe e, em seguida, pela Revista Quarto de Milha. Esta última onde atuou como jornalista responsável e assessor de imprensa por longos anos.

Inevitavelmente, Moacir carrega muita história sobre os anos de dedicação à profissão. Sendo assim, não existe nada melhor do que ficar por dentro de todos os detalhes dessa narrativa a partir das palavras do próprio repórter, a qual nos propomos homenagear nesta reportagem.

Por isso, confira abaixo a entrevista completa!

Família de Moacir Russo

Quem é Moacir Russo?

“Casado com a Neide, pai de três filhos (Mateus, Lucas e Tomás), sendo o primeiro e o terceiro médicos veterinários e, o do meio, administrador de empresas. Sou paulistano, nascido no bairro do Butantã, perto da Marginal Pinheiros, ou seja, perto também do Jockey Club de São Paulo.

Coincidência, ou não, desde muito pequeno, na década de 50, convivi com os cavalariços e jóqueis que frequentavam a região. Lembro que faziam uma bagunça danada no Largo da Paz, uma praça em frente à Rua Bento Frias.

No Carnaval, se fantasiavam de mulher (apesar de todos serem muitos machões e jogadores do time de Várzea, Caracas FC) e travavam uma grande batalha com guerra de talco. Uma visão que me marcou muito naquela época de criança era quando chegava o Natal.

Como o Jockey era uma potência econômica, distribuía enormes cestas de natal. E os funcionários saiam em bando e a pé equilibrando-as na cabeça ou bebendo champanhe (retiradas da cesta) pela garrafa mesmo… Ah… já nos anos 80, havia também um “homem cavalo”, que frequentava os bares da redondeza. Ele se vestia como um cavalo, com manta, rabo postiço e ferraduras pregadas aos sapatos.

Teve um gaiato que lhe disse: “Vai trabalhar, puxar uma carroça”. De bate pronto, ele respondeu: “Eu sou cavalo não um burro”, arrancando risos de quem estava no local.”

Início no jornalismo

“Sempre gostei de escrever. Nas aulas de redação muitas vezes o professor lia meu textos aos alunos. Também pela doce ilusão de poder levar sempre a verdade aos leitores e tornar a sociedade menos injusta. Alguns jornalistas antigos até conseguiram.

Acredito que foi o destino que sempre me levou para o meio rural. Comecei fazendo jornalismo geral, em jornal de Bairro (Grupo I) de Jornais. No Jornal de Bairro se faz jornalismo regional, mas que acaba tendo grande repercussão na grande mídia. Tudo acontece nos bairros.

Ainda cursando Jornalismo, trabalhei no Jockey Club de São Paulo na área administrativa, de agosto de 1972 a 28 de fevereiro 1986, período que ganhar algum dinheiro, me formar, comprar a minha primeira casa, carro, lógico sempre com ajuda de minha companheira.

Chegou certo dia, depois de 13 anos na empresa, larguei tudo. Tinha mais de 30 anos e fui em busca de meu sonho. Trabalhei até de revisor de bula de remédios. Mas consegui trabalhar no “Estadão”, como Revisor de Textos e repórter (de 1986 a setembro de 1992).

Esse trabalho me abriu as portas para a reportagem. Trabalhei como repórter e copy desk nas editorias de Esporte e Economia e, no Jornal da Tarde, também na área esportiva. Em seguida, fui trabalhar no Suplemento Agrícola do Estadão, onde comecei a aprender os segredos da área com o editor Zeca Cafundó e meu Amigo Tião Nascimento (Lembro que produzíamos mais de 20 páginas só sobre leilões de todas as raças de boi e cavalos). Foi aí então que conheci os principais criadores e empresas do meio.”

Moacir, a direita, no início da profissão de repórter

Moacir Russo x Revista Quarto de Milha

“Na era Collor (1990), o Brasil estava numa crise danada. Sai do Estadão em 1992 e fui trabalhar na Revista do Cavalo Árabe. Logo a seguir, fui contratado, em fevereiro de 1993 (após três meses com free-lancer), pela Revista Quarto de Milha, como jornalista responsável e assessor de imprensa.

Naquela época, as revistas de associações não se preocupavam com reportagem. Acredito que fui um dos primeiros a dar valor a esse tipo de trabalho. Me envolvi tanto com a raça (na época a associação estava atolada em dívidas), que fiquei como funcionário durante longos 18 anos, contribuindo de alguma maneira para seu fantástico crescimento, tornando-se a potência que é hoje.

Recordo que nos primeiros grandes eventos da ABQM não havia nenhum estande. Hoje as grandes empresas disputam a compra de espaços para expor seus produtos.”

Atuação no meio equestre

“Fica difícil enumerar os principais eventos em que participei no “meio”. Sem falsa modéstia, em quase todos, principalmente os do Quarto de Milha, além das outras raças de cavalos e bovinos, quando era repórter do Suplemento Agrícola, onde trabalhei durante oito anos.

Várias viagens foram marcantes, pois o Quarto de Milha me levou aos mais distantes lugares deste País. Inclusive cobrindo os primeiros eventos do Laço Comprido, Vaquejada, Team Penning, etc, além dos grandes leilões da raça.

Uma das reportagens (histórica) foi uma entrevista com o seu Zezo, na King Ranch do Brasil. Ele foi buscar os primeiros cavalos Quarto de Milha que chegaram ao Brasil.”

Moacir e o filho Mateus

Moacir aconselha quem sonha em ser repórter

“Nunca pensei em desistir de nada, Sempre fui teimoso. Quando as coisas não estavam boas, ficava “matutando” qual seria a saída. A pior coisa do mundo é trabalhar naquilo que não gosta. A vida é curta, então os jovens devem escolher bem e lutar, com dignidade e respeito, e encontrar o seu lugar. Um dia ele chega.

Não sei se irá ficar rico, mas com certeza irá conhecer gente de todos os tipos e ideologias. Contudo, nunca perca a credibilidade, por mais difícil que seja. Se perdê-la, sua carreira afunda.”

Futuro

“Meus planos para o futuro é continuar trabalhando na área com o www.quartistas.com.br. Não posso desprezar cerca 40 anos de experiência no jornalismo. Ah, ia me esquecendo… Sou sócio pleno da ABQM e pequeno criador de Quarto de Milha, junto com meus filhos, Mateus e Tomas, no MR Rancho, em Caucaia do Alto, interior de São Paulo.

Aproveitando o espaço, também quero agradecer ao meu mestre Vital Bataglia, ganhador de vários prêmios Esso de Jornalismo, que me deu muitas dicas sobre a profissão, além de muitas broncas. Ele sempre dizia: “Vai pra rua. Lugar de repórter é na rua”.

Por Natália de Oliveira
Crédito da foto: Arquivo Pessoal/Moacir Russo

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