Desde que se lembra, Karol Rodrigues tem contato com cavalos. Fazem parte da sua vida. Como ela mesmo diz, é algo indissociável de sua existência
Foto: Arquivo Pessoal

Rédeas, Working Cow Horse, Western Plesure e até Seis Balizas. Desde pequena, Karoline Kazue Rodrigues, 30 anos, participa de provas com cavalos. Começou a montar bem cedo. O meio rural é o oficio de seu pai. Nascida em Itaí e morando em Avaré, ambas as cidades do interior de São Paulo, advogada, exercia a profissão na capital, mas hoje ela ajuda a tomar conta do Rancho Karoline, propriedade da família, o treinador Nelson Rodrigues e a mãe Tânia.

Cavaleira, ganhadora de várias provas e com histórias muito bacanas para contar. Uma delas é a recente experiência de pouco mais de seis meses morando e trabalhando nos Estados Unidos, participando de provas importantes, vendo os bastidores do cavalo por lá, vivendo como os americanos. Ou de quando competiu aos seis anos e seu pai, por ela ser muito pequena, a deixou sem participar por algum tempo por medo de que se machucasse.

Conheça um pouco mais sobre ela na entrevista a seguir!


Portal Cavalus: Como foi seu primeiro contato com cavalos
?

Karoline Rodrigues: Desde que nasci. Por conta do meu pai, ele sempre trabalhou em fazenda, antes na lida com o gado, depois treinando cavalos.

PC: Alguma história bacana desse começo?

KR: Aprendi a montar em pôneis. Eles eram terríveis e eu vivia levando tombos.


PC: Quando começou a competir e como foi a primeira prova?

KR: Minha primeira prova da vida foi de Seis Balizas, com seis anos. Meu pai nunca mais me deixou correr, pois eu era muito pequena e ele tinha medo que eu me machucasse. Disse que eu poderia voltar a fazer aquilo depois que fosse dona do meu nariz (vai entender rsrs). Na época, meu pai treinava para o Haras Sacramento, de Avaré, Rédeas e Western Pleasure, então eu comecei a treinar estas modalidades. Primeiro fiz Western, e aos oito anos minha primeira prova de Rédeas. Eu era muito pequena e na época (1995) não existiam muitas categorias diferentes (para gente do meu tamanho). Era categoria principiante, percurso normal, uma mão na rédea e boa sorte! Fui reservada campeã Nacional com General HS, tenho o troféu até hoje.


PC: Como se desenrolou a sua carreira como competidor desde então?

KR: Depois desse campeonato fiquei um bom tempo sem competir porque não tinha cavalo. Voltei para as pistas em 2000, cinco anos depois, no meu primeiro Potro do Futuro de Rédeas e ganhei o Amador Limitado no desempate. Desde então meus pais sempre fizeram o possível para termos os nossos cavalos para que eu pudesse competir.


PC:
Sua família ​é do cavalo, seu pai treinador e sua mãe o apoio de vocês, tem seu tio também, como isso te ajuda na vida que leva hoje?

KR: O trabalho de um centro de treinamento é intenso e cansativo e está cada vez mais difícil encontrar pessoas que queiram levar essa vida ‘rural’, e mais que isso, ‘do cavalo’. É preciso gostar muito e querer muito. Por isso é tão importante a união da família e o trabalho em equipe. Cada um tem a sua área e nós nos completamos.


PC: Como é a relação com seu ​pai dentro da pista?

KR: Quando eu era criança e comecei a aprender, meu pai era muito duro comigo. Ele queria que eu aprendesse direito e fosse uma boa cavaleira, mas isso não era fácil para uma criança de sete anos. Eu chorava sempre. Mas hoje eu vejo que isso foi essencial para que eu desse o meu melhor, para que eu quisesse ser melhor. Hoje em dia é muito tranquilo. Nos ajudamos, olhamos o que o outro faz, e não tem um dia que ele não me ensina alguma coisa muito importante.


PC: ​Você passou, em 2016, por uma experiência única nos EUA. Como isso mudou você e como esta sua vida agora?

KR: Na minha experiência nesse período tive a oportunidade de vivenciar a rotina de pessoas que são do cavalo, assim como a minha família. Eles são extremamente dedicados e muito trabalhadores. Isso me fez perceber o quanto tenho sorte de ter a família que tenho, que também se dedica e dá o sangue pelo trabalho que escolheu para viver. Além disso, os americanos são muito profissionais em tudo que fazem. Sempre que posso, tento adaptar coisas que aprendi para o nosso dia a dia.


PC: Você exerce outras atividades dentro do cavalo?

KR: Ajudo minha mãe na administração do rancho e, recentemente, comecei a prestar serviço de gerenciamento de mídias sociais para haras e centros de treinamento.

 

Foto: Adilson Silva/Foto Perigo

PC: Cavalo que mais te marcou até agora e por quê?

KR: Muito difícil escolher um. Mas hoje eu escolheria o Strongest Pistol, que foi um cavalo que meu deu muitos títulos e muitos prêmios, tanto na Rédeas como no Working Cow Horse. Mas a tendência é que sempre venha outro tão especial quanto.


PC: Melhor prova da vida
?

KC: Difícil. A última prova de Rédeas que fiz foi bem especial para mim. Participei do Futurity Haras Dan esse ano (2017) para empistar minha égua, que é potro do futuro desse ano, para ver como ia ser. Como só tinha categoria Aberta, fui nessa mesmo. Eu só queria me alinhar com a minha potra, mas fomos muito bem e ficamos entre os dez primeiros colocados, o que foi incrível para mim. Competi com muitos profissionais e consegui um bom resultado.


PC: Principais títulos:
Campeã Potro do Futuro ANCR 2000/2003 Amador Limitado; Campeã Potro do Futuro ANCR 2012 Amador N3; Campeã Pré-Futurity ANCR 2005/2013/2014/2015 Amador; Campeã Potro do Futuro ABQM 2000/2006 Rédeas Jovem; Campeã Nacional ABQM 2002 Rédeas Jovem; Campeã Super Stakes ANCR 2014 Amador N3; Campeã Sacramento Classic 2006 Amador Limitado; Campeã Congresso ABQM 2015 Working Cow Horse Aberta Junior Castrado;  Campeã Potro do Futuro ANCH 2009/2012/2013/2014 Amador; Campeã Potro do Futuro ABQM 2009/2013/2014 Working Cow Horse Amador; Campeã Potro do Futuro ABQM 2005 Working Cow Horse Jovem.


PC: Por que Rédeas, o que te encanta?

KR: É técnico, é clássico, é difícil, é lindo.

Foto: Cedida

PC: Você também ainda pratica Working Cow Horse. Como é sua relação com essa modalidade?

KR: Um aprendizado constante. É uma modalidade mais agressiva, mais difícil, e tenho um pouco de medo. Sinto mais confiança depois que comecei a treinar mais, mas ainda tenho muito que aprender.


PC: Qual título que ainda não tem e deseja conquistar?

KR: Potro do Futuro ANCR Amador Nível 4.


PC: Tem algum ídolo na Rédeas?

KR: Todd Bergen! Rédeas e Working Cow Horse.


PC: Explique sua paixão por cavalos
.

KR: Não sei nem se é paixão. Acho que é uma coisa que faz parte de mim desde que nasci, por sempre ter vivido essa vida, sempre ter me relacionado com pessoas desse meio, e por ter sido esse meio que me proporcionou todas as melhores experiências da minha vida. É algo indissociável da minha existência, simples assim.

Por Luciana Omena

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