Mangalarga Marchador

Haras Nanuque: uma trajetória fora do comum

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Saiba mais sobre o criatório nesta entrevista com o titular do haras, Marcelo Antônio de Barros Wanderley

Alguns criadores são como ícones quando se trata do resultado do trabalho obtido em seus plantéis. Desse modo, quem nunca ouviu falar em Marcelo Antônio de Barros Wanderley, do Haras Nanuque?

Exemplar no trato com os cavalos, o criatório tem reconhecimento nacional e o criador… Ah, esse merece um capítulo à parte! Com quase nove décadas de vida, Sr. Marcelo tem a energia de um rapaz para a lida no campo.

Sem dúvida, parece rejuvenescer sempre que está sobre o lombo de um Mangalarga Marchador. Raça pela qual, aliás, ele nutre uma enorme paixão e aprendeu a selecionar montando.

Afinal, exercício que faz parte da rotina do criador. Apesar das limitações típicas da idade, ele não deixa nunca o ritual de lado. Sendo assim, toda manhã ele calça as botas e as perneiras, pega o carro e vai até as cocheiras.

Lá, ele puxa o animal pelo cabresto e o encosta em uma espécie de degrau onde se apoia para montar. Depois, ao terminar a lida da manhã, deixa as rédeas do cavalo mais livres. E, por comando de voz, orienta o animal a retornar próximo ao local de partida para que ele desça.

Folga então a sela, tira a cabeçada da bride e deixa o animal apenas com o cabresto. Na sequência, um simples “vai” basta para que o Marchador volte à cocheira. Ver Sr. Marcelo montado é admirável!

Seja o cavalo extremamente dócil ou mais arisco, sob o comando dele, há uma cumplicidade fora do comum. Relacionamento entre homem e animal que se traduz em carinho e confiança. 

Por meio da entrevista abaixo, apresentamos mais um pouco dessa história. Antes de mais nada vale frisar que Sr. Marcelo é um homem de hábitos simples. Todavia, de muito amor pela vida no campo.

Família do Haras Nanuque – Foto: Divulgação

Primeiro contato com cavalos

“Desde muito novo. Eu ainda era rapaz, quando morava no município de Santa Inês, na Bahia. Sobretudo, aprecio o cavalo da boa marcha. Sempre tive cavalos de sela para o meu trabalho na fazenda e também para o meu transporte.

A fazenda ficava a 18 léguas da cidade e eu ia a cavalo namorar, passear… Também comprava e vendia bons cavalos. Eram animais da raça Mangalarga Marchador, porém sem registros.

Quando me casei com minha esposa Perpétua, nos mudamos para Nanuque, em Minas Gerais. Isso na divisa com os estados da Bahia e Espírito Santo. Assim, lá iniciei a criação sem me associar à ABCCMM, em 1970.

A partir de 74, por influência de meu irmão Lúcio Wanderley e do amigo Arlecy Carvalho, iniciei oficialmente o criatório. Ingressando, portanto, na Associação com o registro 662-9.

Desde então, vivemos intensamente o criatório. Passamos a criar também pôneis, por conta de nossas filhas Ana Flávia e Liliana. Hoje, criamos Piquiras, muito marchadores.”

Tradição familiar

“Considero uma tradição familiar [criar cavalos]. Porque, além de mim, meus irmãos Lúcio, do Haras Granito, e Marcos, do Haras Kitanda, também criam.

Do mesmo modo, nossos filhos seguem nossos passos. Este ano nasceu o nosso primeiro bisneto e desde os 4 meses já estava entre os cavalos!.

Ademais, são diversos os motivos que me fizeram escolher a raça. Entre os principais estão andamento, docilidade, rusticidade e porte. Considero a raça Mangalarga Marchador completa. Útil tanto para o trabalho quanto para o lazer.”

Acima de tudo, Sr. Marcelo adora estar rodeado pela família – Foto: Divulgação

Localização Haras Nanuque

“Estamos na cidade de Jardim, no Mato Grosso do Sul. Saímos de Minas Gerais para o Mato Grosso do Sul no ano 2000 e hoje criamos em um estado que não tem muita intimidade com o Mangalarga Marchador.

É, geograficamente, bem distante dos polos de maior concentração de criadores e usuários da raça. Com o apoio de toda a família, mantemos a paixão por criar, apesar de termos optado por não participar de exposições.

Continuamos com o propósito de buscar o melhoramento genético por meio de inseminação artificial e transferência de embriões, com foco na evolução do plantel.”

Comercialização crias do Haras Nanuque

“Utilizamos principalmente os leilões virtuais. Em 2000, ano da nossa mudança para o Mato Grosso do Sul, fizemos um leilão presencial. Este com transmissão pelo Canal do Boi, sendo pioneiros nessa modalidade de vendas.

Atualmente, temos 150 animais no plantel, entre matrizes, garanhões, potras e potros. Sempre busquei animais de muito andamento, de marcha batida de centro e também de marcha picada bem equilibrada.

Em suma, animais de boa estrutura e profundidade torácica. Selecionamos também, preferencialmente, animais de pelagem sólida, como castanha e preta, além de pampas.”

Sede do Haras Nanuque – Foto: Divulgação

Nomes dos seus animais é curiosa!

“Essa parte é bem interessante. Diria que até divertida, pois a família participa intensamente do processo. Seguimos uma letra a cada estação de monta. E, normalmente, buscamos fazer uma referência ao nome da matriz.

Isso para que possamos lembrar mais prontamente dos nomes dos descendentes. Por exemplo, Quadra de Nanuque: filhos Zaga, Vôlei, Baralho, Desfile, Esportista, Juíza, Medalha, Nocaute…”

Primeiros animais do haras

“Iniciei minha seleção com o animal Arteiro da Gironda, filho neto do Trevo da Gironda. Um garanhão de extrema docilidade e muito andamento. Fiz cruzamentos com matrizes de origem sul-mineira, de Caxambu.

Inclusive tive também o garanhão Caxambu Orion. Fizemos uma base com Arteiro da Gironda. Depois,comprei o Herdade Alter, filho do Herdade Cadillac, em Herdade Alterosa.

Sem dúvida, ele fez um trabalho bem bacana nas filhas do Arteiro. Preservou, portanto, na tropa a marcha. Além disso, evoluiu em estrutura corpórea, profundidade torácica e belas orelhas.

Após Herdade Alter, usamos Sândalo do Granito. Uma cria do meu irmão Lúcio, filho do Arubé Bela Cruz em Macumba do Granito, uma filha do Abaíba Remo.

O Sândalo nos deu matrizes lindas, ganachudas e de olhos muito expressivos. Além de manter a docilidade da tropa. Depois tivemos Santana Xavante e Minueto do Pau D’Alho, dois garanhões de origem Abaíba. Teve, ainda, o Inglês JB, que trabalharam de forma positiva evoluindo em morfologia e beleza.

Há 12 anos, adquirimos do amigo Djalma Rocha o garanhão Sincero do Porto Azul. Um filho de Haity Caxambuense, que é o nosso principal garanhão até hoje. Ele tem uma produção que nos agrada demais em andamento e morfologia.

Seus filhos são muito estruturados, extremamente marchadores e muito dóceis. Recentemente, adquirimos também 50% do Sansão do Porto Palmeira, neto de Haity Caxambuense. Parceria com o Amigo Eider Dantas, do Haras Iguatu. Dessa forma, seguimos a nossa seleção em cima dos descendentes do Haity.”

Sem dúvida, o Haras Nanuque acumula diversos prêmios – Foto: Divulgação

Dedicação a marcha picada

“Produzimos, na essência, a marcha batida de centro. Entretanto, por ser considerada uma marcha intermediária entre a picada e a batida, e equidistante dos extremos da andadura e do trote, a marcha batida de centro, em cruzamento com a marcha picada, resulta em produtos de marcha picada com muita qualidade.

Atualmente, usando o sangue do Haity Caxambuense na linha baixa. Já na linha alta (filhas do Sincero do Porto Azul em cruzamento com o Sansão do Porto Palmeira e vice-versa).

Como resultado, estamos produzindo muitos animais de marcha picada de excelente qualidade. Além de equilibrados e, ainda, com uma dinâmica de movimentação muito evoluída.”

Quais são suas perspectivas para a raça?

“De fato, o Mangalarga Marchador tem evoluído muito. Sem dúvida, a ABCCMM se tornou a maior da América Latina em número de criadores de uma única raça.

Sendo assim, hoje, conta com um número muito grande de criadores e usuários. Bem como possui muitos apreciadores pelo dinamismo, pela qualidade de marcha, docilidade e versatilidade que os animais da raça oferecem.”

Dicas para os novos criadores

“Antes de mais nada devo dizer que crio o Mangalarga Marchador por ser um cavalo de muitas aptidões. Entre elas, por exemplo, estão: sela, lazer, trabalho, animal forte e de fácil adaptação, rústico e muito dócil.

Visto que crio por paixão, pelo prazer de montar todos os dias e, em suma, para apreciar o que o nosso cavalo tem de melhor. Por fim, a dica que dou, portanto, é que se tenha prazer em criar. E, ainda, busque por animais de bom andamento.”

Por Top Marchador
Crédito das fotos: Divulgação/Top Marchador/Haras Escuro

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Mangalarga Marchador

34º Campeonato Brasileiro de Marcha Batida bate todos os recordes

Evento – que aconteceu de 23 a 28 de novembro, no Haras Raphaela, em Tietê/SP – reuniu 616 animais de todo o país.

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O 34º Campeonato Brasileiro de Marcha Batida, realizado de 23 a 28 de novembro, no Haras Raphaela, em Tietê/SP, bateu todos os recordes. De acordo com a Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador (ABCCMM), o evento reuniu 616 animais de todo o país, número recorde superado ano a ano.

Antes de mais nada vale lembrar que a final do Campeonato Brasileiro de Marcha Batida é itinerante. Ou seja, a cada ano a Associação promove em um local diferente. “A ideia em ser itinerante é fortalecer as regiões e os estados. Então, a cada ano ele vai sendo realizado em locais diferentes para fortalecer o nosso cavalo em regiões diferentes. É o segundo evento mais importante da raça, porque o primeiro é a Nacional que é realizada em julho em Belo Horizonte”, explica o coordenador de evento da ABCCMM Luciano Rocha.

Dessa forma, para a realização deste evento em Tietê a ABCCMM contou com o apoio dos núcleos da raça no Estado de São Paulo. “A diretoria juntamente com os núcleos do Estado de São Paulo trabalharam a finco para realizar esse evento com muito carinho, mesmo estando no meio da pandemia, seguindo todos os protocolos. Ficamos  muito felizes com o sucesso do evento. Foi um CBM de marcha batida com maior numero de inscritos em todas as edições, estamos felizes”.

Sem dúvida, evento reuniu os melhores exemplares de marcha batida da raça – Foto: Divulgação/H. Possebon

Melhores exemplares de marcha batida da raça

Sem dúvida, o evento reuniu os melhores exemplares de marcha batida da raça. Sobretudo, cavalos e éguas que expressaram muita beleza, qualidade de sela e, principalmente, andamento marchado.

Um dos criadores que marcou presença no evento foi Robson Ferreira, do Haras Slim, de Jaboticatubas/MG. “Para a gente é um prazer ter participado. Foi o nosso primeiro CBM, nós temos menos de dois anos de haras. Nas copas durante a quarentena nos estivemos em toda e aqui é a continuidade de um trabalho que está sendo feito com muita dedicação. Eu achei de altíssimo nível, muito bem organizado, com uma estrutura excelente, de fato, um evento de alto nível”.

Do mesmo modo, outro criador também fez questão de marcar presença no evento. Trata-se do ex-jogador de vôlei e medalhista olímpico Sérgio Dutra Santos, mais conhecido como Serginho ou Escadinha, que também é um grande amante do Mangalarga Marchador. Inclusive, ele ainda é integrante do Núcleo Bandeirantes.

“Primeiramente, eu quero agradecer e parabenizar, não só a Associação, como também o Núcleo Bandeirantes pela organização, segurança, está tudo muito bonito. O Haras Raphaela foi invadido pelo Mangalarga Marchador, a raça comemora esse grande feito, diante de uma pandemia, que as pessoas tem que se cuidar, e estamos nos cuidando aqui, todo mundo com máscara, várias pontos com álcool gel, medicação de temperatura. Eu fico muito feliz com um evento muito bem organizado, com grandes criadores e animal, e a raça só tem a agradecer”.

Sentimento de missão cumprida, diz presidente da ABCCMM – Foto: Divulgação/H.Possebon

Missão cumprida

Na cerimônia de encerramento do evento, o diretor de Eventos da ABCCMM, Antônio Galvão dos Santos Junior, frisou o orgulho de ter o Estado de São Paulo como sede do campeonato. “ Nosso obrigado aos que ajudaram a fazer do CBM um grande evento. Quero reforçar que foi um prazer dividir a alegria de viver com vocês o entusiasmo deste momento”.

Para o presidente da ABCCMM, Daniel Borja o Campeonato Brasileiro de Marcha Batida, foi um grande sucesso. Ele agradece a todos os criadores, funcionários, parceiros e patrocinadores pelo compromisso, confiança e apoio. E, por fim, garantiu que já planeja um 2021 com muitas novidades.

Para ver o resultado completo do 34º Campeonato Brasileiro de Marcha Batida, clique aqui.

Por Natália de Oliveira
Colaboração: Verônica Formigoni
Crédito das fotos: Divulgação/Henrique Possebon

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Haras El Far: excelência em Mangalarga Marchador

Confira uma entrevista especial com o titular do criatório, o egípcio naturalizado brasileiro Magdi Shaat, que já foi presidente da ABCCMM

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Localizado no Sul de Minas Gerais, na cidade de Lavras, o Haras El Far se destaca por possuir um dos maiores planteis de Mangalarga Marchador. Sendo considerado, portanto, um dos principais haras do país. 

Quem está à frente do criatório é engenheiro civil e pecuarista Magdi Shaat, que nasceu em Cairo, no Egito, mas veio para o Brasil em 1968. “Eu sou muito mais brasileiro do que muito brasileiro. Sou naturalizado, eu quis ser brasileiro”, brinca o criador que já presidiu a ABCCMM, de 2011 a 2015.

Dentre a tropa do Haras El Far estão alguns animais lendários na raça, tais como Favacho Estanho, Brasa da Encruzilhada, Sinira do Berma todos estes com o selo El Far. Dessa forma, com investimentos em animais de sela, especialmente na genética do Sul de Minas, foram feitos cruzamentos com animais premiados.

Ademais, como resultado de um trabalho criterioso, o Haras El Far vem a cada ano formando vencedores e grandes animais que atendem aos amantes do Mangalarga Marchador. Diante de toda essa qualidade e história, o Top Marchador bateu um papo com Magdi Shaat e a entrevista completa você confere abaixo.

Haras El Far – Foto: Divulgação/Top Marchador

Origem

“Eu sou muito mais brasileiro do que muito brasileiro. Sou naturalizado, eu quis ser brasileiro. Meu avô era criador de cavalo árabe e ele tinha amigos que eram grandes criadores e, entre eles, estava um dos maiores criadores do mundo.

O cavalo árabe tem três linhagens básicas: a egípcia, a polonesa e a americanaEste amigo do meu avô tinha 200 éguas e 20 garanhões. As 200 doadoras eram de várias famílias destas linhagens básicas. O mesmo com os garanhões. E ele fazia os cruzamentos e sempre falava que ficaria mil anos sem consanguinidade.

Dessa forma, eu copiei o modelo dele. Tenho 200 doadoras e 40 garanhões. Acredito que tudo o que eu aprendi com eles foi um ensinamento muito grande para fazer este trabalho de genética no Mangalarga Marchador.

Contudo, o cavalo deles tem outra função, para enduros, alta resistência. Mas eles faziam um trabalho baseado na genética e eu aprendi a fazer a mesma coisa aqui, quando eu comecei a criar o Mangalarga Marchador. Muita gente me chamou de louco. O resultado está chegando agora. Foi a aprendizagem na criação de cavalos que eu trouxe de lá comigo.”

Início no Mangalarga Marchador

Eu entrei na raça como todo criador entra. Eu era um criador novo, conhecia pouco da raça e fui aprendendo ao longo dos anos até chegar ao ponto em que cheguei. Sem dúvida, o primeiro momento, logo que o criador entra na raça, é de investimento em aquisição de animais.

Tive a preferência por algumas éguas para atuarem como doadoras e outras para pista. Todo criador novo começa como expositor. Mas chega um momento em que a gente visualiza o andamento, o cavalo de sela, cavalo marchado. Quando isso aconteceu, eu mudei. Investi mais nestes animais de sela, especialmente na genética do Sul de Minas.

Então, se olhar a nossa tropa hoje, mais de 90% dela é sul-mineira. Fomos fazendo cruzamentos, adequando, até acertar e chegar no ponto ao qual chegamos hoje. É um trabalho criterioso, temos que visitar os amigos, ver o que eles estão fazendo, para que possamos comparar, inclusive em pistas, o que está acontecendo e, assim, fazermos uma avaliação. O objetivo final é e sempre foi o cavalo de sela. “

Diferencial da criação no Sul de Minas

“A simplicidade do criatório, a rusticidade do animal, a forma de criar e o cruzamento certeiro. Eles pensam em todos os cruzamentos. É impressionante! As pessoas de lá, sejam de criatórios grandes ou pequenos, têm um acerto alto no cruzamento.

Todo ano tem animal extraordinário em cada haras. Portanto, mais de 90% da minha tropa é sul-mineira. Esse é o trabalho que eu tenho feito, buscando a genética para produzir animais de sela. No entanto, o que eu sinto no Sul de Minas é falta de mão de obra qualificada para atender a todo mundo”.

Haras El Far acumula, sem dúvidas, inúmeros grandes campeonatos – Foto: Divulgação/Top Marchador

Trabalho de seleção genética

“O sinal para mim, para eu começar o trabalho de seleção visando a marcha, foi quando o ex-presidente da ABCCMM, Alexandre Miranda, criou o regulamento implantando a seletiva pela marcha.

Foi neste momento, portanto, que eu fiz uma mudança radical na tropa. Ali eu comecei a ver que o cavalo tem que ser um animal de sela e comecei a fazer meu trabalho de seleção norteado pela busca por animais de marcha. 

Sangues mais presentes Haras El Far

“Basicamente JB, Favacho e Lobos. Eu tenho animais extraordinários JBanimais extraordinários Favacho. Inclusive, eu sou sócio na empresa Favacho, da qual faz parte o Pedro Venâncio, o Mário Lúcio e a família Favacho.

Entretanto, se tiver um animal extraordinário de uma outra linhagem, de sela e que produz, eu não tenho restrição nenhuma. Acima de tudo, é essa salada de frutas que eu adoro.

Como alcançar o sucesso na criação

“Para se chegar neste ponto são vários os passos principais. Além da seleção e da aquisição de animais de alta qualidade genética, é necessário um manejo extraordinário dentro de casa e tem que ter mão de obra qualificada.

Além do mais, tem que ter a gestão de tudo isso. O trabalho é árduo, eu fico ligado o tempo todoFormei grupos no WhatsApp com as pessoas responsáveis por cada setor do haras, nos falamos o tempo todo. As partes de veterinária, TE, clínica, treinamento. Conversamos d7 horas da manhã até 10 horas da noite

Devido a minha atividade profissional, é impossível estar presente o tempo todo, mas eu me esforço para estar presente o maior tempo possível. Criar os grupos foi uma forma que eu encontrei nestes últimos dois anos para acompanhar melhor tudo o que acontece no haras. 

Daniel Borja, atual presidente da ABCCMM, e Magdi Shaat – Foto: Divulgação/ABCCMM

Formas de comercialização de animais

 “Existem várias formas. Há 10 anos, eu comecei o Shopping Elfar, que é um dia de campo que nós fazemos. Eu fui um dos primeiros a fazer isso. Portanto, esta é uma forma extraordinária para vender animais para pequenos e médios criadores. 

Existe o leilão online, além dos leilões virtuais, via televisão. Eu acho que estes leilões virtuais precisam de um pouco mais de critério, de uma seleção mais rigorosa, precisam ter um dono. Quando o leilão tem dono, leva o nome do criatório, as pessoas que têm vontade de ter um animal daquele criatório buscam este leilão. 

leilão que não tem dono, que reúne várias pessoas sem seleção adequada, dificilmente terá um bom retornoPor isso eu acho que leilão virtual tem que ter o nome de um criatório de referência para ter sucesso. Além dos leilões presenciais, que são leilões de elite.”

Gestão na ABCCMM

“Durante minha gestão, nós focamos nos mercados interno e externo. Para crescer de dois mil para doze mil associados, o crescimento no mercado interno brasileiro tem que ter sido enormeBuscamos criar associações em várias regiões do mundo.

Nos EUA já tinha uma associação, então demos mais suporte técnico. Fundamos a Associação Europeia, na Alemanha, e a Associação Italiana, na Itália. Também na Argentina, mas por problemas com a economia local, o projeto ficou paralisado. 

As barreiras sanitárias complicadas existem, o mormo na Europa e a babésia nos EUA. A opção encontrada foi exportar sêmen e embrião congelados para fortalecer o Mangalarga Marchador no exterior. Fizemos um convênio com a Apex durante dois anos. Eles investiram dois milhões de reais e foi um projeto extraordinário de divulgação da raça na Europa e nos EUA. 

Os núcleos no exterior precisam de apoio técnico, não precisam de apoio financeiro. Por exemplo, em um concurso de prova funcional, enviar um árbitro daqui para julgar, dar aulas, ensinamentos, isso é fundamental para a associação manter o interesse lá fora. Além disso, incentiva a venda de óvulos e sêmen congelados.  

É fundamental divulgar o cavalo no mercado externo. A concorrência do cavalo de marcha lá é muito grande. Passo Fino, Passo Peruano, American Saddle Horse, Tenessee Walker, entre outros, mas que nem chegam perto do nosso cavalo, tanto picada como batida.”

Por Top Marchador
Crédito das fotos: Divulgação/Top Marchador

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Mangalarga Marchador

Tietê sedia o 34º Campeonato Brasileiro de Marcha Batida

Disputas do Mangalarga Marchador serão realizadas de 23 a 28 de novembro, no Complexo do Haras Raphaela

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CBM Caxambu 2019

A raça Mangalarga Marchador se prepara para viver mais um de seus grandes momentos. Afinal, está chegando a 34ª edição do Campeonato Brasileiro de Marcha Batida. O evento acontece entre os dias 23 e 28 de novembro, no Complexo Haras Raphaela, em Tietê/SP.

Na ocasião, também será realizada, de forma simultânea, a 5ª Exposição Especializada do Cavalo Mangalarga Marchador do Núcleo Bandeirantes. Além, aliás, da realização das provas funcionais da raça. Deste modo, a recepção dos animais que participarão do evento será feita neste sábado (21) e domingo (22).

O trio de juízes do Campeonato Brasileiro de Marcha Batida, bem como da 5ª Exposição Especializada será: Lucas Fernando Augusto, Márcio Meirelles Leite e Plinio Augusto Coelho Amaral. Já nas provas funcionais, José Renato Costa Caiado é o responsável pelos julgamentos. Por fim, os julgamentos de morfologia serão realizados por Carlos Eduardo Federici de Oliveira e Roberto Alves Ribas.

Antes de mais nada vale frisar que a cidade de Tietê foi escolhida para sediar o evento porque o Estado de São Paulo tem sido destaque na criação do Mangalarga Marchador. Afinal, atualmente, possui 1.872 criadores associados e um plantel em torno de 70 mil animais registrados.

Evento seguirá rígido protocolo sanitário

De acordo com a Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador (ABCCMM), o 34º Campeonato Brasileiro de Marcha Batida terá uma organização diferenciada. Isso em decorrência da pandemia do  novo coronavírus.

“Estamos trabalhando incansavelmente para que o nosso CBM aconteça de forma segura e com a qualidade que todos já conhecem. Além disso, o Complexo Haras Raphaela é um local com uma infraestrutura especial. Assim nos permitirá realizar não só um evento de qualidade. Mas, acima de tudo, seguro, organizado de acordo com todas as regras de saúde e segurança sanitárias estabelecidas pelas autoridades. Conforme já fazemos em todos os eventos que acontecem desde junho”, afirma,  confiante o presidente da ABCCMM Daniel Borja. 

Sendo assim, todos os participantes (criadores, expositores, apresentadores, público e demais envolvidos) deverão, obrigatoriamente, seguir todos os protocolos de segurança e saúde. Estes, aliás, pré-estabelecidos pelas autoridades responsáveis e pela organização do evento. 

Por exemplo, para acessar as dependências do Haras Raphaela será obrigatória, para cada pessoa, a aferição de temperatura e a apresentação da ficha de triagem devidamente preenchida. Clique aqui para imprimir o documento. Ademais, será obrigatório o uso ininterrupto de máscara e álcool em gel constantemente. 

Confira abaixo a programação completa do evento:

Fonte: ABCCMM
Legenda da foto em destaque Campeonato Brasileiro de Marcha Batida 2019, em Caxambu/MG

Crédito da foto em destaque: Divulgação/ABCCMM/Gabriel Lage

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