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Haras Lagoinha: conheça o trabalho de 20 anos de resgate da pelagem pampa

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Foi a partir do nascimento do garanhão Monteblanco do PEC que o criatório de Marisa Iorio mudou todo o caminhar da pelagem pampa do Mangalarga

Na década de 90, quando a pelagem pampa estava praticamente à deriva dentro da raça Mangalarga, a criadora Marisa Iorio viu um nicho de mercado que precisava ser preenchido. Assim, a proprietária do Haras Lagoinha, situado em Jacareí/SP, resolveu iniciar um trabalho de resgate da pelagem pampa.

“Eu já estava preocupada em atender essas pessoas que procuravam por animais de pelagem exótica. Mas todo mundo só tinha animais de pelagem sólida para oferecer ao mercado. Praticamente, não tinha indivíduos pampa na raça”, lembra.

Na época, ela tinha apenas um exemplar pampa de tordilho em seu plantel, uma égua de 28 anos chamada de Lili JL. Dessa forma, Marisa resolveu arrendar Charles J.O. e, com um pensamento muito positivo, tirar desse cruzamento um garanhão de pelagem exótica.

Dessa forma, em 11 de janeiro de 1997 nasceu Monteblanco do PEC. “Com a linhagem de cavalo J.O., Monteblanco foi esse cavalo que nós chamamos de pilar da raça da pelagem pampa. Ele realmente mudou todo o caminhar da pelagem pampa”, frisa a criadora.

Monteblaco do PEC mudou o rumo da história do Mangalarga Pampa

E foi a partir de Monteblanco do PEC que o andar do cavalo Mangalarga de pelagem pampa tomou um rumo totalmente diferente. Tanto que, atualmente, cerca de 80% dos animais pampa apresentados em pista, não só pelo Haras Lagoinha, carregam a genética do garanhão, que é um diferencial na raça.

Novos desafios

Após conquistar o tão sonhado Mangarlaga Pampa, Marisa se viu em mais um desafio: encontrar éguas pampas para Monteblanco do PEC cobrir. No entanto, segundo ela, não existia nenhum exemplar na época.

“Então o que nós fizemos foi comprar barrigas excepcionais, mas olha que caminhar longo e difícil. Porque Monteblanco não é um cavalo homozigoto, ou seja, ele não possui o gene que ao cruzar com éguas sólidas vai dar sempre filhos de pelagem pampa. O Monteblanco é filho de égua pampa com Charles J.O., que é um cavalo de pelagem sólida”, explica Marisa.

E, desse trabalho de mais de 20 anos buscando resgatar a pelagem Pampa, o Haras Lagoinha já colhe bons frutos. Tanto que é reconhecidamente um dos principais centros de criação da raça Mangalarga de pelagem pampa.

“Estamos nessa luta há 20 anos, e quando a gente fala de resgate da pelagem, nós também falamos de resgate de sangues que estavam também perdidos na raça Mangalarga. Hoje já chegamos a 47% do número de expositores participantes de pelagens em relação ao número geral de inscrições da raça como a Exposição Brasileira e a Nacional. Então, é um trabalho também de fomento que o Lagoinha proporciona”.

Monteblanco do PEC é o melhor garanhão pampa do Brasil

Reconhecimento

Diante de tanta grandeza, Monteblanco do PEC foi reconhecido pelos seus méritos e, assim, é detentor do título do segundo garanhão no Livro de Méritos da Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo da Raça Mangalarga (ABCCRM).  Consequentemente, ele é o melhor garanhão pampa do Brasil.

“Só existem dois garanhões até o momento, um é o Jambo da Sabauna, que é de pelagem sólida, e Monteblanco do PEC, segundo garanhão constando no livro. Tendo assim, sua performance é reconhecida através de filhos, netos e bisnetos em pista. Então, isso nos deixa muito felizes por estarmos num projeto de acerto, nessa linha de criação”, explica Marisa Iorio.

Se não bastasse isso, Monteblanco do PEC é o único garanhão Mangalarga Pampa com 98,5 pontos de Registro. Além disso, ainda figurou no ranking de Melhor Reprodutor da Raça Mangalarga Pampa por 10 anos consecutivos.

“O brilhantismo da rapidez de toda evolução não para por aqui, seus descendentes tanto de linhagem como de pelagem, sendo uma égua e um garanhão atingiram o título máximo de Grandes Campeões Nacionais da Raça Mangalarga no Geral. Monteblanco do Pec é uma lenda viva de evolução genética”, finaliza a criadora.

Mais informações sobre o Haras Lagoinha pelo telefone (12) 3956-1403 ou pelo WhatsApp (12) 9.9721-0527, com a Marisa Iorio. 

Por Natália de Oliveira
Crédito das fotos: Marisa Iorio

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Brasileiro de Hipismo

Haras Cabana Boa Vista inicia projeto social envolvendo cavalos BHs

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Iniciativa tem como objetivo iniciar no hipismo crianças das comunidades próximas ao haras, em Paudalho/PE

O Haras Cabana Boa Vista – especialista na produção e reprodução de cavalos de esporte – começou no sábado (11) um projeto social com cavalos da raça Brasileiro de Hipismo.

De acordo com o proprietário do haras, Alexandre Teles, a ideia do projeto é iniciar no hipismo crianças das comunidades próximas ao haras, que fica localizado em Paudalho/PE.

“Sabemos da importância do esporte na formação das crianças, e do peso e responsabilidade que esse empreendimento traz consigo. Que Deus nos ajude a seguir em frente e nos dê ânimo e forças quando necessário”.

O ponta pé inicial desse projeto foi dado com ajuda do cavaleiro e professor André Ferreira. Com muita paciência, ele ajudou as crianças, ainda meio desajeitadas, a darem seus primeiros trotes.

“A escolinha nasce de nosso anseio em ajudar a comunidade. A inspiração vem de D. Isnal Barbosa, nossa avó paterna, professora do primário em Campina Grande, e que ao chegar a Recife, dirigiu por mais de quatro décadas o Orfanato Presbiteriano Vale do Senhor”, acrescenta Alexandre.

Dessa forma, o animal utilizado nas primeiras aulas foi a Brasileiro de Hipismo CS Ully. Uma égua nascida em 2003 no Haras Campos Salles, que já teve seus dias de glória saltando GPs no Brasil.

Ainda de acordo com Alexandre, inexplicavelmente, CS Ully foi abandonada sem qualquer cuidado. E, assim, foi adquirida no ano passado pelo Haras Cabana Bos Vista para tentar seu restabelecimento. “Ela está trabalhando feliz da vida, dócil e empenhada em ajudar. Parece até que sabe o que está fazendo”.

Fonte: ABCCH
Crédito da foto: Divulgação/ABCCH/Anna Carvalho

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Criadores

Haras ST discorre sobre o projeto ST Dashin Leo

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Haras ST discorre sobre o projeto ST Dashin Leo

Em artigo publicado originalmente na Revista Tambor & Baliza, você irá conhecer um pouco mais a respeito da filosofia de criação do Haras ST

Há mais de 45 anos o Haras ST cria Quarto de Milha e detém inúmeras marcas que atestam a excelência do seu plantel. Assim sendo, é o Criador mais pontuado da história da ABQM, com mais de 16.000 pontos no RMT.

De acordo com as estatísticas, entre as dez melhores matrizes brasileiras, cinco formaram a base do criatório ST. Ou seja, 50% das melhores matrizes de todo o Brasil, incluindo a líder ST Cajuina, com mais de 3.500 pontos pela ABQM. Mãe, sobretudo, de ST Tapioca, que já tem com quase 2.000 pontos como matriz.

Ainda conforme os dados apurado, entre os atletas dois dos animais mais pontuados pela ABQM são a ST Tapioca, com mais de 1.400 pontos, e sua filha ST Taboquinha, com mais de 1.000 pontos. Os únicos animais com mais de mil pontos em pista nos Três Tambores.

Para exemplificar ainda a informação do começo do texto, o Haras ST acumula dez anos de ABQM Awards nos Três Tambores. Todos esses dados são oficiais da ABQM.

Do mesmo modo, consultando o arquivo do SGP Sistema, a liderança ST também impressiona: as três matrizes que lideram ganhos em R$ no Brasil são ST. E as únicas com mais de R$ 600.000,00 em ganhos.

Por fim, ao analisar o ‘Clube dos 16’, de cavalos que marcaram tempo na casa dos 16 segundos no Tambor, apesar de alguns dados ainda não terem sido atualizados, o ST lidera em número de tempos e a ST Cajuina como matriz.

Confira a análise do Dr. Marcio Tolentino!

Escolha dos reprodutores

“Muito obrigado pela oportunidade de abrir as portas do ST para falarmos da nossa filosofia de criação mais uma vez. Para começar, vamos pontuar algumas coisas. A importância da matriz já é bem conhecida e comprovada. Mas, um potro não nasce sem pai. Tem que haver um garanhão e há de ser bom: à altura do plantel de mães que o Haras ST possui.

O primeiro critério de escolha é pela morfologia e genética, que são inseparáveis: sua estrutura e suas proporções estão fortemente relacionadas à linhagem a que pertence. Nesse item procuramos observar detalhadamente as características que foram dominantes por parte de pai e de mãe (o que veio de um e o que veio do outro). Valorizamos particularmente a estrutura óssea, cascos e aprumos.

Sendo coerente com nosso pensamento, valorizamos muito a mãe na escolha dos nossos reprodutores. O ST Dashin Leo é filho da ST Cajuina. O terceiro ponto que analisamos é o caráter. Difícil de definir, mas desde novinho percebe-se um animal atento… mas manso, de boa índole. E a índole também é transmitida para os filhos.

Para nós é fundamental que os animais possam ser montados por amadores, jovens e principiantes. Acreditamos que isso é o alicerce do esporte que escolhemos. E tem mais: essas categorias é que sustentam a viabilidade econômica dos criadores, qualquer que seja seu tamanho. A escolha considerou também a beleza do animal, incluindo a cor. Sobretudo, há outros pequenos detalhes, mas sua exposição tornaria esse artigo muito longo!”

Escolhas semelhantes

“Os três garanhões que formaram o plantel do Haras ST foram escolhidos de acordo com os mesmos critérios da escolha do ST Dashin Leo. Dessa forma, o atual reprodutor-chefe do haras, ST Dashin Leo, carrega nas costas uma responsabilidade sem igual. Ele é o sucessor dos dois garanhões que iniciaram o criatório do ST há mais de 40 anos. Primeiro foi o Shady Leo e segundo o Fishers Fly.

Acima de tudo, tínhamos várias opções da geração de 2011 quando resolvemos escolher um garanhão. Inclusive, vimos alguns animais de outros criatórios. Mas ele foi o escolhido juntamente com o saudoso Dr. Kiko, presença fundamental na estruturação do ST a partir dos anos 2000.

O também muito saudoso Marcão Toledo domou o ST Dashin Leo. Certa vez nos disse: ‘é um carneiro doutor, garanhão para criança montar’. E o André Coelho foi escolhido como treinador: ‘entre os melhores animais que já montei’.

A campanha do ST Dashin Leo durou apenas três meses. Nesse curto período correu apenas seis provas e parou a campanha com a mudança do André para os Estados Unidos. Contudo, nesse meio tempo, foi campeão do Congresso ABQM Cavalo Iniciante Três Tambores 2015.

O ST considerou que a escolha do DL estava correta. Tinha tudo para gerar filhos velozes, mas sobretudo, mansos.

O projeto não parou aí: sempre entendemos que o planejamento de um criatório de cavalos deva ser a longo prazo, no mínimo cinco anos, sendo que para resultados mais sólidos é preciso no mínimo uma década”.

Parceiros do projeto

“Todos que compraram coberturas ou potros desse nosso garanhão são parceiros importantíssimos. Repetimos sempre que ‘ninguém se faz sozinho’. A partir de 2015 fizemos uma parceria especial com o Haras Flamboyant. Uma parceria gratificante, diga-se de passagem.

Havia e há um problema na utilização do Dashin como garanhão aqui no ST: consanguinidade com nosso plantel de matrizes. Das 25 matrizes em atividade no haras, 11 são irmãs dele, e uma é a própria mãe. Esse fato limita o volume de potros em pista para que fosse provada a sua qualidade como garanhão.

Dessa forma, estávamos, sim, aceitando parceria que participasse desse projeto. Necessariamente a longo prazo. E que aceitasse os custos que envolvem colocar até cinco gerações de potros em pista.

Novamente entra o Dr. Kiko, que sugeriu uma parceria com o Ivan Melo. O Haras Flamboyant tinha e tem um selecionado plantel de matrizes. Além disso, a parceira abriu a possibilidade de cruzamentos com éguas Tres Seis: cruzamento que achamos excelente para o DL.

Todo esse planejamento é importante para o projeto, mas, sobretudo, a nossa aproximação com o Ivan desenvolveu-se num ambiente de extrema confiança e amizade cada vez maior.

Acrescente-se a sintonia familiar, particularmente entre a Isabel e Ana Luiza, duas apaixonadas pelos criatórios dos pais e responsáveis pela sua continuidade. Isso tudo tem um valor inestimável”.

 Objetivos

“Entre os objetivos projetados, a longo prazo, para o ST Dashin Leo: com dez gerações em pista, ser um dos dez melhores garanhões produtores de Três Tambores no Brasil. Até agora há 2.494 garanhões produtores de animais pontuados na modalidade.

Estar entre os dez significa, hoje, estar numa elite representada por menos de 0,05% dos garanhões. E, acima de tudo, produzir cerca de 4.000 pontos. Com o passar do tempo esse número tende a aumentar.

O Haras ST acredita muito em avaliações estatísticas. Note-se que a estatística baseia-se em comparações com outros garanhões e índices: não avalia apenas números. Números são as ferramentas iniciais.

Assim sendo, para cumprir o objetivo citado os filhos do DL da primeira geração deveriam somar pelo menos 100 pontos no ano do seu Potro do Futuro (2018) e 350 pontos no final de 2019 com duas gerações em pista. Ainda 500 pontos no final de 2020″.

Avaliações

“O ST avalia os produtos do DL de cada geração e o desempenho de cada um individualmente. A estatística exige, como foi escrito acima, uma comparação com os melhores reprodutores e o estabelecimento de índices. Um bom índice é a média de pontos por filho. O ST Dashin Leo está superando todas as projeções estatísticas.

A tabela mostra os dez melhores reprodutores de Três Tambores da geração 2014, ano hípico 2018/2019. Foi a estreia da primeira geração do Dashin.

Haras ST discorre sobre o projeto ST Dashin Leo

A produção de cavalos velozes é importante! Valorizamos, sim, os chamados ‘cavalos de 16’. Até o fechamento desse texto, cinco filhos do Dashin já correram na marca dos 16. Contudo, achamos fundamental a produção de animais dóceis, facilmente montados por amadores e jovens. Nesse item o ST Dashin Leo tem se mostrado muito melhor do que o esperado.

Haras ST discorre sobre o projeto ST Dashin Leo
ST Caloca. Foto: Hugo Lemes

Desejamos também que o DL produza alguns ícones, que vençam torneios de renome nacional, Slots, Potros do Futuro e por aí vai. É gratificante que na primeira e na segunda geração eles já se mostraram.

Em números, os 12 filhos do ST Dashin Leo que correram Três Tambores no ano hípico 2018/2019: correram 346 provas; campeões em 18 provas; do primeiro ao quinto em 76 provas; do sexto ao décimo em 34 provas. Melhor, impossível!”

Haras ST discorre sobre o projeto ST Dashin Leo
ST Pansoti. Foto: Hugo Lemes

Andamento do projeto

“O projeto está em andamento, assim como o acordo inicial com o Haras Flamboyant. Projeta-se uma avaliação mais sólida em cinco anos. Nesse ínterim, o Haras ST investirá na doma e campanha de no mínimo 40 potros (cerca de oito por ano – nascidos entre 2014 e 2018). Essas cinco gerações correão os Potros do Futuro de 2018 a 2022.

O Haras Flamboyant está sendo o grande parceiro desse projeto a partir da geração nascida em 2015, quando começaram a nascer os potros DL desse criatório. A proposta é que em cinco anos também coloque 40 potros em campanha.

Há muitas variáveis que influenciam nos resultados: A qualidade do manuseio inicial do potro e sua doma; O treinador que monta o animal e sua adaptação a ele; As pistas em que o potro irá correr; A saúde do animal e seus cuidados veterinários.

Também avaliamos se econômicamente o projeto é viável e chegamos a conclusão que sim. Porém, em toda análise racional e técnica há muita coisa de difícil previsão: O mercado de cavalos é relativamente instável; A evolução da economia nacional; A política da ABQM com relação ao estímulo de provas para amadores e jovens.

A valorização dos pequenos e médios eventos é fundamental. Note-se que expressiva maioria dos consumidores do cavalo ‘do meio’ estão nesse grupo. Por isso mesmo que criar cavalos é um negócio sim! Mas, deve-se colher dele os prazeres que proporciona. Nunca deixará de ser uma paixão”.

Por Verônica Formigoni
Fonte: Editora Passos
Foto de chamada: ST Dashin Leo | Crédito: Gabriel Oliveira

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Árabe

Haras Al Ventur e a busca pelo ‘tipo’ ideal do cavalo Árabe

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Criatório aposta em Abbas Al Ventur como o garanhão que irá imprimir para a tropa algo único, unindo qualidade e pedigree

Quando iniciou a criação de cavalos da raça Árabe no Haras Al Ventur, localizado em Sorocaba/SP, Eduardo Gama não imaginava que conseguiria rapidamente atingir suas metas. A princípio, eram de criar um campeão nacional e exportar um animal que tivesse condição de ser campeão internacional. 

Por conta disso, Eduardo logo precisou redefinir o foco de sua criação. Assim, atualmente, o proprietário busca criar animais que as pessoas consigam, facilmente, reconhecer no pasto como sendo um exemplar que saiu do Haras Al Ventur, ou seja, o “tipo” ideal do cavalo Árabe.

“Como sonhar não tem limite e eu costumo focar naquilo que eu sonho, o que eu quero, de verdade, é criar um “tipo”. Creio que para isso acontecer é indispensável um garanhão. Um cavalo que consiga transmitir para a tropa algo único, algo que só ele tenha, unindo qualidade e pedigree”.

Nessa busca, o criatório aposta em Abbas Al Ventur (Halyr Meia Lua x Emozione Al Ventur). Afinal, recentemente, o jovem garanhão se tornou campeão Potro, por decisão unânime, da Exposição Internacional do Cavalo Árabe, que foi realizada em Indaiatuba.

“Foi um título importante por diversas razões. Primeiro, porque ele ficou extremamente nervoso nas cocheiras do parque a ponto da gente chegar a pensar que não teria condições físicas e psicológicas de entrar na pista”, lembra Eduardo.

Eduardo Gama com o Abbas Al Ventur

Como consequência, Abbas chegou a perder mais de 50 quilos em três dias por não dormir, não comer e só se hidratar através de soro. Inevitavelmente, isso afetou o corpo e as forças dele na apresentação. Mesmo assim, Dejair Silvestre soube conduzi-lo para a vitória da melhor maneira possível.

Superação de Abbas Al Ventur

Ademais, outro ponto que também marcou bastante a vitória do jovem garanhão foi o fato dele ter ficado em primeiro lugar entre 10 animais, incluindo o atual campeão nacional. “[Abbas] ele é fruto de tudo de melhor que eu já criei e já apostei. Ele é o descendente macho em produção no Brasil de uma das éguas brasileiras mais importantes e ganhadoras nos últimos anos, a Honey’s Delight RB”.

Eduardo Gama e a filha Isabel após Abbas Al Ventur ganhar a Internacional do Cavalo Árabe

Contudo, para que a próxima meta do proprietário também seja alcançada, Abbas vem sendo condicionado pela Estância Monte Verde, de Acácio Franco. Segundo Eduardo, Acácio é, com certeza, uma das pessoas mais experientes e capacitadas para lidar com cavalo Árabe que tem no Brasil.

“Antes de mais nada, vale lembrar que foi ele [Acácio] quem administrou e cuidou do Haras Meia Lua, que é referência mundial na criação de árabe durante 50 anos”, enfatiza o criador do Haras Al Ventur que já está cobrindo suas éguas com Abbas.

Portanto, para 2020, Eduardo planeja levar o jovem garanhão para disputar o Campeonato Cavalo Jovem na próxima Exposição Nacional do Cavalo Árabe.  “Achamos ele um cavalo muito competitivo e sabemos da força do sangue que ele tem quando entra numa pista”.

Outros animais de destaque

Além de Abbas, outros animais se sobressaem no plantel do Haras Al Ventur. Entre eles está Esperanzza Al Ventur, que foi adquirida por um dos maiores haras do mundo que fica na Arábia Saudita. “Apesar de sair daqui muito jovem, foi campeã nacional Mirim unânime”.

Esperanzza Al Ventur foi campeã da All Nations Cup em 2013

Depois, na Europa, Esperanzza foi campeã da All Nations Cup, em Aachen, na Alemanha, que é a segunda exposição mais importante que existe na raça. Além disso, ainda foi reservada campeã do Campeonato Mundial em Paris, na França, que é o suprassumo das exposições da raça árabe no planeta.

Irmã inteira de Esperanzza, Emozione Al Ventur também se destaca. Como a irmã, ela foi exportada para um importante criatório e já disputou os maiores shows, estando sempre as melhores colocadas. “Ainda é jovem e já produziu campeã no oriente e campeão no Brasil”, acrescenta Eduardo.

Além delas, o proprietário também destaca Paladino Al Ventur,  que foi campeão nacional Mirim, e Alma Al Ventur, égua campeã nacional chilena.

Por fim, Eduardo não poderia esquecer de mencionar Renee El Jamaal, a égua de 17 anos com quem viveu momentos importantes de sua vida e hoje fica solta no jardim da sua casa. “Ela já foi campeã nacional e é de criação da maior criadora de cavalos que o Brasil já teve, minha grande amiga que eu jamais esquecerei Lenita Perroy.”

Eduardo Gama com a Renee El Jamaal de 17 anos

Início da criação do Haras Al Ventur

O primeiro contato de Eduardo com o cavalo Árabe aconteceu muito cedo. Afinal, o pai e o tio já criavam a raça, no Haras Kurumim. Portanto, ele, a irmã e os primos costumavam passar os fins de semana e as férias na fazenda. “Nós éramos em cinco crianças, sendo eu o mais novo. Porém, eu já era entre nós o que mais gostava de ficar perto dos cavalos e mais me identificava com eles”, lembra.

Contudo, quando Eduardo tinha 10 anos de idade, a família parou a criação. Assim, os anos se passaram, mas a paixão dele pelos cavalos não. Tanto que, em 2006, o seu pai lhe fez uma proposta irrecusável que, inesperadamente, acabaria resultando no início da sua criação.

Aos 4 anos, Eduardo com uma égua Árabe de criação do Haras Kurumim

“Quando eu comprei uma moto Harley Davidson, meus pais ficaram preocupados. Daí eles me ofereceram uma pequena propriedade rural em troca da moto. A condição era de que eu nunca mais tivesse uma moto novamente. Isso, imediatamente, me remeteu a cavalo. Eu entreguei a moto no mesmo instante e assumi a propriedade”.

Mas para dar o pontapé inicial na criação, Eduardo convidou o seu pai para criar junto com ele e, assim, começaram a montar o plantel baseado no que ele conhecia. “Nessa montagem, meu pai se encantou pela égua Honey’s Delight RB, de criação do Haras das Cascatas. E por um garanhão que pertencia a um condomínio chamado Fa El Shawan. Ficamos com essa égua e compramos 10 coberturas desse cavalo. Isso acabou sendo um divisor de águas na nossa criação”.

Tanto a égua quanto o cavalo acabaram sendo campeões no Brasil e nos Estados Unidos das competições mais importantes, ainda segundo Eduardo. 

Equipe do haras

O Haras Al Ventur funciona em uma propriedade de dois alqueires, em Sorocaba/SP.  Atualmente, apenas três pessoas trabalham no criatório, Eduardo, a sua esposa Camila que é médica veterinária pós-graduada em reprodução equina e mais um ajudante geral.

Como apresentador para pista, Eduardo tem títulos conquistados com o Rodolfo Guzzo, Dejair Silvestre e Rinaldo Longuini. “Três apresentadores do mais alto nível. Aliás, o Brasil está muito bem servido de apresentadores, temos vários que apresentam e são ganhadores das mais importantes exposições no mundo”, garante.

Eduardo Gama e a esposa Camila grávida em 2015 junto com a Emozione Al Ventur exportada para os Emirados

Além deles, quase toda a família também está envolvida com a criação. Alguns diretamente e outros indiretamente. “Meu pai é um apaixonado como eu, curte demais os nascimentos e resultados nas pistas e é, sem duvida, quem mais me ajudou a trazer a criação até aqui”.

Representatividade do cavalo Árabe

Para seguir em busca do seu sonho criando a raça, Eduardo deixou para trás a sua vida agitada, urbana e profissional como empresário em São Paulo para morar no haras, há oito anos. Nessa jornada, a esposa de Eduardo foi a sua maior companheira.

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“Eu mudei minha vida pelo cavalo árabe. Inclusive, eu costumo dizer uma frase de uma obra de Willian Shakespeare, ‘Um cavalo, um cavalo, meu reino por um cavalo…’ Eu me identifico com essa frase por ter trocado “meu reino” pela convivência com os cavalos”, finaliza.

Por Natália de Oliveira/Equipe Cavalus
Crédito das fotos: Arquivo Pessoal/Eduardo Gama

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