Mangalarga

Um sonho de criança que se tornou realidade

Conheça a história de Marisa Iorio, do Haras Lagoinha que com muito trabalho e dedicação transformou o amor pelos cavalos no melhor criador e expositor da pelagem Pampa da raça Mangalarga do Brasil

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Quem disse que sonhos de criança são bobagens precisa rever seus conceitos. O Dia das Mulheres chegou e para comemorar realizamos uma entrevista com um grande nome da raça Margalarga do Brasil, Marisa Iorio, do Haras Lagoinha.

A princípio, ao lado de seu marido, Paulo Eduardo Corrêa da Costa, Marisa realizou seu sonho de criança e se especializou na pelagem Pampa de Mangalargas do Brasil.

De antemão, está há 22 anos como melhor criador e expositor da pelagem Pampa da raça Mangalarga, tendo ainda o destaque de melhor reprodutor da raça.

Com 38 anos de criatório, a artista plástica utilizou suas técnicas para transformar seu haras e atualmente, colhe os frutos deste grande trabalho.

Uma história que começou do amor de uma criança pelos cavalos e a persistência de uma mulher que não desiste de seus sonhos e sempre arregaça as mangas em prol dos seus objetivos.

Conheça a história de Marisa Iorio:

Portal Cavalus: Quando iniciou seu amor pelos cavalos?

Marisa Iorio: A princípio, meu amor pelo cavalos começou muito cedo. Quando eu tinha três anos eu já tinha essa paixão, mas não tinha contato com os cavalos, mas só de ver as fotos já ficava apaixonada.

Eu recortava fotos de cavalos e colava nas paredes do meu quarto e falava para meus pais que eu queria ter um haras, uma fazenda.

Meu pai era um profissional da área e começou a procurar um local, não necessariamente uma fazenda, e acabou encontrando com a ajuda de um parente um condomínio, chamado Condomínio Lagoinha, o primeiro condomínio residencial aqui de Jacareí (SP).

Este condomínio era uma fazenda que foi vendida em lotes, e nela tinham cavalos que eram de um senhor.

Eu logo comecei a perguntar ‘onde estavam os cavalos?’ E um senhor me indicou a fazenda onde eles foram levados, e eu com cinco anos já ia neste local onde tinham animais, sem raça definida.

Foi assim que eu tive um contato maior com os cavalos.

Aos finais de semana eu alugava um cavalo, mas o que eu mais gostava deste aluguel era cuidar deles.

Era um aluguel das 8 às 5 da tarde, do qual meu maior prazer era escovar, cuidar, dar comida e banho.

Passei minha infância cuidando desses cavalos, depois acabei comprando um, tendo no condomínio, e sempre tentando ir nessa fazenda, que se chamava Fazenda Primavera.

Na época eu sempre falava que essa fazenda ia ser minha, que eu ia construir meu haras.

Portal Cavalus: Como você comprou a Fazenda Primavera?

Marisa Iorio: Eu tinha 21 anos, já estava casada com meu marido.

Eu comprei depois de muito custo, pois ninguém achava o dono dessa propriedade, o senhor que tomava conta era um posseiro, nem mesmo o prefeito da cidade de Jacareí sabia quem era o dono e conseguiu localizá-lo.

Até que um dia, foleando uma revista, em 1984, eu vejo: ‘Vende-se uma área localizada limítrofe com o condomínio, excelente para se construir um haras’.

Como em Jacareí só tinha um condomínio eu pensei: ‘É essa área, é a Fazenda Primavera!’.

E por coincidência era essa fazenda mesmo, e depois de um ano de tratativas, tentando comprar, nós finalmente conseguimos.

A criação

Portal Cavalus: Como foi o início da sua criação?

Marisa Iorio: Conseguimos iniciar a criação, recém-casados, com todas as dificuldades que todo recém-casado tem, fomos construindo o Haras Lagoinha aos poucos.

Hoje temos 150 animais, 150 cocheiras, e toda a infraestrutura que com o tempo nós fomos construindo.

Como eu sou decoradora, fiz um projeto que me ajudou a construir desde o traçado da estrada até todas as construções que você vê no Haras Lagoinha.

Portal Cavalus: Como aprendeu a lidar com os cavalos?

Marisa Iorio: Com eles mesmos. Desde aquele aprendizado lá na infância, lidando com eles.

Portal Cavalus: Quais foram as suas maiores dificuldades?

Marisa Iorio: Por ser mulher eu encontrei dificuldades, que hoje eu agradeço, pois me fez esmerar no que eu faço, sempre estudando bastante para me destacar na equideocultura, para sempre me sobressair, tendo conteúdo, qualidade.

Como iniciei com poucos recursos, eu buscava ler e fazer a minha criação me esmerando no manejo, na alimentação.

Como no Mangalarga você não importa animais de outros países, é tudo daqui, você tem buscar muito recurso genético, além de toda pesquisa para se destacar.

Os resultados

Portal Cavalus: Quais foram os principais resultados?

Marisa Iorio: Começamos a criar em 1984 e já em 1988 nós já fomos sexto melhor expositor da raça Mangalarga.

Daí por diante nós não saímos mais. Em 1990, fomos segundo melhor expositor da raça, isso no geral.

Depois nos especializados na pelagem Pampa, e hoje estamos há 22 anos como melhor criador e expositor da pelagem Pampa da raça Mangalarga, tendo ainda o destaque de melhor reprodutor da raça.

Então, são anos de um trabalho com muita dedicação, posso te dizer que é diária, dados os desafios que se encontra, desde parte profissional, parte de estudo genético e sempre buscando o que se tem de melhor.

E mais que tudo isso, a dedicação diária que faz você evoluir dia a dia e não se abater ou ficar acomodado.

Portal Cavalus: Como é sua criação na pelagem Pampa?

Marisa Iorio: Minha linha é a especialização na pelagem pampa, dentro da raça Mangalarga.

Praticamente, inicia-se essa evolução na raça com o nascimento do meu garanhão Monte Blanco do Péquia, faz um ano que ele desapareceu.

Chamamos ele de pilar da raça Mangalarga, pois foi o gerador de quase todos os animais de pelagem Pampa da raça e com ele veio a beleza, morfologia e evolução da pelagem.

Este trabalho de evolução genética, docilidade, temperamento e marcha que vem sendo feito no Lagoinha, a gente vem recebendo uma busca muito grande de outros criadores e amantes da pelagem Pampa dentro da raça.

Com isso, este gosto por essa pelagem que estava adormecido, ressurgiu, ocasionando um resgate de sangues que estavam praticamente esquecidos dentro da nossa genética, da nossa raça.

Este é um trabalho que o Haras Lagoinha faz que é diferencial. 

Frente a isso, nós temos uma preocupação, pois nós fazemos há 11 anos consecutivos o trabalho com o Leilão Celebridades, que devido à pandemia estamos há dois anos sem realizar.

Novo modelo de visitação

Portal Cavalus: Quais foram os impactos da pandemia para seu criatório?

Marisa Iorio: Devido à pandemia, eu venho fazendo um trabalho que não era feito e que eu sentia falta. Nos leilões vinham muitas pessoas, mas elas vinham apenas naquele dia.

Como o Mangalarga é um cavalo de sela, de lazer, cavalgadas, e com a pandemia houve essa volta do homem ao campo, lazer, o cavalo passou a ser uma companhia, sendo uma ótima opção durante a pandemia.

Isso fez o mercado ficar aquecido, pois o cavalo surgiu como opção de união familiar, amigos, com grupos restritos.

E com isso, eu tenho recebido essa pessoas, explicado sobre a raça, e com isso tendo um contato prazeroso com meus clientes, o que com o leilão, apesar de ser um momento de festa, não era possível.

Com as visitas, consigo ter um contato individual e pessoal com cada um dos meus clientes.

Estou curtindo muito, porque consigo explicar o direcionamento do Haras neste sentido, explicar sobre a raça, principalmente para novos criadores e usuários, então neste sentido foi muito gratificante para mim, pois pude mostrar o processo de criação do Haras, a raça em si.

Muitos ainda têm dúvidas sobre o animal e consigo sanar todas, pois no leilão a pessoa pode deixar de dar um lance por ter alguma dúvida, ficou inseguro e aqui, ele pode voltar, montar, ter contato e se deixar domamos também.

A gente faz um trabalho de suporte para os nossos clientes.

Nossa ideia é fidelizar. Eu era uma pessoa que não tinha muito conhecimento, que teve que aprender e hoje eu procuro repassar meu conhecimento para meus clientes.

Durante a caminhada, cometemos muitos erros e muitos desistem, então eu quero ser essa pessoa que ajuda, ter no meu criatório este serviço de elucidar as dúvidas.

Quero fazer essa pessoa continuar, e acreditar na raça que eu crio, repassar minha experiência de 35 anos de criatório.

Por: Camila Pedroso

Fotos: Divulgação

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