Relatos de AIE no Paraná reforçam atenção à segurança no uso de plasma equino

Informações sobre 18 animais com resultados positivos ainda dependem de confirmação oficial; fontes sanitárias destacam os riscos da transmissão por sangue e derivados contaminados

Relatos de resultados positivos para Anemia Infecciosa Equina (AIE) em 18 equinos no Paraná colocaram em discussão a segurança sanitária no uso de plasma em cavalos. As informações foram publicadas pelo Compre Rural em 31 de outubro e mencionam animais da geração 2026. Entretanto, o número de casos e a possível associação com o produto administrado ainda não têm confirmação oficial nas fontes públicas localizadas até esta segunda-feira, 2 de novembro.

Segundo o portal, uma mensagem recebida pela redação solicitava a suspensão preventiva do uso de plasma fornecido a partir de 17 de junho de 2026, além da preservação das unidades remanescentes e da identificação dos animais que receberam o produto. A publicação ressalta que não conseguiu autenticar o comunicado de forma independente e que a mensagem, isoladamente, não apresenta diagnóstico de AIE nem comprova contaminação.

Embora a origem das possíveis infecções permaneça sem esclarecimento, o episódio chama atenção para uma via reconhecida de transmissão da doença: a transferência de sangue ou derivados contaminados entre equídeos.

Qual é a relação entre plasma e AIE?

O plasma é a porção líquida do sangue. De acordo com o Departamento de Alimentação e Agricultura da Califórnia, nos Estados Unidos, o vírus da AIE pode estar presente nessa fração durante episódios febris. A instituição reconhece que sangue e produtos sanguíneos infectados podem introduzir o agente em animais sadios.

Esse fundamento técnico torna a segurança dos doadores e dos procedimentos um ponto central na prevenção. O Serviço de Inspeção de Saúde Animal e Vegetal dos Estados Unidos (APHIS) recomenda que transfusões sejam realizadas por médicos-veterinários, com produtos provenientes de doadores testados e negativos para AIE e outras infecções transmitidas pelo sangue.

A existência dessa via de transmissão, porém, não permite atribuir ao plasma a origem dos relatos no Paraná. Para estabelecer uma associação, seriam necessários documentos laboratoriais e uma investigação que relacionasse os animais, os produtos utilizados e as condições sanitárias dos doadores.

Infecção pode permanecer sem sinais aparentes

A AIE é uma infecção viral persistente que acomete cavalos, asininos e muares. Segundo a Organização Mundial de Saúde Animal (WOAH), muitos animais infectados não apresentam manifestações clínicas evidentes, mas permanecem portadores por toda a vida e podem funcionar como fontes de infecção. A doença não é considerada um risco à saúde humana.

Quando presentes, os sinais podem incluir febre recorrente, anemia, perda de peso e inchaço nas regiões inferiores do corpo. A ausência desses sintomas não exclui a infecção, o que reforça a importância do diagnóstico laboratorial.

No Brasil, a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) classifica a AIE como doença de notificação obrigatória e informa que não há tratamento ou vacina. A agência orienta que resultados positivos sejam comunicados imediatamente ao serviço veterinário oficial.

Cuidados também envolvem agulhas e equipamentos

Os riscos de transmissão vão além das transfusões. A Adapar aponta que agulhas, sondas e outros utensílios contaminados com sangue podem disseminar o vírus. Mutucas e moscas de estábulo também podem atuar como vetores mecânicos, transportando o agente entre animais.

O APHIS destaca ainda o perigo do compartilhamento de seringas e equipos intravenosos e da contaminação de frascos de medicamentos utilizados em vários animais. Por isso, recomenda materiais estéreis e cuidados que impeçam a transferência de sangue durante os procedimentos.

Diagnóstico e rastreabilidade são essenciais

A confirmação da AIE depende de exames específicos. Conforme o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), o diagnóstico sorológico pesquisa anticorpos contra o vírus, e a imunodifusão em gel de ágar (IDGA) é utilizada como teste confirmatório. Apresentar anemia, por si só, não equivale a ter Anemia Infecciosa Equina.

Diante dos relatos, a identificação dos animais, as datas das aplicações e os registros de origem e dos lotes são informações relevantes para eventual apuração. Proprietários que reconheçam possível vínculo com o alerta devem procurar o médico-veterinário responsável e a defesa agropecuária para receber orientações sobre avaliação dos equinos e destinação das unidades remanescentes.

Para a prevenção na rotina das propriedades, a Adapar também recomenda controlar insetos vetores, conferir a documentação sanitária dos animais recebidos e participar de eventos fiscalizados. Esses cuidados ajudam a reduzir a circulação do vírus e a proteger os plantéis.

Por: Heloisa Alves/Portal Cavalus
Imagens: Reprodução/Pexels

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