Arco e flecha a cavalo leva tradição guerreira às pistas e tem brasileiros no cenário mundial

Modalidade reúne precisão, equilíbrio e sintonia com o cavalo; Brasil conquistou o sétimo lugar por equipes no Mundial da IHAA de 2025

Soltar as rédeas, preparar uma flecha e acertar o alvo enquanto o cavalo segue em movimento. A sequência exige coordenação, domínio da equitação e confiança no animal. Conhecida como arquearia montada, a prática que integrou estratégias de caça e de guerra atravessou séculos e hoje encontra nas competições uma forma de preservar sua história e conquistar novos praticantes. Segundo a World Archery, a modalidade vive um movimento de retomada, com desenvolvimento de clubes e participação internacional.

Esse encontro entre tradição e esporte esteve presente nos VI Jogos Mundiais Nômades, realizados em 2026, no Quirguistão. Nos dias 2 e 3 de setembro, as disputas de arquearia montada no estilo quirguiz reuniram 72 homens de 33 países e 45 mulheres de 32 países, na região de Kyrchyn. A diversidade das delegações mostra o alcance de uma atividade fortemente associada à cultura dos povos nômades.

O Brasil também participa desse circuito internacional. No Campeonato Mundial da International Horseback Archery Alliance (IHAA), realizado em setembro de 2025, no Tennessee, nos Estados Unidos, a equipe brasileira terminou na sétima colocação. Na categoria Masters, destinada aos atletas a partir dos 50 anos, Kether Van Prehn conquistou o terceiro lugar montando Lightning.

Uma habilidade que atravessou civilizações

A história da arquearia montada está ligada ao desenvolvimento de equipamentos que permitiram ao arqueiro utilizar o arco sobre o cavalo. De acordo com a World Archery, a fabricação de arcos compostos mais compactos, com materiais como madeira, chifre e tendões, foi decisiva para essa adaptação. O tamanho reduzido facilitava o manuseio durante o deslocamento.

Povos como os citas, persas e mongóis empregaram arqueiros montados em diferentes momentos históricos. A combinação entre mobilidade e capacidade de atingir alvos à distância tornou esses conjuntos importantes nas estratégias militares. Com o desenvolvimento das armas de fogo, o arco perdeu espaço nos campos de batalha, mas permaneceu em tradições culturais e, posteriormente, ganhou novos formatos esportivos.

A organização contemporânea da modalidade inclui entidades como a IHAA, criada no final de 2013. Entre seus objetivos estão harmonizar regras, promover competições internacionais, formar juízes e incentivar padrões elevados de equitação e segurança.

Precisão com o cavalo em movimento

O desafio vai além de acertar o centro do alvo. Como as duas mãos são utilizadas para manejar o arco e a flecha, o praticante precisa manter equilíbrio e sintonia com o cavalo durante o disparo. A habilidade equestre é, portanto, parte essencial da execução.

Os percursos variam conforme o estilo e o regulamento. Em competições sancionadas pela IHAA, há provas em pistas retas e percursos de campo, conhecidos como Hunt tracks, que podem incluir alvos tridimensionais e distâncias maiores. Essa variedade exige adaptação do arqueiro às condições de cada disputa.

Nos principais campeonatos da aliança, a disputa combinada recebe o nome de Horseback Archery Eventing e reúne três provas: Tower, Raid e Hunt. As três contribuem igualmente para o resultado final, colocando à prova diferentes habilidades dos participantes.

Participação brasileira em um circuito internacional

O Mundial de 2025 reuniu 56 atletas de 19 países durante três dias de competição. O programa incluiu Raid 235, Tower 110 e um percurso Hunt de 1.700 metros. O neerlandês Siem Budding conquistou o título individual, enquanto a França venceu a disputa por equipes. O sétimo lugar brasileiro colocou o país à frente de delegações como Reino Unido, Suécia e Austrália na classificação coletiva daquela edição.

Já nos Jogos Mundiais Nômades de 2026, no estilo quirguiz, o título masculino ficou com Abzal Tulybekov, do Cazaquistão. Entre as mulheres, a vencedora foi Gunbileg Ganbaatar, da Mongólia. Os resultados ilustram a presença de diferentes tradições equestres em uma mesma programação internacional.

Bem-estar equino integra as regras

A transformação de uma habilidade histórica em esporte também envolve responsabilidades com os cavalos. A IHAA determina que seu Código de Bem-Estar Equino seja seguido em todas as competições e demais atividades vinculadas à entidade. A orientação é que os animais sejam parceiros dispostos na prática esportiva.

Os juízes devem passar por avaliação sobre o conteúdo do código, e os organizadores precisam disponibilizá-lo aos competidores, equipes de apoio e responsáveis pelos cavalos. O regulamento prevê advertência e desclassificação quando as infrações justificarem essas medidas. Assim, a preservação da tradição vem acompanhada de exigências atuais de cuidado, segurança e respeito ao animal.

Com informações do World Archery, International Horseback Archery Alliance (IHAA) e organização dos Jogos Mundiais Nômades
Foto de destaque: Divulgação/Kamil Grzebyta/Wikimedia Commons

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