Cavalgadas Brasil

Atrelagem – passeios a cavalo em carruagens

Paulo Junqueira conta em sua coluna da semana sobre um passeio a cavalo diferente do que ele costuma relatar aqui no portal Cavalus

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Poucos dias atrás, meu passeio a cavalo foi em Atrelagem. Foi muito bom e me fez lembrar que essa é uma interessante opção para quem quer fazer o Caminho de Santiago a cavalo.

Um privilégio, sobretudo para quem tem paixão por cavalos e não pode fazer a Peregrinação montado. Com toda a certeza, uma viagem a cavalo com elegância e charme.

Atrelagem

De origem grega, a Atrelagem animal transformou-se em uma tradição na Europa. Deve o seu desenvolvimento aos romanos. Foram eles que, antes mesmo da Era Cristã, já usavam carruagens leves puxadas por até quatro cavalos.

Paulo Junqueira conta em sua coluna da semana sobre um passeio a cavalo diferente do que ele costuma relatar aqui no portal: Atrelagem
Bonde no Rio de Janeiro – Foto: Arquivo/Marcelo Almirante

A Atrelagem sofreu revezes, mas ressurgiu no século 13 como meio de transporte. Ao mesmo tempo que atingiu seu apogeu no século 15, quando a realeza e a aristocracia europeia não só usava largamente as carruagens como meio de transporte, como também para a prática de competições.

O Brasil ainda era governado por Dom Pedro II quando a cidade de Curitiba teve sua primeira experiência de transporte coletivo. Trata-se do sistema de bondes puxados por mulas, inaugurado em 1887. Não duraram muito e logo depois foram substituídos por bondes elétricos.

Mas, para quem quer ter essa experiência, existem alguns destinos turísticos que ofertam um passeio em bondes puxados por cavalos. Dois dos mais famosos são Douglas Bay Horse Tramway e o Victor Harbor Tramway.

Paulo Junqueira conta em sua coluna da semana sobre um passeio a cavalo diferente do que ele costuma relatar aqui no portal: Atrelagem
Victor Harbor Tramway

O Douglas Bay Horse (foto) fica na ilha de Man, ao norte da Irlanda e funciona ininterruptamente desde 1876. Enquanto o Victor Harbor Tramway, está a 84 km ao sul de Adelaide, na Austrália. Os cavalos utilizados nesse serviço são muito bem cuidados, trabalham duas horas por dia. Desse modo, ao atingir 14 ou 15 anos são aposentados.

Passeios em carruagens

Antes de mais nada, como apaixonado por cavalos, em minhas viagens, sempre que tenho oportunidade, incluo um passeio em carruagem. São muitos os destinos turísticos que oferecem essa opção no Brasil e ao redor do mundo.

No ano passado, na França, fiz um passeio na La Maringote. Uma carruagem puxada por cavalos é a maneira perfeita de chegar no Mont-Saint-Michel, da mesma forma que os peregrinos faziam nos tempos antigos.

Paulo Junqueira conta em sua coluna da semana sobre um passeio a cavalo diferente do que ele costuma relatar aqui no portal: Atrelagem
Mont-Saint-Michel

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
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Cavalgada e Cultura Equestre – Escócia

Paulo Junqueira, em sua coluna da semana, escreve sobre uma cavalgada que tinha agendado para fazer junho de 2020, foi adiada para 2021, adiada novamente, mas que agora está confirmada para junho de 2022

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Durante todos os verões, as cidades da fronteira da Escócia com a Inglaterra organizam os Common Ridings, um dos festivais equestres mais antigos do mundo.

Antes de mais nada, são cavalgadas que se transformam em um espetáculo de equitação. Enquanto é um costume mantido com verdadeiro fervor pelos habitantes locais em homenagem à identidade da região, moldada por seu passado tumultuado.

O evento acontece em 11 cidades, cada um com sua própria visão particular da tradição. Portanto,  em algumas cidades, os eventos duram até duas semanas. Usualmente envolvem cavalgadas, churrascos, esportes tradicionais, jogos, música e bebidas tradicionais.

Milhares de Borderers aplaudem centenas de cavaleiros galopando em torno de suas cidades.

Uma tradição equestre de 900 anos

Dessa forma, a história da Scottish Borders está profundamente entrelaçada com a turbulenta era dos Borders Reivers. Trata-se do nome dado aos invasores e bandidos que pilharam as terras em ambos os lados da fronteira anglo-escocesa do final do Século 13 ao início do Século 17.

Hoje, os escoceses comemoram os tempos em que seus antepassados patrulhavam os limites de seus assentamentos a cavalo. Arriscava, portanto, suas vidas a fim de proteger sua cidade e seu povo de invasores.

Uma tradição equestre que evoluiu ao longo de 900 anos para se tornar um dos maiores espetáculos equestres da Europa.

Paulo Junqueira, em sua coluna da semana, escreve sobre uma cavalgada para a Escócia, adiada para 2022 por conta da pandemia de covid-19

Borderes escoceses

Em nossa programação vamos ter o privilégio de cavalgar no Common Ridings – um dos festivais equestres mais antigos do mundo. Vamos montar um cavalo irlandês e cavalgar junto com os Borderes escoceses, vestidos em seus tweed, felizes por compartilhar conosco uma tradição consagrada pelo tempo.

Kilchurn Castle e Loch Awe – Foto: P. Tomkins Visit Scotland Scottish Viewpoint/Divulgação Rabbie’s Tours

Outlander

A Escócia é um país com paisagens de tirar o fôlego e uma história milenar. Antes de tudo, é a terra de lendas celtas, castelos medievais, a gaita de fole, o kilt e os fabulosos single malts. O espírito guerreiro e as heranças gaélicas, nórdicas e saxãs moldaram a cultura escocesa.

Além das cavalgadas com os Borderes, vamos conhecer a cavalo belos campos da Escócia. Cavalgaremos por vales, campos com muitas ovelhas e praias.

O cenário nos levará de volta ao tempo dos confrontos de clãs e contos românticos de donzelas em perigo que vimos na série Outlander. Depois, ao final, podemos nos qualificar como um escocês honorário, participando de um jogo kilt, bebendo um single malte e apreciado um bom cachimbo.

Paulo Junqueira, em sua coluna da semana, escreve sobre uma cavalgada para a Escócia, adiada para 2022 por conta da pandemia de covid-19

The Kelpies

Nossa programação termina com uma viagem até Falkirk. Lá está as The Kelpies, esculturas enormes em forma de cabeças de cavalo, feitas com armação de metal e revestidas com aço inoxidável.

Elas estão na entrada do canal Forth and Clyde e são consideradas a maior escultura de equinos do mundo. Pesam 300 toneladas e foram inspiradas em uma criatura mitológica que assombrava os rios e córregos da Escócia e era conhecida por possuir a força e a resistência de dez cavalos.

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
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Cavalgada em Parques Nacionais

Paulo Junqueira, em sua coluna da semana, faz um passeio por diversas regiões do mundo contando histórias sobre cada um dos locais

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Na maioria dos países do mundo existem centenas de Parques Nacionais aonde se permitem cavalgadas. Ademais, organizadas obedecendo critérios que visam a proteção de seu ambiente.

Cavalgar em um Parque Nacional é uma experiência de contato com uma natureza diferenciada e preservada. Além disso, proporciona melhor consciência e compreensão de seus valores naturais e culturais, a conscientização da importância de preservar aquele local para que ele continue existindo.

A maioria dos Parques Nacionais que permitem cavalgadas tem um Código de Boas Práticas com orientações para minimizar os impactos sobre os valores naturais e culturais. Isso inclui garantir que os cavalos sigam por caminhos apropriados, geralmente em trilhas de manejo pré-estabelecidas.

Infelizmente o Brasil é um dos poucos países do mundo aonde ainda não se permite cavalgadas em Parques Nacionais/Unidades de Conservação. Desse modo, a ABTE – Associação Brasileira de Turismo Equestre vai apresentar ao ICMBio, responsável pela gestão das Unidades de Conservação federais, uma Proposta Técnica de Normatização de Turismo Equestre em Unidades de Conservação.

Vale ressaltar, entretanto, que a Proposta não contempla todos os Parques Nacionais. Somente aqueles que são adequados às atividades de turismo equestre. Espero que em breve seja possível cavalgar em Parques Nacionais no Brasil.

O Turismo Equestre em Unidades de Conservação contribuirá, sem dúvida, para o desenvolvimento sustentável dessas áreas e seu entorno. Eu já cavalguei em muitos Parques Nacionais ao redor do mundo, experiências inesquecíveis. Destaco alguns nas linhas a seguir.

Nahuel Huapi

Parque Nacional Nahuel Huapi – Bariloche – Argentina

Primeiro Parque Nacional da Argentina, o Nahuel Huapi tem a oeste uma cadeia de montanhas que separa a Argentina do Chile. Subimos até essa divisa, uma das cavalgadas mais bonitas que já fiz na vida. Uma vista espetacular para vários picos e vulcões no lado chileno. Ao mesmo tempo em que no lado argentino, o famoso Monte Tronador bem próximo.

Los Glaciares

Parque Nacional Los Glaciares – Calafate – Argentina

Localizado no sudoeste da Patagônia, também na fronteira com o Chile, o Los Glaciares abriga 47 geleiras, altas montanhas cobertas de neve, lagos, rios glaciais, florestas e estepes subantárticas. Fiz várias cavalgadas nesse parque em diferentes viagens. Assim, em cada uma explorei uma região e fica difícil dizer qual é mais espetacular. Mas arrisco dizer que a vista do Mirante do Glaciar Upsala é surreal.

Lanin

Parque Nacional Lanin – Junin Los Andes – Argentina

Parque conhecido pelo vulcão Lanín, permanentemente nevado, pelo lago Huechulafquen e os bosques de árvores centenárias de grande porte. Nessa cavalgada percorri a cavalo a floresta mais bonita que conheci (Coihues, Lengas, Araucárias – que eles chamam de pehuén e cipreste patagônico). Essa foi uma viagem especial que organizei para uma filmagem com a EPTV Globo de Campinas. Os cavalos de nosso guia mapuche nos levaram a lugares incríveis.

Parque Nacional Los Cardones – Salta – Argentina

Los Cardones é uma das maiores reservas da Argentina. Nela cavalguei num mar de cactos da espécie cardón. Um cardón vive cerca de 400 anos e depois seca. Os moradores locais dizem que debaixo de cada cacto da espécie cardón existe um indígena enterrado.

Parque Nacional Cotopaxi – Equador

Primeiramente, o Cotopaxi é um dos vulcões ativos mais altos do mundo. A CNN Travel inclui essa cavalgada pela avenida dos vulcões como uma das melhores cavalgadas do mundo. Dessa forma, cavalgar na companhia dos chagras, que são os vaqueiros dos Andes Equatorianos, foi uma oportunidade para conhecer a cultura equestre dos altos campos andinos do Equador. Merece destaque a beleza cênica dos 11 vulcões que existem na Cordilheira.

Bryce Canyon – Foto: John e Lisa Merrill

Parque Nacional Bryce Canyon – Utah

Composto por uma coleção de gigantescos anfiteatros naturais, o Bryce Canyon foi formado pela erosão de rios e rochas sedimentares. É uma cavalgada em cenários de filmes do Velho Oeste.

Parque Nacional de Yellowstone – Wyoming

Primeiro Parque Nacional do mundo, essa foi a primeira viagem a cavalo que fiz fora do Brasil. O parque é enorme e muito diverso. Vi muitos animais, incluindo os bisões, muito interessantes, me lembraram dos filmes com índios.

Parque Nacional do Grand Canyon – Arizona

Cavalgar no maior cânion do mundo está na lista de desejos de muitos. Com toda a certeza, é uma cavalgada de tirar o fôlego. Desci com uma mula da empresa de Fred Harvey, que desde 1887 opera com mulas no parque. Na descida dá para observar as camadas de rocha revelando a linha do tempo da Terra.

Hustai

Parque Nacional Hustai (ou Khustain Nuru) – Mongólia

 A razão de minha visita ao parque foi para ver os cavalos Takhi (cavalos de Przewalski), reintroduzidos na região em 1990. Foi uma experiência incrível poder chegar perto (relativamente) deles e observá-los. Ademais, o cavalo de Przewalski é o único cavalo realmente selvagem do mundo (que nunca foi domesticado). A viagem a cavalo na Mongólia foi uma experiência de convivência com um povo que mantém suas tradições pastorais e cuja cultura está baseada em cavalos.

Göreme

Parque Nacional de Göreme – Capadócia – Turquia

Cavalgada em uma paisagem espetacular, totalmente esculpida pela erosão. O vale de Göreme e seus arredores contêm santuários, moradias, aldeias e cidades subterrâneas, tudo escavado na rocha. A cavalo passamos por lugares que não estão em rotas turísticas. Essa cavalgada é, sobretudo, classificada pela National Geographic como Top Horseback Ride.

Peneda-Gerês

Parque Nacional da Peneda-Gerês – Portugal

Única área protegida portuguesa classificada como Parque Nacional. Antes de mais nada, nas vilas de seu entorno são preservados valores e tradições muito antigas. A principal razão de minha viagem até lá foi para cavalgar num Garrano e ver esses pequenos cavalos selvagens vivendo em liberdade pelo parque, convivendo com seu predador, o lobo ibérico. Montei num garanhão muito bom e durante a cavalgada tive oportunidade de encontrar gado da raça barrosã e os famosos cães de Castro Laboreiro.

Hwange

Parque Nacional Hwange – Zimbábue

Esse parque deve entrar na lista de qualquer amante de safáris. Inegavelmente, ele tem uma das maiores diversidades de mamíferos dentre os parques nacionais do mundo, incluindo cerca de 50 mil elefantes. Bem como uma das maiores populações de cães selvagens (que estão ameaçados de extinção). Fiz essa viagem quando estavam organizando o primeiro safári a cavalo do parque, uma oportunidade de grande aprendizado.

Petra

Parque Nacional de Petra e Wadi Rum Area Protegida – Jordânia

Desde tempos imemoriais o povo nômade do deserto da Jordânia cria cavalos. Montando em cavalos árabes, explorei a antiga cidade nabateia de Petra, uma das modernas Sete Maravilhas do Mundo, e o deserto de Wadi Rum, uma paisagem desértica impressionante. Dormindo em tendas de pêlo de cabra aprendi com meu guia sobre tradições beduínas. Além disso, a hospitalidade é uma das características mais marcadas deles. Acreditam que se tratarem bem alguém em sua tenda terão o mesmo tratamento quando forem fazer uma visita em outro acampamento. Não apenas um simples ato de educação, mas também de sobrevivência, pois sabem que as jornadas no deserto são difíceis.

Parque Natural de Maremma – Toscana – Itália

Região acidentada da Toscana, conhecida pelos cavaleiros/vaqueiros ‘butteri’ que ainda trabalham a terra como o fizeram por séculos. Em outras palavras, montando um cavalo Maremmano, raça nativa da região, percorri caminhos traçados pelos etruscos e romanos.

Madonie e do Etna

Parque Nacional Madonie e Parque Nacional do Etna – Sicília – Itália

Numa mesma viagem a cavalo visitei dois Parques Nacionais. Comecei pelo Madonie, aonde subimos montanhas com afloramentos rochosos que datam de milhões de anos. Nas partes mais altas, vistas espetaculares a perder de vista. O final da cavalgada foi na base do Etna, vulcão ativo mais alto da Europa e um dos vulcões mais ativos do planeta. Só para ilustrar, ele está em um estado de erupção quase contínua há meio milhão de anos. Explorar a área do Etna a cavalo revela, sem dúvida, uma história escrita na lava.

Camargue

Parque Nacional de Camargue – Reserva Natural Nacional – Sítio RAMSAR – Patrimônio Europeu – Reserva da Biosfera da UNESCO – Provence – França

Meu principal objetivo nessa viagem foi conhecer a raça de cavalo Camargue ou Camarguês, nessa bela região aonde vive o famoso horseman Lorenzo. Considerada uma das raças mais antigas do mundo, durante séculos, o cavalo Camarguês viveu selvagem no ambiente hostil dos pântanos e nas zonas úmidas do delta do Ródano. Aqueles que os domesticam e trabalham na lida com o gado são conhecidos como Le Gardians. Esses vaqueiros são realmente seus ‘guardiões’, pois preservam a raça e suas tradições. Cavalguei alguns dias nessa bela região montando um Camarguês, acompanhando os ‘guardiões’. Foi mais um rico de aprendizado sobre tradições e cultura equestre.               

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
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Cavalgada e Tradições Equestres: estribos e selas

Paulo Junqueira conta, na coluna da semana, sobre como cavalgar em diferentes países é uma ótima oportunidade para conhecer a cultura local e diferentes tradições equestres

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Com toda a certeza, cavalgar em diferentes países é uma ótima oportunidade para conhecer a cultura local e as diferentes tradições equestres espalhadas pelo mundo.

Desse modo, em uma cavalgada fora de nosso país de origem, temos a chance de conhecer diferentes raças, outros estilos de equitação. Bem como aprender sobre as tradições, a cultura equestre local. E, assim, também conhecer e usar diferentes equipamentos de montaria.

Neste último quesito, a variedade de selas, estribos e freios é imensa. Assim, no texto de hoje escrevo sobre alguns estribos e selas que tive a oportunidade de usar pelo mundo afora. Desde estribos de ‘corda’ artesanais aos ricamente ornamentados. Típicos de cada região/país, a maioria com características únicas.

Estribo típico peruano com detalhes em prata

Estribos

As primeiras versões de estribos datam da Índia no Século 2 a.C. Originalmente feitos de fibra ou couro, eram apenas tiras simples, para colocar o dedão do pé. Somente no Século 8, os estribos chegaram à Europa e representaram o maior avanço na equitação de todos os tempos.

E como escreveu o grande mestre Bjark Rink, os estribos desempenharam um papel importante na expansão da civilização moderna. Eu tenho uma pequena coleção de selas e estribos que usei em diferentes cavalgadas ao redor do mundo, vou mostrar alguns deles.

Paulo Junqueira conta sobre como cavalgar em diferentes países é uma ótima oportunidade para conhecer diferentes tradições equestres
Sela típica marajoara

Brasil

Na ilha do Marajó encontrei o estribo mais ‘curioso/diferente’ de nosso país. Ele é bem pequeno, para colocar somente o dedão do pé. Devo lembrar que na ilha, em boa parte do ano, o vaqueiro lida com os Búfalos na água. Por isso cavalgava descalço, sem botas.

Hoje em dia é mais difícil encontrar um vaqueiro que ainda use esse tipo de estribo. Mas, a maioria usa bota de borracha. A sela Marajoara também é bem peculiar, única no gênero. Fabricada em Soure, ‘capital’ da Ilha, com couro de Búfalo e madeira local.

Sela típica peruana

Peru

A cavalgada que fiz no Vale Sagrado a caminho de Machu Picchu, com cavalos Paso Peruano, foi uma experiência inesquecível. Nela usamos a sela típica peruana, que é fruto de mais de 400 anos de tradição.

Primeiramente, foi moldada pela necessidade de conforto ao viajar longas distâncias e cruzar terrenos difíceis à cavalo. Aquelas usadas em desfiles são obras de arte com detalhes em prata. Levam, sobretudo, até um ano para serem feitas. Produzidas à mão e projetadas para distribuir o peso corporal por uma grande parte do dorso do cavalo, minimizando assim a tensão do cavalo e do cavaleiro.

Os estribos parecem uma caixa de madeira, são pesados e  muito bonitos. Quando os espanhóis chegaram ao Peru não encontraram nenhuma fonte local de ferro para fazer estribos. Então,  projetaram o estribo da caixa de madeira e o adornaram com prata.

Paulo Junqueira conta sobre como cavalgar em diferentes países é uma ótima oportunidade para conhecer diferentes tradições equestres
Estribo típico no Chile

Chile

Quando fiz a Travessia dos Andes, da Argentina ao Chile, a sela era de armação de madeira. Continha ainda várias peles de ovelha em camadas sobre o topo e estribos tipo gaiola de couro. Ao cruzar para o Chile trocamos de cavalos. 

Os cavalos Argentinos não podem entrar no Chile. Os estribos das selas tradicionais chilenas são de madeira, muito bonitos, entalhados artesanalmente. Já vi em alguns lugares sendo usados como decoração.

Sela típica mongol – Foto: Debbie Green

Mongólia

Os mongóis cavalgam de pé nos estribos. As selas e estribos tradicionais são quase uma obra de arte. As selas são de madeira, bruta, cobertas somente tecidos decorativos. Sem condições para quem cavalga em nosso estilo, por isso usei uma sela de trilha.

Paulo Junqueira conta sobre como cavalgar em diferentes países é uma ótima oportunidade para conhecer diferentes tradições equestres
Sela típica portuguesa

Portugal

Eu já cavalguei em várias regiões de Portugal. Por exemplo, na região do Parque Peneda Geres, divisa com a Espanha; no litoral próximo a Lisboa; no Ribatejo e no Alentejo. Na maioria das cavalgadas usei as selas tradicionais portuguesas, originalmente concebidas para touradas e trabalho com o gado no campo.

O punho e a patilha altos oferecem segurança ao cavaleiro ao executar mudanças rápidas de direção e ritmo. Os estribos de madeira, em forma de caixa, são frequentemente adornados e gravados com o nome da Quinta ou Herdade.

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
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Safari no Zimbábue – Parte 2

Em sua coluna da semana, Paulo Junqueira continua sua viagem pelo Zimbábue, na segunda parte desse relato

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Antes de mais nada, logo depois de cavalgar no norte do Zimbábue, cruzamos o País de carro. Foram cerca de 750 km até chegarmos ao Parque Nacional Hwange. Sem dúvida, um local para entrar na lista de qualquer amante de safaris.

Do tamanho da metade Bélgica – 14.600 km² -, ele tem uma das maiores diversidades de mamíferos dentre os parques nacionais do mundo. De tal forma que inclui cerca de 50.000 elefantes e uma das maiores populações de cães selvagens ameaçados de extinção.

A grande variedade de paisagens e terrenos significa que uma série de espécies diferentes habitam o Parque Nacional Hwange. Acima de tudo, local composto por áreas de savana aberta, mata nativa densa intocada.

Ademais, o Parque Nacional Hwange no Zimbábue fica entre dois rios famosos – o Zambeze e o Limpopo. Além disso, tem uma variedade de vida selvagem fascinante, incluindo os famosos ‘Big 5’ e mais de 100 espécies de mamíferos.

Paulo Junqueira continua sua viagem pelo Zimbábue, na segunda parte desse relato; elefantes, caçadores clandestinos; raça sul-africana

Cavalgada em trilhas abertas por elefantes nessa parte do Zimbábue

Nossa cavalgada foi na maioria do tempo em trilhas abertas por elefantes. Um terreno típico da região com areias do Kalahari e bosques de teca e acácia. Muitas dessas trilhas eram acidentadas e difíceis. Fato que ofereceu, com toda a certeza, uma experiência desafiadora de equitação.

Nessa cavalgada, mais do que nunca, tínhamos que confiar na segurança de nosso cavalo. Assim cruzamos muitos poços de água que atraem a vida selvagem. Também permitiram que víssemos interações brilhantes. Nos campos abertos aproveitamos para fazer bons e emocionantes galopes.

Na maioria dos dias, nossa parada para o lanche de almoço (levado no alforje) foi em algum kopje (rochas ou montanhas isoladas) que servem como mirantes naturais.

Não tínhamos roteiro definido para cada dia. A programação dependia do que nos chegava de informação durante a noite. Ou seja, quais rastros de animais encontramos e como estavam as condições do tempo.

Paulo Junqueira continua sua viagem pelo Zimbábue, na segunda parte desse relato; elefantes, caçadores clandestinos; raça sul-africana

Boerperd – raça sul-africana

Janine Varden – você saberá mais sobre ela lendo a parte 1 dessa viagem – foi quem selecionou e treinou os cavalos que usamos. Uma raça escolhida por sua adequação ao trabalho, habilidades e temperamento.

Cada cavalo é muito especial para ela. Não são apenas o aspecto central do trabalho, mas também parte da família. Meu cavalo, o Bump, um Boerperd, justificou a fama dessa raça sul-africana.

Como na maioria dos safaris na África, neste também montei numa sela McClellan sul-africana feita à mão. Projetadas especialmente para trilha, são muito confortáveis para a maioria dos cavalos e também para cavaleiros por longas horas na sela.

Caçadores clandestinos – Poachers

Um problema sério em toda África é a caça ilegal, principalmente de rinocerontes e elefantes. Só para ilustrar, eu já acompanhei trabalhos de proteção em outros safaris.

No Hwange Park o problema apresenta maiores dificuldades devido a limitação de recursos frente ao tamanho do parque e grande quantidade de elefantes. Em todos safaris na África sempre nossos guias estão armados, com revolver, pistola e/ou espingarda.

Mas, desta vez, o guia do Hwange que nos acompanhou estava armado com uma metralhadora (vide foto) e explicou que tomou essa medida por conta da possibilidade de encontrar caçadores clandestinos (poachers).

Paulo Junqueira continua sua viagem pelo Zimbábue, na segunda parte desse relato; elefantes, caçadores clandestinos; raça sul-africana

Acampamento

Nosso acampamento de tendas em estilo safari tradicional era semimóvel. Mudamos de local a cada dia. Não havia eletricidade no acampamento, mas tínhamos água quente para o banho com os chuveiros de balde. Água aquecida na fogueira.

 Por Paulo Junqueira Arantes
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Safári no Zimbabue – parte 1

Paulo Junqueira conta nesse artigo uma aventura e tanto com direito a dados históricos, bat cave, cavalgadas em montanhas e cavalos

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A antiga Rodésia foi colônia britânica até 1980. Até que, após cerca de 20 anos de guerra, conseguiu sua independência. Mudou o nome para Zimbábue, que no idioma Shona significa ‘casa de pedras’ ou ‘casas veneradas’.

Antes de mais nada, o país é famoso pelas Cataratas Vitória, considerada uma das maiores cachoeiras do mundo. São muito bonitas, mas nada que tire o brilho da nossa Cataratas do Iguaçu.

Então, desde a independência até 2017 quem governou o País foi Mungabe, ditador que o comandou de forma ruinosa. Em 2006, durante um encontro de operadores de cavalgadas na África do Sul, conheci o casal Varden, do Zimbábue, e recebi um convite para visitá-los.

Para a maioria das agências de viagens do mundo, o País não oferecia condições necessárias para uma viagem segura. Em março de 2009, com a adoção do dólar como moeda oficial, a situação começou a melhorar.

Decidi, portanto, aceitar o convite do James Varden para um safari piloto de exploração. Contudo, eles não operavam comercialmente ainda, estavam em fase de implantação e organizando o safari.

Fomos ao famoso Parque Nacional Hwange, que tem grande quantidade de animais. E, por ser muito pouco explorado, oferecia condições excepcionais para um safári a cavalo.

Cavalgada nas montanhas no Zimbábue

Antes de ir para o Hwange, programei com o James uma cavalgada nas montanhas do norte do Zimbábue. Da capital Harare seguimos direto para Mavhuradonha, um  lugar com água corrente no idioma Shona.

Antes de chegarmos ao Lodge, paramos na fazenda Siya Lima. Ela foi a maior da região, empregando 2.000 pessoas com grande produção de milho, porcos, tabaco e gado. Além disso, tinha cerca de 50 cavalos de Polo. Inclusive, abrigava um campo de polo cross, modalidade mais praticada no País na época.

A casa da fazenda, muito bonita, tinha um pavilhão de cocheiras bem interessante, com enorme pé direito. Como na maioria das fazendas, quem assumiu a propriedade foi algum parente ou apadrinhado do ditador e não agricultores.

O estado de abandono em que encontramos a fazenda foi triste de ver. Com toda a certeza, um bom exemplo do fracasso da reforma agrária realizada por lá.

Paulo Junqueira conta nesse artigo uma aventura e tanto com direito a dados históricos, bat cave, cavalgadas em montanhas do Zimbábue

Kopje Tops

No final do dia chegamos à Kopje Tops Lodge. Jantamos no topo de uma construção que, além de servir como área para refeições, também era um ótimo mirante. Ademais, estava em uma altura acima da copa das arvores, muito interessante e bonito.

A construção da Kopje Tops teve a família inglesa Carew à frente. Primeiramente, com a ideia de operar safaris a cavalo intercalados com alguns dias de jogo de polo. Localizada junto ao rio Tingua, tem várias cabanas construídas com paredes de pedra.

Devido aos problemas políticos e a reforma agrária de 2000 – reforma em que simplesmente o governo expropriou violentamente praticamente todas as fazendas do País – os Carew voltaram para a Inglaterra. Assim, os Varden assumiram o local que, com muita dificuldade vem tentando manter. Sem a atividade de polo.

Paulo ao lado do guia Nesbert

Mavhuradonha Wildness

Em seguida, na nossa programação uma cavalgada para uma parte da enorme área conhecida como Mavhuradonha Wildness – Comuniuty Áreas Managment Program For Indigenous Resources Area. Em outras palavras, um tipo de área destinada a preservação, com belas florestas e montanhas.

Meu cavalo, o Apache, um tordilho muito bom, ideal para aquela região montanhosa.

Não foi um safari aonde vimos quantidade de animais, pois além da vegetação alta e tipo de terreno, a área é muito grande (600 km2). Mas, com sorte, encontramos alguns que estão criticamente ameaçados de extinção.

Por ser uma área totalmente selvagem, sem estradas, nem trilhas, a única maneira de percorre-la é a cavalo. De tal forma que esse fato transformou o safari numa verdadeira aventura!

A noite, retornamos para o Lodge de pedras, que tinha um charme especial com sua iluminação a luz de velas. Não tinha energia elétrica no local.

Bat Caves

No último dia de safari, o guia Nesbert nos acompanhou. Um antigo policial das forças britânicas até a independência do Zimbábue. Ele conhece muito bem a região, seu povo e costumes.

Assim, saímos cedo com destino a Bat Caves. Situado acima das Cavernas de Morcegos do Rio Tingwa. Montamos um acampamento remoto em área totalmente selvagem. Enquanto levamos nossos suprimentos no cavalo de carga.

À noite, pudemos ver o voo dos morcegos egípcios de fruta. Eles vivem nessa enorme caverna, cujos números são estimados em cerca de 20.000. A maior colônia conhecida ao sul do Equador.

Paulo Junqueira conta nesse artigo uma aventura e tanto com direito a dados históricos, bat cave, cavalgadas em montanhas do Zimbábue
Bat Cave

James Varden

James Varden é conhecido como um dos melhores guias profissionais e operadores de safari da África. Desde muito jovem mostrou grande interesse e amor pela natureza. Desse modo, ao deixar a escola começou sua carreira de guia de safari no Parque Nacional de Hwange.

Ele guiou nos principais parques e áreas selvagens do Zimbábue, como Mana Pools, Hwange, Matusadona e o Baixo Zambeze. De fato, tem muita experiência e é particularmente especializado em pássaros, botânica e fotografia da vida selvagem.

Fazer o safari a cavalo com ele foi uma grande oportunidade em partilhar de seu conhecimento especializado. Janine esposa do James cresceu com cavalos na Austrália e trabalhou por muitos anos como Jillaroo* em uma fazenda de ovelhas e gado em Victoria. Logo depois, ela foi para o Werribee Open Range Zoo, em Melbourne, como tratadora especializada em mamíferos africanos.

Os cuidados e a manutenção dos cavalos são de sua responsabilidade. Janine também tem um grande interesse em questões de conservação e comunidade rural no Zimbábue.

*Jillaroo é o termo usado para designar as jovens que vão para propriedades rurais da Austrália a fim de aprender como trabalhar em uma fazenda de ovelhas ou gado. Então, as Jillaroo’s e os Jackaroo’s (termo masculino) recebem treinamento para serem versáteis. Por isso também os chamam de ‘auxiliares de estação’.

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
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Cavalgada no Parque Nacional Los Glaciares – Patagônia Argentina

A coluna de Paulo Junqueira dessa semana passeia pela Argentina, e ele conta sobre uma cavalgada que fez Parque Nacional Los Glaciares

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Desta vez escrevo sobre uma cavalgada que fiz dentro do Parque Nacional Los Glaciares na Patagonia Argentina, região de Calafate.

A estância onde cavalgamos, portanto, tem mais de 100 anos na mesma família. ‘La Jerónima’, nome de fundação por imigrantes croatas da estância, tinha cerca de 20.000 hectares. O foco era a criação de ovelhas. Atualmente com 12.000 hectares cria gado Hereford.

Cavalgada no Parque Nacional Los Glaciares

Essa cavalgada permitiu contato com geleiras em áreas remotas do Parque Nacional Los Glaciares. Seguimos trilhas onde encontramos a natureza no seu melhor estado: uma combinação única de bosques andinos, lagos azuis, altas montanhas e glaciares imponentes.

Na tarde do terceiro dia cruzamos um bosque com muitas lengas. Logo depois de mais uma hora de cavalgada, chegamos no marco de divisa com o Chile. Sem dúvida, momento de comemoração e fotos.

Puesto

Pequenos abrigos no campo, estrategicamente localizados, servem como abrigo para os puesteiros. Puesto , assim são chamados esses locais na Patagônia Argentina. Puesteiros são aqueles que cuidam do gado e do campo.

Eles moram sozinhos, acompanhados apenas de seu cavalo, seu cão e da imensidão dos campos patagônicos. Todos os dias saem para cuidar do gado e do campo. É uma vida difícil, principalmente no inverno.

Nessa viagem vivenciei um pouco essa rica experiência cultural, pois nos hospedamos duas noites no Puesto Laguna. Local de quarto com dois beliches e um cômodo que serve como cozinha e sala de jantar. Dois bancos para a sala de jantar se transformam em camas para dormir. Tudo muito básico e rústico.

A coluna de Paulo Junqueira dessa semana passeia pela Argentina, e ele conta sobre uma cavalgada que fez Parque Nacional Los Glaciares

Pumas

Os dias começam bem cedo para ver se alguma raposa ou puma matou algum cordeiro ou bezerro. Tem que ser antes que clareie completamente, porque senão os condores deixam apenas os ossos. A raposa e o puma, geralmente, pegam uma cria mais gorda e comem o máximo que pode.

Eu me surpreendi ao saber que nessa região os proprietários são autorizados a caçar os pumas (existia até um incentivo para isso). Então, decidi acompanhá-los em uma dessas caçadas, a fim de encontrar um macho que estava matando muito ali na Estância.

A coluna de Paulo Junqueira dessa semana passeia pela Argentina, e ele conta sobre uma cavalgada que fez Parque Nacional Los Glaciares

A caça

Saímos com os cachorros no final da manhã para seguir a trilha. Era um trecho muito íngreme numa rocha grande. Ouvimos o barulho dos cachorros que tinham encurralado um puma. Quando nos aproximamos, o puma saltou de trás de alguns arbustos. Ele nunca ataca: sempre tenta escapar, aliás, foi o que aconteceu naquele dia.

O trabalho no campo é sempre imprevisível, presas e predadores são atores comuns. O puesteiro contou que o problema maior é quando um puma está ensinando os filhotes a caçar. Chegam a matar 28 capões em uma noite. E como os filhotes não sabem, eles deixam alguns deles meio vivos e também machucam em qualquer lugar. É uma imagem muito feia de se ver.

Nessa cavalgada vivenciamos experiências que remetem aos pioneiros e aventureiros que fazem parte da história da região.

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
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Foto de chamada: Divulgação/Luis Franke

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Cavalgada do Parque Nacional na Polônia

Paulo Junqueira comenta em sua coluna de hoje sobre esse passeio mágico pelas florestas da Polônia em cavalos Hucul

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Desta vez escrevo sobre uma cavalgada na região mais exótica da Polônia, no Parque Nacional Białowieża. Podlasie fica logo abaixo da fronteira entre a Polônia e a Bielo-Rússia.

Nessa cavalgada de três dias, exploramos a Floresta Białowieża. A última floresta natural nas terras baixas da Europa, um Patrimônio Mundial da Unesco. É uma floresta com história milenar e cheia de vida. Nela, o bisão europeu é ‘o rei da selva’.

Nossos guias são guardas-florestais do Parque Nacional Białowieża e funcionários da Academia Polonesa de Ciências. São pessoas com muito conhecimento da natureza e muitos anos de experiência na convivência com animais. Entre eles, bisões, lobos, veados e outros habitantes da floresta.

Manada de bisões europeus

Hucul

Essa cavalgada é uma oportunidade rara para cavalgar numa raça de cavalos primitiva, conhecida como Huculs. Espécime que escapou da extinção devido aos esforços de cientistas e criadores.

A origem do Hucul é na cordilheira dos Cárpatos da Europa Oriental. Em resumo, uma raça que tem alguma semelhança com o extinto Tarpan (Equus ferus ferus). Esse segundo, considerado como o antepassado das espécies de cavalos que existem atualmente.

Paulo Junqueira comenta em sua coluna de hoje sobre esse passeio mágico da Cavalgada no Parque Nacional pelas florestas da Polônia em Hucul
Foto: Grzegorz Lesniewski/Rewilding Europe/The Daily Mail

O Hucul tem pelagem bem grossa e resistente, por isso aguentam as condições climáticas severas da região no inverno. Justamente pela força e resistentes a longas distâncias em terrenos difíceis, os Hucul foram amplamente usados na Segunda Guerra Mundial no leste europeu. De fato, algo que fez com que essa raça quase chegasse à extinção.

Cavalgada no Parque Nacional Białowieża

Seguindo uma tendência cada vez mais presente, montamos os cavalos sem embocadura (bitless). Levamos, então, mais conforto e bem-estar a eles.

Cada dia tem cerca de seis horas de cavalgada. E organizamos as trilhas com foco na natureza paisagística e animal. Em primeiro lugar, observar a natureza, ouvir sons dos animais, reconhecer rastros de lobos, bisões e veados.

Paulo Junqueira comenta em sua coluna de hoje sobre esse passeio mágico da Cavalgada no Parque Nacional pelas florestas da Polônia em Hucul

A Trilha do Lobo começa em Stary Masiewo e segue um trecho ao longo do caminho para Kosy Most. Mais adiante, ao longo do vale do rio Narewka até as vizinhanças da vila de Gruszki. No caminho, passagem pelo Santuário de Bisões.

Nos alojamos em uma tradicional casa de Podlasie. À noite relaxamos em uma sauna ou em um banho ‘banya’ russo (barril quente). Nesse momento, observamos as estrelas e ouvimos os sons dos cervos.

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
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Cavalgada de Inverno na Suécia

Paulo Junqueira relata, junto com os detalhes dessa cavalgada, sobre a cultura Sami e o hotel de gelo

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A cavalgada de inverno na Suécia é uma experiência muito diferente. Não só por contas das trilhas na neve, mas também as no gelo. O cavalo islandês é a montaria perfeita para explorar essa região. Apesar do ser pequeno, têm grande resistência e costuma percorrer longos trechos com neve e gelo.

Foto: Divulgação/Mustad

Ferradura para cavalgar no gelo e na neve

Nessa cavalgada, a maioria dos cavalos recebe uma ferradura especial, com dois ou quatro parafusos especiais (Stud), com a finalidade de dar melhor aderência em vários tipos de piso, principalmente escorregadios e úmidos.

O Stud também melhora a estabilidade no gelo. Assim como é frequentemente usado em combinação com um ‘suporte de neve’. Material em poliuretano (ou borracha) que fica sob a ferradura e evita que a neve se acumule na sola do cavalo.

Alguns dos cavalos que não recebem essas ferraduras e suporte ficam somente nas trilhas de floresta.

Cavalgada de Inverno: Paulo Junqueira relata, junto com os detalhes dessa cavalgada, um pouco sobre a cultura Sami, clima e o hotel de gelo

Cultura Sami

Antes de mais nada, essa cavalgada de inverno na Suécia foi uma oportunidade de aprender sobre a cultura Sami, incluindo o pastoreio de renas. Nossos guias Sami se sentem em casa neste ambiente de frio extremo.

Eles são muito experientes e ajudam encontrar animais nas trilhas ou na floresta. Esta área é lar de alces, ursos, águias douradas e a rara raposa do Ártico.

Os Samis, único povo indígena europeu, vivem na Noruega, Finlândia, Lapônia e Suécia. São ‘fazendeiros’ e a maioria vive de criar e vender carne de Rena.

Clima

Durante os meses de inverno no extremo norte da Suécia, as temperaturas chegam até -22 °C. Por isso, é fundamental preparar-se com o equipamento certo para não sentir frio e aproveitar a cavalgada. Um segredo para aquecer são muitas camadas finas que retêm o ar quente.

Cavalgada de Inverno: Paulo Junqueira relata, junto com os detalhes dessa cavalgada, um pouco sobre a cultura Sami, clima e o hotel de gelo
Trenós

Passeio nos trenós puxados por cães

Além de cavalgar na neve nos interessantes cavalos islandeses, a programação incluí um passeio em motos de neve, pesca no gelo e vivência do pastoreio de renas. Mas, o mais interessante de tudo, é o passeio nos trenós puxados por cães, uma emoção que lembra cenas de filmes!

Cavalgada de Inverno: Paulo Junqueira relata, junto com os detalhes dessa cavalgada, um pouco sobre a cultura Sami, clima e o hotel de gelo
Aurora Boreal

Aurora Boreal

Nessa cavalgada são muitas as sensações inéditas. Uma delas, sem dúvida, é a de paz ao cavalgar no meio de um cenário todo coberto por um manto de neve. Outra sensação inesquecível é ver a aurora boreal!

Cavalgada de Inverno: Paulo Junqueira relata, junto com os detalhes dessa cavalgada, um pouco sobre a cultura Sami, clima e o hotel de gelo

Hotel de Gelo / Ice Hotel

Por cinco noites a hospedagem é na fazenda ao lado do rio Kalix. Mas uma noite é super especial, no Ice Hotel que fica em Jukkasjärvi, pequena aldeia no norte da Suécia, com 1.100 habitantes e 1.000 cães. Lá fica o primeiro hotel do mundo construído de ‘snice’, uma mistura de neve e gelo que reforça a estrutura.

Nos meses de março e abril, portanto, cinco mil toneladas de gelo saem do Rio Torne e chegam para armazenamento em uma câmara fria até novembro, quando designers de várias partes do mundo ajudam a criar as formas artísticas do Ice Hotel daquele ano.

Cerca de 100 pessoas se envolvem em sua construção, sendo que mais da metade são artistas. Aberto de dezembro até meados de abril, o hotel lentamente começa a derreter e a água volta para o Rio Torne, praticamente fechando o ciclo.

Com certeza o Ice Hotel é um dos hotéis mais interessantes do mundo, além de ser uma obra de arte construída em uma pequena vila na Suécia!

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
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Viagem a cavalo no Egito

Paulo Junqueira conta em sua coluna sobre a relação do cavalo Árabe com a história do Egito

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O cavalo Árabe, sem dúvida, tornou-se um elemento essencial na história egípcia. Desde muito tempo essa raça proporcionou a seus guerreiros sucesso nas batalhas. E, além disso, a capacidade de fazer uma viagem a cavalo para longe e de forma rápida por terrenos, muitas vezes, difíceis.

O cavalo árabe-egípcio é um dos cavalos mais notáveis e bonitos do mundo. Com toda a certeza, um magnífico exemplo de beleza e proporção.

Localizado no nordeste da África, o Egito faz fronteira com o Mediterrâneo e o Mar Vermelho. É um país incrível para ser descoberto a cavalo.

Paulo Junqueira conta em sua coluna sobre a relação do cavalo Árabe com a história do Egito; mais um relato de experiência em viagem a cavalo

Viagem a cavalo: uma lição e uma história

A viagem começa no Cairo e o café da manhã já é com vista para as pirâmides! No primeiro dia, a cavalgada segue rumo as majestosas Grandes Pirâmides de Gizé e a Esfinge.

Embora existam mais de 100 pirâmides no Egito, as Pirâmides de Gizé são de longe as mais famosas e são as últimas das Sete Maravilhas do Mundo. Quéops, Khafre e Menakaure são impressionantes!

A fim de poder entrar em uma das pirâmides menores, os guias cuidam dos cavalos do lado de fora. Logo depois, a cavalgada continua cruzando o planalto com destino a Esfinge, símbolo enigmático do Egito. Ela tem o corpo de um leão e a cabeça de um rei.

Após o almoço com vista para pirâmides, na programação da tarde as pirâmides de Abu Sir e Sakkara. Abu Sir formam a necrópole da 5ª Dinastia, enquanto as de Sakkara, no Reino Antigo, tem ligação com faraós.

Nelas, os faraós foram enterrados dentro das 11 principais pirâmides. Ao mesmo tempo em que seus súditos foram enterrados em centenas de tumbas menores.

No final desse primeiro dia tão especial, uma verdadeira lição de história. O Egito Antigo ganha vida em seis horas de cavalgada.

Paulo Junqueira conta em sua coluna sobre a relação do cavalo Árabe com a história do Egito; mais um relato de experiência em viagem a cavalo

No dia seguinte, já em Luxor, despertamos com o som do chamado de oração das mesquitas e uma bela vista do Rio Nilo. Depois do café da manhã, saímos para visitar (de carro) o Vale dos Reis, Tutankhamon e o templo de Hatshepsut.

À tarde, a cavalgada é pelos vilarejos e pelos campos, até chegar no famoso templo Habu. Enquanto a equipe cuida dos cavalos, os cavaleiros exploram um dos templos mais bonitos e preservados do Egito.

Cavalgada no Vale dos Reis

A cavalgada no Vale dos Reis começa bem cedo. A ideia é vermos o nascer do sol enquanto balões de ar quente iluminam o céu. No caminho o templo Ramesseum, vemos o cossal de Memnon e as estátuas gigantes do avô de Tutankhamon.

A tarde, a visita (de carro) é ao templo de Karnak, a Avenida da Esfinge e o Museu de Luxor. 

Cavalgada ao longo do rio Nilo

Segundo rio mais longo do mundo e o mais longo da África (mais de 6.000 km), o rio Nilo atravessa o país de sul a norte, até o grande Delta do Nilo, onde estão as cidades do Cairo e Alexandria.

Nesse dia, a cavalgada mostra o verdadeiro Egito, com visita a aldeias locais e trilhas através de plantações.

O Vale do Nilo representa menos de 10% do território do Egito, no restante do território estão os Deserto do Saara e o Deserto da Arábia.

Cavalgar no deserto e nadar com os cavalos no Mar Vermelho  No último dia, após o café da manhã, saída da cavalgada cruzando o deserto até chegar na deslumbrante Baía de Makadi, no Mar Vermelho.  Depois de tirar as selas, é hora de entrar com o cavalo nas tranquilas águas cristalinas do Mar Vermelho. Uma experiência incrível para encerrar uma viagem a cavalo tão especial.  Por Paulo Junqueira Arantes Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil www.cavalgadasbrasil.com.br  Veja outras notícias da editoria Turismo Equestre no portal Cavalus

Cavalgar no deserto e nadar com os cavalos no Mar Vermelho

No último dia, após o café da manhã, saída da cavalgada cruzando o deserto até chegar na deslumbrante Baía de Makadi, no Mar Vermelho.

Depois de tirar as selas, é hora de entrar com o cavalo nas tranquilas águas cristalinas do Mar Vermelho. Uma experiência incrível para encerrar uma viagem a cavalo tão especial.

Por Paulo Junqueira Arantes
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Cavalgada em Domingos Martins – Espírito Santo

Paulo Junqueira conta na coluna de hoje sobre a Pedra Azul e seus cavalos Norwegian Fjord Horse

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Fazem alguns anos, fui convidado para uma reunião no Rio de Janeiro, com o Sr. Erling Lorentzen. A saber, ele é um grande empresário norueguês radicado no Brasil desde 1953. Atuava nos ramos de navegação e industrial (foi um dos fundadores da Aracruz Celulose).

Casado com a princesa Ragnhild, filha mais velha do rei Olav V da Noruega, o Sr. Lorentzen se apaixonou pela região da Pedra Azul, em Domingos Martins, Espirito Santo. Lá começou o projeto Fjordland, na fazenda Noruega, que ele projetou para ser um pedacinho da Noruega no Brasil.

Cavalgada em Domingos Martins: Paulo Junqueira conta na coluna de hoje sobre a Pedra Azul e seus cavalos Norwegian Fjord Horse

Pedra Azul

Em 2003, a empresa Pedra Azul Ecologia e Turismo importou os primeiros cavalos Norwegian Fjord Horse. Aliás, foi pioneira na introdução da raça no Brasil. Portanto, o objetivo era o de oferecer passeios a cavalo em seu futuro projeto turístico Fjordland.

Fui contratado para organizar esses passeios. Os cavalos em si já seriam uma grande atração. São dóceis, fortes e bonitos. Passei alguns dias conhecendo a região e a estrutura da fazenda. O local fica bem próximo da Pedra Azul e faz divisa com o Parque Estadual da Pedra Azul.

Cavalgada em Domingos Martins: Paulo Junqueira conta na coluna de hoje sobre a Pedra Azul e seus cavalos Norwegian Fjord Horse

A cidade de Domingos Martins tem na Pedra Azul o mais famoso cartão postal da região. Ademais, vale ressaltar a forte herança de colonos alemães e italianos na cidade.

A Pedra Azul é um enorme maciço rochoso com paredões verticais de granito, cujo pico está a 1822 metros. Parte de sua fama vem do fato que o granito muda de cor conforme a hora do dia. Pode ficar roxo no amanhecer, dourado ao entardecer e azul nos dias em que a neblina da serra projeta sombra nos paredões.

Cavalgada em Domingos Martins: Paulo Junqueira conta na coluna de hoje sobre a Pedra Azul e seus cavalos Norwegian Fjord Horse

As trilhas da cavalgada em Domingos Martins

Me hospedei numa das charmosas pousadas da região. Logo após uma semana de trabalho, deixei organizado algumas opções de cavalgada em Domingos Martins. Trilhas com passagem pelas áreas de florestas nativas e reflorestadas.

O lugar tem uma grande diversidade biológica, com árvores de várias espécies, piscinas naturais, um bosque de liquidâmbar. Além disso, há uma área da fazenda com uma plantação do café orgânico Heimen.

Cavalgada em Domingos Martins: Paulo Junqueira conta na coluna de hoje sobre a Pedra Azul e seus cavalos Norwegian Fjord Horse

Assim, os passeios foram organizados de modo a atender todos os perfis de turistas que visitam a região. Na programação, há a opção de conhecer todo processo de plantio e beneficiamento desse café arábica 100% orgânico, desde a planta até a xícara.

Importante destacar que a empresa, desde aquela época, se preocupou com os aspectos da segurança e do bem-estar dos cavalos.

Hoje, a ABTE – Associação Brasileira de Turismo Equestre está desenvolvendo um Programa de Certificação de Cavalgadas com o objetivo de levar esses conceitos a todos os empreendedores de cavalgadas do país.

Norwegian Fjord Horse

O Fjord é um dos cavalos mais antigos do mundo e grande pureza racial. Acredita-se que eles migraram da Mongólia para a Noruega, descendendo dos cavalos de Przewalski. Há evidências arqueológicas de que os Vickings já usavam esses cavalos e sua seleção racial é de quase 2000 anos.

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Cavalgada na Coxilha Rica – Santa Catarina

Paulo Junqueira conta em sua primeira coluna de 2021 sobre um destino da Rota dos Tropeiros

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Um dos destinos mais tradicionais para cavalgada no Brasil é a Coxilha Rica, na região de Lages/SC. Sem dúvida, trata-se de um dos trechos mais preservados da antiga Rota dos Tropeiros. Antes de mais nada, eu já fiz essa cavalgada várias vezes e sempre encontrei a mesma boa acolhida desses catarinenses com alma de gaúcho.

Em uma das primeiras viagens fui acompanhado da Claudia Lechonski, conhecida professora da Universidade do Cavalo. E ainda da renomada fotógrafa Paula da Silva, que como sempre fez fotos maravilhosas. A saber, divulgadas mundo afora.

Paulo Junqueira conta em sua primeira coluna de 2021 sobre um destino da Rota dos Tropeiros, a cavalgada de Coxilha Rica, na região de Lages

Nosso ponto de partida foi a Fazenda Barreiro, mais tradicional da região, fundada em 1782. O Laelio Bianchini ‘tio Lelo’, dono da fazenda, é a incomparável companhia que nos contou dos costumes, cultura e construções deixadas por seus antepassados.

Lá, um museu guarda peças do século 19 e uma carta com 150 anos, retirada das paredes de uma das primeiras casas. Logo depois do jantar, em um galpão de madeira, decorado com peças antigas, foi a vez de música folclórica gaúcha regional no fogo de chão.

Paulo Junqueira conta em sua primeira coluna de 2021 sobre um destino da Rota dos Tropeiros, a cavalgada de Coxilha Rica, na região de Lages

Cavalgada na Coxilha Rica

O destaque nessa cavalgada, portanto, foram as travessias pelas ‘coxilhas’, que são extensões de campos verdes ondulados. Também cavalgamos pelos corredores de taipa, centenas de quilômetros de corredores entre muros de pedra.

Construídos a mais de 250 anos, por escravos e índios, esses corredores evitavam a dispersão das tropas conduzidas pelos tropeiros. Trata-se de rico patrimônio histórico, cultural e arquitetônico. E, só para exemplificar, local por onde já passaram milhares de mulas que vinham de Viamão/RS a caminho de Sorocaba/SP.

Paulo Junqueira conta em sua primeira coluna de 2021 sobre um destino da Rota dos Tropeiros, a cavalgada de Coxilha Rica, na região de Lages

No dia seguinte de manhã, antes do café, o chimarrão passou de mão em mão. Depois de nos despedir do tio Lelo, encilhamos os cavalos e trotamos pelas coxilhas. Cavalgamos vários dias, parando cada dia numa tradicional fazenda da região.

As refeições sempre muito boas e típicas. Destaque para o ‘entreveiro’, prato típico feito com carne, pinhão e verduras, servido ao grupo no almoço do terceiro dia. Bem como da paçoca de pinhão e vaca atolada no jantar do quarto dia.

Fazendas durante a cavalgada

A Fazenda da Ferradura foi a segunda fazenda tradicional onde paramos. Lá tivemos a oportunidade de conhecer e escutar os causos do tio Beja, como é conhecido Benjamin Kuse de Faria. Tradicionalista autêntico, referência dos costumes serranos da região.

Para nos receber, tio Beja carneou uma de suas ovelhas e ao redor do fogo escutamos muitas histórias da Coxilha Rica. Dona Ilusa, mulher do tio Beja, nos mostrou seu tear. Ela faz artesanato de lã e as peles estão por toda casa.

Paulo Junqueira conta em sua primeira coluna de 2021 sobre um destino da Rota dos Tropeiros, a cavalgada de Coxilha Rica, na região de Lages

De maneira idêntica, a Fazenda São João foi outro destino que merece destaque. Foi uma das primeiras residências da família Ramos, de grande importância política no estado de Santa Catarina. Afinal, quatro governadores do Estado e um presidente da República pertencem a ela.

O casarão sede, de arquitetura luso-brasileira, foi construído há cerca de 200 anos. Os mangueirões de pedras junto à casa continuam em uso até hoje para juntar o rebanho. Coxilha Rica, um lugar que parece ter sido esquecido pelo tempo.

Por Paulo Junqueira Arantes
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Ano Novo cavalgando na neve

Paulo Junqueira conta em sua coluna da semana sobre um passeio a cavalo em cenários com neve

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Sem dúvida, cavalgar na neve já é algo muito bacana e melhor ainda durante as festas de fim de ano. Apesar de não ser a terra do Papai Noel, os cenários dessa cavalgada parecem ter saído de cartões de Natal!

Afinal, esta cavalgada percorre uma região de natureza intocada, nas montanhas dos Cárpatos Orientais da Romênia, explorando a Terra de Székely, área histórica situada na famosa região da Transilvânia. As propriedades não são cercadas, pois os pastores ainda movem seus rebanhos pelo campo, como antigamente.

No caminho cruzamos com vilas de Székely, etnia de origem húngara que desde o século VIII ocupou as terras da região.

Antes de mais nada vale frisar que o nosso guia Csaba é apaixonado pelas montanhas. Além disso, a sua ajudante Katrin, cuida da cozinha, produzindo goulashes tradicionais e outras iguarias, utilizando produtos orgânicos, sempre que possível.

Cavalos vivem em rebanhos quando não estão trabalhando

Os cavalos começaram a percorrer essas trilhas ainda potros enquanto seguiam suas mães. São seguros, calmos e bem equilibrados. Todos vivem como um rebanho quando não estão trabalhando.

Nessa cavalgada foi importante ter espírito de aventura e, portanto, estar preparado para se adequar às condições. A programação era decidida na véspera, pois era difícil saber, com certeza, quanta neve encontraríamos.

A fazenda base da cavalgada fica próxima a Gheorgheni pequena cidade com pouco mais de 20 mil habitantes.

Cavalgando na neve é preciso estar preparado para se adequar às condições

Cavalgando na neve por 4 horas diárias

A cada dia, cavalgamos cerca de 4 horas. No primeiro dia as trilhas levaram ao Monte Magas Bükk (1380ms), de onde tivemos uma vista maravilhosa das montanhas cobertas de neve e dos vales que o cercam.

No segundo dia antes do almoço, fizemos uma parada em uma pequena fazenda na montanha para provar o queijo local. Depois, pegamos uma trilha no meio da floresta de pinheiros cobertos de neve. No caminho de volta para a fazenda, passamos pela nascente do rio Olt, o segundo maior rio da Romênia.

Assim, no dia seguinte seguimos rumo ao Monte Csofronka, chegando ao cume coberto de neve. De lá, vistas espetaculares das montanhas Harghita, do Lago Murder e das geleiras dos Alpes Kelemen (2100ms)

Na parada de cavalgando na neve, beber algo quente para se aquecer
Cenário incrível durante a cavalgada na neve

Em mais um dia de cavalgada, seguimos para o vale, passando por algumas fazendas tradicionais e por pequenos riachos de montanha. Ao chegar ao vale, uma fogueira com café, chá e vinho quente estava a nossa espera em uma pequena clareira na floresta.

No penúltimo dia, nossos anfitriões nos levaram de manhã para um passeio de trenó até as fazendas vizinhas. À tarde, selamos os cavalos novamente para uma curta cavalgada nas mágicas paisagens cobertas de neve.

Cavalgar na neve é algo inesquecível

Por fim, a cavalgada de despedida nos levou por campos cobertos de neve até chegar em um mirante de onde pudemos ver as cidades e vilas abaixo.

Todos os dias no final da tarde sentamos ao redor do fogo, para assistir ao pôr do sol com uma taça de vinho. Sem dúvida, uma cavalgada inesquecível!

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
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Expedição a cavalo em Campo dos Padres – Santa Catarina

Paulo Junqueira conta em sua coluna da semana mais uma expedição que fez a cavalo ao lado de amigos, conhecendo lugares maravilhosos

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Assistindo a uma reprise do Globo Repórter sobre o Campo dos Padres, lembrei da Expedição a cavalo que fiz na região em 2010. O Campo dos Padres é um tesouro natural na Serra Catarinense!

Altos do Corvo Branco

Ademais, trata-se de um imenso planalto, onde está o ponto mais alto do estado: o Morro da Boa Vista, com 1.827 metros. Com toda a certeza, é a última fronteira intocada do estado. E, apesar de não estar longe de Florianópolis, é uma região que poucos têm a chance de conhecer.

Sem dúvida, um local inóspito, de difícil acesso e sem estrutura de apoio. Um planalto com campos a perder de vista, belas matas nebulares, assim como cânions espetaculares e paredões de pedra recortados por rios.

Paulo Junqueira conta em sua coluna da semana mais uma expedição que fez a cavalo ao lado de amigos,; dessa vez o Campo dos Padres, em SC
Cachoeira do Rio dos Bugres

Antes de mais nada, o Campo dos Padres e o conjunto de serras que o circunda se constitui num dos últimos redutos de mata de araucária e campos de altitude com elevado grau de preservação.

O nome ‘Campo dos Padres’ foi dado em alusão aos padres jesuítas. Vindos das Missões, refugiaram-se nos campos desta serra.

Expedição em Campos dos Padres

Nossa viagem foi uma verdadeira expedição. Passamos por vários trechos difíceis. Subimos pela Serra da Anta Gorda e descemos, então, pela Serra do Rio dos Bugres. Um pouso marcante na viagem foi na casa do Silvio Bonin. Lá escutamos muitas histórias da região. Outro destaque foi a parada na Cachoeira do Rio dos Bugres.

Paulo Junqueira conta em sua coluna da semana mais uma expedição que fez a cavalo ao lado de amigos,; dessa vez o Campo dos Padres, em SC
Dario no Campo Comprido

Dentre os companheiros da expedição, estavam o Dario Galluf Pederneiras, para quem cavalgar é um incomparável exercício de meditação e elevação espiritual; o Sergio Lima Beck, hipólogo com quem estou sempre aprendendo; e a Ana Luiza Rocha, que tem alma de tropeira. Nosso guia foi o Ademir Israel, grande conhecedor da região e um apaixonado por cavalos e cavalgadas.

Em resumo, o Dario nunca mais parou de cavalgar na região. Ele diz que “quando cavalgo na região de Bom Retiro e Urubicí, principalmente quando subo os místicos Campo dos Padres, lugar sagrado para mim – um verdadeiro santuário, consigo atingir níveis elevados de contemplação e meditação, uma viagem para mim possível só no lombo de um cavalo.”

Paulo Junqueira conta em sua coluna da semana mais uma expedição que fez a cavalo ao lado de amigos,; dessa vez o Campo dos Padres, em SC
Paulo e Sergio Beck

Por Paulo Junqueira Arantes
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Cavalgada na África do Sul – Reserva de Witteberg

Paulo Junqueira destaca em sua coluna da semana mais uma cavalgada na África do Sul e a excelente sela McClellan usada nos safáris a cavalo na África

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O diferencial dessa cavalgada, portanto, é que é realizada em uma bela reserva na região de Witteberg. Ademais, local onde criam mais de 300 cavalos das raças Árabe e Boerperd (raça Sul Africana).

Antes de mais nada, a criação desses cavalos Árabes é focada em cavalos para Enduro. Assim, duas provas de Enduro afiliadas à Free State Endurance são realizadas lá a cada ano. As distâncias variam entre 40 e 80 km.

Cavalgada na África do Sul - Reserva de Witteberg

Uma das trilhas mais bonitas que percorri na fazenda, faz parte do percurso das provas. Só para ilustrar, alternei minha montaria, cavalgando nos Árabes e Boerperd. Aliás, essa última uma raça que é mais usada na maioria dos safáris a cavalo do continente africano. São cavalos muito bons e cômodos.

Durante quatro dias, cavalgamos entre planícies e algumas das montanhas mais altas da África do Sul. De tal forma que em uma das montanhas paramos para ver as pinturas dos bosquímanos, com cerca de 400 anos.

Cavalgada na África do Sul - Reserva de Witteberg

Nessa cavalgada, vimos e cruzamos com muitos animais. Springbuck, Blesbuck, Blackwilde beest, Oryx, Eland e Zebra são da fauna africana e vivem nesta reserva, que foi declarada Patrimônio Natural.

Cavalgamos cerca seis horas cada dia. Alguns dias voltamos para a sede da fazenda para o almoço, em outros dias comemos um lanche no campo. Nossa confortável hospedagem foi numa construção feita a partir de antigos edifícios agrícolas.

Sela McClellan

As selas que usamos na cavalgada foram modelo McClellan. Gosto muito dessa sela e trouxe uma comigo para o Brasil, iniciando minha pequena coleção. Inegavelmente, ela merece uma apresentação.

Foi projetada por George B. McClellan, oficial de carreira do Exército dos Estados Unidos. Ele teve a ideia logo após sua viagem pela Europa como membro de uma comissão militar encarregada de estudar os últimos desenvolvimentos e forças de cavalaria, incluindo equipamentos de campo.

Viajou durante um ano e observou várias batalhas da Guerra da Criméia. Ao retornar, apresentou uma proposta de manual para a cavalaria americana adaptada dos regulamentos de cavalaria russos existentes.

Animal da raça Boerperd com a Sela McClellan

Em conclusão, incluiu uma sela de cavalaria nessa proposta. Com efeito, alegou ser uma modificação de um modelo húngaro (Hussard), usado no serviço prussiano. A peça era também uma modificação de um modelo espanhol usado no México.

A sela McClellan foi adotada pelo Departamento de Guerra dos Estados Unidos em 1859. Era simples e menos cara do que as existentes. Leve o suficiente para não sobrecarregar o cavalo, mas forte o suficiente para dar um bom suporte ao cavaleiro e seu equipamento.

Cavalgada na África do Sul - Reserva de Witteberg
Modelo da sela com ajustes

De fato, foi um sucesso! E continuou em uso em várias formas até que os últimos cavalos de cavalaria e artilharia do Exército dos Estados Unidos foram desmontados no final da Segunda Guerra Mundial.

Desse modo, a sela McClellan está em uso desde 1859. Houveram algumas modificações ao longo do tempo, as mais significativas no Século 20. Continua a ser fabricada nos Estados Unidos e na África do Sul e já foi usada por cavaleiros de enduro.

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
www.cavalgadasbrasil.com.br
Crédito das fotos: Divulgação/Martin Coetzee e Paulo Junqueira

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Expedições em Eswatíni e Lesoto

Paulo Junqueira conta sobre dois reinos incrustados na África do Sul, destinos pouco conhecidos

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A expedição que fiz para Lesoto e Eswatíni foi uma viagem não programada/agendada. Em 2010, fui a Witteberg, na África do Sul para conhecer e cavalgar com o Wiesman.

Paulo Junqueira conta sobre dois reinos incrustados na África do Sul, Lesoto e Eswatini, destinos pouco conhecidos e de muita cultura

Sua propriedade é um paraíso para amantes de cavalos, pois tem dois premiados criatórios. A saber, de cavalos Boerperd sul-africanos e cavalos Árabes de Enduro. Eles são criados selvagens nas encostas das montanhas Witteberg.  

Assim, em uma conversa com Wiesman soube da existência do Reino de Lesoto, que ficava bem próximo e resolvi ‘dar uma esticada lá’.

Paulo Junqueira conta sobre dois reinos incrustados na África do Sul, Lesoto e Eswatini, destinos pouco conhecidos e de muita cultura

Lesoto (oficialmente Reino do Lesoto) é um pequeno país da África Austral. Montanhoso, é o antigo reino da Bassutolândia, um dos países etnicamente mais homogêneos da África: 99% de sua população é da etnia basoto.

Vive da agricultura e criação de ovelhas na cordilheira do Drakensberg. Assim também, domina a maior parte do território e atinge mais de 3 mil metros de altitude.

Paulo Junqueira conta sobre dois reinos incrustados na África do Sul, Lesoto e Eswatini, destinos pouco conhecidos e de muita cultura

É o único país do mundo com toda a área acima dos mil metros. Ou seja, mais de 80% do território está acima dos 1,8 mil metros de altitude. Além disso, a geografia única do país valeu-lhe o título de ‘Reino no Céu’.

Reino de Eswatíni

Recém-nomeado, o Reino de Eswatíni tem nome de origem indígena, que significa ‘Terra dos Suazi’. Pequeno, é o menor país do hemisfério sul, possui muita cultura, aventura e vida selvagem.

Antiga Suazilândia, Eswatíni é um dos destinos mais subestimados (e menos visitados) da África. Antes demais nada, existe desde meados do século 13. Ademais, é uma das poucas monarquias nativas africanas ainda existentes. Junto com Lesoto e Marrocos.

Dessa forma, minha sugestão é explorar a Grande Reserva de caça Mkhaya, conhecida como ‘Refúgio para espécies ameaçadas’. Em contrapartida, outra opção é partir do histórico santuário de vida selvagem de Mlilwane e seguir pelas trilhas que cruzam planícies e montanhas. Passando por comunidades rurais da Suazi.

Essas reservas têm habitats bem diferentes. Enquanto Mlilwane são montanhas e áreas de pastagem, Mkhaya é uma típica savana espinhosa.

Uma combinação incrível! Reservas naturais, rica cultura Suazi, paisagem diversificada e abundante vida selvagem fazem desse pequeno reino um novo e interessante destino para um safari a cavalo.

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
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Cavalgada da Água Boa

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Paulo Junqueira conta sua experiência com a Cavalgada da Água Boa no Rio Grande do Norte

Cavalguei, alguns anos atrás, na região de Tibau do Sul, a Cavalgada da Água Boa. O município fica entre a Lagoa das Guaraíras e o Oceano Atlântico, no Rio Grande do Norte. A hospedagem foi no Hotel Marinas.

Logo depois de me acomodar, fomos para o Haras Água Boa, do amigo Rogério Bivar. Localizado, portanto  a 10 km do hotel e a 4 km do mar. Antes de mais nada, o haras cria cavalos Mangalarga Marchador de marcha picada desde 1999. E são vários os animais premiados em exposições.

Foto: Paula Silva

Cavalgamos nas praias com oportunidade para vários galopes. Assim como nadamos com os cavalos e cavalgamos em noite de lua cheia. Cada dia teve um diferencial de natureza.

A renomada fotógrafa Paula da Silva acompanhou nossa cavalgada. Por consequência, suas fotos da viagem foram publicadas em várias revistas internacionais.

Paulo Junqueira conta sua experiência com a Cavalgada da Água Boa no Rio Grande do Norte, feita alguns anos atrás em companhiade amigos

Não só falésias, como também berçário de tartarugas-marinhas, santuário ecológico. E, inegavelmente, muita praia bonita. Os cavalos muito cômodos, estavam sempre dispostos. Assim sendo, mostraram que a seleção do haras faz diferença.

Paulo Junqueira conta sua experiência com a Cavalgada da Água Boa no Rio Grande do Norte, feita alguns anos atrás em companhiade amigos

Durante os quatro dias de cavalgada, passamos pelas praias de Sagi. A saber, desde a divisa com a Paraíba, Mata Estrela, praia de Baia Formosa, praia de Sibauma, praia do Canto, Chapadão e praia da Pipa.

Paulo Junqueira conta sua experiência com a Cavalgada da Água Boa no Rio Grande do Norte, feita alguns anos atrás em companhiade amigos
Foto: Paula Silva

Na Barra do Cunhau atravessamos a balsa com os cavalos. Nosso destino, então, em algumas noites, foi a famosa Pipa que fica a pouco minutos de Tibau do Sul. Esse, sem dúvida, é um excelente destino de praia para cavalgar no Brasil.

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
Crédito da foto de chamada: Paula Silva
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Cavalgadas noturnas – Cavalgada de Lua Cheia

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Paulo Junqueira conta nesse artigo sobre os encantos da Cavalgada da Lua Cheia entre outros passeios; assim como fornece dicas importantes

Cavalgar a noite tem o seu encanto, especialmente em noites claras com lua cheia. Com toda a certeza, existem vários locais que organizam cavalgadas a noite. Eu fiz uma vez a tradicional Cavalgada de Lua Cheia, na Chácara do Rosário, do amigo João Pacheco.

Localizada em Itu/SP, a sede da chácara é um monumento histórico (de 1756), arquitetônico e paisagístico. Assim como possui um grande acervo de peças históricas e móveis de época. Logo após a cavalgada, o sarau na casa fechou a programação com estilo.

Chácara do Rosário – Foto: Cedida

Sempre que possível organizo minha cavalgada na Bahia (região Trancoso/Praia do Espelho/Caraíva) na semana de lua cheia. É uma experiência incrível cavalgar na praia com a lua iluminando o mar que fica com um brilho especial e também a chegada pela praia no rio Caraíva a noite.

Eu tive oportunidade de cavalgar a noite muitas vezes em vários destinos. A maioria foram cavalgadas planejadas, para aproveitar essa sensação de cavalgar confiando nos sentidos do cavalo. Mas tive algumas experiências em cavalgar a noite que não eram previstas, algumas delas ficaram marcadas na minha memória.

Bahia – Foto: Paula Da Silva

Experiências em cavalgadas noturnas

Na região de Calafate, Argentina, sul do continente americano, no verão só fica escuro por volta das 23 horas. Dessa forma, em 2014, quando eu estava pesquisando roteiros com o Esteban Echeverria, dono da Estância Rio Mitre, passamos o dia cruzando montanhas. Quando nos demos conta já eram quase 22 horas.

Se fôssemos retornar pelo caminho ‘normal’ e descer rodeando a montanha, teríamos longo trecho acidentado e perigoso já no escuro. Estávamos no topo de uma montanha muito alta e tomamos a decisão de descer em linha reta.

Com efeito, a vertical era tão forte que tivemos que descer puxando os cavalos. Eram cavalos cruzados crioulos muito fortes e tive que descer aos pulos para não correr o risco de ele vir para cima de mim. Meu joelho até hoje reclama dessa experiência…

Paulo Junqueira conta nesse artigo sobre os encantos da Cavalgada da Lua Cheia entre outras cavalgadas; assim como fornece dicas importantes
Calafate, Argentina

Outra vez, em 2017, levei uma equipe da EPTV Globo fazer uma filmagem de cavalgada na ilha do Marajó. Nosso grupo era composto de um casal francês, uma alemã, o jornalista e o cinegrafista da TV. Nesse dia tínhamos uma travessia longa entre fazendas e devido aos atrasos ocorridos por causa da filmagem, aconteceu de ao cair a noite estarmos ainda longe de nosso destino.

Então, não tivemos outra opção a não ser seguir em frente. Minha preocupação maior foi tranquilizar os estrangeiros que estavam muito receosos com os trechos que atravessamos no escuro com a água na altura da sela. Foi uma aventura imprevista que terminou bem e resultou em uma experiência inesquecível para todos nós.

Ilha do Marajó

Estrada Real

Quando em 2016 percorri toda a Estrada Real (foto de chamada), 1780km, tínhamos um destino para chegar a cada dia. Alguns percursos eram mais difíceis e/ou mais longos. Assim, quando acontecia algum imprevisto, acabávamos tendo que cavalgar a noite. Na sua maioria foram momentos interessantes, cavalgar sob a luz das estrelas ou da lua.

Porém, tivemos uma experiência muito ruim. Foi em um dia de percurso mais longo. No meio do caminho tivemos que parar para trocar uma ferradura. Tive que chamar o carro de apoio, que já estava na cidade do Serro organizando as coisas para nossa chegada. Perdemos um bom tempo com isso e tivemos que cavalgar um longo trecho a noite no acostamento de uma rodovia muito movimentada.

Para não ter problemas nessas cavalgadas

Pegando o exemplo acima, faço algumas sugestões para que sua cavalgada noturna seja algo muito especial e não um problema. Em primeiro lugar, os cavalos ficam mais relaxados do que nós, humanos, quando se trata de uma cavalgada noturna. Eles enxergam muito bem com pouca luz.

Foto: ©️www.slawik.com

Tapetum lucidum é o nome da camada reflexiva responsável pela visão noturna superior do cavalo e de alguns outros animais. Ela é a responsável pelo brilho dos olhos refletidos na luz no escuro. Além disso, os cavalos têm três vezes mais receptores do que os humanos. Então mesmo um estímulo de luz fraco é melhor percebido e o contraste entre a luz e a escuridão é aumentado.

Embora os cavalos enxerguem bem no escuro, é aconselhável acostumá-los aos poucos, antes das primeiras cavalgadas noturnas. Você deve familiarizar seu cavalo com situações diferentes, como por exemplo, faróis de carros vindo em sua direção.

Dicas

  • Os cavalos são animais sensíveis e muitas vezes percebem o estado de espirito do cavaleiro. Surpreendentemente, mais rapidamente do que o próprio cavaleiro. Por isso, é importante que você esteja seguro e tranquilo a fim de não deixar seu cavalo tenso ou com medo.
  • Um colete refletivo é um item que deve ser obrigatório em seus passeios noturnos, mesmo que não esteja numa estrada.
Paulo Junqueira conta nesse artigo sobre os encantos da Cavalgada da Lua Cheia entre outras cavalgadas; assim como fornece dicas importantes
Equipamentos de segurança utilizados em cavalgadas noturnas na Europa – Foto: Alessandra Sarti
  • É útil carregar uma lanterna em caso de emergência, mas lembre-se de que a luz pode assustar seu cavalo. Se você precisar usar sua lanterna, aponte-a para o chão (embora ele também possa se assustar com isso). Use a luz com moderação. Seu cavalo, provavelmente, pode ver melhor sem a luz do que com ela.
  • Cavalgar no escuro também ajuda você a aprender a confiar mais em seu cavalo e a construir um vínculo mais forte, já que ele pode ver a trilha melhor do que você.
  • Sempre que possível, conheça seu caminho: percorra a trilha durante o dia primeiro para ambos se familiarizarem com ela. Lembre-se de que seu cavalo enxerga bem à noite, mas pode não prestar atenção em coisas que são importantes para você, como galhos baixos.
  • Cuidado com animais: a vida selvagem é mais ativa à noite. Esteja ciente de que seu cavalo pode se assustar mais facilmente porque qualquer pequeno animal que se mover por perto pode parecer algo muito maior.

Por fim, seja paciente com seu cavalo. Qualquer nova experiência leva algum tempo para se acostumar e essa vale muito a pena!

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
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Dicas e locais para você nadar com o cavalo

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Paulo Junqueira compartilha sua experiência de nadar com o cavalo em viagens pelo Brasil e pelo mundo

Nadar com o cavalo é uma sensação muito gostosa e divertida. Com toda a certeza, sempre que posso procuro nadar com meu cavalo em minhas viagens.

Já fiz isso várias vezes com cavalos diferentes ao longo dos anos. Antes de mais nada, essa sensação de entrar montado na água e depois, meio boiar, meio nadar acima do cavalo é muito bacana. Além disso, é muito bom sentir que o cavalo também está gostando.

As travessias na água podem ser fáceis e seguras, mas é importante seguir algumas dicas. Vou compartilhar um pouco de minha experiência para quem quer fazer isso em segurança.

Em sua vida livre, os cavalos naturalmente tinham situações em que precisavam nadar. Mas muitos cavalos hoje não vivem soltos, nunca tiveram essa necessidade ou oportunidade. Por isso, o ideal é prepará-los antes.

Paulo Junqueira compartilha sua experiência de nadar com o cavalo em viagens pelo Brasil e pelo mundo; experiências da África a Bahia
Bahia

1-Local

Pode ser um rio, lago ou no mar. Antes de tudo, a água deve ser profunda o suficiente para induzir a natação. Um fundo de areia é o ideal. Certifique-se de que o local de entrada e saída da água sejam seguros. Principalmente se for a primeira experiência do seu cavalo.

Aterros íngremes e lisos podem fazer com que seu cavalo tenha uma experiência negativa e dificulte futuras travessias de água. Eles também podem ter risco de lesão. Importante também identificar o melhor lugar para atravessar.

Botsuana

2-Prepare seu cavalo

Se tiver um cavalo experiente – que já nadou antes – para ir na frente é o ideal. Permita que seu cavalo se sinta confortável na água até a barriga antes de pedir a ele para entrar em águas mais profundas. Não tenha pressa, seja paciente com ele durante a investigação. Ou seja, permita que ele continue olhando para a água, mas não o deixe se virar ou recuar.

Se você deixar ele voltar, pode entender que a água é algo que deve evitar. Sua posição calma, sobretudo, mostrará a ele que a água é um lugar seguro e confortável.

O ideal que seja um local com água limpa que permita você ver o fundo. em suma, evite local com lama ou com muitas pedras em sua primeira travessia. Quando começar a nadar, dê ao seu cavalo tempo para se ajustar à sensação de flutuabilidade.

Certamente, ele pode mergulhar um pouco no início. Mantenha-se firme pela crina, a uma distância segura de outras pessoas em seu grupo e fique alerta.

Paulo Junqueira compartilha sua experiência de nadar com o cavalo em viagens pelo Brasil e pelo mundo; experiências da África a Bahia
Moçambique

3- Equipamento

O ideal é que não esteja com a sela. Mas se estiver, importante que a barrigueira não esteja muito apertada. Se não puder tirar o freio, ele NÃO deve ser acionado de maneira nenhuma durante a travessia. Qualquer comando deve ser por meio do cabresto/buçal.

A cabeça do seu cavalo precisa estar livre. Sem dúvida, é muito perigoso impedir seu cavalo de usar a cabeça e o pescoço para se equilibrar. Muitas vezes ele ‘dá um impulso’ para fora da água quando nada. Infelizmente, já vi acidentes graves causados pelo cavaleiro ao querer comandar o cavalo nadando.

Indonésia – Foto: Tânia Araújo

4- Você

É obvio que o cavaleiro deve ser competente o suficiente para controlar seu cavalo enquanto se diverte e que deve saber nadar bem!

Além disso, é importante ter mais alguém junto. E, se forem vários cavalos fazendo a travessia, é recomendável manter distância entre cada um. Desse modo, indico não entrarem todos juntos na água.

Cavalos nadam em ritmos e velocidades diferentes. Nesse sentido, senão tomar cuidado, pode acontecer de um cavalo ao ultrapassar o outro chegar muito perto e bater no cavaleiro.

Durante a travessia, segure pela crina. Fique boiando acima ou ao lado de seu cavalo. É provável que você o ajudo se junto com seu ele.

5-Distância

A natação pode ser cansativa para cavalos e cavaleiros. De tal forma que é importante usar o bom senso. Não exagere na distância. Seu cavalo deve ter uma boa experiência, especialmente na primeira vez.

Paulo Junqueira compartilha sua experiência de nadar com o cavalo em viagens pelo Brasil e pelo mundo; experiências da África a Bahia
Paulo no açude na infância

Minhas experiências

Na infância, eu nadava sempre com meu cavalo Pedreizinho no açude da fazenda de meu avô. Depois, sempre que tive oportunidade, nadei com cavalos em diversos lugares do Brasil e do mundo. Destaco alguns dos melhores:

Bahia – durante a Cavalgada das Praias na Bahia, um dos momentos mais esperados é o dia da Travessia do rio Caraíva. Faço sempre quando o rio está cheio. Assim, a travessia fica mais longa conforme a maré tem um pouco de correnteza. Por isso só recomendo para quem está acostumado nadar com cavalo e sabe nadar bem. Quando tem alguém junto com menos experiência, por segurança, contrato um pescador com barco para nos acompanhar.

Pantanal (foto de chamada) – essa é uma travessia interessante. Geralmente no local que cruzamos tem piranhas. Dessa maneira, eu só conto isso para quem está junto depois que termina e dou a vara para pescarem…

Botsuana Delta do Rio Okavango – o safari do PJ é considerado por cavaleiros experientes o destino ‘top’ do mundo para uma aventura a cavalo. Quando fiz esse safari, no terceiro dia mudamos de acampamento e cavalgamos cerca de 30km através de várzeas abertas e pequenas ilhas espalhadas em direção ao rio Matsebe. Posteriormente, na chegada ao Mkolowane Camp, cruzamos o rio nadando. Foi maravilhoso !

Moçambique – mundialmente famosa, a cavalgada nas praias da ilha de Benguerra tem uma particularidade. Assim, um dia em que depois de cavalgar entre lagoas e dunas de areia vermelha com vistas deslumbrantes, nadamos com os cavalos num mar azul-turquesa. Uma experiência indescritível!

Indonésia – essa cavalgada fiz em março deste ano na ilha de Sandal, localizada a uma hora de vôo de Bali. Foi uma experiência, antes de tudo, muito interessante conhecer essa cultura e tradições ancestrais nas quais os cavalos desempenham um papel importante. Todos os dias no final da tarde os cavalos mergulham no Oceano Índico e eu me juntei a eles nadando com meu cavalo!

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
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Como aproveitar melhor sua cavalgada

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Paulo Junqueira, experiente cavaleiro de longas distâncias, fornece dicas de como você aproveitar melhor sua cavalgada

Se você pretende fazer cavalgadas de vários dias, o ideal para você aproveitar melhor a viagem é que seu corpo esteja ajustado para as horas de sela. Antes de mais nada, é algo que evitar que sinta dores na sela desde o primeiro dia de sua tão esperada cavalgada. Claro, sempre há uma taça de vinho e algum comprimido que pode aliviar as dores a noite. Mas isso não é o ideal! Você não precisa sentir dor quando estiver na sela ou quando sair dela.

Na maioria das viagens a cavalo você fica na sela pelo menos quatro horas por dia. Ademais, em algumas chega a seis horas por dia. Se você não estiver em forma, afetará seu nível de prazer. Por isso, vai estar fazendo um favor a si mesmo se dedicar algum tempo preparando seu corpo para essas horas na sela.

Procure cavalgar o máximo que puder antes da viagem. E quando digo isso não me refiro a um passeio curto e lento. Antes de tudo, procure cavalgar mais horas em diferentes ritmos (passo, trote/marcha e galope).

Além da prática com cavalos

Atividade física é uma boa para sua saúde em geral. Quando você faz pequenas mudanças em seu estilo de vida, nota mudanças mensuráveis na força, flexibilidade e resistência do seu corpo. Tudo isso o torna um companheiro mais saudável para seu cavalo e são importantes para você ter o melhor aproveitamento de sua cavalgada.

Cada atividade movimenta diferentes músculos e outras áreas do corpo de várias formas. Em uma cavalgada você movimenta, principalmente, os músculos da panturrilha, da coxa, região da pélvis e do abdômen.

Paulo Junqueira, experiente cavaleiro de longas distâncias, fornece dicas de como você aproveitar melhor sua cavalgada
Foto: Paula Silva

Pilates

Eu sou um grande defensor do Pilates. Quando cavalga, você envolve a parte superior e inferior das pernas e o bíceps para controlar o cavalo. Dessa forma, o Pilates é excelente para aperfeiçoar grupos musculares específicos e tem baixo impacto.

Ioga

Ioga e Pilates funcionam de maneiras muito semelhantes para deixá-lo em boas condições para cavalgar. Um dos principais benefícios exclusivos da Ioga é o foco na capacidade de manter uma respiração profunda e estável enquanto o corpo trabalha duro.

Uma vez que os cavalos são muito receptivos ao nosso estado de espírito e linguagem corporal, ser capaz de manter sua respiração e frequência cardíaca baixas e permanecer fisicamente relaxado e ‘macio’ em vez de tenso ajuda muito.

Por outro lado, fisicamente a prática de Ioga é ótima para fortalecer os quadris, promovendo a postura central correta. Assim como trabalhando grupos musculares específicos, como a parte interna das coxas que são difíceis de focar na maioria de outras formas de treinamento.

Eu menciono essas duas práticas como sugestão, mas certamente outras atividades físicas também podem ajudar. Com toda a certeza, o importante é entender que quanto melhor condicionado estiver, mais vai aproveitar sua viagem a cavalo.

Paulo Junqueira, experiente cavaleiro de longas distâncias, fornece dicas de como você aproveitar melhor sua cavalgada

Algumas dicas durante a cavalgada

Durante a cavalgada recomendamos que faça um aquecimento antes e um alongamento depois. Ah, e aproveite também a parada para almoço.

Manter-se hidratado em uma cavalgada é fundamental. A desidratação pode causar sérios problemas como dor de cabeça e tontura. Por isso, não se esqueça de levar um cantil ou garrafa de água.

Durante a cavalgada, procure não ficar mais de duas horas sem descer do cavalo. Se o guia não parar, solicite uma parada (um ‘pipi’ stop). Desça e ande apenas alguns metros, como uma volta completa em seu cavalo. Assim, vai movimentar um conjunto diferente de músculos, quase como num alongamento, além da circulação sanguínea envolvida. Dica que vai beneficiar também o seu cavalo, aliviando sua coluna por uns minutos.

Por Paulo Junqueira Arantes
Crédito da foto de chamada: Paula Silva
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Quem já não sonhou em cavalgar na praia?

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Paulo Junqueira mostra em sua coluna da semana destinos especiais para se cavalgar na praia

A maioria de nós tem no imaginário galopar livre numa praia deserta. Portanto, hoje vou destacar alguns dos melhores destinos de praia para cavalgar no Brasil e ao redor do mundo.

De um paraíso tropical na Indonésia ao litoral pouco conhecido do Rio Grande do Sul. Com toda a certeza, cada uma dessas cavalgadas têm seu  charme próprio. Mas uma coisa todas tem em comum: a sensação de cavalgar sob a brisa do mar.

Bahia

Cavalgada na Costa do Descobrimento – Bahia

Quem já não sonhou em cavalgar na praia? É a melhor sensação de liberdade que existe. E melhor ainda no cenário maravilhoso da região de Trancoso.

Paulo Junqueira mostra em sua coluna da semana destinos especiais para se cavalgar na praia. Imagine galopar livre numa praia deserta

Assim, todos os anos faço essa cavalgada e cada vez ela tem um sabor diferente. Os galopes na praia com minha égua Shakira, cruzar o rio Caraíva sentindo os movimentos dela nadando embaixo de mim. Sobretudo, no final do dia degustar o melhor da culinária baiana.

Uma viagem a cavalo única e exclusiva. A cavalgada começa na praia do Espelho. Essa praia foi eleita pela revista Quatro Rodas como a quarta melhor do Brasil. Apesar de ser uma cavalgada sempre pelas praias, cada dia é diferente. E a chegada em Caraíva no pôr do sol é sempre uma experiência inesquecível.

Camargue

Cavalgada em Camargue – França

Essa não é uma cavalgada típica de praia! A região de Camargue, na França, é um enorme delta de um rio que escorre gradualmente para o mar através de uma rede de lagoas, pântanos e bancos de areia.

Paulo Junqueira mostra em sua coluna da semana destinos especiais para se cavalgar na praia. Imagine galopar livre numa praia deserta

Antes de mais nada, nossas montarias foram os famosos cavalos brancos de Camargue. Também são conhecidos como Cavalos do Mar, pois vivem ali há milhares de anos. Essa viagem foi uma bela surpresa, uma região pouco explorada com muita natureza e tradição equestre.

Sandal Island

Cavalgada em Sandal Island – Indonésia

Cavalgar numa ilha paradisíaca?! Essa cavalgada que fiz no começo desse ano. Acima de tudo, é o epítome do luxo, começando pelo resort aonde ficamos hospedados. Eleito o Melhor Hotel de Praia do Mundo por dois anos consecutivos. Inegavelmente, ele realmente faz por merecer os títulos.

Paulo Junqueira mostra em sua coluna da semana destinos especiais para se cavalgar na praia. Imagine galopar livre numa praia deserta

A cavalgada incluiu nadar com os cavalos no mar, vários galopes na praia e cavalgadas até algumas aldeias perdidas no tempo. Existem poucas opções de destinos para cavalgar na Ásia e esse sem dúvida foi uma excelente opção.

Parque Nacional Lagoa do Peixe

Cavalgada no Parque Nacional Lagoa do Peixe e na Lagoa dos Patos – Rio Grande do Sul

A Cavalgada na Grande Restinga do Parque Nacional da Lagoa do Peixe é uma oportunidade única para conhecer a cavalo. A saber, trata-se de um conjunto de ecossistemas riquíssimos.

Saindo da Lagoa dos Patos, também chamada ‘mar de dentro’ – com 280 km de comprimento por até 60 km de largura – em algumas horas de cavalgada chegamos ao ‘mar de fora’ no Oceano Atlântico. Cruzamos banhados, matas nativas, campos de dunas, lagunas e praias, uma incrível e bela diversidade.

Paulo Junqueira mostra em sua coluna da semana destinos especiais para se cavalgar na praia. Imagine galopar livre numa praia deserta

Essa é outra cavalgada que faço todo ano e sem dúvida é uma das melhores do Brasil. São muitas experiências: as praias da região não são bonitas e sempre estão desertas, por isso temos toda liberdade para fazer bons galopes a beira mar.

Entre o mar e o Parque Nacional existem dunas enormes que subimos como se estivéssemos num deserto das arábias! Outro destaque é a cavalgada no final da tarde nas praias da Lagoa do Peixe, entramos a cavalo na Lagoa e compomos um cenário incrível no pôr do sol.

Moçambique

Cavalgar em Vilanculos – Moçambique

Quando imaginamos um paraíso tropical, pensamos em praias de areia branca com palmeiras e águas azuis. Então, é exatamente isso que encontramos em Moçambique.

Cavalgamos ao longo de suas praias desertas de areia branca e mergulhamos nas quentes águas azuis do Oceano Índico, ao longo das falésias com vista para o Arquipélago de Bazaruto.

Paulo Junqueira mostra em sua coluna da semana destinos especiais para se cavalgar na praia. Imagine galopar livre numa praia deserta

Mas não foram só as praias que fizeram dessa uma viagem especial. Os donos da fazenda e nossos guias, Pat e Mandy, se mudaram do Zimbábue em 2001. Eles levaram cerca de 100 cavalos que resgataram de várias fazendas do Zimbábue.

Escutamos muitas histórias das aventuras que foi essa viagem. Em outras palavras, elas estão no livro de sucesso que escreveram com o relata: Cento e Quatro Cavalos – Memórias de Uma Família na África.

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
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