Cavalgadas Brasil

Cavalgada de Inverno na Suécia

Paulo Junqueira relata, junto com os detalhes dessa cavalgada, sobre a cultura Sami e o hotel de gelo

Publicado

⠀em

A cavalgada de inverno na Suécia é uma experiência muito diferente. Não só por contas das trilhas na neve, mas também as no gelo. O cavalo islandês é a montaria perfeita para explorar essa região. Apesar do ser pequeno, têm grande resistência e costuma percorrer longos trechos com neve e gelo.

Foto: Divulgação/Mustad

Ferradura para cavalgar no gelo e na neve

Nessa cavalgada, a maioria dos cavalos recebe uma ferradura especial, com dois ou quatro parafusos especiais (Stud), com a finalidade de dar melhor aderência em vários tipos de piso, principalmente escorregadios e úmidos.

O Stud também melhora a estabilidade no gelo. Assim como é frequentemente usado em combinação com um ‘suporte de neve’. Material em poliuretano (ou borracha) que fica sob a ferradura e evita que a neve se acumule na sola do cavalo.

Alguns dos cavalos que não recebem essas ferraduras e suporte ficam somente nas trilhas de floresta.

Cavalgada de Inverno: Paulo Junqueira relata, junto com os detalhes dessa cavalgada, um pouco sobre a cultura Sami, clima e o hotel de gelo

Cultura Sami

Antes de mais nada, essa cavalgada de inverno na Suécia foi uma oportunidade de aprender sobre a cultura Sami, incluindo o pastoreio de renas. Nossos guias Sami se sentem em casa neste ambiente de frio extremo.

Eles são muito experientes e ajudam encontrar animais nas trilhas ou na floresta. Esta área é lar de alces, ursos, águias douradas e a rara raposa do Ártico.

Os Samis, único povo indígena europeu, vivem na Noruega, Finlândia, Lapônia e Suécia. São ‘fazendeiros’ e a maioria vive de criar e vender carne de Rena.

Clima

Durante os meses de inverno no extremo norte da Suécia, as temperaturas chegam até -22 °C. Por isso, é fundamental preparar-se com o equipamento certo para não sentir frio e aproveitar a cavalgada. Um segredo para aquecer são muitas camadas finas que retêm o ar quente.

Cavalgada de Inverno: Paulo Junqueira relata, junto com os detalhes dessa cavalgada, um pouco sobre a cultura Sami, clima e o hotel de gelo
Trenós

Passeio nos trenós puxados por cães

Além de cavalgar na neve nos interessantes cavalos islandeses, a programação incluí um passeio em motos de neve, pesca no gelo e vivência do pastoreio de renas. Mas, o mais interessante de tudo, é o passeio nos trenós puxados por cães, uma emoção que lembra cenas de filmes!

Cavalgada de Inverno: Paulo Junqueira relata, junto com os detalhes dessa cavalgada, um pouco sobre a cultura Sami, clima e o hotel de gelo
Aurora Boreal

Aurora Boreal

Nessa cavalgada são muitas as sensações inéditas. Uma delas, sem dúvida, é a de paz ao cavalgar no meio de um cenário todo coberto por um manto de neve. Outra sensação inesquecível é ver a aurora boreal!

Cavalgada de Inverno: Paulo Junqueira relata, junto com os detalhes dessa cavalgada, um pouco sobre a cultura Sami, clima e o hotel de gelo

Hotel de Gelo / Ice Hotel

Por cinco noites a hospedagem é na fazenda ao lado do rio Kalix. Mas uma noite é super especial, no Ice Hotel que fica em Jukkasjärvi, pequena aldeia no norte da Suécia, com 1.100 habitantes e 1.000 cães. Lá fica o primeiro hotel do mundo construído de ‘snice’, uma mistura de neve e gelo que reforça a estrutura.

Nos meses de março e abril, portanto, cinco mil toneladas de gelo saem do Rio Torne e chegam para armazenamento em uma câmara fria até novembro, quando designers de várias partes do mundo ajudam a criar as formas artísticas do Ice Hotel daquele ano.

Cerca de 100 pessoas se envolvem em sua construção, sendo que mais da metade são artistas. Aberto de dezembro até meados de abril, o hotel lentamente começa a derreter e a água volta para o Rio Torne, praticamente fechando o ciclo.

Com certeza o Ice Hotel é um dos hotéis mais interessantes do mundo, além de ser uma obra de arte construída em uma pequena vila na Suécia!

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
www.cavalgadasbrasil.com.br

Veja outras notícias da editoria Turismo Equestre no portal Cavalus

Cavalgadas Brasil

Cavalgada no Parque Nacional Los Glaciares – Patagônia Argentina

A coluna de Paulo Junqueira dessa semana passeia pela Argentina, e ele conta sobre uma cavalgada que fez Parque Nacional Los Glaciares

Publicado

⠀em

Desta vez escrevo sobre uma cavalgada que fiz dentro do Parque Nacional Los Glaciares na Patagonia Argentina, região de Calafate.

A estância onde cavalgamos, portanto, tem mais de 100 anos na mesma família. ‘La Jerónima’, nome de fundação por imigrantes croatas da estância, tinha cerca de 20.000 hectares. O foco era a criação de ovelhas. Atualmente com 12.000 hectares cria gado Hereford.

Cavalgada no Parque Nacional Los Glaciares

Essa cavalgada permitiu contato com geleiras em áreas remotas do Parque Nacional Los Glaciares. Seguimos trilhas onde encontramos a natureza no seu melhor estado: uma combinação única de bosques andinos, lagos azuis, altas montanhas e glaciares imponentes.

Na tarde do terceiro dia cruzamos um bosque com muitas lengas. Logo depois de mais uma hora de cavalgada, chegamos no marco de divisa com o Chile. Sem dúvida, momento de comemoração e fotos.

Puesto

Pequenos abrigos no campo, estrategicamente localizados, servem como abrigo para os puesteiros. Puesto , assim são chamados esses locais na Patagônia Argentina. Puesteiros são aqueles que cuidam do gado e do campo.

Eles moram sozinhos, acompanhados apenas de seu cavalo, seu cão e da imensidão dos campos patagônicos. Todos os dias saem para cuidar do gado e do campo. É uma vida difícil, principalmente no inverno.

Nessa viagem vivenciei um pouco essa rica experiência cultural, pois nos hospedamos duas noites no Puesto Laguna. Local de quarto com dois beliches e um cômodo que serve como cozinha e sala de jantar. Dois bancos para a sala de jantar se transformam em camas para dormir. Tudo muito básico e rústico.

A coluna de Paulo Junqueira dessa semana passeia pela Argentina, e ele conta sobre uma cavalgada que fez Parque Nacional Los Glaciares

Pumas

Os dias começam bem cedo para ver se alguma raposa ou puma matou algum cordeiro ou bezerro. Tem que ser antes que clareie completamente, porque senão os condores deixam apenas os ossos. A raposa e o puma, geralmente, pegam uma cria mais gorda e comem o máximo que pode.

Eu me surpreendi ao saber que nessa região os proprietários são autorizados a caçar os pumas (existia até um incentivo para isso). Então, decidi acompanhá-los em uma dessas caçadas, a fim de encontrar um macho que estava matando muito ali na Estância.

A coluna de Paulo Junqueira dessa semana passeia pela Argentina, e ele conta sobre uma cavalgada que fez Parque Nacional Los Glaciares

A caça

Saímos com os cachorros no final da manhã para seguir a trilha. Era um trecho muito íngreme numa rocha grande. Ouvimos o barulho dos cachorros que tinham encurralado um puma. Quando nos aproximamos, o puma saltou de trás de alguns arbustos. Ele nunca ataca: sempre tenta escapar, aliás, foi o que aconteceu naquele dia.

O trabalho no campo é sempre imprevisível, presas e predadores são atores comuns. O puesteiro contou que o problema maior é quando um puma está ensinando os filhotes a caçar. Chegam a matar 28 capões em uma noite. E como os filhotes não sabem, eles deixam alguns deles meio vivos e também machucam em qualquer lugar. É uma imagem muito feia de se ver.

Nessa cavalgada vivenciamos experiências que remetem aos pioneiros e aventureiros que fazem parte da história da região.

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
www.cavalgadasbrasil.com.br
Foto de chamada: Divulgação/Luis Franke

Veja outras notícias da editoria Turismo Equestre no portal Cavalus

Continue lendo

Cavalgadas Brasil

Cavalgada do Parque Nacional na Polônia

Paulo Junqueira comenta em sua coluna de hoje sobre esse passeio mágico pelas florestas da Polônia em cavalos Hucul

Publicado

⠀em

Desta vez escrevo sobre uma cavalgada na região mais exótica da Polônia, no Parque Nacional Białowieża. Podlasie fica logo abaixo da fronteira entre a Polônia e a Bielo-Rússia.

Nessa cavalgada de três dias, exploramos a Floresta Białowieża. A última floresta natural nas terras baixas da Europa, um Patrimônio Mundial da Unesco. É uma floresta com história milenar e cheia de vida. Nela, o bisão europeu é ‘o rei da selva’.

Nossos guias são guardas-florestais do Parque Nacional Białowieża e funcionários da Academia Polonesa de Ciências. São pessoas com muito conhecimento da natureza e muitos anos de experiência na convivência com animais. Entre eles, bisões, lobos, veados e outros habitantes da floresta.

Manada de bisões europeus

Hucul

Essa cavalgada é uma oportunidade rara para cavalgar numa raça de cavalos primitiva, conhecida como Huculs. Espécime que escapou da extinção devido aos esforços de cientistas e criadores.

A origem do Hucul é na cordilheira dos Cárpatos da Europa Oriental. Em resumo, uma raça que tem alguma semelhança com o extinto Tarpan (Equus ferus ferus). Esse segundo, considerado como o antepassado das espécies de cavalos que existem atualmente.

Paulo Junqueira comenta em sua coluna de hoje sobre esse passeio mágico da Cavalgada no Parque Nacional pelas florestas da Polônia em Hucul
Foto: Grzegorz Lesniewski/Rewilding Europe/The Daily Mail

O Hucul tem pelagem bem grossa e resistente, por isso aguentam as condições climáticas severas da região no inverno. Justamente pela força e resistentes a longas distâncias em terrenos difíceis, os Hucul foram amplamente usados na Segunda Guerra Mundial no leste europeu. De fato, algo que fez com que essa raça quase chegasse à extinção.

Cavalgada no Parque Nacional Białowieża

Seguindo uma tendência cada vez mais presente, montamos os cavalos sem embocadura (bitless). Levamos, então, mais conforto e bem-estar a eles.

Cada dia tem cerca de seis horas de cavalgada. E organizamos as trilhas com foco na natureza paisagística e animal. Em primeiro lugar, observar a natureza, ouvir sons dos animais, reconhecer rastros de lobos, bisões e veados.

Paulo Junqueira comenta em sua coluna de hoje sobre esse passeio mágico da Cavalgada no Parque Nacional pelas florestas da Polônia em Hucul

A Trilha do Lobo começa em Stary Masiewo e segue um trecho ao longo do caminho para Kosy Most. Mais adiante, ao longo do vale do rio Narewka até as vizinhanças da vila de Gruszki. No caminho, passagem pelo Santuário de Bisões.

Nos alojamos em uma tradicional casa de Podlasie. À noite relaxamos em uma sauna ou em um banho ‘banya’ russo (barril quente). Nesse momento, observamos as estrelas e ouvimos os sons dos cervos.

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
www.cavalgadasbrasil.com.br

Veja outras notícias da editoria Turismo Equestre no portal Cavalus

Continue lendo

Cavalgadas Brasil

Viagem a cavalo no Egito

Paulo Junqueira conta em sua coluna sobre a relação do cavalo Árabe com a história do Egito

Publicado

⠀em

O cavalo Árabe, sem dúvida, tornou-se um elemento essencial na história egípcia. Desde muito tempo essa raça proporcionou a seus guerreiros sucesso nas batalhas. E, além disso, a capacidade de fazer uma viagem a cavalo para longe e de forma rápida por terrenos, muitas vezes, difíceis.

O cavalo árabe-egípcio é um dos cavalos mais notáveis e bonitos do mundo. Com toda a certeza, um magnífico exemplo de beleza e proporção.

Localizado no nordeste da África, o Egito faz fronteira com o Mediterrâneo e o Mar Vermelho. É um país incrível para ser descoberto a cavalo.

Paulo Junqueira conta em sua coluna sobre a relação do cavalo Árabe com a história do Egito; mais um relato de experiência em viagem a cavalo

Viagem a cavalo: uma lição e uma história

A viagem começa no Cairo e o café da manhã já é com vista para as pirâmides! No primeiro dia, a cavalgada segue rumo as majestosas Grandes Pirâmides de Gizé e a Esfinge.

Embora existam mais de 100 pirâmides no Egito, as Pirâmides de Gizé são de longe as mais famosas e são as últimas das Sete Maravilhas do Mundo. Quéops, Khafre e Menakaure são impressionantes!

A fim de poder entrar em uma das pirâmides menores, os guias cuidam dos cavalos do lado de fora. Logo depois, a cavalgada continua cruzando o planalto com destino a Esfinge, símbolo enigmático do Egito. Ela tem o corpo de um leão e a cabeça de um rei.

Após o almoço com vista para pirâmides, na programação da tarde as pirâmides de Abu Sir e Sakkara. Abu Sir formam a necrópole da 5ª Dinastia, enquanto as de Sakkara, no Reino Antigo, tem ligação com faraós.

Nelas, os faraós foram enterrados dentro das 11 principais pirâmides. Ao mesmo tempo em que seus súditos foram enterrados em centenas de tumbas menores.

No final desse primeiro dia tão especial, uma verdadeira lição de história. O Egito Antigo ganha vida em seis horas de cavalgada.

Paulo Junqueira conta em sua coluna sobre a relação do cavalo Árabe com a história do Egito; mais um relato de experiência em viagem a cavalo

No dia seguinte, já em Luxor, despertamos com o som do chamado de oração das mesquitas e uma bela vista do Rio Nilo. Depois do café da manhã, saímos para visitar (de carro) o Vale dos Reis, Tutankhamon e o templo de Hatshepsut.

À tarde, a cavalgada é pelos vilarejos e pelos campos, até chegar no famoso templo Habu. Enquanto a equipe cuida dos cavalos, os cavaleiros exploram um dos templos mais bonitos e preservados do Egito.

Cavalgada no Vale dos Reis

A cavalgada no Vale dos Reis começa bem cedo. A ideia é vermos o nascer do sol enquanto balões de ar quente iluminam o céu. No caminho o templo Ramesseum, vemos o cossal de Memnon e as estátuas gigantes do avô de Tutankhamon.

A tarde, a visita (de carro) é ao templo de Karnak, a Avenida da Esfinge e o Museu de Luxor. 

Cavalgada ao longo do rio Nilo

Segundo rio mais longo do mundo e o mais longo da África (mais de 6.000 km), o rio Nilo atravessa o país de sul a norte, até o grande Delta do Nilo, onde estão as cidades do Cairo e Alexandria.

Nesse dia, a cavalgada mostra o verdadeiro Egito, com visita a aldeias locais e trilhas através de plantações.

O Vale do Nilo representa menos de 10% do território do Egito, no restante do território estão os Deserto do Saara e o Deserto da Arábia.

Cavalgar no deserto e nadar com os cavalos no Mar Vermelho  No último dia, após o café da manhã, saída da cavalgada cruzando o deserto até chegar na deslumbrante Baía de Makadi, no Mar Vermelho.  Depois de tirar as selas, é hora de entrar com o cavalo nas tranquilas águas cristalinas do Mar Vermelho. Uma experiência incrível para encerrar uma viagem a cavalo tão especial.  Por Paulo Junqueira Arantes Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil www.cavalgadasbrasil.com.br  Veja outras notícias da editoria Turismo Equestre no portal Cavalus

Cavalgar no deserto e nadar com os cavalos no Mar Vermelho

No último dia, após o café da manhã, saída da cavalgada cruzando o deserto até chegar na deslumbrante Baía de Makadi, no Mar Vermelho.

Depois de tirar as selas, é hora de entrar com o cavalo nas tranquilas águas cristalinas do Mar Vermelho. Uma experiência incrível para encerrar uma viagem a cavalo tão especial.

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
www.cavalgadasbrasil.com.br

Veja outras notícias da editoria Turismo Equestre no portal Cavalus

Continue lendo
X
X