Cavalgadas Brasil

Dicas e locais para você nadar com o cavalo

Publicado

⠀em

Paulo Junqueira compartilha sua experiência de nadar com o cavalo em viagens pelo Brasil e pelo mundo

Nadar com o cavalo é uma sensação muito gostosa e divertida. Com toda a certeza, sempre que posso procuro nadar com meu cavalo em minhas viagens.

Já fiz isso várias vezes com cavalos diferentes ao longo dos anos. Antes de mais nada, essa sensação de entrar montado na água e depois, meio boiar, meio nadar acima do cavalo é muito bacana. Além disso, é muito bom sentir que o cavalo também está gostando.

As travessias na água podem ser fáceis e seguras, mas é importante seguir algumas dicas. Vou compartilhar um pouco de minha experiência para quem quer fazer isso em segurança.

Em sua vida livre, os cavalos naturalmente tinham situações em que precisavam nadar. Mas muitos cavalos hoje não vivem soltos, nunca tiveram essa necessidade ou oportunidade. Por isso, o ideal é prepará-los antes.

Paulo Junqueira compartilha sua experiência de nadar com o cavalo em viagens pelo Brasil e pelo mundo; experiências da África a Bahia
Bahia

1-Local

Pode ser um rio, lago ou no mar. Antes de tudo, a água deve ser profunda o suficiente para induzir a natação. Um fundo de areia é o ideal. Certifique-se de que o local de entrada e saída da água sejam seguros. Principalmente se for a primeira experiência do seu cavalo.

Aterros íngremes e lisos podem fazer com que seu cavalo tenha uma experiência negativa e dificulte futuras travessias de água. Eles também podem ter risco de lesão. Importante também identificar o melhor lugar para atravessar.

Botsuana

2-Prepare seu cavalo

Se tiver um cavalo experiente – que já nadou antes – para ir na frente é o ideal. Permita que seu cavalo se sinta confortável na água até a barriga antes de pedir a ele para entrar em águas mais profundas. Não tenha pressa, seja paciente com ele durante a investigação. Ou seja, permita que ele continue olhando para a água, mas não o deixe se virar ou recuar.

Se você deixar ele voltar, pode entender que a água é algo que deve evitar. Sua posição calma, sobretudo, mostrará a ele que a água é um lugar seguro e confortável.

O ideal que seja um local com água limpa que permita você ver o fundo. em suma, evite local com lama ou com muitas pedras em sua primeira travessia. Quando começar a nadar, dê ao seu cavalo tempo para se ajustar à sensação de flutuabilidade.

Certamente, ele pode mergulhar um pouco no início. Mantenha-se firme pela crina, a uma distância segura de outras pessoas em seu grupo e fique alerta.

Paulo Junqueira compartilha sua experiência de nadar com o cavalo em viagens pelo Brasil e pelo mundo; experiências da África a Bahia
Moçambique

3- Equipamento

O ideal é que não esteja com a sela. Mas se estiver, importante que a barrigueira não esteja muito apertada. Se não puder tirar o freio, ele NÃO deve ser acionado de maneira nenhuma durante a travessia. Qualquer comando deve ser por meio do cabresto/buçal.

A cabeça do seu cavalo precisa estar livre. Sem dúvida, é muito perigoso impedir seu cavalo de usar a cabeça e o pescoço para se equilibrar. Muitas vezes ele ‘dá um impulso’ para fora da água quando nada. Infelizmente, já vi acidentes graves causados pelo cavaleiro ao querer comandar o cavalo nadando.

Indonésia – Foto: Tânia Araújo

4- Você

É obvio que o cavaleiro deve ser competente o suficiente para controlar seu cavalo enquanto se diverte e que deve saber nadar bem!

Além disso, é importante ter mais alguém junto. E, se forem vários cavalos fazendo a travessia, é recomendável manter distância entre cada um. Desse modo, indico não entrarem todos juntos na água.

Cavalos nadam em ritmos e velocidades diferentes. Nesse sentido, senão tomar cuidado, pode acontecer de um cavalo ao ultrapassar o outro chegar muito perto e bater no cavaleiro.

Durante a travessia, segure pela crina. Fique boiando acima ou ao lado de seu cavalo. É provável que você o ajudo se junto com seu ele.

5-Distância

A natação pode ser cansativa para cavalos e cavaleiros. De tal forma que é importante usar o bom senso. Não exagere na distância. Seu cavalo deve ter uma boa experiência, especialmente na primeira vez.

Paulo Junqueira compartilha sua experiência de nadar com o cavalo em viagens pelo Brasil e pelo mundo; experiências da África a Bahia
Paulo no açude na infância

Minhas experiências

Na infância, eu nadava sempre com meu cavalo Pedreizinho no açude da fazenda de meu avô. Depois, sempre que tive oportunidade, nadei com cavalos em diversos lugares do Brasil e do mundo. Destaco alguns dos melhores:

Bahia – durante a Cavalgada das Praias na Bahia, um dos momentos mais esperados é o dia da Travessia do rio Caraíva. Faço sempre quando o rio está cheio. Assim, a travessia fica mais longa conforme a maré tem um pouco de correnteza. Por isso só recomendo para quem está acostumado nadar com cavalo e sabe nadar bem. Quando tem alguém junto com menos experiência, por segurança, contrato um pescador com barco para nos acompanhar.

Pantanal (foto de chamada) – essa é uma travessia interessante. Geralmente no local que cruzamos tem piranhas. Dessa maneira, eu só conto isso para quem está junto depois que termina e dou a vara para pescarem…

Botsuana Delta do Rio Okavango – o safari do PJ é considerado por cavaleiros experientes o destino ‘top’ do mundo para uma aventura a cavalo. Quando fiz esse safari, no terceiro dia mudamos de acampamento e cavalgamos cerca de 30km através de várzeas abertas e pequenas ilhas espalhadas em direção ao rio Matsebe. Posteriormente, na chegada ao Mkolowane Camp, cruzamos o rio nadando. Foi maravilhoso !

Moçambique – mundialmente famosa, a cavalgada nas praias da ilha de Benguerra tem uma particularidade. Assim, um dia em que depois de cavalgar entre lagoas e dunas de areia vermelha com vistas deslumbrantes, nadamos com os cavalos num mar azul-turquesa. Uma experiência indescritível!

Indonésia – essa cavalgada fiz em março deste ano na ilha de Sandal, localizada a uma hora de vôo de Bali. Foi uma experiência, antes de tudo, muito interessante conhecer essa cultura e tradições ancestrais nas quais os cavalos desempenham um papel importante. Todos os dias no final da tarde os cavalos mergulham no Oceano Índico e eu me juntei a eles nadando com meu cavalo!

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
www.cavalgadasbrasil.com.br

Veja outras notícias da editoria Turismo Equestre no portal Cavalus

Comentar com o Facebook

Cavalgadas Brasil

Cavalgada na África do Sul – Reserva de Witteberg

Paulo Junqueira destaca em sua coluna da semana mais uma cavalgada na África do Sul e a excelente sela McClellan usada nos safáris a cavalo na África

Publicado

⠀em

O diferencial dessa cavalgada, portanto, é que é realizada em uma bela reserva na região de Witteberg. Ademais, local onde criam mais de 300 cavalos das raças Árabe e Boerperd (raça Sul Africana).

Antes de mais nada, a criação desses cavalos Árabes é focada em cavalos para Enduro. Assim, duas provas de Enduro afiliadas à Free State Endurance são realizadas lá a cada ano. As distâncias variam entre 40 e 80 km.

Cavalgada na África do Sul - Reserva de Witteberg

Uma das trilhas mais bonitas que percorri na fazenda, faz parte do percurso das provas. Só para ilustrar, alternei minha montaria, cavalgando nos Árabes e Boerperd. Aliás, essa última uma raça que é mais usada na maioria dos safáris a cavalo do continente africano. São cavalos muito bons e cômodos.

Durante quatro dias, cavalgamos entre planícies e algumas das montanhas mais altas da África do Sul. De tal forma que em uma das montanhas paramos para ver as pinturas dos bosquímanos, com cerca de 400 anos.

Cavalgada na África do Sul - Reserva de Witteberg

Nessa cavalgada, vimos e cruzamos com muitos animais. Springbuck, Blesbuck, Blackwilde beest, Oryx, Eland e Zebra são da fauna africana e vivem nesta reserva, que foi declarada Patrimônio Natural.

Cavalgamos cerca seis horas cada dia. Alguns dias voltamos para a sede da fazenda para o almoço, em outros dias comemos um lanche no campo. Nossa confortável hospedagem foi numa construção feita a partir de antigos edifícios agrícolas.

Sela McClellan

As selas que usamos na cavalgada foram modelo McClellan. Gosto muito dessa sela e trouxe uma comigo para o Brasil, iniciando minha pequena coleção. Inegavelmente, ela merece uma apresentação.

Foi projetada por George B. McClellan, oficial de carreira do Exército dos Estados Unidos. Ele teve a ideia logo após sua viagem pela Europa como membro de uma comissão militar encarregada de estudar os últimos desenvolvimentos e forças de cavalaria, incluindo equipamentos de campo.

Viajou durante um ano e observou várias batalhas da Guerra da Criméia. Ao retornar, apresentou uma proposta de manual para a cavalaria americana adaptada dos regulamentos de cavalaria russos existentes.

Animal da raça Boerperd com a Sela McClellan

Em conclusão, incluiu uma sela de cavalaria nessa proposta. Com efeito, alegou ser uma modificação de um modelo húngaro (Hussard), usado no serviço prussiano. A peça era também uma modificação de um modelo espanhol usado no México.

A sela McClellan foi adotada pelo Departamento de Guerra dos Estados Unidos em 1859. Era simples e menos cara do que as existentes. Leve o suficiente para não sobrecarregar o cavalo, mas forte o suficiente para dar um bom suporte ao cavaleiro e seu equipamento.

Cavalgada na África do Sul - Reserva de Witteberg
Modelo da sela com ajustes

De fato, foi um sucesso! E continuou em uso em várias formas até que os últimos cavalos de cavalaria e artilharia do Exército dos Estados Unidos foram desmontados no final da Segunda Guerra Mundial.

Desse modo, a sela McClellan está em uso desde 1859. Houveram algumas modificações ao longo do tempo, as mais significativas no Século 20. Continua a ser fabricada nos Estados Unidos e na África do Sul e já foi usada por cavaleiros de enduro.

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
www.cavalgadasbrasil.com.br
Crédito das fotos: Divulgação/Martin Coetzee e Paulo Junqueira

Veja outras notícias da editoria Turismo Equestre no portal Cavalus

Comentar com o Facebook

Continue lendo

Cavalgadas Brasil

Expedições em Eswatíni e Lesoto

Paulo Junqueira conta sobre dois reinos incrustados na África do Sul, destinos pouco conhecidos

Publicado

⠀em

A expedição que fiz para Lesoto e Eswatíni foi uma viagem não programada/agendada. Em 2010, fui a Witteberg, na África do Sul para conhecer e cavalgar com o Wiesman.

Paulo Junqueira conta sobre dois reinos incrustados na África do Sul, Lesoto e Eswatini, destinos pouco conhecidos e de muita cultura

Sua propriedade é um paraíso para amantes de cavalos, pois tem dois premiados criatórios. A saber, de cavalos Boerperd sul-africanos e cavalos Árabes de Enduro. Eles são criados selvagens nas encostas das montanhas Witteberg.  

Assim, em uma conversa com Wiesman soube da existência do Reino de Lesoto, que ficava bem próximo e resolvi ‘dar uma esticada lá’.

Paulo Junqueira conta sobre dois reinos incrustados na África do Sul, Lesoto e Eswatini, destinos pouco conhecidos e de muita cultura

Lesoto (oficialmente Reino do Lesoto) é um pequeno país da África Austral. Montanhoso, é o antigo reino da Bassutolândia, um dos países etnicamente mais homogêneos da África: 99% de sua população é da etnia basoto.

Vive da agricultura e criação de ovelhas na cordilheira do Drakensberg. Assim também, domina a maior parte do território e atinge mais de 3 mil metros de altitude.

Paulo Junqueira conta sobre dois reinos incrustados na África do Sul, Lesoto e Eswatini, destinos pouco conhecidos e de muita cultura

É o único país do mundo com toda a área acima dos mil metros. Ou seja, mais de 80% do território está acima dos 1,8 mil metros de altitude. Além disso, a geografia única do país valeu-lhe o título de ‘Reino no Céu’.

Reino de Eswatíni

Recém-nomeado, o Reino de Eswatíni tem nome de origem indígena, que significa ‘Terra dos Suazi’. Pequeno, é o menor país do hemisfério sul, possui muita cultura, aventura e vida selvagem.

Antiga Suazilândia, Eswatíni é um dos destinos mais subestimados (e menos visitados) da África. Antes demais nada, existe desde meados do século 13. Ademais, é uma das poucas monarquias nativas africanas ainda existentes. Junto com Lesoto e Marrocos.

Dessa forma, minha sugestão é explorar a Grande Reserva de caça Mkhaya, conhecida como ‘Refúgio para espécies ameaçadas’. Em contrapartida, outra opção é partir do histórico santuário de vida selvagem de Mlilwane e seguir pelas trilhas que cruzam planícies e montanhas. Passando por comunidades rurais da Suazi.

Essas reservas têm habitats bem diferentes. Enquanto Mlilwane são montanhas e áreas de pastagem, Mkhaya é uma típica savana espinhosa.

Uma combinação incrível! Reservas naturais, rica cultura Suazi, paisagem diversificada e abundante vida selvagem fazem desse pequeno reino um novo e interessante destino para um safari a cavalo.

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
www.cavalgadasbrasil.com.br

Veja outras notícias da editoria Turismo Equestre no portal Cavalus

Comentar com o Facebook

Continue lendo

Cavalgadas Brasil

Cavalgada da Água Boa

Publicado

⠀em

Paulo Junqueira conta sua experiência com a Cavalgada da Água Boa no Rio Grande do Norte

Cavalguei, alguns anos atrás, na região de Tibau do Sul, a Cavalgada da Água Boa. O município fica entre a Lagoa das Guaraíras e o Oceano Atlântico, no Rio Grande do Norte. A hospedagem foi no Hotel Marinas.

Logo depois de me acomodar, fomos para o Haras Água Boa, do amigo Rogério Bivar. Localizado, portanto  a 10 km do hotel e a 4 km do mar. Antes de mais nada, o haras cria cavalos Mangalarga Marchador de marcha picada desde 1999. E são vários os animais premiados em exposições.

Foto: Paula Silva

Cavalgamos nas praias com oportunidade para vários galopes. Assim como nadamos com os cavalos e cavalgamos em noite de lua cheia. Cada dia teve um diferencial de natureza.

A renomada fotógrafa Paula da Silva acompanhou nossa cavalgada. Por consequência, suas fotos da viagem foram publicadas em várias revistas internacionais.

Paulo Junqueira conta sua experiência com a Cavalgada da Água Boa no Rio Grande do Norte, feita alguns anos atrás em companhiade amigos

Não só falésias, como também berçário de tartarugas-marinhas, santuário ecológico. E, inegavelmente, muita praia bonita. Os cavalos muito cômodos, estavam sempre dispostos. Assim sendo, mostraram que a seleção do haras faz diferença.

Paulo Junqueira conta sua experiência com a Cavalgada da Água Boa no Rio Grande do Norte, feita alguns anos atrás em companhiade amigos

Durante os quatro dias de cavalgada, passamos pelas praias de Sagi. A saber, desde a divisa com a Paraíba, Mata Estrela, praia de Baia Formosa, praia de Sibauma, praia do Canto, Chapadão e praia da Pipa.

Paulo Junqueira conta sua experiência com a Cavalgada da Água Boa no Rio Grande do Norte, feita alguns anos atrás em companhiade amigos
Foto: Paula Silva

Na Barra do Cunhau atravessamos a balsa com os cavalos. Nosso destino, então, em algumas noites, foi a famosa Pipa que fica a pouco minutos de Tibau do Sul. Esse, sem dúvida, é um excelente destino de praia para cavalgar no Brasil.

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
Crédito da foto de chamada: Paula Silva
www.cavalgadasbrasil.com.br

Veja outras notícias da editoria Turismo Equestre no portal Cavalus

Comentar com o Facebook

Continue lendo
X
X