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Mongólia: Festival Naadam é a maior expressão da cultura mongol

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Paulo Junqueira conta em sua coluna da semana sobre sua experiência no Festival de Nadaam na Mongólia

A Mongólia é uma terra de cavalos. Seu vasto espaço aberto e sua cultura nômade fazem do país um destino especial para quem busca conhecer tradições equestres!

Agendei minha cavalgada em 2014 para o mês de julho, quando acontece o Festival de Nadaam. Trata-se de um dos mais antigos eventos esportivos do mundo. Ademais, acredita-se que exista há séculos. Nasceu, sobretudo, como forma de treinar soldados do exército de nômades de Genghis Khan.

Sela tipica e pastor no campo
Paulo Junqueira conta em sua coluna sobre sua experiência no Festival de Nadaam na Mongólia, um dos mais antigos eventos esportivos do mundo

O Festival consiste em uma corrida a cavalo, competição de arco e flecha e luta. Os esportes são citados em ‘A História Secreta dos Mongóis’, livro do século 13. Antes de mais nada, considerado a mais completa obra da história do povo mongol.

Cavalgamos uma semana cruzando montanhas e planícies, lagos e deserto, com pouco contato com civilização. Entretanto, não cruzamos porteiras ou cercas, os espaços são abertos. Nos hospedamos em tradicionais Yurts, típica tenda nômade. Assim como acompanhamos o dia a dia e tradições mongóis.

Preparação de airag dentro do Yurt

Festival de Nadaam na Mongólia

Participei da abertura oficial do Nadaam na capital Ulan Bator. No dia seguinte fui para o campo ver a chegada da corrida de cavalos. No final da cavalgada passamos em uma cidade pequena e lá também estava acontecendo o Festival.

A saber, ele acontece por todo o pais durante o mês de julho. Por ser uma comunidade menor, pude interagir mais com os locais,. Com toda a certeza, foi um rica experiência cultural.

Paulo Junqueira conta em sua coluna sobre sua experiência no Festival de Nadaam na Mongólia, um dos mais antigos eventos esportivos do mundo
Mulher ordenhando égua

Os cavalos vivem junto das tendas e diariamente as éguas são ordenhadas. Interessante também foi acompanhar a produção. Ao passo que pudemos tomar airag ou kumis, o destilado tradicional do povo mongol. Feito, principalmente, com leite de égua fermentado e de baixo teor alcoólico. O gosto parece uma coalhada azeda, mas com um pouco de álcool.

Os cavalos mongóis são pequenos, mas fortes. A maioria da população aprende a montar quando criança. Os mongóis gostam de corridas de cavalo e curioso que correm ’em pé’ no estribo.

Paulo em frente a um Yurt

Arquearia

Eu já tive algumas aulas de arquearia no Brasil. Por isso, foi muito interessante ver a competição da arquearia com mulheres ricamente vestidas em seus trajes típicos.

Paulo Junqueira conta em sua coluna sobre sua experiência no Festival de Nadaam na Mongólia, um dos mais antigos eventos esportivos do mundo
Arqueiras no Festival

Corrida de cavalos

A corrida de cavalos do Festival Naadam na Mongólia é uma corrida cross-country. De tal forma que a distância percorrida depende da idade dos cavalos. Só para exemplificar, pode ser de 15 km para animais de 2 anos ou de 30 km para cavalos com mais de 6 anos.

Crianças (meninos e meninas) de 5 a 13 anos são escolhidas como jóqueis. Eles treinam seus cavalos o ano todo para participar do grande evento anual. A maioria monta sem sela ou com uma pequena sela bem leve, sem estribos. E sem calçados para ficar o mais leve possível.

Durante o Festival Naadam, mais de 10.000 crianças e cerca de 180.000 cavalos correm em todo o país. Em uma demonstração do valor que dão aos cavalos, não são desclassificados. Mesmo se caírem durante a corrida. Sofrem apenas uma penalidade de um ponto a menos.

Corrida do Nadaan

Surpreendentemente, a chegada geralmente é agitada, pois muitos cavalos estão sem cavaleiro e devem ser capturados. Os cinco primeiros cavalos são recompensados. As pessoas cantam louvores e eles são borrifados com leite de égua fermentado (airag) na garupa, pescoço e face.

O cavaleiro não é festejado da mesma forma que o cavalo vencedor ou seu treinador. Visto que é considerado não ser tão responsável pela vitória. O suor do cavalo vencedor é considerado felicidade. Dessa forma, o público corre para molhar panos com esse suor para colocar em casa e trazer sorte.

Paulo Junqueira conta em sua coluna sobre sua experiência no Festival de Nadaam na Mongólia, um dos mais antigos eventos esportivos do mundo
Buscando cavalos no campo

Por fim, os cavalos vencedores recebem títulos e os treinadores cujos cavalos apresentam desempenho excepcional em corridas consecutivas, recebem honras especiais.

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
www.cavalgadasbrasil.com.br

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Cavalgada na África do Sul – Reserva de Witteberg

Paulo Junqueira destaca em sua coluna da semana mais uma cavalgada na África do Sul e a excelente sela McClellan usada nos safáris a cavalo na África

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O diferencial dessa cavalgada, portanto, é que é realizada em uma bela reserva na região de Witteberg. Ademais, local onde criam mais de 300 cavalos das raças Árabe e Boerperd (raça Sul Africana).

Antes de mais nada, a criação desses cavalos Árabes é focada em cavalos para Enduro. Assim, duas provas de Enduro afiliadas à Free State Endurance são realizadas lá a cada ano. As distâncias variam entre 40 e 80 km.

Cavalgada na África do Sul - Reserva de Witteberg

Uma das trilhas mais bonitas que percorri na fazenda, faz parte do percurso das provas. Só para ilustrar, alternei minha montaria, cavalgando nos Árabes e Boerperd. Aliás, essa última uma raça que é mais usada na maioria dos safáris a cavalo do continente africano. São cavalos muito bons e cômodos.

Durante quatro dias, cavalgamos entre planícies e algumas das montanhas mais altas da África do Sul. De tal forma que em uma das montanhas paramos para ver as pinturas dos bosquímanos, com cerca de 400 anos.

Cavalgada na África do Sul - Reserva de Witteberg

Nessa cavalgada, vimos e cruzamos com muitos animais. Springbuck, Blesbuck, Blackwilde beest, Oryx, Eland e Zebra são da fauna africana e vivem nesta reserva, que foi declarada Patrimônio Natural.

Cavalgamos cerca seis horas cada dia. Alguns dias voltamos para a sede da fazenda para o almoço, em outros dias comemos um lanche no campo. Nossa confortável hospedagem foi numa construção feita a partir de antigos edifícios agrícolas.

Sela McClellan

As selas que usamos na cavalgada foram modelo McClellan. Gosto muito dessa sela e trouxe uma comigo para o Brasil, iniciando minha pequena coleção. Inegavelmente, ela merece uma apresentação.

Foi projetada por George B. McClellan, oficial de carreira do Exército dos Estados Unidos. Ele teve a ideia logo após sua viagem pela Europa como membro de uma comissão militar encarregada de estudar os últimos desenvolvimentos e forças de cavalaria, incluindo equipamentos de campo.

Viajou durante um ano e observou várias batalhas da Guerra da Criméia. Ao retornar, apresentou uma proposta de manual para a cavalaria americana adaptada dos regulamentos de cavalaria russos existentes.

Animal da raça Boerperd com a Sela McClellan

Em conclusão, incluiu uma sela de cavalaria nessa proposta. Com efeito, alegou ser uma modificação de um modelo húngaro (Hussard), usado no serviço prussiano. A peça era também uma modificação de um modelo espanhol usado no México.

A sela McClellan foi adotada pelo Departamento de Guerra dos Estados Unidos em 1859. Era simples e menos cara do que as existentes. Leve o suficiente para não sobrecarregar o cavalo, mas forte o suficiente para dar um bom suporte ao cavaleiro e seu equipamento.

Cavalgada na África do Sul - Reserva de Witteberg
Modelo da sela com ajustes

De fato, foi um sucesso! E continuou em uso em várias formas até que os últimos cavalos de cavalaria e artilharia do Exército dos Estados Unidos foram desmontados no final da Segunda Guerra Mundial.

Desse modo, a sela McClellan está em uso desde 1859. Houveram algumas modificações ao longo do tempo, as mais significativas no Século 20. Continua a ser fabricada nos Estados Unidos e na África do Sul e já foi usada por cavaleiros de enduro.

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
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Crédito das fotos: Divulgação/Martin Coetzee e Paulo Junqueira

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Expedições em Eswatíni e Lesoto

Paulo Junqueira conta sobre dois reinos incrustados na África do Sul, destinos pouco conhecidos

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A expedição que fiz para Lesoto e Eswatíni foi uma viagem não programada/agendada. Em 2010, fui a Witteberg, na África do Sul para conhecer e cavalgar com o Wiesman.

Paulo Junqueira conta sobre dois reinos incrustados na África do Sul, Lesoto e Eswatini, destinos pouco conhecidos e de muita cultura

Sua propriedade é um paraíso para amantes de cavalos, pois tem dois premiados criatórios. A saber, de cavalos Boerperd sul-africanos e cavalos Árabes de Enduro. Eles são criados selvagens nas encostas das montanhas Witteberg.  

Assim, em uma conversa com Wiesman soube da existência do Reino de Lesoto, que ficava bem próximo e resolvi ‘dar uma esticada lá’.

Paulo Junqueira conta sobre dois reinos incrustados na África do Sul, Lesoto e Eswatini, destinos pouco conhecidos e de muita cultura

Lesoto (oficialmente Reino do Lesoto) é um pequeno país da África Austral. Montanhoso, é o antigo reino da Bassutolândia, um dos países etnicamente mais homogêneos da África: 99% de sua população é da etnia basoto.

Vive da agricultura e criação de ovelhas na cordilheira do Drakensberg. Assim também, domina a maior parte do território e atinge mais de 3 mil metros de altitude.

Paulo Junqueira conta sobre dois reinos incrustados na África do Sul, Lesoto e Eswatini, destinos pouco conhecidos e de muita cultura

É o único país do mundo com toda a área acima dos mil metros. Ou seja, mais de 80% do território está acima dos 1,8 mil metros de altitude. Além disso, a geografia única do país valeu-lhe o título de ‘Reino no Céu’.

Reino de Eswatíni

Recém-nomeado, o Reino de Eswatíni tem nome de origem indígena, que significa ‘Terra dos Suazi’. Pequeno, é o menor país do hemisfério sul, possui muita cultura, aventura e vida selvagem.

Antiga Suazilândia, Eswatíni é um dos destinos mais subestimados (e menos visitados) da África. Antes demais nada, existe desde meados do século 13. Ademais, é uma das poucas monarquias nativas africanas ainda existentes. Junto com Lesoto e Marrocos.

Dessa forma, minha sugestão é explorar a Grande Reserva de caça Mkhaya, conhecida como ‘Refúgio para espécies ameaçadas’. Em contrapartida, outra opção é partir do histórico santuário de vida selvagem de Mlilwane e seguir pelas trilhas que cruzam planícies e montanhas. Passando por comunidades rurais da Suazi.

Essas reservas têm habitats bem diferentes. Enquanto Mlilwane são montanhas e áreas de pastagem, Mkhaya é uma típica savana espinhosa.

Uma combinação incrível! Reservas naturais, rica cultura Suazi, paisagem diversificada e abundante vida selvagem fazem desse pequeno reino um novo e interessante destino para um safari a cavalo.

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
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Cavalgada da Água Boa

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Paulo Junqueira conta sua experiência com a Cavalgada da Água Boa no Rio Grande do Norte

Cavalguei, alguns anos atrás, na região de Tibau do Sul, a Cavalgada da Água Boa. O município fica entre a Lagoa das Guaraíras e o Oceano Atlântico, no Rio Grande do Norte. A hospedagem foi no Hotel Marinas.

Logo depois de me acomodar, fomos para o Haras Água Boa, do amigo Rogério Bivar. Localizado, portanto  a 10 km do hotel e a 4 km do mar. Antes de mais nada, o haras cria cavalos Mangalarga Marchador de marcha picada desde 1999. E são vários os animais premiados em exposições.

Foto: Paula Silva

Cavalgamos nas praias com oportunidade para vários galopes. Assim como nadamos com os cavalos e cavalgamos em noite de lua cheia. Cada dia teve um diferencial de natureza.

A renomada fotógrafa Paula da Silva acompanhou nossa cavalgada. Por consequência, suas fotos da viagem foram publicadas em várias revistas internacionais.

Paulo Junqueira conta sua experiência com a Cavalgada da Água Boa no Rio Grande do Norte, feita alguns anos atrás em companhiade amigos

Não só falésias, como também berçário de tartarugas-marinhas, santuário ecológico. E, inegavelmente, muita praia bonita. Os cavalos muito cômodos, estavam sempre dispostos. Assim sendo, mostraram que a seleção do haras faz diferença.

Paulo Junqueira conta sua experiência com a Cavalgada da Água Boa no Rio Grande do Norte, feita alguns anos atrás em companhiade amigos

Durante os quatro dias de cavalgada, passamos pelas praias de Sagi. A saber, desde a divisa com a Paraíba, Mata Estrela, praia de Baia Formosa, praia de Sibauma, praia do Canto, Chapadão e praia da Pipa.

Paulo Junqueira conta sua experiência com a Cavalgada da Água Boa no Rio Grande do Norte, feita alguns anos atrás em companhiade amigos
Foto: Paula Silva

Na Barra do Cunhau atravessamos a balsa com os cavalos. Nosso destino, então, em algumas noites, foi a famosa Pipa que fica a pouco minutos de Tibau do Sul. Esse, sem dúvida, é um excelente destino de praia para cavalgar no Brasil.

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
Crédito da foto de chamada: Paula Silva
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