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A triste despedida de ‘Chicão 30 conto’

Após travar uma dura batalha contra o câncer, Francisco de Assis Soares Araújo faleceu no início de fevereiro; a fim de homenagear ‘Chicão 30 conto’, entrevistamos a esposa dele, Gabriela Araújo

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Recentemente, o mundo dos cavalos e do rodeio se despediu de uma pessoa muito querida no meio. Trata-se de Francisco de Assis Soares Araújo, mais conhecido como o ‘Chicão 30 conto’. Após travar uma batalha contra o câncer, ele não resistiu às complicações da doença e faleceu no dia 4 de fevereiro.

Ainda muito abalada, a esposa de Chicão, Gabriela Araújo, precisou de um tempo para assimilar os últimos acontecimentos. E, assim, conseguir falar com a equipe de reportagem do portal Cavalus a fim de prestar uma homenagem à altura do marido.

Haja vista que Chicão não se despediu só de uma família que o ama muito – entre eles os filhos Mariana, Kinho e Felipe, a nora Letícia, o genro Vinícius e o neto Francisco Luiz. Bem como de muitos amigos e conhecidos do meio do cavalo, que o lembrarão para sempre. “Com certeza, o ‘Chicão 30 Conto’ será eternamente lembrado por muitos.”.

Afinal, o sorriso de Chicão irradiava alegria por onde passava. Mesmo lutando contra uma doença tão cruel, ele não tirava nunca o sorriso do rosto. Suas piadas, aliás, eram a sua marca registrada, lembra a esposa. “Até mesmo nesses últimos dias no hospital, com enfermeiros e médicos, sempre muito educado também, era grato por tudo e por todos”.

Portanto, a fim de prestar a uma homenagem a Chicão, entrevistamos a Gabriela para contar um pouco da história dele. A princípio, vale esclarecer que o apelido ‘Chicão 30 Conto’ surgiu porque Francisco costumava falar, antigamente, que com “30 conto não dava para comprar nada, que 30 conto não valia nada”. E, por isso, ele passou a ser conhecido assim entre os amigos.

Confira a entrevista completa abaixo!

Chicão ao lado da família, os filhos, a esposa, nora, genro e neto – Foto Aquivo pessoal

Primeiro contato com o mundo dos cavalos

“O primeiro contato do Chicão com cavalos foi através do irmão, Miguel Soares Araújo. Mais ou menos em 1982. Ele criava cavalos de corrida, Quarto de Milha, em Porangaba/SP.

Além disso, o Chicão participou por muito tempo em competições da raça Paint Horse, sempre no Laço em Dupla. Mas o Quarto de Milha era a sua paixão. Foi na raça que ganhou muitos títulos laçando cabeça.

E duas provas foram as mais marcantes. Em 2013, campeão Amador Laço em Dupla, com Guilherme Leite Padovan, logo depois do primeiro diagnóstico de câncer. Foi um momento muito marcante para todos que estavam presentes.

Em seguida, em 2020, na 2a. Prova de Team Roping do Rancho WS, ele foi campeão Master com Edgar Pires.”

Rancho São Francisco

“Nós somos proprietários do Centro de Treinamento Rancho São Francisco, em Botucatu, São Paulo. O Kinho Araújo é responsável pelo treinamento de Laço e Tambor. A Mariana Araújo dá aulas de Equitação e também compete Três Tambores.

E eu trabalho com equitação terapêutica e equoterapia, tendo projetos com a Prefeitura Municipal de Botucatu, e ABQM.”

Como surgiu a Rodeo Way

“A Rodeo Way surgiu mais ou menos em 1998. Na época, o então sócio era o Sr. Luis Vicente Chiaverini. Eles começaram importando calças Wrangler e, na época, cordas Rope Master. E logo viram a oportunidade de lançar uma marca nacional.

Em 2006, a sociedade foi com Rogério Bordinhon, até 2017. Este ainda proprietário da marca. Mas o Chico, por causa da doença resolveu mudar um pouco de vida, queria aproveitar mais a família, o rancho, e montou um escritório na propriedade.

Depois, lançou a marca Bucks Western, em sociedade com Marcelo Dedevitis. E, assim, começaram a produzir a coleção de calças, camisas, bonés e camisetas da marca Tomahawk.”

Gabriela e Mariana são responsáveis por organizar a Cavalgada Rosa em Botucatu – Foto: Arquivo pessoal

Diagnóstico de câncer

“O primeiro diagnóstico foi em 2013. Ele foi totalmente curado, finalizamos esse processo em agosto de 2014, com a graça de Deus. Quando iria completar 5 anos de remissão, descobrimos esse último de nasofaringe.

O Chicão lutou bravamente, mas os desígnios de Deus são diferentes dos nossos. Por conta dessa doença, uma parte da renda da Bucks Western ele doava para o Hospital do Amor, em Barretos. Além disso, eu e Mariana somos umas das responsáveis por organizar as Cavalgadas Rosas em Botucatu, com renda revertida para a oncologia feminina da Unesp.”

Chicão era um apaixonado pela modalidade de Laço em Dupla

Legado do Chicão

“O legado que o ‘Chicão 30 conto’ nos deixou foi de muita fé e crença em Deus, acreditar que Deus está sempre a nossa frente e aceitar. Nunca ele deixou de acreditar em Deus, nem nos piores momentos de dor e canseira. Ele sempre falava que se Jesus sofreu na cruz por nós, como que ele não irão aguentar tão menos.

Sempre ele estava alegre, e passava pra todos essa alegria também. Suas piadas eram marca registrada, até mesmo nesses últimos dias no hospital, com enfermeiros e médicos, sempre muito educado também, era grato por tudo e por todos.

Deixou para nós um legado de vida na fé e na alegria. Hoje sabemos que ele lutou o bom combate, e venceu. Está curado, no lugar em que ele sempre acreditou, na presença e na Glória de Deus.

Uma vez, consolando uma pessoa que havia perdido a mãe ele disse: ‘Não fique triste, pensa que coisa maravilhosa ela agora, está sentindo o cheiro de Deus.”

Por Natália de Oliveira
Crédito das fotos: Arquivo pessoal/Gabriela Araújo

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