Uma dedicação ao Quarto de Milha e aos Três Tambores que já dura 44 anos

O Haras ST é considerado uma referência na seleção genética de animais Quarto de Milha especializados na modalidade esportiva dos Três Tambores. Localizado no município de Piratininga, a nove quilômetros de Bauru, São Paulo, que nos falou a respeito da história foi Marcio Matheus Tolentino, fundador da marca ST. Confira!

Quando e como tudo começou?

Marcio: Antes de tudo, parabenizo esse especial, pois Bauru merece ser reconhecido como importante berço do Quarto de Milha e das provas dos Três Tambores. Bom, comecei a criar na década de 70, estimulado por alguns apaixonados por cavalo que conheci na Hípica de Bauru: praticávamos Hipismo Clássico.

Imediatamente fiquei encantado pela docilidade da raça QM e a possibilidade de interagir com meus dois filhos através deste esporte. Érico Braga, Francisco Bertolani e eu compramos 15 matrizes PSI (coube algumas para cada um: fiquei com 5).

Começamos com matrizes. Faz parte de nosso conceito e história. Procurei um garanhão que ‘vestisse como uma luva’ para cruzar com elas. Buscava um descendente de Sugar Bar e Leo, a mais importante base do QM no mundo (na época a mais moderna!) e assim, achei no criatório do Dr. Heraldo Pessoa, o Shady Leo. Comprei por R$ 800 aos oito meses de idade.

Marcio Tolentino
Marcio Tolentino

E o começo das provas dos Três Tambores?

Marcio: Nelas também Bauru merece especial reconhecimento. Um grupo de oito a dez pais éramos ‘pisteiros’, locutores, juízes e arquivistas das primeiras provas e atas oficiais de Três Tambores da ABQM. As atas eram digitadas nos computadores da minha clínica (os hoje precários XP).

Falávamos na época e repetimos hoje que o esporte é fundamental para a educação dos nossos filhos. A verdade? Educar filhos, sim! Mas… em nome dessa educação vamos falar a verdade: era e é uma paixão nossa. A docilidade do QM permitia que nossos filhos corressem com segurança!

Acreditávamos e continuamos acreditando no esporte para amador! Nada a ver com substituir a realidade dos profissionais. Acrescentar…sim, um estimulo especial às crianças e amadores: foi a origem e causa de nossa pujança.

Voltando ao criatório: como foi a fase Shady Leo?

Marcio: O Shady nos deu a primeira base de matrizes, que até hoje se destacam como excepcionais produtoras. Cito duas de suas filhas: ST Cajuina e ST Analeo. Mas há outras que ainda estão no haras. E vieram suas netas como ST Sukita, ST Tapioca… e por aí vai. Serviu por 16 anos no Haras ST.

Em meados da década de 90 assumi, em minha atividade médica e acadêmica, compromissos importantes para mim, para o progresso da minha carreira. Parei o criatório por um ano. O haras ficou por conta do Vaguinho, algumas potras foram para o Bertolani (inclusive uma potra chamada Cajuina) e o Shady ficou aos cuidados da Caruana, em um acordo com o Paulo Farha.

Infelizmente não voltou para o ST. Apesar de muito bem cuidado, desapareceu após dois anos servindo no plantel da Caruana. O Paulo me ligou comunicando sua morte. Não quis vê-lo e não sei onde está enterrado. É o passado: deixou alicerces sólidos no criatório nacional do QM.

Familia Tolentino - Márcio entrou para Hall da Fama e foi premiado como Melhor Criador
Familia Tolentino – Márcio entrou para Hall da Fama e foi premiado como Melhor Criador

E depois da fase Shady Leo?

Marcio: Para dar sequência ao nosso projeto no Quarto de Milha para provas de velocidade escolhemos, da criação do Érico Braga (Haras Prata), um ‘Top Triple A’: Fishers Fly. Cavalo de morfologia muito acima da média, tendo na linhagem paterna Fishers Dash (First Down Dash) e uma impecável linha materna, apesar pouco conhecida.

O nosso Fishers era um verdadeiro QM. Desaparecido precocemente em 2010 até hoje tem índices estatísticos insuperáveis. Sua produção soma 6282 pontos, com apenas 103 filhos registrados e com R$ 1.696.898,00 em ganhos.  Acho ainda é líder em média por filho: confira!

Nosso caminho continua com matrizes da base Shady Leo e Fishers Fly. Além da seleção genealógica e morfológica (inseparáveis) estamos aprimorando o plantel com cortes funcionais.

Entendemos que os dez pontos no RMT ou mesmo os 30 de cavalo superior não significam mais importantes diferenciais. Estamos progressivamente selecionando com níveis de corte acima de 100 pontos. Assim que desejamos nosso plantel: que os animais tenham no mínimo 100 pontos que seus filhos tenham atingido essa marca.

E o futuro?

Marcio: Caminhando… agora com o ST Dashin Leo que em sua primeira geração superou todas as expectativas. São sete ou oito filhos em pista e três já correndo a marca de 16! E o que é muito importante: animais extremamente dóceis. Minha vida profissional, além do exercício da medicina, foi ensinar medicina. Como pai e professor digo que, nada é mais é indicativo de seu sucesso do que ser superado pelos alunos e filhos.

Minha felicidade é imensurável por ter dois seguidores que superaram meu universo: A Ana Luiza ‘tocando’ os cavalos e o Eduardo a clínica que parei. É muito bom ser desnecessário, e viajar pra tudo quanto é canto com a Vânia.

O Prof. Dr. Marcio Matheus Tolentino foi homenageado e eternizado no Hall da Fama da ABQM em 2019, ano em que completa 44 anos de criação e 50 anos de formado em medicina pela UNICAMP. Durante nove anos, o Haras ST conquistou o prêmio do ABQM Awards – ‘Oscar da raça Quarto de Milha’ -, como melhor criador. Ele soma 15.666,5 pontos no Registro de Mérito de trabalho. O ST tem, teve e sempre terá o aspecto inovador na seleção genética.

Por Verônica Formigoni
ESPECIAL Bauru – Revista Tambor & Baliza – Ed. 83
Fotos: Cedidas

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