O mundo equestre perdeu uma de suas figuras mais influentes. Monty Roberts, treinador norte-americano reconhecido internacionalmente por desenvolver métodos não violentos de interação com cavalos, morreu aos 91 anos. A informação foi divulgada por sua filha, Debbie Roberts Loucks.
Segundo a família, Roberts faleceu no dia 31 de julho de 2026, na Califórnia, nos Estados Unidos. A causa da morte não foi informada. Em sua despedida, Debbie destacou a dedicação do pai, que passou mais de oito décadas trabalhando para transformar a maneira como as pessoas compreendem e treinam os cavalos.
Conhecido como “o homem que ouve cavalos”, Monty Roberts construiu sua trajetória a partir da defesa de uma relação baseada em comunicação, paciência, empatia e respeito. Sua filosofia contrariava práticas tradicionais que utilizavam força, intimidação e violência durante o treinamento dos animais.
Método Join-Up transformou o treinamento de cavalos
Nascido em 14 de maio de 1935, na Califórnia, Marvin Earl “Monty” Roberts cresceu em uma propriedade dedicada aos cavalos. Ainda jovem, começou a observar o comportamento dos mustangs selvagens e a forma como os animais se comunicavam por meio de movimentos corporais.
Essas experiências deram origem ao Join-Up, método fundamentado na linguagem corporal e na construção voluntária de confiança entre cavalo e treinador. A proposta permite que o animal escolha se aproximar e estabelecer uma parceria, sem recorrer à violência ou à coerção.
A metodologia passou a ser aplicada em mais de 40 países e formou treinadores em diferentes partes do mundo. O trabalho também foi levado a áreas como educação, liderança e terapia assistida por equinos.
Roberts criou o Monty Roberts International Learning Center, instalado na Flag Is Up Farms, na Califórnia. O centro tornou-se referência no estudo do comportamento equino e na formação de profissionais interessados em métodos humanizados de manejo e treinamento.
Livro levou sua filosofia ao mundo
A projeção internacional ganhou força com o lançamento de sua autobiografia, “O homem que ouve cavalos”, publicada originalmente em 1996. A obra apresentou sua história e os princípios do Join-Up, tornando-se um sucesso editorial e sendo traduzida para diversos idiomas.
Ao longo da carreira, Roberts publicou outros livros, realizou demonstrações, ministrou cursos e percorreu diferentes países divulgando sua filosofia. Seu trabalho também originou projetos destinados a veteranos de guerra, profissionais de emergência e jovens em situação de vulnerabilidade, utilizando a interação com os cavalos como instrumento de desenvolvimento emocional.
Relação com a rainha Elizabeth II
O trabalho de Monty Roberts recebeu o apoio da rainha Elizabeth II. A monarca britânica conheceu seus métodos no final da década de 1980 e tornou-se uma importante incentivadora de sua atuação.
A relação entre os dois se transformou em uma amizade mantida durante décadas. Em reconhecimento aos serviços prestados ao centro de criação e treinamento de cavalos da família real, Roberts foi nomeado membro da Real Ordem Vitoriana.
Essa trajetória foi retratada no documentário “The Cowboy and the Queen”, que apresentou a amizade entre o treinador e a rainha, além da influência dessa parceria na divulgação internacional dos métodos de treinamento sem violência.
Passagem pelo Brasil
Monty Roberts também manteve uma relação próxima com o público brasileiro. Em agosto de 2023, aos 88 anos, participou da Festa do Peão de Barretos, no interior de São Paulo.
Diante de aproximadamente 30 mil pessoas, o treinador realizou uma demonstração com Canário, cavalo que ainda não havia sido montado. Por meio de seu método, conduziu o processo de aproximação, adaptação aos equipamentos e primeira montaria do animal.
Na ocasião, Roberts reforçou uma das principais mensagens de sua carreira: a possibilidade de estabelecer uma parceria com o cavalo a partir da confiança e da compreensão de seu comportamento.
Legado será mantido pela família
Debbie Roberts Loucks afirmou que seguirá à frente do trabalho desenvolvido pelo pai, ao lado da família e da equipe responsável pelos projetos. A intenção é preservar e compartilhar a filosofia que marcou a trajetória de Monty Roberts.
Seu legado permanece nos profissionais formados por seus centros de treinamento, nos programas educacionais e sociais e, principalmente, na mudança de percepção sobre a relação entre pessoas e cavalos.
Mais do que uma técnica, Monty Roberts difundiu uma forma diferente de compreender os animais. Ao substituir a imposição pelo diálogo e a força pela confiança, tornou-se um dos principais nomes da história da equitação contemporânea.
Por Heloisa Alves/Portal Cavalus (Com informações de Noozhawk)
Fotos: Reprodução/Internet
Leia mais notícias aqui.