Rédeas

Rédeas é um esporte equestre mundialmente famoso

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Modalidade técnica e o início para todo cavalo, a Rédeas tem movimentos precisos e os competidores são julgados por juízes com base em suas apresentações

Se você for a uma prova de Rédeas, não estranhe a falta de agitação e aglomeração. A modalidade pode ser facilmente confundida com um esporte equestre de elite. Talvez por ser muito técnica e de diversos nuances. Você, certamente, não irá encontrar o local fervilhando de competidores como nos Três Tambores, por exemplo. Mas a paixão é a mesma, sem dúvida.

Por isso, não se engane. Quando a coisa começa a pegar fogo as arquibancadas se incendeiam. A torcida é de arrepiar ao proferir gritos, assobios e palavras de incentivo. O silêncio momentâneo quando um conjunto entra em pista transforma-se rapidamente à medida que a prova transcorrer. A cada manobra um grito de Yheee!

Na descrição que encontramos no site oficial da Associação Nacional do Cavalo de Rédeas – ANCR: ‘A Rédeas é a modalidade de Hipismo Western na qual o cavalo recebe adestramento básico. Entre todas as modalidades do cavalo, é a mais técnica. Controlar um cavalo não é apenas guiá-lo, mas dominar seus movimentos. O cavalo melhor controlado deverá ser voluntariamente guiado com pouca ou nenhuma resistência’.

Modalidade técnica e a base para o cavalo, a Rédeas tem movimentos precisos e os competidores são julgados com base nas apresentações
Crédito da foto: Divulgação/FEI-Liz Gregg

O que é Rédeas?

Já sabemos que é uma modalidade técnica e a base para o cavalo. Tudo começou, aliás, durante o período da colonização americana. O cavalo foi uma peça muito importante para o homem do campo. E foram estes colonizadores, os futuros cowboys, que sentiram a necessidade de ter um cavalo bem adestrado.

Além disso, precisavam de um animal ‘na mão’ como meio de transporte seguro. Na época, tinham que lavrar o solo e lidar com os bois, quando precisavam laçar, apartar, girar e parar rápido. Com o passar do tempo, essa lida do dia a dia se aperfeiçoou. Assim como a criação e treinamento dos cavalos também. Surgiram várias modalidades de Hipismo Western, entre elas a Rédeas.

Com a finalidade de regulamentar o esporte, a associação americana foi fundada em 1966 por um grupo de criadores e proprietários de cavalos. Trate-se da National Reining Horse Association – NRHA que você já deve ter lido muito sobre ela aqui no portal Cavalus. Bem como sobre a ANCR, entidade brasileira, fundada em 15 de abril de 1989.

Porém, a modalidade chegou ao Brasil antes, através da Associação do Quarto de Milha, a ABQM. De fato, foram eles que realizaram as primeiras provas de Rédeas por aqui.

Modalidade técnica e a base para o cavalo, a Rédeas tem movimentos precisos e os competidores são julgados com base nas apresentações
A Rédeas, sobretudo, é uma modalidade da Federação Equestre Internacional. Por isso, participa a cada quarto anos dos Jogos Equestres Mundiais. Na foto, João Felipe Lacerda no último WEG em 2018 – Crédito: Luis Ruas/CBH

Regras

O melhor cavalo de Rédeas deverá mostrar-se voluntariamente guiado ou controlado com pouca ou nenhuma resistência aparente. É assim que diz o Livro de Regras da ANCR. Qualquer movimento dele próprio deve ser considerado como falta de controle. Todos os desvios do percurso exato descrito devem ser considerados falta ou perda de controle temporário. O juiz avalia, portanto, a severidade do desvio.

Após deduzir todas as faltas estabelecidas contra o percurso descrito e o desempenho geral do cavalo, os créditos deverão ser aplicados. São levados em conta critérios como suavidade, sutileza, atitude, rapidez e autoridade para desempenhar várias manobras. Enquanto o conjunto emprega controle de velocidade e cria grau de dificuldade.

Dessa forma, o julgamento de um cavalo de Rédeas será baseado na execução de grupo de manobras. A saber, elas não mudam de um percurso para outro, o que muda é a sequência em que são realizadas em cada um deles. A nota vai de zero a infinito e podem ser julgadas por um a cinco juízes. No caso de cinco juízes, a maior e a menor nota são desconsideradas. O recorde de nota no mundo é 236,5 pontos marcados por Andrea Fappani e Custom Legend. Assista a prova!

Eventualmente, entre as diferenças da Rédeas para outros esportes, é que os potros devem ser nominados no Programa de fomento da ANCR para poder competir.  Ao passo que as categorias Aberta e Amador são divididas em Nível 4, Nível 3, Nível 2 e Nível 1, de acordo com os ganhos dos competidores em nos dos anos hípicos anteriores.

Um exemplo de um dos percursos da modalidade

Manobras

  • Entrada – Mostra o cavalo do portão de entrada ao centro da arena para iniciar o percurso.
  • Esbarro – É o ato de diminuir a velocidade do cavalo, do galope para a posição da parada, trazendo os posteriores embaixo do corpo do cavalo.
  • Spins – Giros de 360º, executados sobre o posterior (interno) fixo no solo.
  • Rollbacks – Giros 180º sobre os posteriores completados após o esbarro, em direção oposta
  • Círculos – São manobras ao galope designadas com velocidade e tamanho, executados na mesma área geográfica na arena.
  • Recuos – Manobra requisitada para que o cavalo se mova ao reverso, em linha reta e por pelo menos três metros.
  • Pausa – O cavalo demonstra habilidade em permanecer parado de maneira relaxada durante o momento descrito nos percursos.
  • Trocas de Mãos – Ato de o cavalo trocar seus anteriores e posteriores ao galope, enquanto muda de direção.
  • Run downs e Run arounds – São as corridas em linha reta pelo meio e laterais da arena.

Para complementar os dados de cada manobra, as penalidades e o que os juízes esperam do conjunto, clique aqui.

Modalidade técnica e a base para o cavalo, a Rédeas tem movimentos precisos e os competidores são julgados com base nas apresentações
O cantor Sorocaba (foto) e outras celebridades praticam Rédeas – Foto: Divulgação/Adilson Silva

Destaques

É uma modalidade que pode ser feita por qualquer raça. No Brasil, as mais comuns em provas são Quarto de Milha, Crioulo, Appaloosa e Paint Horse. Porém, um indivíduo com habilidade pode surgir em qualquer raça. Já tivemos bons exemplos no Mangalarga, Andaluz, Pantaneiro e outras. Animais com linhagem de Trabalho voltado para a Rédeas são procurados não apenas pelos que praticam o esporte, como também por pessoas de outras modalidades.

Nos últimos anos, acima de tudo, os cavalos ofertados em leilões específicos estão altamente valorizados. É possível manter um treinador em seu haras ou deixar seu cavalo em treinamento no CT de um profissional. Além de Brasil e Estados Unidos, você encontra a Rédeas em Europa, África do Sul, Israel, Uruguai, Argentina, Chile, entre outros. As principais provas são Potro do Futuro, Derby e Super Stakes e ANCR tem núcleos por todo o Brasil.

Estatutariamente a ANCR é filiada a NRHA. Como resultado, para participar das provas proprietários e cavaleiros devem ser sócios das duas entidades. Aliás, o Brasil tem uma boa aproximação com a associação americana. Isso possibilita ao nosso País usufruir de um intercâmbio importante para o aumento da parte técnica.

E por falar em Estados Unidos, brasileiros competem em alto nível também por lá. Em todas as provas de Rédeas que acompanhamos, sempre tem um brasileiro sendo destaque. Se você nunca viu, basta procurar aqui no portal Cavalus. A modalidade tem como peculiaridade ainda a presença de celebridades. De Michael Schumacher, passando pelos atores Lyle Lovett e William Shatner (capitão Kirk), até chegar aos cantores Sorocaba e Rio Negro e ao ex-lutador de MMA Minotauro.

Por Luciana Omena
Crédito da foto de chamada: Divulgação Suceed Equine-Ben Gerst

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Rédeas

Country Dun It é um dos mais respeitados garanhões do Brasil

Além da beleza, o baio produziu gerações com importantes indivíduos; um legado sem precedentes

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A chegada de Country Dun It ao Brasil ocorreu em 1999. Importado dos Estados Unidos pelo DA Ranch, de Avaré/SP, antes de vir ao Brasil foi campeão do Congress Open Reining Futurity 1995. Assim como venceu o Oklahoma Reining Open Futurity 1996, o NRHA Open Super Stakes Plus. E foi ainda finalista do NRHA Open Futurity.

Filho de Hollywood Dun It e Country Bobs Sugar, o baio ganhou mais de US$ 40 mil em prêmios em sua campanha nas pistas. Mas é o seu legado como reprodutor que impressiona.

Country Dun It foi líder das estatísticas de Reprodutores do Quarto de Milha de 2012 a 2018 em Rédeas. Soma mais de 2.075 pontos na reprodução. Seus filhos são campeões em Rédeas, Ranch Sorting, Laço Individual, Team Penning, Laço Cabeça, Vaquejada, Laço Pé, Três Tambores e Working Cow Horse. Melhor garanhão do ABQM Awards por vários anos.

Mesmo com seu desaparecimento em novembro 2013, aos 21 anos, faz parte de um seleto grupo de reprodutores com excelente posição em todos os rankings. Por exemplo, é líder do ranking de Reprodutores da Associação Nacional do Cavalo de Rédeas com R$ 527.443,45.

Sua história se funde a de Alexandre Lima Sampaio Novais, do DA Ranch (In Memorian). É impossível pensar em um sem o outro. Antes de mais nada, sua genética é requisitada até hoje.

Filhos de destaque

Em Rédeas, destacam-se Silk Dun Doc, tem mais de R$ 40 mil em ganhos nas categorias Aberta e Amador, bem como 38,5 pontos em Registro de Mérito. Campeão de inúmeras provas de Derby, Super Stakes e ainda campeão Nacional ANCR 2012, do Potro do Futuro ANCR 2010, Congresso e Copa dos Campeões ABQM 2014.

Country Hit tem 37,7 pontos pela ABQM e quase R$ 50 mil em ganhos pela ANCR. Na Amador ganhou o Super Stakes ANCR 2019 N3 e N2 e ainda foi reservado N4. Enquanto na Aberta, foi campeão Potro do Futuro ANCR 2018 N3 e 4° lugar N4, campeão Super Stakes ANCR 2019. E ainda bicampeão Congresso ABQM 2018-19 e campeão Nacional ABQM 2018-19 e da Copa dos Campeões.

Por outro lado, seus dois filhos mais pontuados são Suzie Q Dun It, com 203,25 pontos em Ranch Sorting e Team Penning, e Pilgreen Dun It, 170 pontos pela ABQM, em Laço Individual. Sem dúvida, Country Dun It reuniu beleza com sua pelagem exótica, que imprimiu em seus filhos. Mas, acima de tudo, genética. Entrou para o Hall da Fama da ABQM em 2019, imortalizando seu legado.

Colaboração: ABQM
Crédito da foto: Divulgação/Gabriel OIiveira

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Lucio Casalecchi realiza o sonho de trabalhar com Rédeas nos EUA

Jovem que já passou uma temporada na Argentina mora e trabalha com a modalidade há dois anos nos Estados Unidos

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Há dois anos nos Estados Unidos, Lucio Pontes Casalecchi Filho, 24, agradece pelas oportunidades que vem recebendo de apresentar os cavalos treinados por ele em grandes eventos de Rédeas. O mais recente, OKRHA Ride & Slide, em Tulsa, em que foi campeão de duas categorias.

Nascido em Espírito Santo do Pinhal/SP, Lucio Casalecchi mora em Purcell, Oklahoma, trabalhando para o brasileiro Thiago Boechat. Desde que chegou aos Estados Unidos, já competiu na final do NRHA Futurity 2019, na final do NRBC 2020, foi campeão do Waco Open Derby. E agora No Derby de Tulsa, campeão Nível 2 e Novice Horse Open com Ruffed Up Spooks.

Lucio Casalecchi que já passou uma temporada na Argentina mora e trabalha com a modalidade há dois anos nos Estados Unidos
NRHA Futurity

E tudo começou quando ele decidiu ser treinador profissional de cavalos de Rédeas aos 14 anos, em 2010. “Eu treinava com meu tio e amigo Laercio Casalecchi, com quem aprendi muita coisa. E assim passei a ir às minhas primeiras competições, sempre na Aberta. Aliás, sempre foi meu objetivo e meta me tornar profissional”, conta Lucinho.

A fim de seguir aprendendo e evoluindo, ele correu muitas etapas do Núcleo Anhanguera. “Por vários anos, não tive oportunidade de correr em provas grandes, já que era eu que pagava minhas inscrições. Até que em 2016 participei do meu primeiro Campeonato Nacional da ANCR e consegui ser campeão Aberta N1. Com toda a certeza, sou muito grato a todos que me ajudaram e me incentivaram no Brasil”.

Voos mais altos

Para chegar com mais segurança aos Estados Unidos, que era o seu objetivo, Lucio Casalecchi deixou tudo no Brasil e se mudou para a Argentina. Trabalhou por um ano e meio com Edvaldo Gonçalves, treinando os cavalos de Alberto Casasco, segundo ele, um dos maiores criadores de Quarto de Milha do País.

“Foi uma experiência incrível! Escolhi passar por essa etapa antes de vir para os Estados Unidos, como uma forma de treinamento. Afinal, até então eu não tinha morado sozinho e trabalhado para outra pessoa a não ser meio tio. Por isso achei que seria interessante me certificar a fim de não cometer erros futuros”.

Lucio Casalecchi que já passou uma temporada na Argentina mora e trabalha com a modalidade há dois anos nos Estados Unidos
NRBC

Na Argentina, Lucio Casalecchi foi campeão nacional em todos os níveis, do 1 ao 4, e reservado campeão do Futurity Palermo. De acordo com o treinador, sua maior dificuldade de morar fora é a saudade da família e dos amigos. Contudo, em relação ao trabalho e ao idioma ele tirou de letra.

“Para o meu futuro espero evolução e crescimento sempre. O trabalho e constância nos mostra que estamos no caminho certo e com as pessoas certas ao nosso lado.”

Por Luciana Omena
Crédito das fotos: Arquivo Pessoal

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Rio Grande do Sul realiza primeira prova de Rédeas de 2021

1ª etapa do 18° Campeonato Gaúcho de Rédeas ARCR e 3° Potro do Futuro aconteceram no Centro Querência em Porto Alegre

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A Associação Riograndense do Cavalo de Rédeas deu o ponta pé inicial para a modalidade na temporada. A primeira etapa do 18° Campeonato Gaúcho ARCR aconteceu no dia 6 de fevereiro, no Centro Querência, em Porto Alegre/RS. Junto com o 3° Potro do Futuro da entidade. A prova de Rédeas contou com 119 inscrições e distribuiu R$ 18 mil em prêmios.

Fabricio Suris assumiu a presidência da ARCR em julho de 2020. Um período complicado ainda por conta da pandemia do novo coronavírus. De acordo com ele, cheio de incógnitas, pois não sabiam como procederiam com o calendário. “Pensamos por muito tempo qual seria a melhor forma de fazer a primeira prova desta gestão”, afirma.

Prova de Rédeas válida com primeira etapa do 18° Campeonato Gaúcho da ARCR e 3° Potro do Futuro aconteceram no Centro Querência em POA
Diretoria ARCR

Segundo ele, o principal desafio seria manter um campeonato que vinha sendo um sucesso, porém agora em meio a uma pandemia. “Por termos um grupo muito comprometido com a associação e a modalidade, foi possível estruturarmos o evento e cuidar de cada detalhe”.

Em primeiro lugar, a escolha do local. Conforme Fabrício explica, a prova de Rédeas aconteceu no Centro Hípico Querência. “Tradicional centro de eventos equestres, eles tomaram todos os cuidados necessários para que fosse possível regularizar e aprovar o evento em todas as secretarias municipais pertinentes. Fizemos cumprir todas as regras e protocolos exigidos para o bem estar de todos”.

Prova de Rédeas válida com primeira etapa do 18° Campeonato Gaúcho da ARCR e 3° Potro do Futuro aconteceram no Centro Querência em POA
Roberto Jou e Mapuche Mandinga

Entre os pontos do regulamento, não foi possível a presença de público. Assim, todo o evento teve transmissão ao vivo pela internet. Saldo totalmente positivo, já que a live gerou um alcance muito bom de visualizações.

Na avaliação do presidente, o principal destaque foi o engajamento de todos. Proprietários, competidores, apoiadores e patrocinadores (VTR Ventury, Organnact, Haras Virgínia) não mediram esforços. “Juntos fizemos um evento grandioso com recorde de cavalos (60 no total) participando.”

Resultados

As provas foram julgadas por Leopoldo Potter. A próxima etapa já tem data, dia 14 de abril, também no Centro Querência, junto com o 3° Snaffle Bit. Fique por dentro: @arcr.redeas.

Por Equipe Cavalus
Crédito das Fotos: Divulgação/Spolavori Fotografias
Na foto de chamada: Campeão da etapa na categoria Aberta – Max Conceição com Snowboard Dunit QR

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