Cavalgadas Brasil

Cavalgadas e Tradição Equestre na França

Publicado

⠀em

Paulo Junqueira comenta na coluna da semana sobre a perspectiva equestre como legado histórico e a relação entre os humanos e os cavalos ao longo da história

Incluir, antes de mais nada, em uma viagem a cavalo visitas a locais com tradição equestre é uma das melhores maneiras de se aprender sobre a evolução da relação homem- cavalo.

Eu tenho feito isso sempre que possível. Desta vez escrevo sobre minha última viagem à França. Sobretudo, na ocasião, fizemos uma cavalgada no Vale de Loire, em setembro 2019. A princípio, além da cavalgada fizemos visita a Versailles e a Saumur.

Paulo Junqueira comenta sobre a perspectiva equestre como legado histórico e a relação entre os humanos e os cavalos ao longo da história

Versalhes 

Primeiramente, o edifício que constitui o grande estábulo de Versalhes é um complexo equestre. De fato, foi desenhado no século XVII por Jules Hardouin-Mansart. Assim como foi restaurado com adequações para às necessidades atuais.

Paulo Junqueira comenta sobre a perspectiva equestre como legado histórico e a relação entre os humanos e os cavalos ao longo da história
Visita a biblioteca

Tradição equestre ao estilo francês

Versalhes foi, por muito tempo, o centro de inovação em termos de equitação. Atualmente, os espetáculos equestres de Bártabas são multidisciplinares. Ademais, mostram todas as técnicas ensinadas na Academia.

Paulo Junqueira comenta sobre a perspectiva equestre como legado histórico e a relação entre os humanos e os cavalos ao longo da história
Um Sorraia na cocheira
Visita às cocheiras

Raça Sorraia

Além da beleza do espetáculo, para mim foi muito interessante ver em ação cavalos Sorraia. Raça que, por exemplo, esteve à beira da extinção. Hoje em dia podemos apenas encontrar pouco menos de 200 exemplares no mundo.

Assistindo ao treino

Escola Nacional de Equitação em Saumur

A escola foi criada em 1763 como Escola de Cavalaria. Assim sendo, um estabelecimento de formação militar francês. Ela guarda até hoje, praticamente intactas, as rígidas tradições da cavalaria francesa.

Em Saumur o ar que se respira é  de profundo respeito pelo cavalo. Quem tem o privilégio de visita-la pode conhecer uma cultura equestre aprimorada por séculos de história.

Por fim, após percorrer os Castelos do Vale de Loire a cavalo, nosso grupo teve a oportunidade de entrar cavalgando nos campos da Escola. Logo depois de percorrer suas instalações, fomos visitar sua biblioteca e picadeiro e cocheiras.

Paulo Junqueira comenta sobre a perspectiva equestre como legado histórico e a relação entre os humanos e os cavalos ao longo da história
Paulo ao lado do Cadre Noir

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
www.cavalgadasbrasil.com.br

Veja outras notícias da editoria Turismo Equestre no portal Cavalus

Comentar com o Facebook

Cavalgadas Brasil

Expedição a cavalo em Campo dos Padres – Santa Catarina

Paulo Junqueira conta em sua coluna da semana mais uma expedição que fez a cavalo ao lado de amigos, conhecendo lugares maravilhosos

Publicado

⠀em

Assistindo a uma reprise do Globo Repórter sobre o Campo dos Padres, lembrei da Expedição a cavalo que fiz na região em 2010. O Campo dos Padres é um tesouro natural na Serra Catarinense!

Altos do Corvo Branco

Ademais, trata-se de um imenso planalto, onde está o ponto mais alto do estado: o Morro da Boa Vista, com 1.827 metros. Com toda a certeza, é a última fronteira intocada do estado. E, apesar de não estar longe de Florianópolis, é uma região que poucos têm a chance de conhecer.

Sem dúvida, um local inóspito, de difícil acesso e sem estrutura de apoio. Um planalto com campos a perder de vista, belas matas nebulares, assim como cânions espetaculares e paredões de pedra recortados por rios.

Paulo Junqueira conta em sua coluna da semana mais uma expedição que fez a cavalo ao lado de amigos,; dessa vez o Campo dos Padres, em SC
Cachoeira do Rio dos Bugres

Antes de mais nada, o Campo dos Padres e o conjunto de serras que o circunda se constitui num dos últimos redutos de mata de araucária e campos de altitude com elevado grau de preservação.

O nome ‘Campo dos Padres’ foi dado em alusão aos padres jesuítas. Vindos das Missões, refugiaram-se nos campos desta serra.

Expedição em Campos dos Padres

Nossa viagem foi uma verdadeira expedição. Passamos por vários trechos difíceis. Subimos pela Serra da Anta Gorda e descemos, então, pela Serra do Rio dos Bugres. Um pouso marcante na viagem foi na casa do Silvio Bonin. Lá escutamos muitas histórias da região. Outro destaque foi a parada na Cachoeira do Rio dos Bugres.

Paulo Junqueira conta em sua coluna da semana mais uma expedição que fez a cavalo ao lado de amigos,; dessa vez o Campo dos Padres, em SC
Dario no Campo Comprido

Dentre os companheiros da expedição, estavam o Dario Galluf Pederneiras, para quem cavalgar é um incomparável exercício de meditação e elevação espiritual; o Sergio Lima Beck, hipólogo com quem estou sempre aprendendo; e a Ana Luiza Rocha, que tem alma de tropeira. Nosso guia foi o Ademir Israel, grande conhecedor da região e um apaixonado por cavalos e cavalgadas.

Em resumo, o Dario nunca mais parou de cavalgar na região. Ele diz que “quando cavalgo na região de Bom Retiro e Urubicí, principalmente quando subo os místicos Campo dos Padres, lugar sagrado para mim – um verdadeiro santuário, consigo atingir níveis elevados de contemplação e meditação, uma viagem para mim possível só no lombo de um cavalo.”

Paulo Junqueira conta em sua coluna da semana mais uma expedição que fez a cavalo ao lado de amigos,; dessa vez o Campo dos Padres, em SC
Paulo e Sergio Beck

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
www.cavalgadasbrasil.com.br

Veja outras notícias da editoria Turismo Equestre no portal Cavalus

Comentar com o Facebook

Continue lendo

Cavalgadas Brasil

Cavalgada na África do Sul – Reserva de Witteberg

Paulo Junqueira destaca em sua coluna da semana mais uma cavalgada na África do Sul e a excelente sela McClellan usada nos safáris a cavalo na África

Publicado

⠀em

O diferencial dessa cavalgada, portanto, é que é realizada em uma bela reserva na região de Witteberg. Ademais, local onde criam mais de 300 cavalos das raças Árabe e Boerperd (raça Sul Africana).

Antes de mais nada, a criação desses cavalos Árabes é focada em cavalos para Enduro. Assim, duas provas de Enduro afiliadas à Free State Endurance são realizadas lá a cada ano. As distâncias variam entre 40 e 80 km.

Cavalgada na África do Sul - Reserva de Witteberg

Uma das trilhas mais bonitas que percorri na fazenda, faz parte do percurso das provas. Só para ilustrar, alternei minha montaria, cavalgando nos Árabes e Boerperd. Aliás, essa última uma raça que é mais usada na maioria dos safáris a cavalo do continente africano. São cavalos muito bons e cômodos.

Durante quatro dias, cavalgamos entre planícies e algumas das montanhas mais altas da África do Sul. De tal forma que em uma das montanhas paramos para ver as pinturas dos bosquímanos, com cerca de 400 anos.

Cavalgada na África do Sul - Reserva de Witteberg

Nessa cavalgada, vimos e cruzamos com muitos animais. Springbuck, Blesbuck, Blackwilde beest, Oryx, Eland e Zebra são da fauna africana e vivem nesta reserva, que foi declarada Patrimônio Natural.

Cavalgamos cerca seis horas cada dia. Alguns dias voltamos para a sede da fazenda para o almoço, em outros dias comemos um lanche no campo. Nossa confortável hospedagem foi numa construção feita a partir de antigos edifícios agrícolas.

Sela McClellan

As selas que usamos na cavalgada foram modelo McClellan. Gosto muito dessa sela e trouxe uma comigo para o Brasil, iniciando minha pequena coleção. Inegavelmente, ela merece uma apresentação.

Foi projetada por George B. McClellan, oficial de carreira do Exército dos Estados Unidos. Ele teve a ideia logo após sua viagem pela Europa como membro de uma comissão militar encarregada de estudar os últimos desenvolvimentos e forças de cavalaria, incluindo equipamentos de campo.

Viajou durante um ano e observou várias batalhas da Guerra da Criméia. Ao retornar, apresentou uma proposta de manual para a cavalaria americana adaptada dos regulamentos de cavalaria russos existentes.

Animal da raça Boerperd com a Sela McClellan

Em conclusão, incluiu uma sela de cavalaria nessa proposta. Com efeito, alegou ser uma modificação de um modelo húngaro (Hussard), usado no serviço prussiano. A peça era também uma modificação de um modelo espanhol usado no México.

A sela McClellan foi adotada pelo Departamento de Guerra dos Estados Unidos em 1859. Era simples e menos cara do que as existentes. Leve o suficiente para não sobrecarregar o cavalo, mas forte o suficiente para dar um bom suporte ao cavaleiro e seu equipamento.

Cavalgada na África do Sul - Reserva de Witteberg
Modelo da sela com ajustes

De fato, foi um sucesso! E continuou em uso em várias formas até que os últimos cavalos de cavalaria e artilharia do Exército dos Estados Unidos foram desmontados no final da Segunda Guerra Mundial.

Desse modo, a sela McClellan está em uso desde 1859. Houveram algumas modificações ao longo do tempo, as mais significativas no Século 20. Continua a ser fabricada nos Estados Unidos e na África do Sul e já foi usada por cavaleiros de enduro.

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
www.cavalgadasbrasil.com.br
Crédito das fotos: Divulgação/Martin Coetzee e Paulo Junqueira

Veja outras notícias da editoria Turismo Equestre no portal Cavalus

Comentar com o Facebook

Continue lendo

Cavalgadas Brasil

Expedições em Eswatíni e Lesoto

Paulo Junqueira conta sobre dois reinos incrustados na África do Sul, destinos pouco conhecidos

Publicado

⠀em

A expedição que fiz para Lesoto e Eswatíni foi uma viagem não programada/agendada. Em 2010, fui a Witteberg, na África do Sul para conhecer e cavalgar com o Wiesman.

Paulo Junqueira conta sobre dois reinos incrustados na África do Sul, Lesoto e Eswatini, destinos pouco conhecidos e de muita cultura

Sua propriedade é um paraíso para amantes de cavalos, pois tem dois premiados criatórios. A saber, de cavalos Boerperd sul-africanos e cavalos Árabes de Enduro. Eles são criados selvagens nas encostas das montanhas Witteberg.  

Assim, em uma conversa com Wiesman soube da existência do Reino de Lesoto, que ficava bem próximo e resolvi ‘dar uma esticada lá’.

Paulo Junqueira conta sobre dois reinos incrustados na África do Sul, Lesoto e Eswatini, destinos pouco conhecidos e de muita cultura

Lesoto (oficialmente Reino do Lesoto) é um pequeno país da África Austral. Montanhoso, é o antigo reino da Bassutolândia, um dos países etnicamente mais homogêneos da África: 99% de sua população é da etnia basoto.

Vive da agricultura e criação de ovelhas na cordilheira do Drakensberg. Assim também, domina a maior parte do território e atinge mais de 3 mil metros de altitude.

Paulo Junqueira conta sobre dois reinos incrustados na África do Sul, Lesoto e Eswatini, destinos pouco conhecidos e de muita cultura

É o único país do mundo com toda a área acima dos mil metros. Ou seja, mais de 80% do território está acima dos 1,8 mil metros de altitude. Além disso, a geografia única do país valeu-lhe o título de ‘Reino no Céu’.

Reino de Eswatíni

Recém-nomeado, o Reino de Eswatíni tem nome de origem indígena, que significa ‘Terra dos Suazi’. Pequeno, é o menor país do hemisfério sul, possui muita cultura, aventura e vida selvagem.

Antiga Suazilândia, Eswatíni é um dos destinos mais subestimados (e menos visitados) da África. Antes demais nada, existe desde meados do século 13. Ademais, é uma das poucas monarquias nativas africanas ainda existentes. Junto com Lesoto e Marrocos.

Dessa forma, minha sugestão é explorar a Grande Reserva de caça Mkhaya, conhecida como ‘Refúgio para espécies ameaçadas’. Em contrapartida, outra opção é partir do histórico santuário de vida selvagem de Mlilwane e seguir pelas trilhas que cruzam planícies e montanhas. Passando por comunidades rurais da Suazi.

Essas reservas têm habitats bem diferentes. Enquanto Mlilwane são montanhas e áreas de pastagem, Mkhaya é uma típica savana espinhosa.

Uma combinação incrível! Reservas naturais, rica cultura Suazi, paisagem diversificada e abundante vida selvagem fazem desse pequeno reino um novo e interessante destino para um safari a cavalo.

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
www.cavalgadasbrasil.com.br

Veja outras notícias da editoria Turismo Equestre no portal Cavalus

Comentar com o Facebook

Continue lendo
X
X