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Cavalgadas e Tradições Equestres com Cavalos Marchadores

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Paulo Junqueira fala em sua coluna da semana das cavalgadas e das tradições equestres com cavalos marchadores na Islândia

Do mesmo modo que escrevi sobre raças de marchadores no mundo, hoje escrevo sobre um evento tradicional que visitamos participando de cavalgadas, oportunidade de testemunhar a cavalo uma tradição equestre muito antiga.

A Islândia é conhecida por suas enormes geleiras, vulcões ativos, fiordes grandiosos, gêiseres, piscinas aquecidas naturalmente, praias rios, cachoeiras e, por seus cavalos marchadores.

Cavalgadas e Tradições Equestres com Cavalos Marchadores Paulo Junqueira fala em sua coluna da semana da cavalgadas e das tradições equestres com cavalos marchadores na Islândia

O cavalo Islandês é a mais famosa raça de cavalos marchadores do continente europeu, é uma raça criada a partir de cavalos trazidos para a Islândia pelos vikings no século IX.

A criação de cavalos na Islândia é uma tradição de gerações nas famílias rurais, e toda cidadezinha de 200 pessoas tem um clube com uma pista de equitação.

‘Round Up’ / ‘Reunir a Tropa’

Por outro lado, um número crescente de pessoas está indo cavalgar nas terras altas da Islândia. São várias as opções de cavalgadas, uma que acho muito interessante é acompanhar a cavalo o evento anual do ‘Round Up’ / ‘Reunir a Tropa’.

Afinal, essa tradição é muito antiga, documentos do século XIII já mencionavam o ‘Round up’ e muito pouco mudou ao longo do tempo. Agora ocasionalmente usam pequenos aviões para localizar os cavalos do ar, mas todo o processo é fiel aos antigos costumes.

Cavalgadas e Tradições Equestres com Cavalos Marchadores Paulo Junqueira fala em sua coluna da semana da cavalgadas e das tradições equestres com cavalos marchadores na Islândia

O cavalo tem personalidade

De acordo com o que me contou uma criadora local, a razão para levarem os cavalos para as montanhas é a necessidade prática de alimentar os cavalos no verão, além de preservar um pouco de grama na fazenda durante o inverno.

E a crença romântica de que esses verões livres nos campos influenciam a personalidade dos potros. “Queremos mantê-los o mais selvagem possível”, explicou Steinun. “O cavalo tem personalidade”, disse ela, enfatizando a importância dos instintos naturais que aprendem um com o outro.

Cavalgadas e Tradições Equestres com Cavalos Marchadores Paulo Junqueira fala em sua coluna da semana da cavalgadas e das tradições equestres com cavalos marchadores na Islândia

“Às vezes eles são muito valiosos, às vezes eles salvam sua vida. Além disso, as montanhas ajudam a criar um cavalo de pés firmes e musculoso, endurecido pelo clima severo e por espaços abertos”. Em outras palavras, os torna resistentes como os próprios islandeses.

Terras Altas

Dessa forma, eles ficam uma parte do ano nas Terras Altas, sem nenhum controle, pastando livres e se reconectando com seu lado selvagem, sem nenhum contato humano por meses. No final do verão ou início do outono eles são trazidos das montanhas.

Os fazendeiros recrutam amigos, vizinhos e alguns convidados (turistas) que se juntam com a missão de localizar e agrupar todos os cavalos espalhados pelas montanhas e leva-los para um curral.

O terreno dessa ‘cavalgada’ é bastante variado e inclui os pântanos das montanhas, os vales verdes que estão começando mudar suas cores do verde para as cores do outono, cachoeiras, lagos e rios azuis das águas do degelo e o desfiladeiro de Kolugljúfur.

Cavalgadas e Tradições Equestres com Cavalos Marchadores Paulo Junqueira fala em sua coluna da semana da cavalgadas e das tradições equestres com cavalos marchadores na Islândia

Picos nevados ao longe criam um pano de fundo branco, contrastando com as cores vermelho e amarelo do outono no vale e nas colinas. É uma visão espetacular ver aquelas centenas de belos cavalos correndo ladeira abaixo, voltando para casa.

No final os cavalos são reunidos num grande curral aonde são separados e distribuídos para seus proprietários. Depois, todos comemoram numa grande festa que inclui a tradicional dança ‘réttardansleikur’. É uma festa tradicional de islandeses que compartilham seu amor por cavalos.

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
www.cavalgadasbrasil.com.br

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Cavalgada na África do Sul – Reserva de Witteberg

Paulo Junqueira destaca em sua coluna da semana mais uma cavalgada na África do Sul e a excelente sela McClellan usada nos safáris a cavalo na África

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O diferencial dessa cavalgada, portanto, é que é realizada em uma bela reserva na região de Witteberg. Ademais, local onde criam mais de 300 cavalos das raças Árabe e Boerperd (raça Sul Africana).

Antes de mais nada, a criação desses cavalos Árabes é focada em cavalos para Enduro. Assim, duas provas de Enduro afiliadas à Free State Endurance são realizadas lá a cada ano. As distâncias variam entre 40 e 80 km.

Cavalgada na África do Sul - Reserva de Witteberg

Uma das trilhas mais bonitas que percorri na fazenda, faz parte do percurso das provas. Só para ilustrar, alternei minha montaria, cavalgando nos Árabes e Boerperd. Aliás, essa última uma raça que é mais usada na maioria dos safáris a cavalo do continente africano. São cavalos muito bons e cômodos.

Durante quatro dias, cavalgamos entre planícies e algumas das montanhas mais altas da África do Sul. De tal forma que em uma das montanhas paramos para ver as pinturas dos bosquímanos, com cerca de 400 anos.

Cavalgada na África do Sul - Reserva de Witteberg

Nessa cavalgada, vimos e cruzamos com muitos animais. Springbuck, Blesbuck, Blackwilde beest, Oryx, Eland e Zebra são da fauna africana e vivem nesta reserva, que foi declarada Patrimônio Natural.

Cavalgamos cerca seis horas cada dia. Alguns dias voltamos para a sede da fazenda para o almoço, em outros dias comemos um lanche no campo. Nossa confortável hospedagem foi numa construção feita a partir de antigos edifícios agrícolas.

Sela McClellan

As selas que usamos na cavalgada foram modelo McClellan. Gosto muito dessa sela e trouxe uma comigo para o Brasil, iniciando minha pequena coleção. Inegavelmente, ela merece uma apresentação.

Foi projetada por George B. McClellan, oficial de carreira do Exército dos Estados Unidos. Ele teve a ideia logo após sua viagem pela Europa como membro de uma comissão militar encarregada de estudar os últimos desenvolvimentos e forças de cavalaria, incluindo equipamentos de campo.

Viajou durante um ano e observou várias batalhas da Guerra da Criméia. Ao retornar, apresentou uma proposta de manual para a cavalaria americana adaptada dos regulamentos de cavalaria russos existentes.

Animal da raça Boerperd com a Sela McClellan

Em conclusão, incluiu uma sela de cavalaria nessa proposta. Com efeito, alegou ser uma modificação de um modelo húngaro (Hussard), usado no serviço prussiano. A peça era também uma modificação de um modelo espanhol usado no México.

A sela McClellan foi adotada pelo Departamento de Guerra dos Estados Unidos em 1859. Era simples e menos cara do que as existentes. Leve o suficiente para não sobrecarregar o cavalo, mas forte o suficiente para dar um bom suporte ao cavaleiro e seu equipamento.

Cavalgada na África do Sul - Reserva de Witteberg
Modelo da sela com ajustes

De fato, foi um sucesso! E continuou em uso em várias formas até que os últimos cavalos de cavalaria e artilharia do Exército dos Estados Unidos foram desmontados no final da Segunda Guerra Mundial.

Desse modo, a sela McClellan está em uso desde 1859. Houveram algumas modificações ao longo do tempo, as mais significativas no Século 20. Continua a ser fabricada nos Estados Unidos e na África do Sul e já foi usada por cavaleiros de enduro.

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
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Crédito das fotos: Divulgação/Martin Coetzee e Paulo Junqueira

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Expedições em Eswatíni e Lesoto

Paulo Junqueira conta sobre dois reinos incrustados na África do Sul, destinos pouco conhecidos

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A expedição que fiz para Lesoto e Eswatíni foi uma viagem não programada/agendada. Em 2010, fui a Witteberg, na África do Sul para conhecer e cavalgar com o Wiesman.

Paulo Junqueira conta sobre dois reinos incrustados na África do Sul, Lesoto e Eswatini, destinos pouco conhecidos e de muita cultura

Sua propriedade é um paraíso para amantes de cavalos, pois tem dois premiados criatórios. A saber, de cavalos Boerperd sul-africanos e cavalos Árabes de Enduro. Eles são criados selvagens nas encostas das montanhas Witteberg.  

Assim, em uma conversa com Wiesman soube da existência do Reino de Lesoto, que ficava bem próximo e resolvi ‘dar uma esticada lá’.

Paulo Junqueira conta sobre dois reinos incrustados na África do Sul, Lesoto e Eswatini, destinos pouco conhecidos e de muita cultura

Lesoto (oficialmente Reino do Lesoto) é um pequeno país da África Austral. Montanhoso, é o antigo reino da Bassutolândia, um dos países etnicamente mais homogêneos da África: 99% de sua população é da etnia basoto.

Vive da agricultura e criação de ovelhas na cordilheira do Drakensberg. Assim também, domina a maior parte do território e atinge mais de 3 mil metros de altitude.

Paulo Junqueira conta sobre dois reinos incrustados na África do Sul, Lesoto e Eswatini, destinos pouco conhecidos e de muita cultura

É o único país do mundo com toda a área acima dos mil metros. Ou seja, mais de 80% do território está acima dos 1,8 mil metros de altitude. Além disso, a geografia única do país valeu-lhe o título de ‘Reino no Céu’.

Reino de Eswatíni

Recém-nomeado, o Reino de Eswatíni tem nome de origem indígena, que significa ‘Terra dos Suazi’. Pequeno, é o menor país do hemisfério sul, possui muita cultura, aventura e vida selvagem.

Antiga Suazilândia, Eswatíni é um dos destinos mais subestimados (e menos visitados) da África. Antes demais nada, existe desde meados do século 13. Ademais, é uma das poucas monarquias nativas africanas ainda existentes. Junto com Lesoto e Marrocos.

Dessa forma, minha sugestão é explorar a Grande Reserva de caça Mkhaya, conhecida como ‘Refúgio para espécies ameaçadas’. Em contrapartida, outra opção é partir do histórico santuário de vida selvagem de Mlilwane e seguir pelas trilhas que cruzam planícies e montanhas. Passando por comunidades rurais da Suazi.

Essas reservas têm habitats bem diferentes. Enquanto Mlilwane são montanhas e áreas de pastagem, Mkhaya é uma típica savana espinhosa.

Uma combinação incrível! Reservas naturais, rica cultura Suazi, paisagem diversificada e abundante vida selvagem fazem desse pequeno reino um novo e interessante destino para um safari a cavalo.

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
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Cavalgada da Água Boa

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Paulo Junqueira conta sua experiência com a Cavalgada da Água Boa no Rio Grande do Norte

Cavalguei, alguns anos atrás, na região de Tibau do Sul, a Cavalgada da Água Boa. O município fica entre a Lagoa das Guaraíras e o Oceano Atlântico, no Rio Grande do Norte. A hospedagem foi no Hotel Marinas.

Logo depois de me acomodar, fomos para o Haras Água Boa, do amigo Rogério Bivar. Localizado, portanto  a 10 km do hotel e a 4 km do mar. Antes de mais nada, o haras cria cavalos Mangalarga Marchador de marcha picada desde 1999. E são vários os animais premiados em exposições.

Foto: Paula Silva

Cavalgamos nas praias com oportunidade para vários galopes. Assim como nadamos com os cavalos e cavalgamos em noite de lua cheia. Cada dia teve um diferencial de natureza.

A renomada fotógrafa Paula da Silva acompanhou nossa cavalgada. Por consequência, suas fotos da viagem foram publicadas em várias revistas internacionais.

Paulo Junqueira conta sua experiência com a Cavalgada da Água Boa no Rio Grande do Norte, feita alguns anos atrás em companhiade amigos

Não só falésias, como também berçário de tartarugas-marinhas, santuário ecológico. E, inegavelmente, muita praia bonita. Os cavalos muito cômodos, estavam sempre dispostos. Assim sendo, mostraram que a seleção do haras faz diferença.

Paulo Junqueira conta sua experiência com a Cavalgada da Água Boa no Rio Grande do Norte, feita alguns anos atrás em companhiade amigos

Durante os quatro dias de cavalgada, passamos pelas praias de Sagi. A saber, desde a divisa com a Paraíba, Mata Estrela, praia de Baia Formosa, praia de Sibauma, praia do Canto, Chapadão e praia da Pipa.

Paulo Junqueira conta sua experiência com a Cavalgada da Água Boa no Rio Grande do Norte, feita alguns anos atrás em companhiade amigos
Foto: Paula Silva

Na Barra do Cunhau atravessamos a balsa com os cavalos. Nosso destino, então, em algumas noites, foi a famosa Pipa que fica a pouco minutos de Tibau do Sul. Esse, sem dúvida, é um excelente destino de praia para cavalgar no Brasil.

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
Crédito da foto de chamada: Paula Silva
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