Cavalgadas Brasil

Grand Canyon a cavalo

Paulo Junqueira, em sua coluna da semana, escreve sobre uma cavalgada no Grand Canyon e como foi uma aventura esse ‘passeio’

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Na medida que descemos para as profundezas do Canyon, há uma série de plataformas que variam em largura de 200 metros a 1,5 km largura, em um microclima que é protegido do frio e dos ventos. Esta cavalgada foi uma grande aventura e não pode ser confundida com os passeios de burro tediosos que são oferecidos aos turistas que querem descer o famoso Canyon! Essa foi uma viagem a cavalo em algumas das áreas remotas e pouco visitadas do Grand Canyon. Todos tinham que ser cavaleiros experientes, pois conduziriam os cavalos por trilhas acidentadas e alguns trechos traiçoeiros. Os poucos que participaram da aventura foram amplamente recompensadas por sentir a grandeza do cânion como os primeiros exploradores fizeram.

Primeiros exploradores brancos

Em agosto de 1869, o major John Wesley Powell e oito homens, em três barcos de madeira, com rações ficando escassas e nenhuma ideia de onde o Grand Canyon terminava, foram os primeiros exploradores brancos a documentar a incrível rede de cânions e terraços que compõem esta área do Colorado. No diário de Powell diz: “Deste ponto, posso olhar para o oeste, para os desfiladeiros do Colorado e ver a borda de um grande planalto, de onde riachos descem e ravinas profundas na escarpa que fica de frente para nós, continuado por cânions, irregulares e alargados e penhascos altos, até o rio. ”

Grand Canyon a cavalo
Cavalgada foi uma grande aventura

Guia Mel

Nosso guia, Mel, vem de uma linhagem de fazendeiros nascidos e criados nessa região incrivelmente bela, mas desolada, entre o Rio Colorado e a fronteira de Utah/Arizona. Ele chama os terraços dos degraus do Grand Canyon de “pastagens de inverno”. Dessa forma, referindo-se à prática da pecuária local de levar o gado para os cânions durante os meses de inverno, quando há água nas nascentes e tanques naturais. Paredes verticais com mais de 300 metros de altura de um lado e uma queda vertical de 300 metros do outro são cercas bastante eficazes. “as pastagens têm 40 milhas de comprimento e 40 metros de largura”, diz Mel, “e os únicos lugares que temos de cercar são onde elas se abrem em um desfiladeiro”.

Nosso grupo era relativamente pequeno, 10 pessoas, 12 cavalos e 3 mulas. Às vezes parecia muito pequeno e insignificante, como quando estávamos cavalgando por um dos amplos terraços, ou nas profundezas de um desfiladeiro estreito. Mas, reunidos ao redor da fogueira nas noites escuras, ou quando era minha vez de ajudar no acampamento, nosso pequeno grupo parecia muito maior.

Grand Canyon a cavalo
Reunidos ao redor da fogueiro, grupo de 10 pessoas parecia ser muito maior

Seis dias a cavalo

Foram então 6 dias explorando as pastagens de inverno do Grand Canyon. Contudo, nesses dias descobrimos muitas coisas. Não há dois cânions iguais, a água é escassa mesmo depois de uma chuva, a temperatura ambiente pode mudar muito apenas ao entrar na sombra e o rio Colorado é apenas um elemento do complexo do Grand Canyon. Quando encontrávamos uma poça de água, a maioria não tinha mais de dois centímetros de profundidade, mas nossos cavalos habilmente encontravam as mais fundas e sugavam água fresca em longos goles. Ou seja, eles eram especialistas nisso, sabendo como sabiam que poderia ser uma longa jornada até a próxima poça de água.

Grand Canyon a cavalo
Cavalos conseguem encontrar poças de água de profundidade maior

Dessa forma, ao final dessa grande experiência, depois de uma semana sem tomar banho e, um pouco rígidos por dormir no chão, estávamos todos emocionalmente relaxados e rejuvenescidos, sem muita pressa para voltar a civilização!

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
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Cavalgada 3 Parques – Arizona e Utah

Paulo Junqueira, em sua coluna da semana, escreve sobre a Cavalgada 3 Parques – Arizona e Utah, lembrando da história dos colonizadores

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Cavalgada 3 Parques – Arizona e Utah

A história dos cavalos no Arizona remonta a cerca de um século depois que os conquistadores espanhóis chegaram ao solo americano no século XVI. Depois de 1680, quando a Rebelião Pueblo ocorreu em Santa Fé, muitos cavalos escaparam e os índios conseguiram capturar centenas deles.

A potência e a velocidade dos cavalos mudaram totalmente o estilo de vida dos índios, tornando muito mais fácil caçar búfalos e se deslocar. Tribos como os apaches e os comanches atrasaram a colonização europeia por décadas porque se tornaram extremamente hábeis cavaleiros na guerra, com uma mobilidade incrível. Seu estilo de vida nômade os tornava difíceis de rastrear e subjugar.

Logo após a Guerra Civil, os conflitos indígenas foram bastante reduzidos e os enormes rebanhos de búfalos dos quais dependiam foram rapidamente exterminados. Ao mesmo tempo, a conclusão das ferrovias transcontinentais tornou possível comercializar gado no Leste, onde uma população em rápido crescimento havia desenvolvido um enorme apetite por carne bovina.

O gado logo começou a prosperar no Arizona e, claro, foram necessários muitos vaqueiros e ainda mais cavalos para lidar com os rebanhos nas vastas áreas onde pastavam. No início, ainda havia grandes manadas de cavalos selvagens, muitos deles foram capturados, domesticados sem os quais a pecuária não poderia ter se desenvolvido tão rapidamente

Paisagens cinematográficas

Os diretores de cinema há muito tempo reconhecem que o Arizona e Utah têm algumas das paisagens mais impressionantes e dramáticas do mundo. Nessa cavalgada vamos a três dos mais belos Parques Nacionais americanos, percorrendo trilhas em algumas das partes mais remotas desta área espetacular. Cavalgamos em trilhas através de terrenos muito variados na área de fronteira entre Utah e Arizona, muitas vezes em caminhos rochosos que descem para as profundezas dos cânions.

A cavalgada começa no Pariah River Canyon e segue para o norte para contornar o Bryce Canyon, dando uma perspectiva incomum de suas fenomenais torres rosa. A trilha segue o rio Virgin, cruza o canto sudeste do labirinto de cúpulas de arenito de Sião e suas gargantas sinuosas, seguindo para o sul através de uma vasta região aberta. Em outro dia de cavalgada, dia inteiro ao longo da formação Zions cercada por penhascos brancos, com passagem pela famosa formação Elephant Cove.

Cavalgada 3 Parques – Arizona e Utah

Pastagens de verão no Grand Canyon

Dia de cavalgada espetacular descendo uma área pouco visitada no trecho norte do Grand Canyon, aonde existem áreas que fornecem abrigo para o gado e a vida selvagem das tempestades de inverno, em um microclima mais quente. Poucas cavalgadas têm um final tão dramático como essa, em Toroweap, onde o abismo do Grand Canyon cai mil metros e expõe eras de tempo geológico. 

Por fim, o acampamento movido a cada dia por veículo permitiu não retardar a viagem a cavalo com animais de carga, possibilitando seguir um ritmo bom, determinado pelo tipo de terreno.
Nosso guia Mel é um verdadeiro cowboy e já participou como figurante em vários filmes do velho oeste. Os cavalos confiáveis, acostumados a esses terrenos acidentados, ajudaram tornar esta aventura inesquecível.

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
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Cavalgada em Mustangs no Wyoming

Paulo Junqueira, em sua coluna da semana, escreve sobre a cavalgada na Trilha Big Horn no Wyoming com os cavalos Mustangs

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Cavalgada em Mustangs no Wyoming

Um dos destaques da cavalgada na Trilha Big Horn no Wyoming são os cavalos. Mais de 130 para escolher, Quarto de Milha, Paint e Mustang. Nos últimos anos, Mustangs do Wild Horse Center foram adicionados a tropa e agora já são 30 Mustangs no Rancho. Alguns dos Mustangs do Rancho passaram pelo Extreme Mustang Makeover, outros por meio do programa do Bureau of Land Management de Nick e Steve Mantle e alguns chegaram por meio do Programa de Presos, onde prisioneiros trabalham com Mustangs para terapia.

Eu montei num castanho muito bom e bonito e com ele percorri várias trilhas pelas montanhas da região. Destaque para a The Mail Trail – trilha de dia inteiro ao longo de uma antiga rota do correio, saindo a 2.300m de altitude cruzando floresta, com belas vistas do Shell Canyon. A Mail Trail é parte de uma antiga trilha do século passado, usada para transportar o correio a cavalo e mulas de Sheridan a Cody. Outra trilha que gostei muito foi a Five Fingers que seguiu através de desfiladeiros rochosos, ao longo das encostas das montanhas do Big Horn, que sobem 600 ms ao longo da trilha como uma enorme parede de granito. Algumas dessas rochas tem milhões de anos.

Cavalgada com Mustangs em meio as rochas

Os Mustangs

Os Mustangs são descendentes de cavalos trazidos para as Américas pelos espanhóis, vivem livres no oeste americano. Embora suas raízes estejam nesses cavalos espanhóis, ao longo do tempo outras raças e tipos contribuíram para o Mustang que vemos hoje. Todos descendem de cavalos que já foram domesticados, portanto, estritamente falando, não são cavalos selvagens.

Na década de 1970, o Congresso dos EUA reconheceu esses cavalos como “símbolos vivos do espírito histórico e pioneiro do Ocidente”. Isso fez com que eles passassem a ser controlados e protegidos pelo Bureau of Land Management, que gerencia manadas de Mustangs em 177 áreas de manejo em 26,9 milhões de acres de terras públicas. Trabalham para que cada vez mais cavalos estejam sob cuidados privados por meio de seus Programas de Adoção e Vendas, bem como parcerias com organizações em todo o país.

Mustangs sao identificados com uma marca no pescoço

Porque adotar um Mustang?

Os Mustangs são conhecidos por sua firmeza, força, inteligência e resistência. Com gentileza e paciência, eles podem se acostumar ao contato humano e, então, ser treinados para uma variedade de atividades. Domar um Mustang ‘selvagem’ pode ser desafiador, mas muitas vezes é um processo muito gratificante. É também uma chance única de adotar e cuidar de uma parte do patrimônio nacional da América.

Extreme Mustang Makeover

Criado e apresentado pela Mustang Heritage Foundation, o Extreme Mustang Makeover é uma competição cujo objetivo é mostrar a beleza, versatilidade e capacidade de treinamento dos mustangs americanos. Competem nesses eventos éguas e cavalos castrados, geralmente de quatro a sete anos de idade, que vivem em terras do BLM.

Os domadores aprovados recebem um Mustang e passam aproximadamente 100 dias se preparando para uma apresentação aonde mostrarão as novas habilidades do cavalo. Ao final do evento, todos os Mustangs estão disponíveis para adoção ou compra por meio de licitação pública.

EXTREME MAKE OVER

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
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Cavalgada com cavalo Bashkir Curly: hipoalergênico

Paulo Junqueira, em sua coluna da semana, escreve sobre o cavalo Bashkir Curly, equino que não altera a alergia em humanos

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As pessoas com alergia a cavalos têm uma resposta imune exagerada diante do contato com a caspa do animal (resultado da descamação do epitélio de alguns animais, incluindo os cavalos). Entretanto, vários estudos mostraram que a pelagem dos cavalos com pelos encaracolados não possui a proteína que causa alergias em humanos.

Tudo indica que uma pessoa alérgica pode conviver com eles sem problemas. Essa informação se aplica particularmente à raça Bashkir Curly, e a boa notícia é que existem cavalos com essa pelagem no Brasil.

Cavalgada na Coxilha Rica

Semana passada fui cavalgar na Coxilha Rica em Santa Catarina, e na tropa tinham alguns cavalos Curly. Foi interessante conhecer e conviver alguns dias com um cavalo dessa raça. A cavalgada foi muito bonita, percorremos vários quilômetros dentro dos famosos corredores de taipa, cruzamos bosques de araucária, rios e muitas coxilhas.

Origem da raça

O Bashkir é a raça de cavalos do povo Bashkir, criado principalmente em Bashkortostan, uma república dentro da Federação Russa que fica no sul dos Montes Urais.

As origens do cavalo Bashkir não são conhecidas, ele tem sido importante na economia local por possivelmente milhares de anos. Fornecem leite e outros produtos, além de serem usados para transporte e agricultura. As éguas Bashkir são excelentes produtoras de leite. Em um período de lactação de sete a oito meses, uma égua Bashkir produz até 2.000 litros de leite.

Raça rara

Trata-se de uma raça rara e atualmente a maior quantidade de cavalos com essa característica está nos Estados Unidos. A origem do Bashkir Curly americano pode ser rastreada até 1898, quando Peter Damele notou cavalos com pelos fortemente encaracolado e seu filho resolveu iniciar uma criação com eles.

Bashkir Curly
Curly nos Estados Unidos

Curly Marchador

Cerca de 10 por cento dos cavalos Bashkir Curly exibem uma marcha intermediária, “macia”, e um passo lateral conhecido como Indian Shuffle ou Curly Shuffle.

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
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Ioga e Cavalgada

Paulo Junqueira, em sua coluna da semana, escreve sobre a junção da ioga e cavalgada e seus benefícios.

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Paulo Junqueira, em sua coluna da semana, escreve sobre a junção da ioga e cavalgada e seus benefícios.

Vários livros foram escritos sobre o uso de posturas de ioga para apoiar os cavaleiros por meio de maior flexibilidade, força e equilíbrio. “Uma das coisas bonitas sobre ioga e equitação é que são jornadas sem fim, permitindo-nos continuar a crescer, aprender e expandir – não é disso que se trata a vida? ”, do livro Ioga para Cavaleiros, da instrutora de ioga e amazona Cathy Woods.

Ioga e Cavalgada na Espanha

A boa notícia é que agora podemos fazer uma cavalgada na Espanha e ter essa experiência! São duas opções ambas excelentes:

Na praia com cavalos Friesian

A 170 Kms de Barcelona, em Castellon, o haras da Orion com 80 belos cavalos Friesian, oferece espetaculares cavalgadas na praia combinadas com aulas de ioga. As aulas de ioga são projetadas para atender os cavaleiros com exercícios específicos que enfocam a força, postura e presença, a função é priorizada sobre a forma. Você não precisa ser um praticante de ioga experiente para participar.

O local das aulas alterna entre a Villa, a praia e as montanhas e são intercaladas com cavalgadas nas praias. Os cavalos estão acostumados a cavalgar na praia e gostam de galopar na beira da água.

Paulo Junqueira, em sua coluna da semana, escreve sobre a junção da ioga e cavalgada e seus benefícios.

Nas montanhas do Pirineus

O Cavalo, a Montanha e Você – fusão de almas. Assim definem a Programação “Ioga e Cavalgada” nas montanhas dos Pirineus. Uma experiência única para conectar você e a magia da natureza através do maravilhoso mundo dos cavalos.

Um fim de semana alternando cavalos em semiliberdade, cavalgadas e passeios a cavalo com sessões de yoga, meditação e banhos de floresta. Uma aproximação do mundo equestre desde o conhecimento do cavalo em estado natural, incluindo aspectos de etologia (comportamento do cavalo). Vamos encontrar os cavalos no pasto e ver seu comportamento em manada, a aproximação será progressiva e intercalada com seções de ioga, banhos de bosque e meditação.

Paulo Junqueira, em sua coluna da semana, escreve sobre a junção da ioga e cavalgada e seus benefícios.

Por Paulo Junqueira Arantes
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Cavalgada no Valle Escondido – Pireneus – Espanha

Paulo Junqueira, em sua coluna da semana, conta de uma cavalgada no “Valle Escondido” localizado nos Pireneus de Huesca

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Cavalgada no Valle Escondido - Pireneus - Espanha

Cavalgada no Valle de Benasque o “Valle Escondido” localizado nos Pireneus de Huesca, um lugar conhecido e admirado por suas montanhas e natureza. Considerado o mais bonito de todos os vales dos Pireneus, preservou a tradição, mantém a arquitetura alta aragonesa e uma língua (dialeto) própria – Patués.

Monumentos Naturais das Geleiras dos Pireneus

Cavalgamos 5 dias em ótimos cavalos andaluzes e cruzados andaluz, no vale no meio das montanhas mais altas dos Pireneus, na região de Aragão, que faz fronteira com a França. Cada dia uma paisagem espetacular diferente e variada. Passamos por florestas, campos alpinos e altas montanhas com geleiras e neve permanente nos picos.

A cavalgada seguiu trilhas ao longo do Parque Natural de Posets-Maladeta, onde existem três maciços que foram declarados Monumentos Naturais das Geleiras dos Pireneus. Essas geleiras modelaram o vale há mais de 40 milhões de anos e cavalgamos pela paisagem que elas criaram. O maciço da Maladeta é coroado pela montanha mais alta dos Pireneus, o Aneto com 3404ms. Além dele vimos várias outras montanhas altas e belíssimos lagos azuis.

Vilas medievais

Durante a cavalgada, passamos por vilas medievais como Ansils, Cerler, Sahun e Solano, e aprendemos sobre a história, arquitetura e modo de vida nas montanhas. A vilas de Benasque e Anciles são muito charmosas. No centro histórico de Benasque encontram-se edifícios emblemáticos como a Torre de Juste e o Palácio dos Condes de Ribagorza. A vila de Anciles tem a arquitetura tradicional mais bem preservada da região com esplêndidas casas ancestrais.

‘Accompagnateur du Tourisme Equestre’

Nosso anfitrião é um ‘Accompagnateur du Tourisme Equestre’ qualificado. Ele passou muitos anos trabalhando como guia na França e na Islândia, além da Espanha. Ele é PhD em Arte, Natureza e Paisagem, e adora compartilhar sua paixão e explicar sobre as paisagens enquanto cruzamos as montanhas. Ele é acompanhado por outro guia que é professor em Barcelona quando não está a cavalo nas montanhas. Com esses guias, durante a cavalgada aprendemos muito sobre a região.
Nessa cavalgada tivemos a sensação de mergulhar na história em um dos espaços naturais mais espetaculares dos Pirineus.

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
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Cavalgada em Laguna celebra o bicentenário de Anita Garibaldi

Paulo Junqueira, em sua coluna da semana, conta de uma cavalgada que fez no último sábado em homenagem a Anita Garibaldi

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Essa semana eu falo sobre a Cavalgada em Laguna, organizada no último sábado pelo Instituto Cultural Anita Garibaldi. O passeio teve como objetivo homenagear e celebrar os 200 anos de nascimento de Anita Garibaldi. De acordo com os organizadores, contou com a participação de mais de 40 mulheres.

Assim, a cavalo, elas fizeram o sentido inverso da última viagem da heroína em Laguna. Caminha que, simbolicamente, representou o retorno de Anita Garibaldi a sua cidade natal. Chamou atenção o gesto, feito pelas Guardiãs de Anita, quando cada uma colocou uma Rosa de Anita aos pés do seu monumento.

Paulo Junqueira, em sua coluna da semana, conta de uma cavalgada que fez no último sábado em homenagem a heroína Anita Garibaldi
Foto: Elvis Palma

Cavalgada

Foram quase dez horas de cavalgada entre a Barra do Camacho e a praça República Juliana. Participaram do passeio grupos a cavalo do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Houve ainda a participação da vice-governadora de Santa Catarina, Daniela Reinehr.

“Ficamos muito felizes de poder celebrar Anita Garibaldi de uma forma que muito a representa, cavalgando. Todos sabemos que Anita foi uma exímia amazona e as guardiãs e suas convidadas farão jus a essa história”.

“O sonho de muitas mulheres é conhecer onde Anita passou, morou. E fomos justamente nesses caminhos de Anita”, comenta a diretora do Departamento de Guardiãs, Ivete Scopel.

Paulo Junqueira, em sua coluna da semana, conta de uma cavalgada que fez no último sábado em homenagem a heroína Anita Garibaldi
Foto: Juarez Schmitt/Colaboração/CulturAnita

200 anos do nascimento de Anita Garibaldi

Antes de mais nada, o evento integrou as programações mundiais da data comemorativa. A cavalgada relembra o momento em que a guerreira lagunense deixou sua terra natal a fim de seguir rumo ao Rio Grande do Sul.

O bicentenário de Anita Garibaldi tem coordenação do Museu e Biblioteca Renzi, na Europa, e do Instituto CulturAnita, para a América do Sul. O projeto conta ainda com apoio de cidades catarinenses, gaúchas, italianas, uruguaias e são-marinenses.

“Entre seus objetivos, além de preservar e difundir a memória e a história, o projeto também pretende promover o turismo internacional, de caráter histórico, cívico e cultural em todas as cidades dos quatro países, compondo um roteiro internacional para realização de diversos atos que deverão acontecer, sempre em comemoração ao bicentenário”, explica o presidente do CulturAnita, Leo Felipe Nunes.

Confira o vídeo da cavalgada clicando aqui.

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
Crédito da foto de chamada: Juarez Schmitt/Colaboração/CulturAnita
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Cavalgada e Cultura Equestre na Rússia

Paulo Junqueira, em sua coluna da semana, conta dessa cavalgada para quem busca conhecer uma cultura equestre secular e ainda participar de uma aventura nas montanhas do Cáucaso, ao longo dos montes Urais

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Realizada no extremo oeste do país, ao norte da Geórgia, essa Cavalgada na Rússia tem como paisagem dominante o Monte Elbrus, a montanha mais alta não só da Rússia, como também da Europa.

O Elbrus tem uma calota de gelo permanente que alimenta 22 geleiras. Além disso, tem dois picos, ambos vulcões dormentes (não entra em erupção desde 50 d.C.). Seu cume oeste é o mais alto, com 5.642 metros.

Nessa viagem a cavalo, as paisagens são selvagens. Vemos penhascos e gargantas impressionantes, antigos sistemas de cavernas, cachoeiras e cânions. A saber, trata-se de uma cavalgada em trilhas, longe das rotas turísticas, sob as montanhas imponentes do Elbrus.

Da mesma forma que na viagem à Mongólia, para mim, o principal objetivo dessa cavalgada é a experiência cultural com os circassianos. Termo que inclui doze tribos Adyghe.

Oportunidade, então, de conhecer a história e as tradições dos cavaleiros circassianos, seus cavalos Cabardino e as selas cherkess/circassiana, que têm características únicas no mundo.

Desde os tempos antigos, os circassianos amam os cavalos. Em sua língua, eles chamam o cavalo de ‘Shi’, cuja tradução tem dois significados: irmão ou cavalo.

Paulo Junqueira conta dessa cavalgada para quem busca conhecer a cultura equestre secular da Rússia e participar de aventura nas montanhas

Cavalos Cabardino/Kabardin

Criados no Cáucaso, por tribos das montanhas desde o Século 16, a raça surgiu a partir de uma combinação de cavalos das estepes. Principalmente o Karabakh, o Árabe e o Turcomano.

Os Cabardinos, portanto, têm cascos duros e são bem musculosos. Seu sangue tem elevada capacidade de transporte de oxigênio, adequada para trabalhar nas altas montanhas.

Sela circassiana/cherkess

A sela circassiana/cherkess não se assemelha a nenhuma outra sela no mundo! É única em sua construção e detalhes, muito bem pensados. Antes de mais nada, detalhes esses que evoluíram ao longo de várias centenas de anos de história da equitação no Cáucaso. E, provavelmente, vários milhares de anos antes.

Como a maioria dos cabardianos passou uma parte significativa de sua vida na sela, viajando milhares de quilômetros por mês durante as operações militares, as projetaram a fim de cumprir alguns objetivos básicos: conforto do cavaleiro e do cavalo, estabilidade do cavaleiro e durabilidade da sela.

Ao olhar para a sela circassiana, ela parece grande, pesada e com o centro de gravidade muito alto. Mas, uma vez que você se senta nela e dá alguns passos, descobre a sabedoria dos antigos fabricantes dessas selas. Baseada em uma armação semelhante às utilizadas nas selas militares, distribuindo o peso do cavaleiro no dorso do cavalo.

Paulo Junqueira conta dessa cavalgada para quem busca conhecer a cultura equestre secular da Rússia e participar de aventura nas montanhas
Foto: copyright by Catherine Michelet e Paweł Krawczyk

Detalhes da sela

A armação é, relativamente, curta. Mas ela própria repousa sobre uma ‘almofada’ de couro longa e elástica. Assim, essa armação evita que a sela bloqueie o movimento dos ombros do cavalo enquanto espalha o peso em uma parte mais longa das costas.

Outro segredo dessa sela é uma almofada quadrada, feita de couro macio e recheado com pelo de cabra da montanha. Graças à sua forma específica, não apenas é confortável, como também com a pressão do corpo, aperta as pernas do cavaleiro, estabiliza-o e amortece-o, protegendo o cavaleiro e o cavalo.

Além disso, é muito útil em trilhas de longa duração, principalmente no trote. Ao contrário do que parece olhando as fotos, o cavaleiro não fica alto no meio dessa ‘almofada’. O quadril do cavaleiro, portanto, fica logo acima da armação, como nas selas inglesas.

Outro detalhe interessante são as três cilhas, sendo a última voltada para trás na barriga do cavalo (esta é opcional e quando usada, não é apertada). Isso melhora a estabilidade da sela durante descidas e subidas íngremes nas montanhas.

As competições equestres

Como bem descreveu o historiador Amjad M. Jaimoukha, os circassianos foram guerreiros nascidos no cavalo. E sempre foram famosos por suas habilidades equestres, que atingiu o seu apogeu na época dos lendários Narts. Tinham regras e códigos especiais e para coroar tudo, um deus, Zeik’wethe, designado como divindade evocado nas campanhas militares.

As competições equestres (Adigean) eram ocasiões para os heróis da aldeia mostrarem suas habilidades equestres. Cavaleiros intrépidos montavam em todas as posições: em pé ou agarrados ao lado do cavalo, em simulação de manobras de batalha.

Eles tinham a incrível habilidade de ficar sob a barriga do cavalo, a galope – uma manobra chamada ‘schinibech’epsh’ – com o intuito de confundir o inimigo. ‘Shurelhes’ – que significa montar-desmontar -, outra manobra em que um cavaleiro, a toda velocidade, salta e depois monta em seu cavalo, também fazia parte das apresentações.

Neste link – clique aqui – uma filmagem antiga (1965) de cavaleiros circassianos demonstrando suas habilidades.

Paulo Junqueira conta dessa cavalgada para quem busca conhecer a cultura equestre secular da Rússia e participar de aventura nas montanhas

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Cavalgada e Cultura Equestre – Escócia

Paulo Junqueira, em sua coluna da semana, escreve sobre uma cavalgada que tinha agendado para fazer junho de 2020, foi adiada para 2021, adiada novamente, mas que agora está confirmada para junho de 2022

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Durante todos os verões, as cidades da fronteira da Escócia com a Inglaterra organizam os Common Ridings, um dos festivais equestres mais antigos do mundo.

Antes de mais nada, são cavalgadas que se transformam em um espetáculo de equitação. Enquanto é um costume mantido com verdadeiro fervor pelos habitantes locais em homenagem à identidade da região, moldada por seu passado tumultuado.

O evento acontece em 11 cidades, cada um com sua própria visão particular da tradição. Portanto,  em algumas cidades, os eventos duram até duas semanas. Usualmente envolvem cavalgadas, churrascos, esportes tradicionais, jogos, música e bebidas tradicionais.

Milhares de Borderers aplaudem centenas de cavaleiros galopando em torno de suas cidades.

Uma tradição equestre de 900 anos

Dessa forma, a história da Scottish Borders está profundamente entrelaçada com a turbulenta era dos Borders Reivers. Trata-se do nome dado aos invasores e bandidos que pilharam as terras em ambos os lados da fronteira anglo-escocesa do final do Século 13 ao início do Século 17.

Hoje, os escoceses comemoram os tempos em que seus antepassados patrulhavam os limites de seus assentamentos a cavalo. Arriscava, portanto, suas vidas a fim de proteger sua cidade e seu povo de invasores.

Uma tradição equestre que evoluiu ao longo de 900 anos para se tornar um dos maiores espetáculos equestres da Europa.

Paulo Junqueira, em sua coluna da semana, escreve sobre uma cavalgada para a Escócia, adiada para 2022 por conta da pandemia de covid-19

Borderes escoceses

Em nossa programação vamos ter o privilégio de cavalgar no Common Ridings – um dos festivais equestres mais antigos do mundo. Vamos montar um cavalo irlandês e cavalgar junto com os Borderes escoceses, vestidos em seus tweed, felizes por compartilhar conosco uma tradição consagrada pelo tempo.

Kilchurn Castle e Loch Awe – Foto: P. Tomkins Visit Scotland Scottish Viewpoint/Divulgação Rabbie’s Tours

Outlander

A Escócia é um país com paisagens de tirar o fôlego e uma história milenar. Antes de tudo, é a terra de lendas celtas, castelos medievais, a gaita de fole, o kilt e os fabulosos single malts. O espírito guerreiro e as heranças gaélicas, nórdicas e saxãs moldaram a cultura escocesa.

Além das cavalgadas com os Borderes, vamos conhecer a cavalo belos campos da Escócia. Cavalgaremos por vales, campos com muitas ovelhas e praias.

O cenário nos levará de volta ao tempo dos confrontos de clãs e contos românticos de donzelas em perigo que vimos na série Outlander. Depois, ao final, podemos nos qualificar como um escocês honorário, participando de um jogo kilt, bebendo um single malte e apreciado um bom cachimbo.

Paulo Junqueira, em sua coluna da semana, escreve sobre uma cavalgada para a Escócia, adiada para 2022 por conta da pandemia de covid-19

The Kelpies

Nossa programação termina com uma viagem até Falkirk. Lá está as The Kelpies, esculturas enormes em forma de cabeças de cavalo, feitas com armação de metal e revestidas com aço inoxidável.

Elas estão na entrada do canal Forth and Clyde e são consideradas a maior escultura de equinos do mundo. Pesam 300 toneladas e foram inspiradas em uma criatura mitológica que assombrava os rios e córregos da Escócia e era conhecida por possuir a força e a resistência de dez cavalos.

Por Paulo Junqueira Arantes
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Cavalgada em Parques Nacionais

Paulo Junqueira, em sua coluna da semana, faz um passeio por diversas regiões do mundo contando histórias sobre cada um dos locais

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Na maioria dos países do mundo existem centenas de Parques Nacionais aonde se permitem cavalgadas. Ademais, organizadas obedecendo critérios que visam a proteção de seu ambiente.

Cavalgar em um Parque Nacional é uma experiência de contato com uma natureza diferenciada e preservada. Além disso, proporciona melhor consciência e compreensão de seus valores naturais e culturais, a conscientização da importância de preservar aquele local para que ele continue existindo.

A maioria dos Parques Nacionais que permitem cavalgadas tem um Código de Boas Práticas com orientações para minimizar os impactos sobre os valores naturais e culturais. Isso inclui garantir que os cavalos sigam por caminhos apropriados, geralmente em trilhas de manejo pré-estabelecidas.

Infelizmente o Brasil é um dos poucos países do mundo aonde ainda não se permite cavalgadas em Parques Nacionais/Unidades de Conservação. Desse modo, a ABTE – Associação Brasileira de Turismo Equestre vai apresentar ao ICMBio, responsável pela gestão das Unidades de Conservação federais, uma Proposta Técnica de Normatização de Turismo Equestre em Unidades de Conservação.

Vale ressaltar, entretanto, que a Proposta não contempla todos os Parques Nacionais. Somente aqueles que são adequados às atividades de turismo equestre. Espero que em breve seja possível cavalgar em Parques Nacionais no Brasil.

O Turismo Equestre em Unidades de Conservação contribuirá, sem dúvida, para o desenvolvimento sustentável dessas áreas e seu entorno. Eu já cavalguei em muitos Parques Nacionais ao redor do mundo, experiências inesquecíveis. Destaco alguns nas linhas a seguir.

Nahuel Huapi

Parque Nacional Nahuel Huapi – Bariloche – Argentina

Primeiro Parque Nacional da Argentina, o Nahuel Huapi tem a oeste uma cadeia de montanhas que separa a Argentina do Chile. Subimos até essa divisa, uma das cavalgadas mais bonitas que já fiz na vida. Uma vista espetacular para vários picos e vulcões no lado chileno. Ao mesmo tempo em que no lado argentino, o famoso Monte Tronador bem próximo.

Los Glaciares

Parque Nacional Los Glaciares – Calafate – Argentina

Localizado no sudoeste da Patagônia, também na fronteira com o Chile, o Los Glaciares abriga 47 geleiras, altas montanhas cobertas de neve, lagos, rios glaciais, florestas e estepes subantárticas. Fiz várias cavalgadas nesse parque em diferentes viagens. Assim, em cada uma explorei uma região e fica difícil dizer qual é mais espetacular. Mas arrisco dizer que a vista do Mirante do Glaciar Upsala é surreal.

Lanin

Parque Nacional Lanin – Junin Los Andes – Argentina

Parque conhecido pelo vulcão Lanín, permanentemente nevado, pelo lago Huechulafquen e os bosques de árvores centenárias de grande porte. Nessa cavalgada percorri a cavalo a floresta mais bonita que conheci (Coihues, Lengas, Araucárias – que eles chamam de pehuén e cipreste patagônico). Essa foi uma viagem especial que organizei para uma filmagem com a EPTV Globo de Campinas. Os cavalos de nosso guia mapuche nos levaram a lugares incríveis.

Parque Nacional Los Cardones – Salta – Argentina

Los Cardones é uma das maiores reservas da Argentina. Nela cavalguei num mar de cactos da espécie cardón. Um cardón vive cerca de 400 anos e depois seca. Os moradores locais dizem que debaixo de cada cacto da espécie cardón existe um indígena enterrado.

Parque Nacional Cotopaxi – Equador

Primeiramente, o Cotopaxi é um dos vulcões ativos mais altos do mundo. A CNN Travel inclui essa cavalgada pela avenida dos vulcões como uma das melhores cavalgadas do mundo. Dessa forma, cavalgar na companhia dos chagras, que são os vaqueiros dos Andes Equatorianos, foi uma oportunidade para conhecer a cultura equestre dos altos campos andinos do Equador. Merece destaque a beleza cênica dos 11 vulcões que existem na Cordilheira.

Bryce Canyon – Foto: John e Lisa Merrill

Parque Nacional Bryce Canyon – Utah

Composto por uma coleção de gigantescos anfiteatros naturais, o Bryce Canyon foi formado pela erosão de rios e rochas sedimentares. É uma cavalgada em cenários de filmes do Velho Oeste.

Parque Nacional de Yellowstone – Wyoming

Primeiro Parque Nacional do mundo, essa foi a primeira viagem a cavalo que fiz fora do Brasil. O parque é enorme e muito diverso. Vi muitos animais, incluindo os bisões, muito interessantes, me lembraram dos filmes com índios.

Parque Nacional do Grand Canyon – Arizona

Cavalgar no maior cânion do mundo está na lista de desejos de muitos. Com toda a certeza, é uma cavalgada de tirar o fôlego. Desci com uma mula da empresa de Fred Harvey, que desde 1887 opera com mulas no parque. Na descida dá para observar as camadas de rocha revelando a linha do tempo da Terra.

Hustai

Parque Nacional Hustai (ou Khustain Nuru) – Mongólia

 A razão de minha visita ao parque foi para ver os cavalos Takhi (cavalos de Przewalski), reintroduzidos na região em 1990. Foi uma experiência incrível poder chegar perto (relativamente) deles e observá-los. Ademais, o cavalo de Przewalski é o único cavalo realmente selvagem do mundo (que nunca foi domesticado). A viagem a cavalo na Mongólia foi uma experiência de convivência com um povo que mantém suas tradições pastorais e cuja cultura está baseada em cavalos.

Göreme

Parque Nacional de Göreme – Capadócia – Turquia

Cavalgada em uma paisagem espetacular, totalmente esculpida pela erosão. O vale de Göreme e seus arredores contêm santuários, moradias, aldeias e cidades subterrâneas, tudo escavado na rocha. A cavalo passamos por lugares que não estão em rotas turísticas. Essa cavalgada é, sobretudo, classificada pela National Geographic como Top Horseback Ride.

Peneda-Gerês

Parque Nacional da Peneda-Gerês – Portugal

Única área protegida portuguesa classificada como Parque Nacional. Antes de mais nada, nas vilas de seu entorno são preservados valores e tradições muito antigas. A principal razão de minha viagem até lá foi para cavalgar num Garrano e ver esses pequenos cavalos selvagens vivendo em liberdade pelo parque, convivendo com seu predador, o lobo ibérico. Montei num garanhão muito bom e durante a cavalgada tive oportunidade de encontrar gado da raça barrosã e os famosos cães de Castro Laboreiro.

Hwange

Parque Nacional Hwange – Zimbábue

Esse parque deve entrar na lista de qualquer amante de safáris. Inegavelmente, ele tem uma das maiores diversidades de mamíferos dentre os parques nacionais do mundo, incluindo cerca de 50 mil elefantes. Bem como uma das maiores populações de cães selvagens (que estão ameaçados de extinção). Fiz essa viagem quando estavam organizando o primeiro safári a cavalo do parque, uma oportunidade de grande aprendizado.

Petra

Parque Nacional de Petra e Wadi Rum Area Protegida – Jordânia

Desde tempos imemoriais o povo nômade do deserto da Jordânia cria cavalos. Montando em cavalos árabes, explorei a antiga cidade nabateia de Petra, uma das modernas Sete Maravilhas do Mundo, e o deserto de Wadi Rum, uma paisagem desértica impressionante. Dormindo em tendas de pêlo de cabra aprendi com meu guia sobre tradições beduínas. Além disso, a hospitalidade é uma das características mais marcadas deles. Acreditam que se tratarem bem alguém em sua tenda terão o mesmo tratamento quando forem fazer uma visita em outro acampamento. Não apenas um simples ato de educação, mas também de sobrevivência, pois sabem que as jornadas no deserto são difíceis.

Parque Natural de Maremma – Toscana – Itália

Região acidentada da Toscana, conhecida pelos cavaleiros/vaqueiros ‘butteri’ que ainda trabalham a terra como o fizeram por séculos. Em outras palavras, montando um cavalo Maremmano, raça nativa da região, percorri caminhos traçados pelos etruscos e romanos.

Madonie e do Etna

Parque Nacional Madonie e Parque Nacional do Etna – Sicília – Itália

Numa mesma viagem a cavalo visitei dois Parques Nacionais. Comecei pelo Madonie, aonde subimos montanhas com afloramentos rochosos que datam de milhões de anos. Nas partes mais altas, vistas espetaculares a perder de vista. O final da cavalgada foi na base do Etna, vulcão ativo mais alto da Europa e um dos vulcões mais ativos do planeta. Só para ilustrar, ele está em um estado de erupção quase contínua há meio milhão de anos. Explorar a área do Etna a cavalo revela, sem dúvida, uma história escrita na lava.

Camargue

Parque Nacional de Camargue – Reserva Natural Nacional – Sítio RAMSAR – Patrimônio Europeu – Reserva da Biosfera da UNESCO – Provence – França

Meu principal objetivo nessa viagem foi conhecer a raça de cavalo Camargue ou Camarguês, nessa bela região aonde vive o famoso horseman Lorenzo. Considerada uma das raças mais antigas do mundo, durante séculos, o cavalo Camarguês viveu selvagem no ambiente hostil dos pântanos e nas zonas úmidas do delta do Ródano. Aqueles que os domesticam e trabalham na lida com o gado são conhecidos como Le Gardians. Esses vaqueiros são realmente seus ‘guardiões’, pois preservam a raça e suas tradições. Cavalguei alguns dias nessa bela região montando um Camarguês, acompanhando os ‘guardiões’. Foi mais um rico de aprendizado sobre tradições e cultura equestre.               

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
www.cavalgadasbrasil.com.br

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Cavalgadas Brasil

Cavalgada e Tradições Equestres: estribos e selas

Paulo Junqueira conta, na coluna da semana, sobre como cavalgar em diferentes países é uma ótima oportunidade para conhecer a cultura local e diferentes tradições equestres

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Com toda a certeza, cavalgar em diferentes países é uma ótima oportunidade para conhecer a cultura local e as diferentes tradições equestres espalhadas pelo mundo.

Desse modo, em uma cavalgada fora de nosso país de origem, temos a chance de conhecer diferentes raças, outros estilos de equitação. Bem como aprender sobre as tradições, a cultura equestre local. E, assim, também conhecer e usar diferentes equipamentos de montaria.

Neste último quesito, a variedade de selas, estribos e freios é imensa. Assim, no texto de hoje escrevo sobre alguns estribos e selas que tive a oportunidade de usar pelo mundo afora. Desde estribos de ‘corda’ artesanais aos ricamente ornamentados. Típicos de cada região/país, a maioria com características únicas.

Estribo típico peruano com detalhes em prata

Estribos

As primeiras versões de estribos datam da Índia no Século 2 a.C. Originalmente feitos de fibra ou couro, eram apenas tiras simples, para colocar o dedão do pé. Somente no Século 8, os estribos chegaram à Europa e representaram o maior avanço na equitação de todos os tempos.

E como escreveu o grande mestre Bjark Rink, os estribos desempenharam um papel importante na expansão da civilização moderna. Eu tenho uma pequena coleção de selas e estribos que usei em diferentes cavalgadas ao redor do mundo, vou mostrar alguns deles.

Paulo Junqueira conta sobre como cavalgar em diferentes países é uma ótima oportunidade para conhecer diferentes tradições equestres
Sela típica marajoara

Brasil

Na ilha do Marajó encontrei o estribo mais ‘curioso/diferente’ de nosso país. Ele é bem pequeno, para colocar somente o dedão do pé. Devo lembrar que na ilha, em boa parte do ano, o vaqueiro lida com os Búfalos na água. Por isso cavalgava descalço, sem botas.

Hoje em dia é mais difícil encontrar um vaqueiro que ainda use esse tipo de estribo. Mas, a maioria usa bota de borracha. A sela Marajoara também é bem peculiar, única no gênero. Fabricada em Soure, ‘capital’ da Ilha, com couro de Búfalo e madeira local.

Sela típica peruana

Peru

A cavalgada que fiz no Vale Sagrado a caminho de Machu Picchu, com cavalos Paso Peruano, foi uma experiência inesquecível. Nela usamos a sela típica peruana, que é fruto de mais de 400 anos de tradição.

Primeiramente, foi moldada pela necessidade de conforto ao viajar longas distâncias e cruzar terrenos difíceis à cavalo. Aquelas usadas em desfiles são obras de arte com detalhes em prata. Levam, sobretudo, até um ano para serem feitas. Produzidas à mão e projetadas para distribuir o peso corporal por uma grande parte do dorso do cavalo, minimizando assim a tensão do cavalo e do cavaleiro.

Os estribos parecem uma caixa de madeira, são pesados e  muito bonitos. Quando os espanhóis chegaram ao Peru não encontraram nenhuma fonte local de ferro para fazer estribos. Então,  projetaram o estribo da caixa de madeira e o adornaram com prata.

Paulo Junqueira conta sobre como cavalgar em diferentes países é uma ótima oportunidade para conhecer diferentes tradições equestres
Estribo típico no Chile

Chile

Quando fiz a Travessia dos Andes, da Argentina ao Chile, a sela era de armação de madeira. Continha ainda várias peles de ovelha em camadas sobre o topo e estribos tipo gaiola de couro. Ao cruzar para o Chile trocamos de cavalos. 

Os cavalos Argentinos não podem entrar no Chile. Os estribos das selas tradicionais chilenas são de madeira, muito bonitos, entalhados artesanalmente. Já vi em alguns lugares sendo usados como decoração.

Sela típica mongol – Foto: Debbie Green

Mongólia

Os mongóis cavalgam de pé nos estribos. As selas e estribos tradicionais são quase uma obra de arte. As selas são de madeira, bruta, cobertas somente tecidos decorativos. Sem condições para quem cavalga em nosso estilo, por isso usei uma sela de trilha.

Paulo Junqueira conta sobre como cavalgar em diferentes países é uma ótima oportunidade para conhecer diferentes tradições equestres
Sela típica portuguesa

Portugal

Eu já cavalguei em várias regiões de Portugal. Por exemplo, na região do Parque Peneda Geres, divisa com a Espanha; no litoral próximo a Lisboa; no Ribatejo e no Alentejo. Na maioria das cavalgadas usei as selas tradicionais portuguesas, originalmente concebidas para touradas e trabalho com o gado no campo.

O punho e a patilha altos oferecem segurança ao cavaleiro ao executar mudanças rápidas de direção e ritmo. Os estribos de madeira, em forma de caixa, são frequentemente adornados e gravados com o nome da Quinta ou Herdade.

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
www.cavalgadasbrasil.com.br

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