Raphael Simone Neto transforma experiência no cavalo em estratégia para o mercado equestre

Proprietário da FF Criação reúne vivência nas pistas, atuação na comunicação e participação em entidades ligadas às Rédeas e ao Laço

A relação de Raphael Simone Neto com os cavalos começou ainda na infância e atravessa gerações. Influenciado pelo avô e pelo pai, ele ganhou seu primeiro animal aos sete anos e, por volta dos 18, passou a participar de competições. Décadas depois, essa convivência se transformou também em profissão, fazendo dele um nome presente na comunicação, em leilões e na gestão de entidades do setor equestre.

Proprietário da FF Criação, Raphael atua no desenvolvimento de campanhas para garanhões, criadores, leilões e diferentes projetos ligados ao cavalo. Paralelamente, é diretor de marketing do NARC – Núcleo Anhanguera do Cavalo de Rédeas, membro do Conselho Fiscal da Associação Brasileira de Laço em Dupla (ABLD) e administrador tesoureiro da Associação Nacional do Laço Individual (ANLI).

Sua caminhada com o Quarto de Milha teve início em 1984. Na época, Raphael observava a diferença apresentada pelos animais da raça dentro das pistas e decidiu adquirir seu primeiro exemplar.

“Começamos a perceber que muita gente já competia com o Quarto de Milha e que os animais apresentavam uma diferença muito grande nas provas. Foi quando comprei meu primeiro cavalo da raça e passei a competir”, relembra.

Comunicação equestre começou entre amigos

A atuação profissional no setor teve início em 1999, quando Alexandre Novaes, amigo de Raphael, importou dos Estados Unidos o garanhão Country Dunny e procurou ajuda para trabalhar sua divulgação. Raphael já possuía uma agência de publicidade, então voltada principalmente ao mercado de cosméticos, e aceitou desenvolver a campanha.

O projeto, inicialmente realizado como uma colaboração entre amigos, despertou o interesse de outros criadores e proprietários. Como Raphael já mantinha contato com pessoas das Rédeas, do Laço, da Apartação e de outras modalidades, novos trabalhos começaram a surgir.

“Passei a desenvolver anúncios para os amigos e a ocupar muitas páginas nas revistas ligadas ao Quarto de Milha. As pessoas percebiam que os materiais eram diferentes do padrão daquele período. Começamos a mudar um pouco a maneira como os anúncios eram apresentados e crescemos bastante nessa área”, conta.

Assim se consolidou a FF Criação, empresa que também carrega uma forte característica familiar. A esposa acompanha Raphael em leilões e eventos, enquanto a rotina da família permanece diretamente ligada ao meio equestre.

“A FF é uma empresa familiar. Procuramos participar do máximo possível de eventos presenciais, mesmo quando não estamos diretamente envolvidos na organização. Estamos ao lado de pessoas que, além de clientes, são nossos amigos e fazem parte da nossa convivência.”

Conhecimento das pistas como diferencial

Para Raphael, o principal diferencial da FF Criação está no conhecimento adquirido dentro do próprio mercado. O trabalho não se limita ao desenvolvimento de peças publicitárias, mas envolve a compreensão dos objetivos do criador, das características dos animais e do comportamento do público.

“A FF não é apenas uma agência que cria. É uma agência que pensa junto com o cliente, seja para um leilão, uma campanha de garanhão ou outro projeto. Ao mesmo tempo em que desenvolvo o material, também sou a pessoa que está do outro lado, consumindo aquele conteúdo”, explica.

Essa proximidade permite acompanhar a resposta do mercado às campanhas. Entre os resultados mais gratificantes, Raphael cita os momentos em que uma divulgação aumenta a procura por informações, coberturas ou produtos de determinado animal.

Ele ressalta, porém, que a publicidade equestre exige continuidade. “Uma campanha é construída em médio prazo. Não significa que você fará uma divulgação hoje e venderá 50 coberturas amanhã. Por isso, quando o mercado assimila o trabalho e o criador percebe o retorno, consideramos um resultado muito importante.”

A convivência com diferentes modalidades também contribuiu para formar sua visão sobre os cavalos de esporte. Entre todas as características desejáveis, Raphael considera a índole o primeiro aspecto a ser observado.

“O Quarto de Milha se destaca muito pela índole. É fundamental ter um cavalo que aceite o treinamento e aquilo que o profissional determina durante o adestramento, mas que também mantenha seu brilho. Depois vêm a habilidade e as características específicas de cada modalidade.”

Atuação nas entidades amplia visão do mercado

A participação de Raphael em entidades ligadas às Rédeas e ao Laço surgiu do relacionamento construído ao longo dos anos. As experiências permitem acompanhar as demandas de competidores, criadores, proprietários e organizadores, além de entender os desafios enfrentados dentro das pistas.

“Para trabalhar com publicidade no mercado equestre, não basta conhecer somente a comunicação. Também é necessário conhecer a pista, os animais e as pessoas que fazem parte desse universo”, destaca.

No NARC, Raphael acredita que o caráter familiar das Rédeas representa uma oportunidade para aproximar novos públicos. A possibilidade de iniciar crianças desde cedo favorece a formação de competidores e a permanência das famílias na modalidade.

“As Rédeas acolhem muito bem as famílias e valorizam bastante a participação infantil. Existem pessoas que competem no núcleo e ainda nunca participaram de uma prova nacional. Esse trabalho regional é importante para apresentar a modalidade e preparar novos competidores.”

Na ABLD, uma das discussões acompanhadas por ele envolve a aproximação entre os níveis adotados pela entidade e os critérios da Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Quarto de Milha (ABQM). A intenção é ampliar as possibilidades de pontuação e fortalecer a integração entre as provas.

Já na ANLI, Raphael acompanhou o crescimento do Laço Individual e a valorização dos cavalos e das linhagens voltadas à modalidade. Para ele, esse avanço resulta do trabalho realizado por diferentes diretorias e da continuidade dos projetos.

O Breakaway também ganhou espaço em sua trajetória. A proximidade com pessoas dedicadas à modalidade fez com que Raphael e sua família passassem a acompanhá-la mais de perto.

“Aprendemos a gostar do Breakaway. É uma modalidade que cresceu muito e continua avançando. Existe uma vontade grande de contribuir para que esse desenvolvimento aconteça de maneira cada vez mais organizada.”

Patrocínios são fundamentais para ampliar o acesso

Apesar das características próprias das Rédeas, do Laço em Dupla, do Laço Individual e do Breakaway, Raphael identifica um desafio comum: tornar as provas mais acessíveis e, ao mesmo tempo, oferecer premiações atrativas.

“O competidor gostaria de gastar menos e ter a possibilidade de ganhar mais. Todos querem inscrições acessíveis e premiações maiores, porque isso ajuda a trazer novas pessoas. A principal maneira de alcançar esse equilíbrio é por meio dos patrocínios”, avalia.

Segundo ele, empresas e criadores têm compreendido melhor a importância de investir no esporte. Esse apoio permite melhorar a estrutura das competições, ampliar as premiações e movimentar toda a cadeia profissional ligada ao cavalo.

Raphael também observa que o mercado equestre brasileiro se tornou mais especializado. Atualmente, diferentes áreas contam com profissionais que prestam serviços e encontram no setor uma fonte de renda. O aumento no número de provas e a expansão de modalidades como a Vaquejada e o Laço Comprido reforçam esse cenário.

Entre os pontos que ainda podem evoluir, ele defende maior valorização dos machos inteiros nas competições, considerando não apenas os títulos conquistados, mas também a regularidade e a competitividade apresentadas nas pistas. O reconhecimento esportivo, segundo Raphael, pode refletir diretamente no valor genético e comercial desses animais.

Para o futuro, os objetivos da FF Criação permanecem ligados ao fortalecimento das modalidades, ao apoio aos criadores e à divulgação de novas genéticas.

“Vivemos o cavalo 24 horas por dia. Durante a semana, trabalhamos com projetos do setor e, nos finais de semana, geralmente estamos em provas, leilões ou eventos. Queremos continuar próximos das pessoas e ajudar essa roda a girar.”

Mais do que a profissão, Raphael destaca o caráter familiar como um dos aspectos mais importantes do universo equestre.

“O que mais me agrada é ver pai, filho, irmão, tio e tia juntos. O cavalo faz parte do nosso trabalho, mas também da nossa vida e da nossa família.”

Por Heloisa Alves/Revista Roper’s Sports
Fotos: Arquivo Pessoal/Raphael Simone Neto

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