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Cenário de filme é o lar de família brasileira que vive do cavalo

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Buscando qualidade de vida, família Pucci transformou a paixão pelo cavalo em novos desafios na Argentina

Ronaldo, Alessandra, Giovanna, Rodrigo e Lucas Pucci vivem hoje em Bariloche, Argentina. No Haras El Padán, situado em Los Lagos, há 20 quilômetros de Bariloche, respiram cavalo 24 horas por dia. Em 2010 eles decidiram mudar do Brasil em busca de qualidade de vida, novos horizontes e mais segurança para os filhos.

A cidade, que fica na região da Patagônia argentina, junto à Cordilheira dos Andes, representa um cenário de filme. Sobretudo, pelas belas paisagens nos arredores, especialmente quando neva, e ainda uma natureza exuberante e tranquilidade para viver. Contudo, não foi uma adaptação fácil, principalmente pelas condições climáticas da região. Além disso, houve um choque cultural, inesperadamente, relacionado ao mundo do cavalo.

De acordo com o relato da família Pucci, encontraram uma zona muito pobre de informação e muito resistente em tudo que era relacionado ao cavalo, doma, treinamento, manejo, cuidados, entre outros. Visto que estavam acostumados a uma rotina muito diferente desde que começaram a se envolver no Quarto de Milha no Brasil.

Buscando qualidade de vida, família Pucci transformou a paixão pelo cavalo em novos desafios e se mudou para a Argentina, onde vive até hoje
Família Pucci

Diferenças e adaptação

Quando chegou à Patagônia, a família Pucci descobriu que o cavalo Quarto de Milha lá tinha rejeição por sua origem norte-americana. Havia abundância de cavalos de Corrida, levados às estâncias para o trabalho do dia a dia. Como não deu certo, as pessoas do meio na região não queriam saber da raça. Os brasileiros, então, tiveram que se reinventar. Acima de tudo, reinventar o modo como os animais eram tratados por lá.

Eventualmente, a experiência no Brasil os fez implementar um trabalho de base e difusão de um sistema de doma muito mais apropriado para o que estavam acostumados a lidar. Os argentinos usam um modo que remonta de 100 anos e que não funcionava mais nos dias atuais. Surgiu, assim, a ideia do centro de treinamento da família, voltado à doma, redoma, cursos, qualificação profissional e assessorias nas fazendas. Logo depois, em 2011, adquiriram o primeiro Quarto de Milha na Argentina, com linhagem de trabalho.

Uma aposta que se mostrou certeira quando os resultados obtidos com o animal chamaram atenção das pessoas envolvidas com cavalo nos arredores. Em virtude de uma exposição positiva, a família Pucci foi convidada pelo Haras El Padán, onde estão até hoje. Com a experiência do Brasil, ajudaram a implementar no local um plantel com genética  de trabalho, especialmente Rédeas, animais provenientes dos dois principais criadores da Argentina que importam cavalos do Brasil e Estados Unidos.

Acima de tudo, contam com ajuda ainda de profissionais de fora, como a veterinária Luli Kratschmer, o treinador Edvaldo Gonçalves e de Sergio Moraes, que trabalha com o método John Lyons.

Buscando qualidade de vida, família Pucci transformou a paixão pelo cavalo em novos desafios e se mudou para a Argentina, onde vive até hoje
Haras El Padán

Participação ativa no meio do cavalo argentino

Com as coisas mais estabilizadas hoje, a família Pucci está sempre presente nas provas de duas associações argentinas: CACCM – Criadores Argentinos do Cavalo Quarto de Milha; e ACRA – Associação de Cavalos de Rédeas da Argentina. A maior parte das provas é de Rédeas e boi, realizadas na região de Buenos Aires, a 1.700 quilômetros de distância do haras.

No dia a dia da família cabe não só a parte esportiva, como também atua na reprodução. O Haras El Padán vive a expectativa dos embriões e de futuros nascimentos de potros nas linhagens de Rédeas e boi, com o intuito de se tornar cada vez mais referência como criador e na localidade. Eles ainda desenvolveram um projeto de cavalgadas largas na Patagônia, chamado Patagonia Ranch Working, que foi pensado nos dias de trabalho de uma fazenda de gado da região.

Trabalham, atualmente, com 40 cavalos, 98% da raça Quarto de Milha. Pela falta de capacitação de pessoal, optaram por não tratar nenhum cavalo com ração ou grãos. Todos os animais, desde o nascimento, têm a base da alimentação com verde (alfafa) e sal mineral comum.

Eles não pensam em voltar ainda para o Brasil. Porém, acreditam que essa hora chegará no futuro.

Ronaldo

Ronaldo Quintanilha Pucci

Nascido em São Paulo, capital, 52 anos, Ronaldo Pucci é ex-proprietário da Austin Western, treinador e competidor de Laço de Bezerro. O contato com o cavalo começou muito cedo na fazenda da família ainda criança.

“Ainda pequeno, a primeira modalidade que tive contato, foi rodeio em cavalos quando minha babá fez minha inscrição na montaria de pequenas mulas para crianças, no Parque da Água Branca, em São Paulo. Depois de adulto, apaixonado pela modalidade Laço de Bezerro, treinei durante muitos anos com Ovídio Brito, Francisco Brito e Frederico Werneck. Hoje trabalho e pratico Laço Cabeça, Laço Pé, Apartação e Rédeas.

Nesse meio tempo, o cavalo mais marcante que passou pela minha vida, foi um neto de Shinning Spark, chamado Shinning Beauty. Domado e treinado por mim, que tornou-se o que se conhece como All-Around, ou seja, um cavalo completo. Ele podia apartar, laçar bezerro, laçar cabeça e trabalhar em cow horse, como se fosse para ele a coisa mais natural. Como garanhão deixou ótimos filhos.

A prova que mais marcou minha carreira foi com uma égua Wimpy Little Step, uma prova de versatilidade com as modalidades Ranch Cutting, Ranch Cow Horse, Team Penning, Ranch Sorting e Conformação. O juiz era o atual presidente da AQHA, Sr. Jim Heird, consagrando a égua grande campeã. Cavalo pra mim é vida, cumplicidade e força.”

Buscando qualidade de vida, família Pucci transformou a paixão pelo cavalo em novos desafios e se mudou para a Argentina, onde vive até hoje
Alessandra

Alessandra Rocha Pucci

Natural de São Paulo, como o marido, Alessandra Pucci, 47, é formada em Turismo, pela Faculdade Anhembi Morumbi, atuando hoje no Haras El Padán na administração e publicidade.

“Meu primeiro contato com cavalos foi quando estudava no colégio do Jockey Club de São Paulo. Uma amiga que fazia Hipismo Clássico na Hípica Paulista me levava com ela. Apaixonada pelos rodeios, e pela modalidade Três Tambores, meu mundo no cavalo começou em 1997. Fui levada pela amiga Anália Fonseca, competidoras de Três Tambores e Breakaway Roping, à Hípica Versátil, na época ainda localizada em Arujá/SP.

Conheci o treinador Abelardo Peixoto, hoje presidente da NBHA Brasil, que me convidou para provar uma aula. Desse dia em diante, comecei a aprender, treinar, me dedicar e me apaixonar cada vez mais. Assim como conheci também a modalidade Seis Balizas, que foi outra disciplina que acabei me dedicando.

Durante a minha trajetória no Quarto de Milha, montei muitos cavalos, mas dois deles marcaram muito a minha vida. Um filho de Docs Gamay, chamado Peppys Gamay HED, foi um cavalo que me proporcionou muitas alegrias e vitorias. Muitas provas ficaram marcadas, mas uma delas que vale destacar, foi em 1999, no Congresso Brasileiro da ABQM, em Presidente Prudente/SP. Fui consagrada campeã em Baliza. Outro cavalo importante, mas daqui da Argentina, foi uma égua chamada Chacayal Bandolera, que também foi consagrada campeã em 2015 no Campeonato Nacional de Tambor. Pra mim, o cavalo é amor sem limites.”

Giovanna

Giovanna Rocha Pucci

Aos 16 anos, Giovanna Pucci, natural de São Paulo, vive em Bariloche, cursando terceiro ano do colegial.

“Meu contato com o cavalo foi em casa, ainda bebê, quando meu pai laçava e eu ficava na pista dentro do carrinho. Conheci o Laço e o Tambor ao mesmo tempo, quando meus pais competiam no Brasil. Minha paixão pelos cavalos, sem dúvida, está no meu DNA. Em 2017, fizemos uma viagem aos Estados Unidos, para assistir o NRHA Futurity, e visitamos o Cardinal Ranch, quando me chamou atenção a modalidade Rédeas.

Um mês depois, o Franco Bertolani veio para a Argentina para um curso, desse modo venho praticando e aprendendo a amar cada vez mais a disciplina. Em 2018, representando Argentina, participei do Rédeas de Ouro no Paraná, trazendo um troféu de segundo lugar. Em seguida, em 2019, mais uma vez representando Argentina, participei da primeira ANCR International Open. Outro resultado veio no começo de 2020, quando participei de uma prova do Núcleo Anhanguera, no Brasil, com a égua Sweet Peppy Uba, de propriedade do Gilson Vendrame, ficando em segundo lugar.”

Buscando qualidade de vida, família Pucci transformou a paixão pelo cavalo em novos desafios e se mudou para a Argentina, onde vive até hoje
Giovanna

Objetivos e sonhos

“Assim sigo com meu objetivo, que é continuar aprendendo e me aperfeiçoando nos Estados Unidos, com os melhores treinadores e ser uma excelente profissional futuramente. Hoje em dia, meu pai é meu treinador e sempre que posso e a escola me permite, participo de cursos e viajo para o Brasil para seguir aprendendo com Gilson Vendrame, que me ajuda, me ensina e me leva com sua equipe de trabalho para participar das provas.

O cavalo que mais marcou a minha vida foi meu primeiro cavalo de Rédeas, Rey Jay Shiners, que meu pai comprou no curso do Franco aqui na Argentina. Com ele, fui campeã em 2019 no Campeonato Nacional, na cidade de Córdoba. Como resultado, fui classificada para o mundial de 2020. Outra prova marcante foi a Copa Haras El Padán realizada em março de 2020, que ganhei atingindo 214,5 a melhor nota da prova e ainda batendo meu recorde em pista.

Pra mim, o cavalo representa amor, paixão, liberdade, cumplicidade, felicidade, lealdade e força. Quando estou com ele me sinto completamente livre, nada me preocupa, só estamos nós dois, uma sensação positiva que sempre quero sentir. Uma felicidade e um amor extremamente grande. É meu lugar acolhedor.”

Por Luciana Omena
Crédito das fotos: Arquivo Pessoal

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Haras Passira: há 40 anos criando Quarto de Milha com qualidade genética

Conheça um pouco da história do criatório pernambucano, fundado no ano de 1980 pelo engenheiro químico Ismar Gomes de Amorim Filho, um verdadeiro apaixonado pela raça

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O Haras Passira, localizado no município de Gravatá/PE, é um bom exemplo de uma criação de sucesso de cavalos Quarto de Milha na Região Nordeste do Brasil. Antes de mais nada vale frisar que o criatório foi fundado pelo engenheiro químico Ismar Gomes de Amorim Filho, que sempre esteve envolvido com o mundo rural.

Afinal, aos quatro anos de idade, ganhou o seu primeiro animal. Foi um presente dado por seu pai, um tordilho da raça Crioulo Nordestino. Depois, já na fase adulta, entre os anos de 1964 e 1972, Ismar começou a correr Vaquejada.

O amor que sempre teve pelos esportes equestres e pelos atributos do cavalo Quarto de Milha – como docilidade, velocidade, inteligência e habilidade -, foram decisivos na escolha de Ismar Amorim por essa raça. Esta que hoje é responsável pela grandeza da Vaquejada nas regiões Norte e Nordeste e que se espalha por todo País cada dia mais.

Ismar na época em que apresentava cavalos de Conformação – Foto: Arquivo Pessoal
Rodrigo montando nos primeiros animais adquiridos da raça Quarto de Milha – Foto: Arquivo Pessoal

Início da criação Haras Passira

Contudo, foi no de 1980 que Ismar iniciou a sua criação no município de Passira/PE (vindo daí o nome do Haras “Passira”). Após 10 anos, mudou-se para Gravatá/PE. “Neste meio tempo descobrimos que o nome Passira, em tupi guarani, significa “lugar encantado”. Sendo assim, o nome vai continuar se perpetuando como Haras Passira”, afirma Ismar.

De acordo com o criador, o local conta com uma área total de 240 hectares, sendo 210 de pastagens divididas em 32 piquetes e oito maternidades. Além disso, sua estrutura física é composta de 56 baias, centro de manejo, dois redondéis para treinamento e uma pista de vaquejada.

Ismar, Alessandra e Eduarda na construção do haras já em Gravatá – Foto: Arquivo Pessoal
Equipe Haras Passira – Foto: Arquivo Pessoal

Com relação a equipe de campo, uma cartela variada de profissionais qualificados. Entre eles: gerente, tratadores, domador, casqueador, tratorista e vigilância, além de dois veterinários terceirizados com suas respectivas equipes, todos em perfeita sintonia com os projetos de melhoramento genético do Haras.

Ademais, a paixão por cavalos também foi transferida para a esposa Christina e os três filhos do casal: Alessandra, Rodrigo e Eduarda, que abraçaram a criação de Quarto de Milha. Estando, assim, todos presentes no dia-a-dia do Haras Passira.

Ismar com os filhos Alessandra, Eduarda e Rodrigo – Foto: Arquivo Pessoal

Perfil do criatório

Ainda conforme Ismar, o perfil do criatório do Haras Passira prioriza a Vaquejada, como também as modalidades de trabalho, Corrida, Tambor e Baliza, Laço em Dupla e Laço ao Pé. “Em minha opinião, as modalidades de Tambor e Baliza são importantes para a iniciação das crianças no mundo equestre. Meu filho Rodrigo começou a correr nestas provas, o que me deu a certeza absoluta que este é o melhor caminho para a juventude na construção da amizade e da boa convivência esportiva”.

Sem dúvida, El Two Eyed faz parte da base genética do Haras Passira – Foto: Arquivo Pessoal

Assim, o criatório já possuía matrizes de linhagens consagradas como: Eternaly Fred, Shady Apolo Bars, Mr Par Three, Dan’s Boy Skippy. Mesmo assim, com o objetivo de melhorar, ainda mais, a qualidade genética do seu plantel, Ismar importou dos Estados Unidos 25 éguas e seis garanhões filhos de Campeões Mundiais. Na época, exigência do Regulamento para Importação da ABQM.

Com isso, a base genética do Haras Passira é composta de três linhagens que fazem parte do seleto grupo do Hall Of Fame e Foundation da AQHA. São eles: Mean and Lean, El Two Eyed e Badgers Nurse.

Mean and Lean – Foto: Arquivo Pessoal

Em busca do aperfeiçoamento das qualidades da raça

Inegavelmente, a busca do criatório do Haras Passira tem sido para aperfeiçoar as qualidades da raça Quarto de Milha. “A minha rotina como criador é procurar sempre fazer cruzamentos que possam aumentar a heterozigoze dos animais. Favorecendo, portanto, a sua estrutura óssea, reduzindo o estresse, aprimorando o “balance”, mas sem perder o “cow-sense”, obviamente. Pois considero esse como a maior virtude do cavalo Quarto de Milha”, diz Ismar.

Em 2006, começou a utilizar para reprodução o jovem garanhão El Patron HAP “Lourinho” (filho de El Two Eyed em mãe Mean and Lean), que precocemente se destacou nas provas de Vaquejada e, atualmente, é produtor de grandes campeões. Do mesmo modo, em meados de 2011, adquiriu o garanhão Beaver Freckles (pontuado em Apartação), como também, no ano de 2019, o garanhão Hot Blood Doc (Registro de Mérito e Superior em Vaquejada).

Hot Blood Doc – Foto: Arquivo Pessoal
Por fim, Eduarda, Alessandra e Rodrigo durante a premiação do 8ª Hall da Fama ABQM – Foto: Arquivo Pessoal

Resultados expressivos

Consequentemente, o Haras Passira tem sido recompensado com resultados acima da média. Tanto em leilões quanto nas competições. Bons exemplos são as vitórias conquistadas em mais de seis campeonatos nos Estados Unidos.

Já no Brasil, o criatório pernambucano produziu campeões em várias modalidades: Vaquejada; Tambor; Baliza; Apartação; Laço em Cabeça; Laço de Pé; e Working Cow Horse. Com vários produtos, aliás, Superiores e Registros de Mérito.

Por fim, para coroar todo o trabalho desenvolvido nestes 40 anos, Ismar Amorim foi um dos homenageados do 8° Hall Da Fama ABQM. “Os meus animais já me deram tantas alegrias que o mínimo que posso fazer é tratá-los com amor e muita responsabilidade”, finaliza Ismar.

Instagram: @haraspassira

Por Natália de Oliveira
Crédito das fotos: Arquivo Pessoal/Haras Passira

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Especialistas discutem problemas de laboratórios veterinários

Reunião técnica, promovida pelo IBEqui, buscou identificar as dificuldades e apontar soluções para os exames no Brasil

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O Instituto Brasileiro de Equideocultura promoveu uma reunião técnica virtual. Especialistas e membros das entidades associadas ao IBEqui trataram, portanto, de questões relacionadas aos exames e laboratórios veterinários de todo o país.

De acordo com nota enviada pelo Instituto são entraves a qualidade, regularidade, pontualidade e os preços dos exames. “Por isso, a importância dessa nossa primeira reunião. A ideia é aprofundarmos a agenda de debates, com o intuito de propor soluções comuns”, frisa Manuel Rossitto, presidente da Junta Administrativa do IBEqui.

Entre outros assuntos citados, as divergências nas análises entre laboratórios veterinários nacionais e internacionais. Do mesmo modo que os problemas de logística e técnicas de colheita. E ainda formas de armazenamento e a de falta de padronização.

Reunião técnica, promovida pelo IBEqui, buscou identificar as dificuldades e apontar soluções para os exames em laboratórios veterinários

Problemas comuns aos laboratórios veterinários

Luciano Beretta, médico-veterinário com mais de 25 anos de experiência no Quarto de Milha, apontou que a reclamação mais comum entre os criadores da raça é a demora para o retorno dos laboratórios. Segundo ele, é um fato que deixa os criadores com várias dificuldades.

Além disso, de acordo com Beretta, os laboratórios estão com dificuldade para garantir o prazo de entrega. Contudo, ele alerta: “quando pagamos uma taxa extra, com valor dobrado, eles te entregam o resultado em 24 horas. Mais de 50% dos criadores, hoje, no Quarto de Milha, pagam essa taxa extra”, acrescenta.

A raça Mangalarga aponta que encontra o mesmo problema. O relato é de Henrique Fonseca Moraes Júnior, superintendente do Serviço de Registro Genealógico da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos da Raça Mangalarga. “Quase todos os laboratórios veterinários têm essa fila. Saíram poucos exames de DNA esse ano com a frequência que a gente precisa”, frisa.

Outro aspecto mencionado por Henrique é a dificuldade para trocar de laboratório. “A gente, às vezes, até gostaria de passar os potros para outro laboratório, mas não temos acesso ao banco de dados com as informações das éguas e dos garanhões.”

Outros entraves

Henrique Machado, superintendente do Serviço de Registro Genealógico da Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador, afirmou que o maior ponto de estrangulamento da raça é o exame de DNA. “Nós só emitimos o registro provisório com a identificação completa. Então, ficamos de mãos atadas. Sem contar que prejudica a entrada de renda para a associação.”

Os laudos errados também são frequentes, de acordo com ele. “Eu tive, recentemente, animais com pais de pelagem sólida e o laboratório qualificou como tordilho. Temos também sumiço de material. É, realmente, um ponto complicado para o Mangalarga Marchador.”

Emílio Fanton, da Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Paint, também apontou a demora nos resultados e a incerteza dos exames após a divulgação como problemas. Segundo ele, é preciso união entre as associações para resolver. “Eu creio que o problema é igual para todos. É importante termos iniciativas como a do IBEqui para resolvermos”, conclui.

Reunião técnica, promovida pelo IBEqui, buscou identificar as dificuldades e apontar soluções para os exames em laboratórios veterinários
Foto: Gribbles Veterinary

Logística dos laboratórios veterinários

Frederico Araújo, superintendente do Serviço de Registro Genealógico da Associação Brasileira do Cavalo Crioulo, afirmou que a logística e a rotina de exames na raça é diferente na questão dos exames de DNA. Conforme conta, 95% dos materiais seguem a um mesmo laboratório.

“Esse material não é de escolha do criador e todas as amostras passam pela associação. Nossos técnicos coletam o material. A associação faz a cobrança junto ao criador e, só então, envia ao laboratório para análise. Com isso, garantimos o recebimento e o envio sabendo que não haverá problemas financeiros”, explica.

Assim, o registro não é relacionado ao vínculo paterno e materno em todos os produtos, de acordo com Araújo: “O nosso maior volume inscrito é fazendo fenotipagem. Mas, mesmo com tudo isso, neste ano, tivemos uma série de dificuldades também com laboratórios, principalmente em relação aos prazos e ao retorno de resultados dos comparativos necessários.”

Ele afirma que já possuem quase 90% dos resultados. Mas, quando o assunto é genotipagem, a coisa muda de figura. “Em relação à genotipagem, entretanto, temos ainda 90% dos nossos pedidos em andamento. Esse é um problema que precisamos enfrentar. A questão do banco de dados estar alocado em um único laboratório também preocupa”, reforça.

 Possíveis caminhos e soluções

Francisco Carrasco, vice-presidente de exposições Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Árabe, lembrou que a entidade teve problema com diversos laboratórios por muitos anos. Mas, após migrarem as análises para a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), os problemas cessaram. “Nós já estamos há um tempo lá com eles e não tem havido problema. As amostras são enviadas para a associação e nós nos responsabilizamos pelo pagamento”, afirma.

Da mesma forma, Ismael Gonçalves da Silva, presidente da Associação Brasileira do Puro Sangue Lusitano, conta que usa as análises do referido laboratório da universidade mineira de forma satisfatória. “Nós tivemos muitos problemas com os laboratórios para exame de DNA, por muitos anos, quando precisávamos enviar as amostras para Portugal. Agora, estamos no mesmo caminho do cavalo Árabe, junto à UFMG. É um laboratório bastante respeitado. Temos resultados em até doze horas com eles. É uma solução para os colegas de outras raças.”

Por outro lado, o presidente do Sindicato Nacional dos Leiloeiros Rurais, Nilson Genovesi, destacou que a entidade orienta às leiloeiras a solicitar ao vendedor que se comprometa com a regularização do registro. “Disciplinar a relação das entidades com os laboratórios veterinários é fundamental, pois o exame de antidoping está ligado diretamente ao Bem-Estar Animal”, afirma.

Dessa forma, para um melhor entendimento da situação e na busca por soluções, um novo encontro será agendado. O IBEqui aguarda a presença para essa nova reunião virtual dos responsáveis técnicos dos laboratórios e entidades representativas desse segmento. “Precisamos ouvir ambos os lados para que possamos tomar ações adequadas e que contribuir para o setor”, finaliza Rossitto.

Fonte: ABQM
Crédito da foto: Divulgação/Bioguard

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As dificuldades nos Três Tambores que levam à desistência

Claudia Ono, em sua coluna da semana, conta que sim, existe solução para todos os problemas nos Três Tambores

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Quando amadores se sentem perdidos e acreditam que só eles têm problemas nos Três Tambores. Porque olhando as passadas alheias fica a impressão de que com os outros tudo é fácil.

Todo início de Mentoria vem com relatos que só falam de problemas. Mas esse foi demais, muito longo e detalhado. Já era mais de onze da noite quando o pai da Lana contratou a Mentoria para ela. 

Ela queria desistir de correr e ele não queria que ela desistisse. Então, lá estava eu no meio disso. 

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Desistir dos Três Tambores?

Na manhã seguinte a Lana me passou um relatório gigante com mil motivos para desistir dos Três Tambores.

Contou que já havia feito seis cursos presenciais com vários treinadores e nem assim deu certo. Tipo ‘Ok, Claudia, não deu certo com eles do meu lado e vai dar certo com você a 700 km de distância?’.

Lana, eu preciso te contar uma coisa: através de vídeos eu vejo muito mais do que qualquer um pode ver pessoalmente.

Em primeiro lugar, porque o vídeo me dá a chance de rever a cena. E, em segundo, porque sou capaz de entender cada reação do seu cavalo e o motivo delas. E tem mais: presencialmente seriam três dias e online serão 30.

Ela mandou um emoji sem graça e começamos. Estou treinando a Lana há 22 dias. 

Para alguém que há mais de ano não conseguia virar o primeiro tambor sem abrir e o segundo sem estufar, imaginem o que está sendo dar passadas justas e rápidas.

Mas, enquanto não saiu para uma prova ela ainda tinha uma ponta de dúvida: ‘Será que vai dar certo?’.

Sábado passado esse tormento chegou ao fim.

A Lana correu seu primeiro 17 e saiu da pista dando risada e repetindo ‘Nunca mais’! O pai dela filmou e mandou pelo Whatsapp. Simplesmente, animal!!!

Por que estou contando o caso da Lana? Porque ela não foi nem será a primeira a acreditar que pessoalmente os resultados são melhores. 

Essa é uma crença que atrasou a evolução dela e de muitas outras alunas que tive. Porque demoraram para aceitar a solução online com a crença de que não seria eficiente.

Claudia Ono, em sua coluna da semana, conta que sim, existe solução para todos os problemas nos Três Tambores; por isso: não desista!!!

Afinal, como treinar um competidor de longe?

Método minha gente, método.

Lana, Cris, Ana, Flávia, Pedro, Dani, Sil, Re, Rachel, Fabiana, anônimos e toda a galera que um dia teve essa crença, mas venceu o medo do novo: vocês estão colhendo o que plantaram!

Beijo para vocês!

P.S. Não bloqueie a sua evolução, porque existe solução para todos os problemas nos Três Tambores.

Por Claudia Ono
Três Giros
Crédito das fotos: Reprodução/Facebook

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