Cavalgadas Brasil

Cavalgada em Domingos Martins – Espírito Santo

Paulo Junqueira conta na coluna de hoje sobre a Pedra Azul e seus cavalos Norwegian Fjord Horse

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Fazem alguns anos, fui convidado para uma reunião no Rio de Janeiro, com o Sr. Erling Lorentzen. A saber, ele é um grande empresário norueguês radicado no Brasil desde 1953. Atuava nos ramos de navegação e industrial (foi um dos fundadores da Aracruz Celulose).

Casado com a princesa Ragnhild, filha mais velha do rei Olav V da Noruega, o Sr. Lorentzen se apaixonou pela região da Pedra Azul, em Domingos Martins, Espirito Santo. Lá começou o projeto Fjordland, na fazenda Noruega, que ele projetou para ser um pedacinho da Noruega no Brasil.

Cavalgada em Domingos Martins: Paulo Junqueira conta na coluna de hoje sobre a Pedra Azul e seus cavalos Norwegian Fjord Horse

Pedra Azul

Em 2003, a empresa Pedra Azul Ecologia e Turismo importou os primeiros cavalos Norwegian Fjord Horse. Aliás, foi pioneira na introdução da raça no Brasil. Portanto, o objetivo era o de oferecer passeios a cavalo em seu futuro projeto turístico Fjordland.

Fui contratado para organizar esses passeios. Os cavalos em si já seriam uma grande atração. São dóceis, fortes e bonitos. Passei alguns dias conhecendo a região e a estrutura da fazenda. O local fica bem próximo da Pedra Azul e faz divisa com o Parque Estadual da Pedra Azul.

Cavalgada em Domingos Martins: Paulo Junqueira conta na coluna de hoje sobre a Pedra Azul e seus cavalos Norwegian Fjord Horse

A cidade de Domingos Martins tem na Pedra Azul o mais famoso cartão postal da região. Ademais, vale ressaltar a forte herança de colonos alemães e italianos na cidade.

A Pedra Azul é um enorme maciço rochoso com paredões verticais de granito, cujo pico está a 1822 metros. Parte de sua fama vem do fato que o granito muda de cor conforme a hora do dia. Pode ficar roxo no amanhecer, dourado ao entardecer e azul nos dias em que a neblina da serra projeta sombra nos paredões.

Cavalgada em Domingos Martins: Paulo Junqueira conta na coluna de hoje sobre a Pedra Azul e seus cavalos Norwegian Fjord Horse

As trilhas da cavalgada em Domingos Martins

Me hospedei numa das charmosas pousadas da região. Logo após uma semana de trabalho, deixei organizado algumas opções de cavalgada em Domingos Martins. Trilhas com passagem pelas áreas de florestas nativas e reflorestadas.

O lugar tem uma grande diversidade biológica, com árvores de várias espécies, piscinas naturais, um bosque de liquidâmbar. Além disso, há uma área da fazenda com uma plantação do café orgânico Heimen.

Cavalgada em Domingos Martins: Paulo Junqueira conta na coluna de hoje sobre a Pedra Azul e seus cavalos Norwegian Fjord Horse

Assim, os passeios foram organizados de modo a atender todos os perfis de turistas que visitam a região. Na programação, há a opção de conhecer todo processo de plantio e beneficiamento desse café arábica 100% orgânico, desde a planta até a xícara.

Importante destacar que a empresa, desde aquela época, se preocupou com os aspectos da segurança e do bem-estar dos cavalos.

Hoje, a ABTE – Associação Brasileira de Turismo Equestre está desenvolvendo um Programa de Certificação de Cavalgadas com o objetivo de levar esses conceitos a todos os empreendedores de cavalgadas do país.

Norwegian Fjord Horse

O Fjord é um dos cavalos mais antigos do mundo e grande pureza racial. Acredita-se que eles migraram da Mongólia para a Noruega, descendendo dos cavalos de Przewalski. Há evidências arqueológicas de que os Vickings já usavam esses cavalos e sua seleção racial é de quase 2000 anos.

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
www.cavalgadasbrasil.com.br

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Cavalgada no Parque Nacional Los Glaciares – Patagônia Argentina

A coluna de Paulo Junqueira dessa semana passeia pela Argentina, e ele conta sobre uma cavalgada que fez Parque Nacional Los Glaciares

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Desta vez escrevo sobre uma cavalgada que fiz dentro do Parque Nacional Los Glaciares na Patagonia Argentina, região de Calafate.

A estância onde cavalgamos, portanto, tem mais de 100 anos na mesma família. ‘La Jerónima’, nome de fundação por imigrantes croatas da estância, tinha cerca de 20.000 hectares. O foco era a criação de ovelhas. Atualmente com 12.000 hectares cria gado Hereford.

Cavalgada no Parque Nacional Los Glaciares

Essa cavalgada permitiu contato com geleiras em áreas remotas do Parque Nacional Los Glaciares. Seguimos trilhas onde encontramos a natureza no seu melhor estado: uma combinação única de bosques andinos, lagos azuis, altas montanhas e glaciares imponentes.

Na tarde do terceiro dia cruzamos um bosque com muitas lengas. Logo depois de mais uma hora de cavalgada, chegamos no marco de divisa com o Chile. Sem dúvida, momento de comemoração e fotos.

Puesto

Pequenos abrigos no campo, estrategicamente localizados, servem como abrigo para os puesteiros. Puesto , assim são chamados esses locais na Patagônia Argentina. Puesteiros são aqueles que cuidam do gado e do campo.

Eles moram sozinhos, acompanhados apenas de seu cavalo, seu cão e da imensidão dos campos patagônicos. Todos os dias saem para cuidar do gado e do campo. É uma vida difícil, principalmente no inverno.

Nessa viagem vivenciei um pouco essa rica experiência cultural, pois nos hospedamos duas noites no Puesto Laguna. Local de quarto com dois beliches e um cômodo que serve como cozinha e sala de jantar. Dois bancos para a sala de jantar se transformam em camas para dormir. Tudo muito básico e rústico.

A coluna de Paulo Junqueira dessa semana passeia pela Argentina, e ele conta sobre uma cavalgada que fez Parque Nacional Los Glaciares

Pumas

Os dias começam bem cedo para ver se alguma raposa ou puma matou algum cordeiro ou bezerro. Tem que ser antes que clareie completamente, porque senão os condores deixam apenas os ossos. A raposa e o puma, geralmente, pegam uma cria mais gorda e comem o máximo que pode.

Eu me surpreendi ao saber que nessa região os proprietários são autorizados a caçar os pumas (existia até um incentivo para isso). Então, decidi acompanhá-los em uma dessas caçadas, a fim de encontrar um macho que estava matando muito ali na Estância.

A coluna de Paulo Junqueira dessa semana passeia pela Argentina, e ele conta sobre uma cavalgada que fez Parque Nacional Los Glaciares

A caça

Saímos com os cachorros no final da manhã para seguir a trilha. Era um trecho muito íngreme numa rocha grande. Ouvimos o barulho dos cachorros que tinham encurralado um puma. Quando nos aproximamos, o puma saltou de trás de alguns arbustos. Ele nunca ataca: sempre tenta escapar, aliás, foi o que aconteceu naquele dia.

O trabalho no campo é sempre imprevisível, presas e predadores são atores comuns. O puesteiro contou que o problema maior é quando um puma está ensinando os filhotes a caçar. Chegam a matar 28 capões em uma noite. E como os filhotes não sabem, eles deixam alguns deles meio vivos e também machucam em qualquer lugar. É uma imagem muito feia de se ver.

Nessa cavalgada vivenciamos experiências que remetem aos pioneiros e aventureiros que fazem parte da história da região.

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
www.cavalgadasbrasil.com.br
Foto de chamada: Divulgação/Luis Franke

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Cavalgada do Parque Nacional na Polônia

Paulo Junqueira comenta em sua coluna de hoje sobre esse passeio mágico pelas florestas da Polônia em cavalos Hucul

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Desta vez escrevo sobre uma cavalgada na região mais exótica da Polônia, no Parque Nacional Białowieża. Podlasie fica logo abaixo da fronteira entre a Polônia e a Bielo-Rússia.

Nessa cavalgada de três dias, exploramos a Floresta Białowieża. A última floresta natural nas terras baixas da Europa, um Patrimônio Mundial da Unesco. É uma floresta com história milenar e cheia de vida. Nela, o bisão europeu é ‘o rei da selva’.

Nossos guias são guardas-florestais do Parque Nacional Białowieża e funcionários da Academia Polonesa de Ciências. São pessoas com muito conhecimento da natureza e muitos anos de experiência na convivência com animais. Entre eles, bisões, lobos, veados e outros habitantes da floresta.

Manada de bisões europeus

Hucul

Essa cavalgada é uma oportunidade rara para cavalgar numa raça de cavalos primitiva, conhecida como Huculs. Espécime que escapou da extinção devido aos esforços de cientistas e criadores.

A origem do Hucul é na cordilheira dos Cárpatos da Europa Oriental. Em resumo, uma raça que tem alguma semelhança com o extinto Tarpan (Equus ferus ferus). Esse segundo, considerado como o antepassado das espécies de cavalos que existem atualmente.

Paulo Junqueira comenta em sua coluna de hoje sobre esse passeio mágico da Cavalgada no Parque Nacional pelas florestas da Polônia em Hucul
Foto: Grzegorz Lesniewski/Rewilding Europe/The Daily Mail

O Hucul tem pelagem bem grossa e resistente, por isso aguentam as condições climáticas severas da região no inverno. Justamente pela força e resistentes a longas distâncias em terrenos difíceis, os Hucul foram amplamente usados na Segunda Guerra Mundial no leste europeu. De fato, algo que fez com que essa raça quase chegasse à extinção.

Cavalgada no Parque Nacional Białowieża

Seguindo uma tendência cada vez mais presente, montamos os cavalos sem embocadura (bitless). Levamos, então, mais conforto e bem-estar a eles.

Cada dia tem cerca de seis horas de cavalgada. E organizamos as trilhas com foco na natureza paisagística e animal. Em primeiro lugar, observar a natureza, ouvir sons dos animais, reconhecer rastros de lobos, bisões e veados.

Paulo Junqueira comenta em sua coluna de hoje sobre esse passeio mágico da Cavalgada no Parque Nacional pelas florestas da Polônia em Hucul

A Trilha do Lobo começa em Stary Masiewo e segue um trecho ao longo do caminho para Kosy Most. Mais adiante, ao longo do vale do rio Narewka até as vizinhanças da vila de Gruszki. No caminho, passagem pelo Santuário de Bisões.

Nos alojamos em uma tradicional casa de Podlasie. À noite relaxamos em uma sauna ou em um banho ‘banya’ russo (barril quente). Nesse momento, observamos as estrelas e ouvimos os sons dos cervos.

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
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Cavalgada de Inverno na Suécia

Paulo Junqueira relata, junto com os detalhes dessa cavalgada, sobre a cultura Sami e o hotel de gelo

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A cavalgada de inverno na Suécia é uma experiência muito diferente. Não só por contas das trilhas na neve, mas também as no gelo. O cavalo islandês é a montaria perfeita para explorar essa região. Apesar do ser pequeno, têm grande resistência e costuma percorrer longos trechos com neve e gelo.

Foto: Divulgação/Mustad

Ferradura para cavalgar no gelo e na neve

Nessa cavalgada, a maioria dos cavalos recebe uma ferradura especial, com dois ou quatro parafusos especiais (Stud), com a finalidade de dar melhor aderência em vários tipos de piso, principalmente escorregadios e úmidos.

O Stud também melhora a estabilidade no gelo. Assim como é frequentemente usado em combinação com um ‘suporte de neve’. Material em poliuretano (ou borracha) que fica sob a ferradura e evita que a neve se acumule na sola do cavalo.

Alguns dos cavalos que não recebem essas ferraduras e suporte ficam somente nas trilhas de floresta.

Cavalgada de Inverno: Paulo Junqueira relata, junto com os detalhes dessa cavalgada, um pouco sobre a cultura Sami, clima e o hotel de gelo

Cultura Sami

Antes de mais nada, essa cavalgada de inverno na Suécia foi uma oportunidade de aprender sobre a cultura Sami, incluindo o pastoreio de renas. Nossos guias Sami se sentem em casa neste ambiente de frio extremo.

Eles são muito experientes e ajudam encontrar animais nas trilhas ou na floresta. Esta área é lar de alces, ursos, águias douradas e a rara raposa do Ártico.

Os Samis, único povo indígena europeu, vivem na Noruega, Finlândia, Lapônia e Suécia. São ‘fazendeiros’ e a maioria vive de criar e vender carne de Rena.

Clima

Durante os meses de inverno no extremo norte da Suécia, as temperaturas chegam até -22 °C. Por isso, é fundamental preparar-se com o equipamento certo para não sentir frio e aproveitar a cavalgada. Um segredo para aquecer são muitas camadas finas que retêm o ar quente.

Cavalgada de Inverno: Paulo Junqueira relata, junto com os detalhes dessa cavalgada, um pouco sobre a cultura Sami, clima e o hotel de gelo
Trenós

Passeio nos trenós puxados por cães

Além de cavalgar na neve nos interessantes cavalos islandeses, a programação incluí um passeio em motos de neve, pesca no gelo e vivência do pastoreio de renas. Mas, o mais interessante de tudo, é o passeio nos trenós puxados por cães, uma emoção que lembra cenas de filmes!

Cavalgada de Inverno: Paulo Junqueira relata, junto com os detalhes dessa cavalgada, um pouco sobre a cultura Sami, clima e o hotel de gelo
Aurora Boreal

Aurora Boreal

Nessa cavalgada são muitas as sensações inéditas. Uma delas, sem dúvida, é a de paz ao cavalgar no meio de um cenário todo coberto por um manto de neve. Outra sensação inesquecível é ver a aurora boreal!

Cavalgada de Inverno: Paulo Junqueira relata, junto com os detalhes dessa cavalgada, um pouco sobre a cultura Sami, clima e o hotel de gelo

Hotel de Gelo / Ice Hotel

Por cinco noites a hospedagem é na fazenda ao lado do rio Kalix. Mas uma noite é super especial, no Ice Hotel que fica em Jukkasjärvi, pequena aldeia no norte da Suécia, com 1.100 habitantes e 1.000 cães. Lá fica o primeiro hotel do mundo construído de ‘snice’, uma mistura de neve e gelo que reforça a estrutura.

Nos meses de março e abril, portanto, cinco mil toneladas de gelo saem do Rio Torne e chegam para armazenamento em uma câmara fria até novembro, quando designers de várias partes do mundo ajudam a criar as formas artísticas do Ice Hotel daquele ano.

Cerca de 100 pessoas se envolvem em sua construção, sendo que mais da metade são artistas. Aberto de dezembro até meados de abril, o hotel lentamente começa a derreter e a água volta para o Rio Torne, praticamente fechando o ciclo.

Com certeza o Ice Hotel é um dos hotéis mais interessantes do mundo, além de ser uma obra de arte construída em uma pequena vila na Suécia!

Por Paulo Junqueira Arantes
Cavaleiro profissional e Diretor da agência Cavalgadas Brasil
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