Dicas do Nitta

Mormo não tem cura e exige cuidados

Em casos positivos, realizar a eutanásia se faz necessário, trazendo prejuízos econômicos e sanitários a propriedade

Publicado

⠀em

No quadro dessa semana das Dicas do Nitta, o médico veterinário Thiago Nitta preparou um texto sobre uma doença que assusta todos os criadores do país e do mundo: o Mormo.

Em seu texto, Nitta ressalta como é feito o diagnóstico, quais são as características da doença e os riscos sanitários e econômicos que ela traz ao criatório. Confira!

O mormo é uma doença extremamente importante para o mercado de cavalos, pois está relacionada com a questão sanitária, e a partir do momento que temos um caso positivo a propriedade é interditada até sanar todos os possíveis animais acometidos ou que possam estar portando a doença.

Na maioria das vezes, um cavalo positivo é identificado através de um exame de triagem, realizado principalmente ao programar o transito dos animais.

Para retirar o Guia de Transporte Animal, o GTA, é exigido que o criador tenha o teste negativo para duas doenças contagiosas extremamente importantes: a anemia infecciona equina e o mormo.

O mormo é uma doença causada por uma bactéria e por ser uma zoonoses, pode ser transmitida para o ser humano e exige muitos cuidados.

Sintomas

Os principais sinais são o acometimento do trato respiratório e cutâneo, mas vale ressaltar que o aparecimentos dos sintomas não é uma regra, visto que o cavalo pode estar contaminado e não apresentar nenhum sintoma.

Frequentemente, os animais que participam de provas e que precisam ser transportados passam por exames de triagem, realizado por exame de sangue, com materiais coletados por médicos veterinários credenciados.

O sangue extraído é depositado em um tubo de tampa vermelha ou tijolo, onde é adicionado soro, e encaminhado para um laboratório credenciado. Na maioria das vezes estes dois exames são realizados em conjunto.

Particularmente eu nunca atendi um caso diagnosticado com mormo, mas isso não quer dizer que não acometa os animais em grande quantidade.

Muitos casos podem ser negligenciados devido à falta de testes, pois não são animais transportados, por exemplo. Sabemos que em algumas regiões acabam acontecendo alguns casos, essas propriedades ficam barradas, causando um prejuízo econômico muito grande, pois os animais não podem entrar e nem sair.

Cuidados no transporte

Os proprietários de cavalos devem ficar atentos e tomar alguns cuidados principalmente quando forem transportar os animais para locais desconhecidos, um evento, leilão ou competição, o criador deve se assegurar que este local, este evento, está regulamentado pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA), se tem algum representante que vai receber estes exames na entrada e que vão assegurar que estes animais são os próprios animais que estão com os exames negativos.

É muito comum existirem cavalgadas, provas clandestinas que não exigem o exame e quando você vai a um evento como este você não tem como assegurar que os animais que estão participando não estão contaminados.

Por isso, toda vez que o criador for levar ser animal para algum evento, assegure-se que o evento é regulamentado, que possui a defesa sanitária, para confirmar a segurança sanitária.

A transmissão do mormo ocorre principalmente pelas secreções, nem sempre secreções de pus por exemplo, podem ser secreções normais, mas que estão contaminadas pela bactéria. Muitas vezes estes animais vão ficar em ambientes próximos, facilitando o contato com as secreções.

Outro cuidado importante é com os bebedouros e cochos coletivos onde vários cavalos fazem suas refeições. Eles devem ser evitados.

Se optar pelo uso de baias pré montadas, deve-se certificar que essas baias estão higienizadas, limpas com produtos certos que podem ser passados dentro das baias para esterilizar.

Tratamento

Por enquanto não existe vacina para o mormo e tão pouco tratamento. Por isso, a partir do momento que nós temos um exame em mãos positivo, quem ficará responsável pelo caso é a equipe da Vigilância Sanitária, que fará outros testes para comprovar se este animal é positivo, testar todos os animais do contactantes, que estão dentro daquele raio de contaminação da doença, para saber se mais algum está contaminado.

Infelizmente, em caso positivo, é necessário realizar a eutanásia com fins sanitários e descartar a carcaça de forma segura. Além disso, em um prazo determinado pela equipe da vigilância, os animais do contactantes serão testados para comprovar que nenhum se contaminou.

Enquanto a bactéria não for erradicada daquele local, o espaço ficará barrado, por isso os cuidados com a prevenção são extremamente importantes.   

Por: Camila Pedroso/Thiago Nitta

Fotos: Arquivo

Mais notícias no portal Cavalus

Dicas do Nitta

Potros precisam de cuidados especiais logo após o nascimento

Médico veterinário e juiz de provas da ABQM, Thiago Nitta, explica como deve ser o manejo nestas primeiras horas de vida do animal

Publicado

⠀em

Potros precisam de cuidados especiais logo após o nascimento

O mês de julho é marcado pelo grande volume de nascimentos de potros e assim como nos bebês, precisamos estar atentos à alguns cuidados essenciais para garantir a qualidade de vida deles nestas primeiras horas de vida. Afinal, todo cuidado se faz necessário neste momento em que o animal está tão indefeso.

Antes de mais nada, precisamos estar atentos a saúde da mãe, pois é através dela que o animal receberá os nutrientes em sua vida intrauterina. A égua precisa estar com o sistema de defesa eficiente, para produzir anticorpos e repassá-los ao potro. Pode-se garantir essa característica por meio de nutrição adequada e correto manejo sanitário. 

Estes mesmos anticorpos serão transmitidos ao potro pelo colostro nas primeiras horas de vida do animal, através do leite. Por isso, a importância da qualidade da saúde dela neste momento é tão primordial.

A partir do momento que o potro nasce, a primeira coisa que devemos nos atentar é com a ingestão do colostro. Ele precisa ser ingerido em quantidade e com qualidade suficientes, pois é através dele que o animal fica imunocompetente. Essa ingestão deve ocorrer logo após o nascimento, pois o potro vai absorver as imunoglobulinas que estão no colostro e este só é eficaz neste momento.

Para saber se potro ingeriu o colostro em quantidade em suficientes e qualidade, e se o mesmo absorveu as imunoglobinas presentes no líquido é preciso realizar o IgG teste. O exame realizado por meio da coleta de sangue, avalia as condições do animal e se o mesmo absorveu a quantidade necessária de imunoglobina.

Se o animal não conseguiu absorver a quantidade indicada, a transferência de imunoglobulinas é feita através do plasma hiperimune intravenoso, que nada mais é do que o sangue retirado de um animal doador, em que são retiradas células sanguíneas e apenas a partir líquida é injetada na veia do potro.

Alguns criatórios realizam a transferência de plasma hiperimune em todos os animais nascidos, eu não recomendo a realização desta técnica em todos os potros, sendo indicado apenas nos animais tiveram uma baixa absorção de imunoglobinas.

Cura do umbigo

Outro ponto que deve ser observado logo após o nascimento é o umbigo do potro. Ele deve ser curado adequadamente por meio de TINTURA DE iodo e deve ser observado para que nenhuma infecção ocorra no local.

O umbigo é uma porta de entrada que ligou mãe e filho durante a vida intrauterina, por isso precisa ser fechado adequadamente para não infeccionar o potro.

Cuidados com a mãe

Mais do que os cuidados com o potro, precisamos estar atentos também a mãe, pois ela irá produzir o leite que alimentará o potro. Precisamos observar se ela expulsou toda a placenta, pois caso contrário, a mãe pode desenvolver uma infecção uterina e muitas vezes podem até levar a uma laminite.

Imprinting devemos ou não realizar?

Imprinting é uma técnica implementada por muitos criadores que visa deixar o animal mais maleável e posteriormente ser treinado mais facilmente. A técnica consiste em o homem ir acariciar o animal logo nas primeiras duas horas de vida. Na minha opinião, se o criador deseja ter este contato com o potro logo no nascimento, significa que ele se preocupa com ele. Com isso, eu acredito que é muito mais válido um trabalho adequado de manejo do que este primeiro contato.

Com um manejo adequado, o animal irá responder de maneira adequada.

Por: Thiago Nitta – Médico veterinário e juiz de provas da ABQM

Fotos: Pixabay

Mais notícias no portal Cavalus

Continue lendo

Dicas do Nitta

Começa hoje o ano hípico 2022/2023. Você sabe o que isso significa?

Médico veterinário, Inspetor e Juiz de provas da Associação Brasileira dos Criadores de Cavalos Quarto de Milha (ABQM) Thiago Nitta explica no seu artigo o que é ano hípico e como ele impacta nas provas

Publicado

⠀em

Ano hípico

Hoje é um dia muito importante para os criadores de cavalos, pois no dia 01 de julho se inicia o próximo ano hípico. Mas o que isso significa na prática?

O ano hípico dos cavalos no hemisfério sul consiste em 01 de junho até 30 de junho do próximo ano. Já no hemisfério norte, considera-se o calendário, ou seja de janeiro a dezembro.

Este é o parâmetro utilizado para as provas. Os animais são divididos em “turmas” que nasceram no ano hípico 2022/223, por exemplo. Independente do mês de nascimento, todos deste ano hípico correm juntos, são considerados da mesma “turma”. Os animais que nascerem primeiro, nos primeiros seis meses do ano hípico, terão seis meses a mais hábil para treinar e se desenvolver, estarão mais maduros.

Daí vem a expressão “mal nascido”, que oriunda dos potros que nascem em junho, que deverão competir com animais seis meses mais velhos, uma diferença imensa para os estreantes.

Lembrando que a gestação dos equinos é de onze meses e alguns dias, e que um nascimento em junho em tese é muito ruim.

As éguas são poliéstricas estacionais, ou seja, possuem ciclos periódicos e estes acontecem nos períodos com maior incidência de luz, nos meses da primavera e verão. Antes, quando tínhamos o horário de verão era melhor ainda, pois os dias mais longos, com mais luz, faziam elas ovularem mais rápido.

Muitos criadores iniciam um processo precoce que chamamos de sazonalidade artificial, que consiste em deixar as éguas mais expostas a luz artificial para elas ovularem mais cedo e com isso, aumentar o período de coleta de embriões, gerando a possibilidade de mais potros.

Por todos estes fatores, os criadores programam suas prenhezes para nascer neste mês, julho.

Possui alguma dúvida sobre o tema, nos mande nas redes sociais.

Por: Thiago Nitta

Médico veterinário, Inspetor e Juiz de provas da Associação Brasileira dos Criadores de Cavalos Quarto de Milha (ABQM).

Contato: @Thiago_Nitta

Mais notícias no portal Cavalus

Continue lendo

Dicas do Nitta

Transporte dos cavalos exige cuidados

Problemas em provas ocasionados por lesões durante o transporte dos cavalos podem ser evitados com simples cuidados

Publicado

⠀em

transporte de cavalo

Quem atua com exposições ou mesmo provas equestres sabe que o transporte dos cavalos é uma realidade que requer muita atenção dos proprietários. Afinal, um erro pode causar prejuízos enormes ao criatório.

Além de atender os requisitos exigidos pelos órgãos reguladores, é preciso ter muita atenção com a questão da segurança dos animais durante todo o trajeto.

Com isso, motorista deve atentar-se para o cumprimento das Leis do Código de Trânsito Brasileiro, além de seguir as leis fiscais e sanitárias de transporte de solípedes (animal cujo pé tem um só dedo, um só casco). 

Hoje a regulamentação recomenda caminhões ou trailers adaptados ao transporte, arejados e com toda a estrutura necessária para realizar o trajeto com segurança e, como estes animais oferecem muita vantagem financeira, já se subentende essa necessidade.

Segundo o médico veterinário e inspetor técnico da Associação Brasileira dos Criadores de Cavalos Quarto de Milha (ABQM), Thiago Nitta, o caminhão utilizado para o transporte dos cavalos possui espaçamento adequado ao tamanho dele; é acolchoado, evitando assim o risco de lesões; possui vedamento adequado das intempéries do tempo e ventilação.

Além da escolha adequada do caminhão ou trailer, o uso de protetores de viagens durante o transporte trazem mais segurança aos animais. “Eles são importantes principalmente para evitar os acidentes que acabam ocorrendo em algum momento de desequilíbrio ou susto. Muitos animais chegam aos eventos com traumas evidentes do transporte e acabam sendo impedidos de competir, e grande parte destas lesões seria evitada se o animal fosse transportado usando protetores” alerta Nitta.

O médico veterinário ainda reforça que o caminhão precisa ter espaço adequado para o cavalo. “O animal deve conseguir ficar em pé, sua posição natural, sem se debater ou ficar encolhido, para o ajudar a manter o equilíbrio durante a jornada, evitando o estresse que interfere na performance dele em pista”, alerta.

Além disso, Nitta aconselha que objetos soltos como caixas, partes ou pedaços de estruturas sólidas não podem ser transportadas na mesma carroceria que o cavalo, pois podem se movimentar e machucar o animal.

Cuidado com a forração

O pavimento de veículo utilizado para o transporte dos cavalos deve estar em perfeitas condições, para evitar que os animais escorreguem. Além disso, se estiver forrada com serragem, essa não pode ser muito fina, pois pode cair no olho do animal e lesionar.

As amarras também devem ter um comprimento adequado para que o animal não se machuque durante a viagem. “O comprimento não pode ser tão curto que limite o movimento do cavalo e nem tão longo a ponto do animal conseguir se enroscar com a folga”, aconselha.

Cuidado com o tempo do transporte dos cavalos

Durante um trajeto, você precisa estar atento ao percurso e programar possíveis paradas para que o animal possa descansar. “Vale ressaltar que quanto maior o tempo da viagem maior o estresse do animal e consequentemente, menor o desempenho dele nas pistas”, finaliza Nitta.

Por: Camila Pedroso

Fotos: Pexels

Mais notícias no portal Cavalus

Continue lendo

Dicas do Nitta

Casos de gripes e resfriados em equinos aumentam com a queda da temperatura

Médico veterinário Thiago Nitta separou algumas dicas para proteger seu animal. Vacinação é a principal

Publicado

⠀em

Gripes e resfriados

As estações mais frias do ano chegaram e é hora de redobrar a atenção com seus cavalos. Afinal, assim como os humanos, eles também podem ser acometidos por gripes e resfriados.

Nos equinos, as gripes e resfriados são causados por vírus e acometem o sistema respiratório do animal. A única diferença entre os equinos e os humanos é a espécie do vírus: nos cavalos, o que acomete é a Influenza Equina.

Segundo o médico veterinário Thiago Nitta, a Influenza Equina é um vírus de alta morbidade, ou seja, acomete muitos animais, pois são de fácil transmissão, mas possuem uma mortalidade baixa. “O grande risco de perder o animal, está no fato de a gripe ou resfriado serem fatores predisponentes para doenças bacterianas, ou seja uma ‘porta de entrada’, levando a quadros mais complexos como a pneumonia, ressalta Nitta.

Para evitar que gripes e resfriados se espalhem pelo plantel, explica Nitta, o recomendado é vacinar sua tropa. “A vacinação possui uma variação de acordo com a idade e atividade do animal, que se alteram na quantidade de doses e frequência que devem ser tomadas durante o ano. O potro toma duas ou três doses no primeiro ano, depois só anualmente. Já os cavalos atletas, que estão mais susceptíveis, podem ser revacinados com intervalo menor de tempo. A vacina é a única forma de proteger o animal”, alerta o veterinário.

Como em todas doenças virais, explica Nitta, não existe um tratamento para eliminar o vírus, o que se trata são os sinais clínicos. “Se o animal está com febre entramos com antitérmico, as vezes precisamos prevenir contra bactérias oportunistas. Precisamos ficar atentos as manifestações apresentadas. Eu gosto de acompanhar o animal para observar areação frente ao vírus, realizar um exame de sangue para saber como está o curso da doença e intervir da melhor forma possível”, afirma.

No inverno, como a oferta de alimento No pasto diminui, explica Nitta, os animais acabam ficando mais confinados, mais junto, o que facilita a transmissão. “Por isso, o ideal é isolar o animal doente para não contaminar os outros”, aconselha.

Como proteger o plantel de gripes e resfriados?

Separamos algumas dicas simples que você pode fazer para evitar gripes e resfriados no seu criatório:

  1. Preste atenção na hidratação do animal e na temperatura da água. Cuidado com água muito gelada ao animal, as vezes o animal pode reduzir a sua ingestão, podendo levar a outros transtornos, como a cólica. Ofereça a água no galpão ou abrigo, pois a que ficou exposta no tempo vai estar muito gelada;
  2. Ofereça rações com mais energia, pois o cavalo precisa de mais energia para se aquecer, mas não esqueca de pedir orientações a um técnico antes;
  3. Animais utilizados para o trabalho ou esporte podem tomar seu banho após a atividade, mas ele não pode passar a noite toda molhado, talvez seria interessante lavar apenas partes importantes como membros e entre eles, a fim de evitar assaduras ou lesões na pele;
  4. Cuidado com a temperatura dos potros. Eles ainda não conseguem regular sozinhos a temperatura corporal. Deixe-os junto da mãe, em um abrigo protegido do frio e chuva.
  5. Alguns animais adaptam-se bem a capas e elas acabam auxiliando amenizando a baixa temperatura.

Ainda segundo Nitta, o ideal é ao primeiro sinal de gripes e resfriados, procurar seu médico veterinário de confiança para acompanhar o cavalo. “A pneumonia é o maior risco, porém existem outras doenças que podem acometer o seu animal, por isso não deixe de chamar seu veterinário para analisar seu animal”, finaliza Nitta.

Por: Camila Pedroso

Fotos: Pexels

Mais notícias no portal Cavalus

Continue lendo

Dicas do Nitta

Quais são os cuidados que o criador deve ter para manter os pelos dos cavalos bonitos e sedosos?

Médico veterinário e juiz de provas da ABQM Thiago Nitta ensina quais cuidados devemos ter com o pelo dos cavalos

Publicado

⠀em

Quais são os cuidados que o criador deve ter para manter os pelos do cavalo bonitos e sedosos?

Ter um cavalo com pelos lindos, macios e sedosos pode ser mais fácil do que imaginamos. Os pelos dos cavalos são reflexo de sua alimentação. Se ele possui uma dieta balanceada, terá pelos sedosos.

Além da crina e rabo, existem outros pelos dos cavalos que devem ter uma atenção a mais. Você já ouviu falar nas vibrissas e o trago? Sabe o que são?

Vibrissas são os pelos que estão localizados próximos do nariz e da boca do animal. Mais grossos e compridos, possuem uma função sensorial, auxiliando o cavalo na identificação dos objetos, já que seus olhos são localizados ao lado da cabeça.

Já o trago são os pelos localizados na orelha dos cavalos. Serviam para proteger o ouvido a água da chuva, por exemplo.

Mas, com o a modernização da criação, houve a mudança nos hábitos dos animais e essas proteções instintivas passaram a não ter mais tanta utilidade.

Segundo o médico veterinário e juiz de provas da ABQM, Thiago Nitta, nos dias de hoje, os cavalos mudaram muito seus hábitos, eles não têm mais essa habilidade de reconhecer alguma coisa por conta desses pelos. “Por isso, por questão estética, principalmente nos animais de leilão, estes pelos são cortados”, afirma.

Mas a remoção desses pelo traz malefícios?

Segundo o médico veterinário não, pois os cavalos são criados em confinamento, em baias, não tendo a necessidade de reconhecer algum perigo, ou inibir que a água da chuva entre no ouvido, por exemplo, já que ficam protegidos.

“Hoje eles não precisam mais se proteger das onças, seu predador natural, ou de animais peçonhentos, pois a modernização do manejo os protegem destes males”, explica.

Mas, essa mudança nos hábitos também trouxe benefícios aos cavalos. Hoje, de acordo com a explicação do veterinário, a visão deles por exemplo está muito mais aguçada, permitindo que ele visualize melhor os obstáculos e perigos.

“Estes cortes servem até mesmo como uma questão de higiene, porque a partir do momento que você tem um pelo removido da região da orelha, por exemplo, a chance visualizar um ectoparasita como um carrapato é muito grande. E o trauma causado pelo carrapato é muito maior que o corte do pelo”, explica.

Precisamos tosar os pelos dos cavalos?

Essa é uma dúvida recorrente, afinal, devemos ou não tosar um cavalo?

Segundo Nitta o cavalo não precisa ser tosado. No inverno, devido à queda da temperatura, os pelos do animal aumentam como uma questão de aquecimento natural. O maior medo, com isso, é com relação ao suor do animal, que deixaria o pelo molhado.

Mas, segundo o veterinário, o bom manejo nutricional, escovação adequada e o uso de capas já protegem o animal, extinguindo a necessidade da tosa.

Como manter a qualidade dos pelos dos cavalos?

Nitta reforça que o pelos do animal são reflexo da qualidade nutricional dele. “Um cavalo bem nutrido, com uma dieta balanceada, terá um pelo bonito e brilhante. E se a pelagem do animal não estiver bonita, é sinal que a qualidade da alimentação do animal deve ser observada”, alerta.

Crina, quais são os cuidados?

O corte da crina, explica o veterinário, é uma questão de gosto pessoal do dono do cavalo ou mesmo racial. “Os cavalos Crioulos e Quarto de Milha por exemplo, possuem cortes especiais que sinalizam a raça. Mas isso é uma questão de gosto do criador”.

Para ter crinas bonitas e brilhantes, o veterinário aconselha pentear a crina com frequência, desembaraçando os fios com uma escova adequada. Ela não pode ter cerdas muito duras e nem ser passada com muita agressividade, pois isso pode deixar o animal nervoso.

“Divida os pelos em mechas e penteie uma a uma até obter um pelo leve e sem resíduos de pó e outros elementos. Ela também deve ser lavada adequadamente, com um xampu apropriado”, explica.

Se a crina estiver muito embaraçada, existem no mercado produtos chamados amaciadores, uma espécie de condicionador para cavalos que pode ser utilizado para ajudar a desembaraçar os fios.

Os cuidados com a higiene da crina do animal são essenciais para manter a saúde do animal em dia. Uma boa aparência não é apenas uma questão de estética, mas também demostra a saúde do cavalo.

Por isso, ao perceber qualquer alteração com os pelos o seu animal, procure por um médico veterinário.

Por: Camila Pedroso

Foto: Divulgação/Pixabay

Mais notícias no portal Cavalus

Continue lendo

Dicas do Nitta

Provas oficiais oferecem respaldo e proteção ao animal e aos competidores

Thiago Nitta, médico veterinário, inspetor técnico e juiz de provas da ABQM faz uma análise sobre a importância das provas oficializadas e oficiais para a garantia do bem-estar dos animais

Publicado

⠀em

Tendo em vista o vídeo que viralizou essa semana sobre a agressão ao cavalo em uma prova de Vaquejada, é preciso ressaltar cada vez mais a importância dos eventos oficializados ou oficiais.

Tanto um, quanto o outro possuem regras rígidas e, a partir do momento que as regras existem, elas são cobradas e podemos exigir que a atividade seja realizada da melhor maneira possível.

Para nós do bem-estar animal, as provas oficializadas são muito bem-vindas, pois a partir do momento que se tem um evento oficializado, nós podemos ter alterações, inclusões de regras perante o bem-estar animal e essas ações serão fiscalizadas.

Quando você trabalha com provas organizadas por associações, o vínculo dos seus associados permite uma maior exigência, pois os associados devem seguir o regimento dessa associação, e concordam com todas as regras descritas pela entidade e pelo evento.

Cada vez mais as provas oficializadas dão credibilidade ao esporte, mostram que o evento é realizado com profissionalismo. Ao estimularmos provas oficializadas, fomentamos a padronização, igualdade entre todos os participantes e mais do que isso, a garantia do bem-estar de todos os envolvidos.

Além disso, para o competidor, a prova oficializada oferece muitos benefícios, como ter a garantia que seu cavalo ganhou uma prova dentro das regras, sem infligir as questões de equipamentos, doping, efeitos ilícitos, entre outros.

Provas oficializadas contam com uma Comissão Disciplinar que avalia o descumprimento das regras com parâmetros legais para poder suspender a pessoa que descumpre determinada regra de dentro da associação, proibir a entrada dela dentro de um evento, entre outras punições.

Provas não oficializadas podem até ter uma boa premiação, ser “legal”, mas não possuem respaldo para se exigir algo, não possuem uma associação responsável.

Eu já atuei em provas realizadas pela Associação Brasileira de Vaquejada (ABVAQ) e Associação Brasileira dos Criadores de Cavalo Quarto de Milha (ABQM) e acompanho de perto o trabalho desenvolvido pelas associações em prol do bem-estar animal. Essa é uma bandeira defendida por todos.

Por: Thiago Nitta

Médico veterinário, juiz de prova e inspetor técnico da Associação Brasileira dos Criadores de Cavalo quarto de Milha (ABQM).

Foto: Arquivo pessoal

Mais notícias no portal Cavalus

Continue lendo

Dicas do Nitta

Registro Genealógico – passo a passo da visita técnica do inspetor

Nessa semana, Thiago Nitta explica como é realizada a visita do inspetor à propriedade para realizar a inspeção dos potros

Publicado

⠀em

Continuando a série de reportagens sobre o Registro Genealógico, essa semana o médico veterinário e inspetor técnico da Associação Brasileira dos Criadores de Cavalo Quarto de Milha (ABQM), Thiago Nitta explica, em detalhes, como é o passo a passo da visita do inspetor técnico na propriedade para realização da inspeção do novo potro.

Conforme explicamos no texto anterior, o proprietário do garanhão ou da matriz precisa comunicar a cobertura ao final de cada semestre. Esse comunicado pode ser realizado via online ou impressa.

No modelo impresso, explica Nitta, é necessário realizar o preenchimento de duas vias da fichas e elas variam de acordo com a propriedade da matriz. Se o garanhão e a égua são do mesmo dono, é um modelo de ficha, caso algum dos animais seja de outro dono, o modelo de ficha é diferente.

Outra maneira mais fácil de comunicar a cobertura é online, pelo site da ABQM, que pode ser realizada pelo dono do garanhão ou da égua. “Basta o criador acessar o site, entrar no Stud Book e clicar em Comunicar Cobertura. Ao preencher os tópicos a comunicação é realizada automaticamente”, explica o inspetor.

Realizada a comunicação e o potro nasceu, é hora de chamar um técnico de registro, que é um inspetor oficial, para realizar a verificação das informações do animal na sua propriedade. A lista completa dos inspetores pode ser encontrada no site da ABQM, separados por região. “Você pode escolher qualquer um dos inspetores, pois eles possuem liberdade para atuar em qualquer lugar”, afirma Nitta.

Nitta ressalta que, se inspeção do animal não for feita no prazo de 180 dias, o criador receberá uma multa. “Essa comunicação pode ser feita posteriormente, mas a cada semestre que se passa aumenta a multa. Se o animal já nasceu e tem um ano, ele pagará duas multas”, ressalta.

Passo a passo do inspetor

Ao chegar a localidade, ele realizará a resenha gráfica do animal, anotando algumas características do animal, como remoinhos, cor da pelagem, marcas e sinais de nascença, entre outras informações que sinalizem o animal.

Após, o inspetor compara o tempo da cobertura, com o de nascimento do potro para saber se as informações batem, a compatibilidade de pelagem do produto com seus pais e realiza a coleta do material para a realização do teste de DNA.

Além disso, se o proprietário optar, ele pode realizar a colocação do chip de identificação.

Neste momento, é possível colocar o chip de identificação, opcional.

Terminada a análise do animal, o inspetor envia as informações à ABQM que avalia se ficou alguma pendência, como por exemplo: se o interessado no produto não for o dono do garanhão, é necessário que o dono do garanhão emita um certificado de cobertura, que é a garantia que ele aprovou a venda do sêmen deste reprodutor.

Outra pendência comum é se o interessando no produto também não for o dono da matriz, ele precisa emitir um termo de sessão de direitos, que atesta que ele ofereceu o ventre da sua égua para o dono do produto interessado.

Coleta de material genético para o exame de DNA

Além disso, o exame de Five Panel, que aponta se os pais são portadores de doenças genéticas e com isso transmitir ao potro, também é exigido.

Coletado o material para o exame de DNA, o conteúdo é enviado para o laboratório que é autorizado para realizar o exame junto à associação, que volta com os resultados em um prazo que varia entre 30 e 60 dias.

Tudo concluído, o animal é registrado e recebe uma numeração. Os animais puros, o registro começa com a letra P e os mestiços, com a letra M.

Nitta ainda ressalta que quando os proprietários dão entrada no registro, o animal recebe uma numeração de pré-registro, mas essa numeração não é o registro final, visto que o potro pode não sobreviver ou nem nascer.

Por: Camila Pedroso

Fotos e vídeo: Divulgação/Pixabay

Mais notícias no portal Cavalus

Continue lendo

Dicas do Nitta

Registro Genealógico junto às associações de raças é importante para a garantia da genética do potro – parte 1

Thiago Nitta, médico veterinário, juiz de provas e inspetor técnico da ABQM explica a importância do registro e descreve como é realizado o processo

Publicado

⠀em

A realização do Registro Genealógico junto as associações de raça ainda geram algumas dúvidas. Conversamos com o médico veterinário, juiz de provas e inspetor técnico da Associação Brasileira dos Criadores e Cavalos Quarto de Milha (ABQM), Thiago Nitta, para esclarecer algumas dúvidas.

Preparamos uma série de reportagens com dicas e explicações sobre como realizar o procedimento, sua importância e o passo a passo do processo.

Registro Genealógico, explica o inspetor, nada mais é do que um comprovante da genealogia do animal junto ao Stud Book das associações de raça, um cartório ligado ao Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA).

“No Study Book constam as informações de todos os animais registrados na raça, com seu histórico familiar, e todas as informações descritas são fiscalizadas pelo MAPA”, explica Nitta.

Atualmente, o Registro Genealógico da ABQM está muito mais seguro e moderno, afirma o juiz, visto que todos os animais precisam ser comprovados quanto a sua genealogia, por meio do exame de DNA, além do uso de microchip de identificação, opcional por parte do criador, mas obrigatório nos animais que participam de competições.

“Quando falamos de Registro Genealógico existe uma corresponsabilidade entre proprietário; criador; caso não sejam os proprietários, os donos do garanhão e matriz; e do técnico de registro que é o inspetor oficial da ABQM”, ressalta Nitta.

Comunicado de cobertura

Compete ao criador realizar o comunicado de cobertura a associação de raça, que deve ser realizado ao final dos semestres. “Ou seja, coberturas realizadas no primeiro semestre devem ser comunicadas até o dia 15 de agosto, e as coberturas realizadas no segundo semestre, deve ser comunicadas até o dia 15 de fevereiro. Caso não seja realizada a comunicação em tempo hábil, é passível de multas”, alerta o inspetor.

O inspetor de registro deve ser chamado até 180 dias após o nascimento do produto, porém o inspetor só pode realizar a inspeção se a cobertura tenha sido comunicada pelo dono do garanhão ou pelo dono da égua.

Visita do técnico

Ao realizar a visita, o técnico deve avaliar algumas informações, como o tempo de gestação, que não pode ser maior ou menor que a chamada gestação regular.

Outro ponto avaliado é a pelagem do animal. Observando o aspecto genético, a pelagem do potro precisa ser compatível com a dos pais.

Após, é realizado o registro genealógico que nada mais é do que uma resenha gráfica, uma descrição da avaliação realizada pelo técnico.

Por fim, é realizado o exame de DNA para a avaliação de características indesejáveis como prognatismo, reptorcigismo e excesso de manchas, e se o proprietário desejar, é realizada a microchipagem no momento do registro.

Por: Camila Pedroso

Foto: Freepik

Mais notícias no portal Cavalus

Continue lendo

Dicas do Nitta

Cavalos também precisam de férias

Assim como os humanos, eles precisam descansar da rotina pesada de provas para se recuperar

Publicado

⠀em

As férias de final de ano chegaram e todos estão curtindo o descanso mais que merecido. Além dos cavaleiros, os cavalos também estão precisando deste descanso, desta pausa de final de ano para se recuperar das atividades desenvolvidas durante o ano e se preparar para 2022.

O médico veterinário e juiz de provas da Associação Brasileira dos Criadores de Cavalos Quarto de Milha (ABQM), Thiago Nitta separou algumas dicas para te ajudar a promover o descanso do seu animal sem perder o desempenho muscular.

De acordo com o veterinário, o descanso dos cavalos pode ser dividido em três partes: descanso da capacidade mental, física e da saúde do animal.

A rotina intensa de provas durante o ano pode deixar seu animal estressado, com staff mental, um cansaço em virtude da rotina. Com isso, ele começa a demostrar seu estresse nas provas, fica mais ansioso, e este é o primeiro ponto que devemos levar em consideração, explica Nitta. “Ele necessita de um descanso e essa época de final de ano é perfeita para isso”.

O segundo ponto é o cansaço físico destes animais. Um animal que se esforça por muito tempo, chega um determinado momento que ele precisa de um descanso para recarregar as energias.

O terceiro passo que devemos levar em consideração é o descanso das estruturas do cavalo, principalmente do aparelho locomotor. “Algumas lesões que são inerentes de cavalos atletas, parte do tratamento é promover o repouso para do animal, para o organismo conseguir restaurar.

“Em virtude disso, é preciso dar este descanso a estes animais, para a musculatura se restaurar, a articulação entrar em repouso para se quebrar o ciclo inflamatório, e assim, conseguir tratar o animal”, ressalta Nitta.

O descanso não pode ser total

Porém, como estes animais são atletas, o repouso total não é interessante, porque pode haver perda de tônus muscular se o animal ficar totalmente parado. “Não é interessante ele ficar totalmente parado dentro da baia. Outras doenças como a fixação dorsal de patela pode estar relacionada a essa pausa total das atividades e consequente perda de tônus muscular”, alerta.

Por isso, se este animal se socializa bem com outros, uma ótima dica é soltar ele com outros equinos no piquete, desde que eles estejam acostumados a conviver um com o outro para não se machucarem.

Se o animal for um garanhão é preciso promover caminhadas no redondel, passeios externos, ou mesmo levar ele para fazer algumas atividades da fazenda, como tocar gado. “Levar ele para descansar na fazenda com a família e colocá-lo para fazer atividades do cotidiano pode ser uma saída para ele descansar”, finaliza Thiago Nitta.

Por: Camila Pedroso

Fotos: Pixabay

Mais notícias no portal Cavalus

Continue lendo

Dicas do Nitta

Claudicação de equinos pode ser sinal de Queratoma

Remoção cirúrgica é única alternativa e recuperação demora quase um ano

Publicado

⠀em

Apesar de não ser muito comum a Queratoma é uma doença que acomete os cascos dos cavalos e que possui um processo de cura lento, sendo necessária a remoção cirúrgica da massa.

Segundo o médico e juiz de provas da ABQM Thiago Nitta, a doença é uma neoplasia benigna, que consiste no aparecimento de uma massa de queratina na parece dos cascos do animal, causando irregularidade e, em alguns casos, uma claudicação, o animal manca.

“Quando há formação de abcesso associado ao queratoma, a claudicação é muito exuberante. Em alguns casos, é possível que a massa deforme o bordo coronário do casco”, ressalta o veterinário.

A massa acaba comprometendo o crescimento dos cascos e a vasculização da região, comprometendo o local.

Diagnóstico

Geralmente, o diagnóstico é feito recorrendo às anestesias locais, radiografia convencional e com contraste, e eventualmente, ecografia em alguns casos.

Apesar de restarem poucas dúvidas do diagnóstico, este é confirmado com análise histopatológica realizada num laboratório.

Tratamento

A única forma de tratamento da Queratoma é a remoção cirúrgica da massa. Durante o procedimento, que pode ser realizado na propriedade, é aberta uma janela (buraco) no casco no animal para remover todo o tumor, para que o casco volte a receber sangue adequadamente e crescer.

Entretanto, com a remoção, a janela pode causar uma rachadura no casco no animal ou mesmo lesionar uma parte viva, a coroa, causando dor. Por isso, explica o veterinário, ao realizar o procedimento cirúrgico é necessário ferrar o animal. “A ferradura vai impedir que o casco se abra, se dilate, protegendo o local”, ressalta Nitta.

O crescimento do casco será continuo e só se estabelecerá quando toda a parte removida crescer. “É como uma unha, a parte que quebrou não cola novamente. Ela precisa ser retirada e só crescerá por igual quando essa parte for cortada novamente”, explica o veterinário.

A suplementação alimentar nestes casos é de especial importância, como exemplo a Biotina, para o crescimento saudável do casco.

Riscos

É um procedimento cirúrgico e como tal, contém riscos. “O casco pode rachar, ter algum problema de infecção devido à localização, por isso é preciso cuidar muito bem dos curativos”, afirma.

O principal problema é o tempo e recuperação. Sabe-se que o casco cresce 0,5 a 1 cm por mês, com isso, como no processo cirúrgico é removido aproximadamente 10 cm do casco, vai demorar quase um ano para o cavalo se recuperar normalmente.

Por: Camila Pedroso

Fotos: Arquivo

Mais notícias no portal Cavalus

Continue lendo

Categorias

COPYRIGHT © 2021 CAVALUS. TODOS DIREITOS RESERVADOS
ESSE SITE É PROTEGIDO PELO GOOGLE RECAPTCHA
POLÍTICA DE PRIVACIDADE | TERMOS DE SERVIÇO