Um dos maiores criatórios de Velocidade do Brasil teve seu início nos Três Tambores e Seis Balizas em Bauru

Para se tornar Haras Prata referência em Corrida, não foi do dia para noite. Erico Braga construiu aos poucos esse legado, passando por várias modalidades, e acompanhou o desenvolvimento do Quarto de Milha e dos esportes equestres em Bauru. Erico teve contato desde pequeno com cavalos, pois fora criado em uma fazenda próximo a Avaí/SP. Os pais eram professores e lecionavam na zona rural.

E estando nesse meio em 1975, recém-casado, com 26 anos de idade, foi convidado para ser presidente da Expo Grand Bauru, e foi onde tudo começou! “Naquela época, eles precisavam de bezerro pra laçar e emprestei. Quem foi apartar os bezerros foi o Jairo, eu caí na besteira de tentar laçar um bezerro e consegui. A partir daí, me aproximei do Fauzet, do Dr. Heraldo, do Marcos Ferraz e da molecada. Faz 45 anos isso”, lembra Erico.

O tempo foi passando e Erico adquiriu o Bauru Haras, que era do Dr. Heraldo, em sociedade com o Guilherme Ferraz, e continuou participando das competições. “Gostava de laçar, ia uma ou duas vezes por semana lá no Marcos Ferraz laçar, conviver com os meninos. Sempre gostei de participar das provas de Tambor e Baliza. E meu início no Quarto de Milha foi nessas modalidades. Em 1975 comecei criar, cruzei uma égua simples com o garanhão do Marcos, o Bar Van Dec”.

Haras Prata
Família Braga em etapa da LINCC. Foto: Cedida

Nesse mesmo ano, foi fundado o Clube do Laço na cidade, onde se reuniam os amantes do cavalo e dos esportes equestres, naquela época todos se envolviam. “A gente fazia as provas todos os domingos de manhã e depois tinha um churrasco que dividia entre todos. Era uma alegria. E cada vez mais o grupo foi crescendo. Veio o Salvador, Márcio Tolentino, momentos marcantes aqueles”.

Ele ainda relata que participou de várias competições no Haras Primavera. “Vários Potros do Futuro no Haras Primavera, que era vizinho do Dr. Heraldo. O Benedito Moreira participava de Laço, Apartação, Tambor, Baliza”. Não há quem não se lembre de Bianca EB 33, criação de Erico Braga, mãe de Cromita MA 10, as duas pertencentes ao Hall da Fama ABQM.

“Em 1975, quando a gente iniciou o Clube do Laço a sede era no Recinto. Lá que a gente fazia as provas. Na época tinha laço, mas o forte mesmo sempre foi Tambor e Baliza, depois o Salvador inventou Maneabilidade, Cinco Tambores, e elas passaram a fazer parte das provas da ABQM. A gente foi sempre pioneiro, Bauru sempre teve sorte, principalmente no início da Associação, que tinha Dr. Heraldo, que é um baluarte da raça Quarto de Milha”.

Haras Prata
Erico e Eriquinho Braga (meio e direita) recebendo o ABQM Awards pela temporada 2018. Foto: ABQM

Já completamente envolvido com a raça, Erico Braga foi Interventor da ABQM, na década de 80, e migrou para as Corridas, por não depender tanto de seu empenho direto. “Fui para a Corrida porque que era mais profissional, dava menos trabalho, no sentido de acompanhar, de participar e na época eu não tinha filho”.

Erico Franciscato Braga nasceu em 1988, dando sequência ao nome e paixão pelos cavalos. Nessa época, já era Haras Prata, dedicado integralmente à Corrida e consagrando-se com grandes animais. “Tive um grande garanhão que era o Signed To Fly, ele é recordista em vitórias e líder das estatísticas de todos os tempos. Posso dizer que sempre tive sucesso na criação”.

Outro reprodutor do Haras Prata muito bem selecionado é Granite Lake, líder das estatísticas do Jockey Club de Sorocaba nos anos de 2012, 2014, 2015, 2017 e 2018. E ainda Shazoom, Phanter Mountain, Fantastic Corona.

“Dediquei-me mais a Corrida, até meu filho completar dez anos”. Foi com Eriquinho a entrada do Haras Prata na Conformação. “Ele não gosta muito de montar. Então, entramos pelo Paint Horse na Conformação e depois passamos para o Quarto de Milha. Hoje ele é um expoente dentro da raça em Conformação”, detalha Erico.

Haras Prata
Eriquinho no final do ano passado na LINCC. Foto: Stanley Miranda

De 1989 a 1991, Erico foi presidente da ABQM inovando o meio, criando o 1º Congresso Brasileiro da raça Quarto de Milha, que aconteceu no Recinto Mello Moraes, em Bauru/SP. Erico Braga esteve à frente do Jockey Club de Sorocaba em duas fases, nos anos de 1995/96 e depois de 2014 a 2017. Há 20 anos está envolvido com a Associação Rural do Centro Oeste Paulista – ARCO.

“Sempre fomos unidos, por isso que a raça cresceu tanto em Bauru, e a cidade é reconhecida pelos criadores que tem aqui”, fala Erico. Ao fazer um balanço dos anos envolvido com os cavalos, Erico ressalta que o fundamental desse meio é que ele une a família, levando para a pista e para a atividade pai, filho, esposa, avô, neto, tio. Todo mundo vive a mesma paixão e se ajudam em todos os momentos.

“Acho que é um elo de amizade familiar muito grande e é isso que a gente faz. O Quarto de Milha tem um mercado favorável, porque a utilidade dele é enorme. Ele pode não ser craque em Corrida, mas pode ser em outra modalidade. Então você tem variáveis que mantém ele nesse topo, ou seja, é uma seleção em função das suas qualidades. É uma raça que está sempre aberta”, reforça Erico Braga.

Porém, os anos se passam e por realmente ser família, os amigos se tornam irmãos, aquele se escolhe para ter ao lado. Após tantos anos, alguns já estão em outro plano e a lembrança aperta. “Relembrar toda essa história, a saudade dos amigos que se foram é muito grande, Marcos Ferraz, Salvador”, finaliza emocionado Erico Braga.

O criador, por tudo que contribui para a raça e para meio, foi homenageado em 2016 pela ABQM, e hoje faz parte do Hall da Fama.

Por Verônica Formigoni
ESPECIAL Bauru – Revista Tambor & Baliza – Ed. 83
Foto de chamada/crédito: Malavolta Jr

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