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Coronavírus: Brasileiros falam sobre o reflexo do cancelamento de eventos no exterior

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Coronavírus: Brasileiros falam sobre o reflexo do cancelamento de eventos no exterior

Desde o dia 12 de março, o cancelamento ou adiamento de eventos equestres passaram a acontecer de forma exponencial e mudaram a rotina dos competidores brasileiros que participavam de competições internacionais

Entre as coisas que estamos aprendendo com toda essa crise do coronavírus, sobretudo, é que precisamos de paciência. As notícias mudam a cada hora e o reflexo do cancelamento ou adiamento de eventos por todo o mundo afetou, assim como todas as demais atividades, a rotina de milhares de pessoas que vivem do cavalo ou do rodeio.

O portal Cavalus tem noticiado, à medida que as informações chegam à redação, todos os eventos cancelados, medidas de segurança e tudo que diga respeito à pandemia. Basta dar uma busca pela palavra coronavírus dentro do nosso site para se inteirar. Além disso, também estamos atualizando as matérias que já publicamos com novos dados.

Buscando olhar para toda a situação por outro ângulo, fomos procurar saber como andam os brasileiros que competem no exterior. Até o momento, a situação lá fora é mais grave do que no Brasil, sem dúvida. A maior parte das pessoas com quem conversamos mora nos Estados Unidos. Contudo, os atletas de Salto tinham programação para uma estada na Europa.

Se por um lado a mudança de rotina afeta negócios, reflete na parte financeira, pode ser momento de cada um parar e avaliar o que pode vir de bom. Mais tempo para treinar ou para ficar com a família, por exemplo. Veja o que dizem os brasileiros com quem conversamos!

José Vitor Leme

PBR

Assim que as cidades e os órgãos de saúde passaram a proibir a circulação das pessoas, a PBR tinha etapa marcada em Duluth, Georgia, que aconteceu com portões fechados. O mesmo pretendia fazer esse final de semana, transferindo, ainda sem público, a etapa para Pueblo, Colorado. Porém, no dia seguinte, anunciou que tudo ia parar.

Adotaram, inclusive, a postura de tomar decisões dia a dia, semana a semana, evento por evento. Segundo a fonte do portal Cavalus, as inscrições para as etapas de abril encontram-se abertas, por exemplo. Mas tudo pode mudar a qualquer minuto.

São muitos os brasileiros que disputam o campeonato de montaria em touros da PBR. Não só na divisão principal, mas também nas divisões de acesso. Alguns deles estão com toda família nos Estados Unidos, esposa e filhos, porém uma boa parte não. A incerteza da realização ou cancelamento de eventos, portanto, está fazendo com que vários deles coloquem na balança se é melhor ficar por lá ou voltar para o Brasil.

Contudo, o otimismo do líder do campeonato mundial da PBR no momento pode ser exemplo. José Vitor Leme não tem planos de voltar por conta do coronavírus. “Não tenho previsão de ida ao Brasil no momento. Tudo se normalizando, temos muitos eventos durante o verão e pretendo ir ao máximo possível deles para somar pontos”.

Ele disse ainda que tem aproveitando esse tempo para ficar em casa. “Estou organizando as coisas aqui no rancho, cuidando dos animais e ficando com a família. Aproveitando, aliás, para me recuperar da lesão”. José Vitor machucou as costelas na etapa da Kansas City e ficou sem montar nas duas seguintes.

“Estou me recuperando bem, graças a Deus. Acredito que quando a PBR retornar já estarei pronto para montar novamente. Os adiamentos vão ajudar nesse sentido, para que eu não perca outro evento”. 

Coronavírus: Brasileiros falam sobre o reflexo do cancelamento de eventos no exterior
Junior Nogueira e Marcos Alan
Coronavírus: Brasileiros falam sobre o reflexo do cancelamento de eventos no exterior
Keyla Polizello

PRCA

Já Junior Nogueira, Laço Pé, Marcos Alan, Tie-Down Roping, e Keyla Polizello, Três Tambores, disputam o campeonato mundial da PRCA nos Estados Unidos. A ProRodeo cancelou ou suspendeu todos os rodeios de março. “Está tudo parado na PRCA. Algumas provinhas menores acontecem, mas com pouca gente. Seguimos treinando, mantendo a tropa ativa. Treinamos todos os dias, mas essa época era de muitos rodeios bons, importantes para a classificação mundial”, conta Juninho.

Keyla e Marcos Alan sentem, da mesma forma, o reflexo, e estão se resguardando o quanto podem, em casa, sem ir para os rodeios. Todavia, mantendo os cavalos condicionados. “Está tudo parado e o reflexo é ruim, esse é o nosso trabalho. Mas temos que acatar, seguir e torcer para que tudo se resolva logo”, lembra Keyla.

Rodrigo, Nila e os pais de Rodrigo, Luzia e Carlão

Apartação

Rodrigo Taboga e a esposa Nila moram em Fort Worth, Texas, e estão em casa, acatando as recomendações de todos os órgãos competentes a respeito do coronavírus. Dois grandes eventos da modalidade, NCHA Super Stakes e Breeder’s Invitational, foram adiados. Então, a estratégia está sendo treinar. Afinal, os cavalos, certamente, não podem nem devem ficar parados.

Para a Apartação, o momento mais importante da temporada é o potro do futuro no final do ano. A paralisação dos eventos, sobretudo, está sendo focar no treinamento dos animais de três anos em preparação, justamente, para o NCHA Futurity. Precisam, acima de tudo, de bastante treino. Com as competições, a estratégia é levar alguns potros dessa idade para as provas e/ou trabalhar entre uma prova e outra para que eles alcancem seu pico no tempo certo.

Fazendo parte da equipe do norte-americano Beau Galyean, Rodrigo e o experiente mentor estão olhando para toda a situação pelo lado bom da coisa. “Precisamos aproveitar que a correria fora de casa cessou para trabalhar com mais intensidade os cavalos de três anos. É uma chance de não só nós, como também todos os demais treinadores estão tendo nesse momento. É diferente, mas tem a parte positiva, sem dúvida”, conta o brasileiro.

O casal mora em um rancho e, de certa forma, já estão isolados da cidade. Por isso, seguem treinando todos os dias os cavalos. O reflexo, no entanto, sem provas, é que deixará de entrar dinheiro de eventuais premiações. É um impacto financeiro que vem desse reflexo que não tem como negar.

Sem contar que deixar sem evento os cavalos de quatro a seis anos, que estariam em plena atividade, atinge os proprietários de maneira idêntica. Poderiam estar competindo e ganhando dinheiro. “Estamos bem, aqui não tem ninguém com sintomas”, reforça Nila.

Coronavírus: Brasileiros falam sobre o reflexo do cancelamento de eventos no exterior
Franco Bertolani – Foto: Divulgação/Alden Corrigan

Rédeas

Depois que a NRHA fechou o escritório por conta da situação com o coronavírus, recomendou o adiamento dos eventos de Rédeas por pelo menos 30 dias. A maioria das provas da modalidade são chanceladas pela associação. O NRHA Derby, próximo evento próprio, está marcado para junho e ainda não falaram sobre ele.

Ao passo que todas as provas até 13 de abril estão na ‘janela’ de recomendação da NRHA para que sejam cancelados ou adiados. Não só nos Estados Unidos, assim como na Europa. Quem vive esse momento de perto e sente o reflexo da crise é o brasileiro Franco Bertolani. É bastante diferente ficar sem ir as provas, já que todo o cronograma de treinos são baseados nos eventos.

Com o Cactus Classic cancelado, Franco já pode descansar um pouco os cavalos que estava preparando. Porém, ainda mantém no calendário o treinamento para o NRBC que ainda mantém a data. “Além das provas, tenho dois cursos marcados, um no Canadá e outro na Austrália, acredito que também adiem”, fala o brasileiro.

De maneira idêntica a Rodrigo, Franco está mantendo o foco nos cavalos de três anos, que prepara para o NRHA Futurity. Caso o NRBC seja cancelado, ai sim ele dará outra folga para os cavalos de Derby aguardando notícias do evento da NRHA em junho. “Venho treinando forte e caso não tenha os eventos, vou dar um descanso para os mais velhos, focando bastante nos potros”.

A indústria toda da Rédeas vive esse reflexo. O mercado de forma geral está todo parado, assim como a cidade, escolas, outros eventos esportivos. “Acho que ainda demora mais uns três meses para normalizar. Então, vamos seguir as recomendações e esperar para ver como as coisas ficam”.

Edvaldo Gonçalves – Foto: Divulgação/Andrea Bonaga

Itália

O primeiro evento equestre adiado por causa do surto de coronavírus foi o NRHA European Futurity de Rédeas. Estava programado para acontecer de 24 a 28 de março em Cremona, Itália. A cidade fica, sobretudo, no epicentro do contágio naquele país. O Quarter Horse News deu a notícia no dia 24 de fevereiro quando haviam somente 124 casos confirmados na Itália e duas mortes apenas.

Dados de quarta-feira (18 de março) apontam que os números chegam a 35.713 pessoas contaminadas pelo novo coronavírus e 2978 mortes. Cremona localiza-se na Lombardia, região que registra 1959 óbitos do total do País.

Um brasileiro sente esse reflexo de perto. Edvaldo Gonçalves, o Val, trabalha para o italiano Rancho Elementa com cavalos de Rédeas, nos arredores de Roma. Ele está confinado, sem poder voltar ao Brasil, inclusive, já que as fronteiras foram fechadas. “Muito grave a situação aqui do País, a doença é muito séria mesmo. Estamos trancados em casa, não podemos sair”.

Val conta que, mediante autorização, é permitido que as pessoas saiam apenas para ir ao supermercado e farmácia. “Se fomos para a rua sem autorização podemos ser presos. E quando saímos, no mercado ou farmácia temos que respeitar a distância de um metro de outra pessoa e só entra um por vez”.

Dessa forma, ele reforça que o melhor mesmo é permanecer em casa, sem sair. “Moro aqui no rancho, trabalho com os cavalos todos os dias, mas sem sair de casa há 20 dias. Temos que nos resguardar. E estamos torcendo para que no Brasil as coisas não cheguem como estão aqui”.

Thiago Rhavy – Foto: Divulgação

Salto

Uma boa parte dos brasileiros de alto rendimento no Salto está no exterior nesse começo de ano. Sobretudo, buscando índices olímpicos ou participando dos grandes eventos dessa época, como o Winter Equestrian Festival. Por conta do avanço da proliferação do novo coronavírus pelos Estados Unidos, as duas últimas semanas do WEF foram canceladas.

De lá, os cavaleiros tinham planos de seguir treinando na Europa e participando de concursos, todavia as fronteiras estão fechadas. Thiago Rhavy está no grupo que sente o reflexo da paralisação dos eventos equestres.

Conforme informações da assessoria de imprensa do cavaleiro, ele chegou a retornar ao Brasil, mas logo voltou aos Estados Unidos, no último sábado (14), com a expectativa de encerrar o WEF, que acabou sendo cancelado por conta da pandemia.

Ainda de acordo com a assessoria de imprensa, os planos do Rhavy agora são de ficar em Palm Beach, perto de Wellington, Flórida, treinando sua égua BH Salamandra Baloubina, até liberarem a entrada dos dois na Europa. Como praticamente todas as provas foram remarcadas ou canceladas, o cronograma dele e dos demais brasileiros da modalidade permanece dessa forma.

Brasileira é Rookie of the Year na Nova Zelândia
Nancy Franco – Foto: Divulgação/Adair Wilson

Nova Zelândia

E expectativa de uma brasileira para a festa de premiação da temporada 2019/2020 da New Zealand Rodeo Cowboy Association foi frustrada pela chegada do novo coronavírus na Nova Zelândia. Nancy Franco, assim como os demais compatriotas, sentem o reflexo da crise mundial. Apesar do número de casos ser pequeno por lá, os eventos foram todos cancelados ou adiados, incluindo os de rodeio.

Em comunicado, a NZRA anunciou o adiamento do Waimarino Rodeo, que aconteceria esse final de semana. E ainda, do Millers Flat Rodeo, marcado a princípio para 28 de março. Ness data, ainda seria realizada a festa de premiação na qual Nancy receberia oficialmente seu prêmio por ter sagrado-se Rookie of the Year (novata do ano) nos Três Tambores.

“As provas menores foram mantidas, mas em algumas cidades já começaram as medidas de contenção. Quem puder, trabalhar de casa e circular menos pelas ruas. O Governo tem restringindo de forma mais enérgica a entrada dos turistas. Para quem mora no País mais chegou de fora, tem que passar por quarentena. Temos menos de 20 casos confirmados por aqui, menos do que no Brasil”, conta ela à nossa reportagem.  

Por Luciana Omena
Colaboração: Natália de Oliveira
Crédito da foto de chamada: Pixabay

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Haras Passira: há 40 anos criando Quarto de Milha com qualidade genética

Conheça um pouco da história do criatório pernambucano, fundado no ano de 1980 pelo engenheiro químico Ismar Gomes de Amorim Filho, um verdadeiro apaixonado pela raça

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O Haras Passira, localizado no município de Gravatá/PE, é um bom exemplo de uma criação de sucesso de cavalos Quarto de Milha na Região Nordeste do Brasil. Antes de mais nada vale frisar que o criatório foi fundado pelo engenheiro químico Ismar Gomes de Amorim Filho, que sempre esteve envolvido com o mundo rural.

Afinal, aos quatro anos de idade, ganhou o seu primeiro animal. Foi um presente dado por seu pai, um tordilho da raça Crioulo Nordestino. Depois, já na fase adulta, entre os anos de 1964 e 1972, Ismar começou a correr Vaquejada.

O amor que sempre teve pelos esportes equestres e pelos atributos do cavalo Quarto de Milha – como docilidade, velocidade, inteligência e habilidade -, foram decisivos na escolha de Ismar Amorim por essa raça. Esta que hoje é responsável pela grandeza da Vaquejada nas regiões Norte e Nordeste e que se espalha por todo País cada dia mais.

Ismar na época em que apresentava cavalos de Conformação – Foto: Arquivo Pessoal
Rodrigo montando nos primeiros animais adquiridos da raça Quarto de Milha – Foto: Arquivo Pessoal

Início da criação Haras Passira

Contudo, foi no de 1980 que Ismar iniciou a sua criação no município de Passira/PE (vindo daí o nome do Haras “Passira”). Após 10 anos, mudou-se para Gravatá/PE. “Neste meio tempo descobrimos que o nome Passira, em tupi guarani, significa “lugar encantado”. Sendo assim, o nome vai continuar se perpetuando como Haras Passira”, afirma Ismar.

De acordo com o criador, o local conta com uma área total de 240 hectares, sendo 210 de pastagens divididas em 32 piquetes e oito maternidades. Além disso, sua estrutura física é composta de 56 baias, centro de manejo, dois redondéis para treinamento e uma pista de vaquejada.

Ismar, Alessandra e Eduarda na construção do haras já em Gravatá – Foto: Arquivo Pessoal
Equipe Haras Passira – Foto: Arquivo Pessoal

Com relação a equipe de campo, uma cartela variada de profissionais qualificados. Entre eles: gerente, tratadores, domador, casqueador, tratorista e vigilância, além de dois veterinários terceirizados com suas respectivas equipes, todos em perfeita sintonia com os projetos de melhoramento genético do Haras.

Ademais, a paixão por cavalos também foi transferida para a esposa Christina e os três filhos do casal: Alessandra, Rodrigo e Eduarda, que abraçaram a criação de Quarto de Milha. Estando, assim, todos presentes no dia-a-dia do Haras Passira.

Ismar com os filhos Alessandra, Eduarda e Rodrigo – Foto: Arquivo Pessoal

Perfil do criatório

Ainda conforme Ismar, o perfil do criatório do Haras Passira prioriza a Vaquejada, como também as modalidades de trabalho, Corrida, Tambor e Baliza, Laço em Dupla e Laço ao Pé. “Em minha opinião, as modalidades de Tambor e Baliza são importantes para a iniciação das crianças no mundo equestre. Meu filho Rodrigo começou a correr nestas provas, o que me deu a certeza absoluta que este é o melhor caminho para a juventude na construção da amizade e da boa convivência esportiva”.

Sem dúvida, El Two Eyed faz parte da base genética do Haras Passira – Foto: Arquivo Pessoal

Assim, o criatório já possuía matrizes de linhagens consagradas como: Eternaly Fred, Shady Apolo Bars, Mr Par Three, Dan’s Boy Skippy. Mesmo assim, com o objetivo de melhorar, ainda mais, a qualidade genética do seu plantel, Ismar importou dos Estados Unidos 25 éguas e seis garanhões filhos de Campeões Mundiais. Na época, exigência do Regulamento para Importação da ABQM.

Com isso, a base genética do Haras Passira é composta de três linhagens que fazem parte do seleto grupo do Hall Of Fame e Foundation da AQHA. São eles: Mean and Lean, El Two Eyed e Badgers Nurse.

Mean and Lean – Foto: Arquivo Pessoal

Em busca do aperfeiçoamento das qualidades da raça

Inegavelmente, a busca do criatório do Haras Passira tem sido para aperfeiçoar as qualidades da raça Quarto de Milha. “A minha rotina como criador é procurar sempre fazer cruzamentos que possam aumentar a heterozigoze dos animais. Favorecendo, portanto, a sua estrutura óssea, reduzindo o estresse, aprimorando o “balance”, mas sem perder o “cow-sense”, obviamente. Pois considero esse como a maior virtude do cavalo Quarto de Milha”, diz Ismar.

Em 2006, começou a utilizar para reprodução o jovem garanhão El Patron HAP “Lourinho” (filho de El Two Eyed em mãe Mean and Lean), que precocemente se destacou nas provas de Vaquejada e, atualmente, é produtor de grandes campeões. Do mesmo modo, em meados de 2011, adquiriu o garanhão Beaver Freckles (pontuado em Apartação), como também, no ano de 2019, o garanhão Hot Blood Doc (Registro de Mérito e Superior em Vaquejada).

Hot Blood Doc – Foto: Arquivo Pessoal
Por fim, Eduarda, Alessandra e Rodrigo durante a premiação do 8ª Hall da Fama ABQM – Foto: Arquivo Pessoal

Resultados expressivos

Consequentemente, o Haras Passira tem sido recompensado com resultados acima da média. Tanto em leilões quanto nas competições. Bons exemplos são as vitórias conquistadas em mais de seis campeonatos nos Estados Unidos.

Já no Brasil, o criatório pernambucano produziu campeões em várias modalidades: Vaquejada; Tambor; Baliza; Apartação; Laço em Cabeça; Laço de Pé; e Working Cow Horse. Com vários produtos, aliás, Superiores e Registros de Mérito.

Por fim, para coroar todo o trabalho desenvolvido nestes 40 anos, Ismar Amorim foi um dos homenageados do 8° Hall Da Fama ABQM. “Os meus animais já me deram tantas alegrias que o mínimo que posso fazer é tratá-los com amor e muita responsabilidade”, finaliza Ismar.

Instagram: @haraspassira

Por Natália de Oliveira
Crédito das fotos: Arquivo Pessoal/Haras Passira

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Especialistas discutem problemas de laboratórios veterinários

Reunião técnica, promovida pelo IBEqui, buscou identificar as dificuldades e apontar soluções para os exames no Brasil

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O Instituto Brasileiro de Equideocultura promoveu uma reunião técnica virtual. Especialistas e membros das entidades associadas ao IBEqui trataram, portanto, de questões relacionadas aos exames e laboratórios veterinários de todo o país.

De acordo com nota enviada pelo Instituto são entraves a qualidade, regularidade, pontualidade e os preços dos exames. “Por isso, a importância dessa nossa primeira reunião. A ideia é aprofundarmos a agenda de debates, com o intuito de propor soluções comuns”, frisa Manuel Rossitto, presidente da Junta Administrativa do IBEqui.

Entre outros assuntos citados, as divergências nas análises entre laboratórios veterinários nacionais e internacionais. Do mesmo modo que os problemas de logística e técnicas de colheita. E ainda formas de armazenamento e a de falta de padronização.

Reunião técnica, promovida pelo IBEqui, buscou identificar as dificuldades e apontar soluções para os exames em laboratórios veterinários

Problemas comuns aos laboratórios veterinários

Luciano Beretta, médico-veterinário com mais de 25 anos de experiência no Quarto de Milha, apontou que a reclamação mais comum entre os criadores da raça é a demora para o retorno dos laboratórios. Segundo ele, é um fato que deixa os criadores com várias dificuldades.

Além disso, de acordo com Beretta, os laboratórios estão com dificuldade para garantir o prazo de entrega. Contudo, ele alerta: “quando pagamos uma taxa extra, com valor dobrado, eles te entregam o resultado em 24 horas. Mais de 50% dos criadores, hoje, no Quarto de Milha, pagam essa taxa extra”, acrescenta.

A raça Mangalarga aponta que encontra o mesmo problema. O relato é de Henrique Fonseca Moraes Júnior, superintendente do Serviço de Registro Genealógico da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos da Raça Mangalarga. “Quase todos os laboratórios veterinários têm essa fila. Saíram poucos exames de DNA esse ano com a frequência que a gente precisa”, frisa.

Outro aspecto mencionado por Henrique é a dificuldade para trocar de laboratório. “A gente, às vezes, até gostaria de passar os potros para outro laboratório, mas não temos acesso ao banco de dados com as informações das éguas e dos garanhões.”

Outros entraves

Henrique Machado, superintendente do Serviço de Registro Genealógico da Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador, afirmou que o maior ponto de estrangulamento da raça é o exame de DNA. “Nós só emitimos o registro provisório com a identificação completa. Então, ficamos de mãos atadas. Sem contar que prejudica a entrada de renda para a associação.”

Os laudos errados também são frequentes, de acordo com ele. “Eu tive, recentemente, animais com pais de pelagem sólida e o laboratório qualificou como tordilho. Temos também sumiço de material. É, realmente, um ponto complicado para o Mangalarga Marchador.”

Emílio Fanton, da Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Paint, também apontou a demora nos resultados e a incerteza dos exames após a divulgação como problemas. Segundo ele, é preciso união entre as associações para resolver. “Eu creio que o problema é igual para todos. É importante termos iniciativas como a do IBEqui para resolvermos”, conclui.

Reunião técnica, promovida pelo IBEqui, buscou identificar as dificuldades e apontar soluções para os exames em laboratórios veterinários
Foto: Gribbles Veterinary

Logística dos laboratórios veterinários

Frederico Araújo, superintendente do Serviço de Registro Genealógico da Associação Brasileira do Cavalo Crioulo, afirmou que a logística e a rotina de exames na raça é diferente na questão dos exames de DNA. Conforme conta, 95% dos materiais seguem a um mesmo laboratório.

“Esse material não é de escolha do criador e todas as amostras passam pela associação. Nossos técnicos coletam o material. A associação faz a cobrança junto ao criador e, só então, envia ao laboratório para análise. Com isso, garantimos o recebimento e o envio sabendo que não haverá problemas financeiros”, explica.

Assim, o registro não é relacionado ao vínculo paterno e materno em todos os produtos, de acordo com Araújo: “O nosso maior volume inscrito é fazendo fenotipagem. Mas, mesmo com tudo isso, neste ano, tivemos uma série de dificuldades também com laboratórios, principalmente em relação aos prazos e ao retorno de resultados dos comparativos necessários.”

Ele afirma que já possuem quase 90% dos resultados. Mas, quando o assunto é genotipagem, a coisa muda de figura. “Em relação à genotipagem, entretanto, temos ainda 90% dos nossos pedidos em andamento. Esse é um problema que precisamos enfrentar. A questão do banco de dados estar alocado em um único laboratório também preocupa”, reforça.

 Possíveis caminhos e soluções

Francisco Carrasco, vice-presidente de exposições Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Árabe, lembrou que a entidade teve problema com diversos laboratórios por muitos anos. Mas, após migrarem as análises para a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), os problemas cessaram. “Nós já estamos há um tempo lá com eles e não tem havido problema. As amostras são enviadas para a associação e nós nos responsabilizamos pelo pagamento”, afirma.

Da mesma forma, Ismael Gonçalves da Silva, presidente da Associação Brasileira do Puro Sangue Lusitano, conta que usa as análises do referido laboratório da universidade mineira de forma satisfatória. “Nós tivemos muitos problemas com os laboratórios para exame de DNA, por muitos anos, quando precisávamos enviar as amostras para Portugal. Agora, estamos no mesmo caminho do cavalo Árabe, junto à UFMG. É um laboratório bastante respeitado. Temos resultados em até doze horas com eles. É uma solução para os colegas de outras raças.”

Por outro lado, o presidente do Sindicato Nacional dos Leiloeiros Rurais, Nilson Genovesi, destacou que a entidade orienta às leiloeiras a solicitar ao vendedor que se comprometa com a regularização do registro. “Disciplinar a relação das entidades com os laboratórios veterinários é fundamental, pois o exame de antidoping está ligado diretamente ao Bem-Estar Animal”, afirma.

Dessa forma, para um melhor entendimento da situação e na busca por soluções, um novo encontro será agendado. O IBEqui aguarda a presença para essa nova reunião virtual dos responsáveis técnicos dos laboratórios e entidades representativas desse segmento. “Precisamos ouvir ambos os lados para que possamos tomar ações adequadas e que contribuir para o setor”, finaliza Rossitto.

Fonte: ABQM
Crédito da foto: Divulgação/Bioguard

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As dificuldades nos Três Tambores que levam à desistência

Claudia Ono, em sua coluna da semana, conta que sim, existe solução para todos os problemas nos Três Tambores

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Quando amadores se sentem perdidos e acreditam que só eles têm problemas nos Três Tambores. Porque olhando as passadas alheias fica a impressão de que com os outros tudo é fácil.

Todo início de Mentoria vem com relatos que só falam de problemas. Mas esse foi demais, muito longo e detalhado. Já era mais de onze da noite quando o pai da Lana contratou a Mentoria para ela. 

Ela queria desistir de correr e ele não queria que ela desistisse. Então, lá estava eu no meio disso. 

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Desistir dos Três Tambores?

Na manhã seguinte a Lana me passou um relatório gigante com mil motivos para desistir dos Três Tambores.

Contou que já havia feito seis cursos presenciais com vários treinadores e nem assim deu certo. Tipo ‘Ok, Claudia, não deu certo com eles do meu lado e vai dar certo com você a 700 km de distância?’.

Lana, eu preciso te contar uma coisa: através de vídeos eu vejo muito mais do que qualquer um pode ver pessoalmente.

Em primeiro lugar, porque o vídeo me dá a chance de rever a cena. E, em segundo, porque sou capaz de entender cada reação do seu cavalo e o motivo delas. E tem mais: presencialmente seriam três dias e online serão 30.

Ela mandou um emoji sem graça e começamos. Estou treinando a Lana há 22 dias. 

Para alguém que há mais de ano não conseguia virar o primeiro tambor sem abrir e o segundo sem estufar, imaginem o que está sendo dar passadas justas e rápidas.

Mas, enquanto não saiu para uma prova ela ainda tinha uma ponta de dúvida: ‘Será que vai dar certo?’.

Sábado passado esse tormento chegou ao fim.

A Lana correu seu primeiro 17 e saiu da pista dando risada e repetindo ‘Nunca mais’! O pai dela filmou e mandou pelo Whatsapp. Simplesmente, animal!!!

Por que estou contando o caso da Lana? Porque ela não foi nem será a primeira a acreditar que pessoalmente os resultados são melhores. 

Essa é uma crença que atrasou a evolução dela e de muitas outras alunas que tive. Porque demoraram para aceitar a solução online com a crença de que não seria eficiente.

Claudia Ono, em sua coluna da semana, conta que sim, existe solução para todos os problemas nos Três Tambores; por isso: não desista!!!

Afinal, como treinar um competidor de longe?

Método minha gente, método.

Lana, Cris, Ana, Flávia, Pedro, Dani, Sil, Re, Rachel, Fabiana, anônimos e toda a galera que um dia teve essa crença, mas venceu o medo do novo: vocês estão colhendo o que plantaram!

Beijo para vocês!

P.S. Não bloqueie a sua evolução, porque existe solução para todos os problemas nos Três Tambores.

Por Claudia Ono
Três Giros
Crédito das fotos: Reprodução/Facebook

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