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Haras Agae faz parte da história de Bauru e do Quarto de Milha no Brasil

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Acompanhou algumas fases do desenvolvimento da raça e dos Três Tambores

Tudo começou com Henrique Herweg, pai de Guido Herweg, que iniciou a criação de cavalos Quarto de Milha em Bauru em 1982. O Sr Henrique adquiriu várias matrizes muito conceituadas, vindas da King Ranch Brasil, e também alguns garanhões importados. Na época, a ideia não tinha o cunho do esporte de velocidade. Eram cavalos com linhagem de Trabalho, e até Corrida, porém eles participavam mais de provas de Conformação.

Como Guido sempre trabalhou em fazenda por sua profissão de Agrônomo, Helena Herweg teve a ideia de colocar os filhos em uma escolinha de Tambor e Baliza, do Lu Moreira, em Bauru/SP. A família tinha os cavalos e as crianças ainda não tinham criado aquela paixão por nenhum esporte até então. Quando os filhos começam a competir, geralmente é a porta de entrada de muitas famílias para uma criação de cavalos mais especializada.

Alexandre, Martha e Christian tinham em média dez anos de idade quando começaram. Paixão quase que instantânea. A família toda está junta dentro e fora das pistas até hoje, cerca de 35 anos depois. O nome deles como competidores está inserido na classificação de provas como Tambor, Baliza, Team Penning e Ranch Sorting. A criação também, com o sufixo Agae, se destaca em modalidades diversas.

Sinônimo de qualidade em Bauru, sem dúvida, o Haras Agae é um dos grandes fomentadores do cavalo Quarto de Milha e suas modalidades. Como não poderia deixar de ser, se envolveram também na diretoria do Núcleo Bauruense do Cavalo Quarto de Milha – NBQM, um dos mais tradicionais núcleos regionais até hoje.

NBQM e as mulheres do Agae

Uma história que marca muito Helena é quando ela assumiu a presidência (2004 a 2006) e formou uma diretoria só de mulheres. “Juliana Silveira, namorada na época do Lu Moreira, foi a primeira presidente mulher do Núcleo, e depois eu assumi. Não entendia nada, não sabia como eram as categorias, não sabia nada. O Guido me ajudou muito nesse processo. E a nossa diretoria toda feminina foi um sucesso, chamamos atenção de todos, da mídia em geral também”, relembra.

Família Agae
Família Agae

Foram quatro gestões femininas seguidas no NBQM, depois da Juliana e da Helena, entrou a Mônica e a Paola Daré Braga. As mulheres fortes de Bauru voltaram à presidência do Núcleo depois com a Camila Shayeb Dosso, Carolina Fanton e Martha Herweg, que passou o bastão ano passado. É uma das marcas do NBQM, com certeza, já que elas foram as primeiras, especialmente a gestão da Helena, no meio do cavalo a ter uma diretoria totalmente feminina.

Elas fazem parte da história do cavalo e da cidade de Bauru nesse contexto. Toda a dificuldade que enfrentaram, sem recursos na época, fez com que o NBQM fosse se tornando referência pela forma como começaram a gerir as provas e o que implementaram. “A gente sempre tentou saber das pessoas o que estava bom, ruim e o que podíamos melhorar. Pedíamos sugestões. E íamos implementando as coisas e as pessoas iam aprovando, a gente seguia”, complementa Helena.

Rapidamente, o modelo do NBQM gerou um aumento exponencial de inscritos. À medida que as modalidades cresciam, o Núcleo também, e foram elas que seguraram as pontas. “A gente também fazia questão de frisar que o Núcleo Bauruense tinha a função de iniciar os competidores nas competições. Tivemos a preocupação de estimular as crianças a gostarem do esporte, então instituímos as premiações como sacolinha com brinquedo, bicicleta, medalhas para todos os participantes. Ninguém fazia na época e a gente implantou. Nem existia a categoria Mirim, né?”

Cuidar das crianças, esse é um dos grandes diferenciais que faz todo o esporte crescer. Anos depois, de 2016 a 2018, foi a vez da Martha assumir o NBQM. “Só dei conta porque a Sandra foi meu braço direito. Eu não tinha tempo. O Juliano e a Camila também me ajudaram muito. Não entendia nada da parte burocrática e eles foram essenciais. Uma coisa que fiz bastante foi saber certinho quantos inscritos em cada categoria e quebrar a cabeça para ver como eu poderia aumentar isso. Nossa região é de criadores e as categorias amadoras estavam minguando, a força era só a aberta”, lembra Petit.

Com toda a experiência, é imperativo para Petit que a pista do Recinto de Exposições onde ocorrem as provas do NBQM sejam cobertas. Bauru é referência em criação de cavalos Quarto de Milha, em sua maioria para Tambor e Baliza, e evoluir para a competição mais importante da região ser em pista coberta é essencial para o contínuo crescimento não só do Núcleo, mas de todo a cadeia.

Helena e Guido
Helena e Guido

O entrave se dá porque o Recinto é público e os criadores não querem investir em algo que pode não ser concreto. “Foi um dos motivos também que não quis mais estar à frente do NBQM, acho que precisamos ter provas em pista coberta e pronto”, reforça Petit.

Guido relembra que essa conversa é antiga, mas todos os patrocínios para cobrir pista queriam exclusividade para o uso da marca e a prefeitura recusou. “Se você notar, esses melhores do ranking, os criadores, não são os milionários, são pessoas que trabalharam e fizeram por amor, Dr. Eraldo, o Fauzet, o Tolentino. Eles fazem por conhecimento, por amor, estudam aquilo, gostam se dedicam, buscam sempre algo de melhor. Então, por isso que aqui fica difícil de sair essa pista particular. Não temos dinheiro”, reitera Guido.

Formação do plantel

Mesmo crescendo no meio pela criação de cavalos do Haras, Petit, como Martha é carinhosamente conhecida, no começo chorava quando montava. “Eles me davam um cavalo lerdo, que só comia e não andava, aí eu batia, batia a perna e não acontecia nada, daí eu chorava, fazer o que?”. Aos nove anos, no entanto, como reforça Guido, ela já montava sozinha, mas não gostava muito.

Helena ainda arremata: “Quando ela começou, a gente falava assim ‘bom, ela não tem jeito nenhum para o negócio, mas como a gente cria cavalo, é um meio gostoso, deixa’. Juro que eu pensei isso e olha o que ela se tornou”, conta a mãe orgulhosa, com o pai também corroborando.

A coisa começou a ficar mais séria com Operetta Agae, que Petit montava, e Nascent Agae, do irmão. “Ganhamos muitas provas com elas, inclusive a Operetta foi campeã Potro do Futuro ABQM nos Três Tambores em 2002. Ai gostamos da brincadeira! Logo em seguida vieram o Pom Pom Agae e o Quantun Agae. Com esses dois que eu me formei mais, pois eles corriam muito e eram muito fieis. Ganhamos muitas provas e, muitas vezes, fazia o melhor tempo da prova ganhando até dos treinadores. Eu tinha apenas 14 anos nessa época”, fala Petit.

Petit e Helena
Petit e Helena

Poucas pessoas chegaram onde ela chegou aos 26 anos. Das provas, que começou em 2001 no NBQM, passando pela faculdade, onde teve que se dividir entre os estudos e as competições. Poderia ter continuado assim, curtindo esse meio, seus animais, os amigos. Mas Petit sonhou mais alto! Buscou aprender técnicas de treinamento, conhecer mais sobre animais de alta performance e também assumiu a responsabilidade de treinar seus cavalos de prova e administrar seu haras.

Se não bastasse, ela presidiu o NBQM por dois anos e ainda faz parte da diretoria da ANTT. E o ‘pulo do gato’ foi quando ela passou um período na China, vivendo cavalo em tempo integral. Resolveu aprender de vez como funcionava tudo e entrou de cabeça na administração do Agae, dos cavalos e do treinamento deles. Será que ela imaginava que tudo isso ia acontecer na sua vida?

“Não, não imaginava. Quando eu voltei da China, voltei com várias ideias. Antes de eu ir, não ganhava nenhuma prova fazia três anos. Era bem desanimador o processo, então surgiu a oportunidade da China e eu fiquei lá quatro meses. Comecei a montar os cavalos lá e eles se comportavam totalmente diferentes dos meus. A Bruna Tedesco me ajudou muito e me ensinou a mexer um pouco, ela e o Matheus Costa, me deram várias dicas. Eu não sabia nada, nada, nada, o que era freio, não sabia treinar nada, só sabia galopar e correr. Ai eles me davam as dicas e eu falava: ‘só isso e vai funcionar?’”

Mudança de panorama

Então, por volta de 2012, os cavalos de criação do Agae na mão de outras pessoas estavam ‘voando’ e os que estavam no Haras não ‘viravam’ nada. Depois da experiência na China, o treinador foi mandado embora, pois não falava a mesma língua do que eles achavam que daria certo para os cavalos. Quando Petit começou a aplicar o que tinha aprendido na experiência no exterior, os animais voltaram a ir bem e ela voltou a ganhar.

O resultado veio logo na primeira prova, Petit ganhou e fez o primeiro tempo de 17 segundos de uma égua que estava a dois anos no 18. “Aquilo me deixou doida e eu queria sempre mais (risos). Passei a conversar muito com treinadores, buscar dicas com os treinadores que eu gostava”. Pouco depois Sidnei Junior foi trabalhar de treinador com eles. Mudou a história do Haras Agae, foi fundamental para essa nova fase.

Petit Herweg
Petit Herweg

O dia a dia é corrido. “Depois que termineia faculdade, me dedico integralmente ao haras. Treinar é o mais fácil e que exige menos tempo, cuidar dos cavalos e do haras é o mais complicado. Quase todo dia algum cavalo se machuca, tem que encomendar os remédios, acompanhar visita dos veterinários, que é praticamente toda semana. Fazer as cruzas, gerenciar os pastos com os potros, potras, éguas de cria”.

Petit ainda coloca na sua lista de afazeres: “Sempre verificar data de exames para prova, atestados, não perder data de vacinação, vermifugação, casqueamento da tropa toda e tem o ferrador dos cavalos de prova. Encomendar ração, não deixar faltar suplementos. Parece bobeira, mas todo dia tem alguma coisa para se preocupar, dá pra ficar doidinha (risos) e ocupar bem o tempo”.

Com o advento das redes sociais e todo esse sucesso nas provas, os cavalos dando resultados em pista, todo mundo quer uma dica da Petit. Em seu Instagram já são mais de 32,5 mil seguidores, que querem saber de tudo, desde a marca das roupas que ela usa até detalhes do treinamento dos cavalos. Com certeza, ela é uma das influenciadoras desse mundo e que passa uma imagem mais do que especial e confiável.

Na visão de muitas pessoas, o processo de treinos dos cavalos que Petit realiza é consequência. O mercado, talvez, veja ela de outra forma, como gestora. Saiu do ‘cliché’ da filha que tem pais que podem proporcionar os cavalos para ela competir, para uma pessoa que consegue escolher bem a linhagem dos animais, que treina seus cavalos de prova e que ainda gerencia quais serão vendidos nos leilões ou em vendas diretas. O cavalo deixou de ser hobby na vida dela para virar seu trabalho, seu negócio. Claro, que com toda a família trabalhando junto, sempre.

Futuro

E ser gestor requer visão de futuro. Entre os projetos do Haras Agae está o de preparar cavalos para o amador montar. “É uma falha que identificamos no mercado, não tem cavalopara o amador pronto, treinado para o amador competir. Não existe mais treinador para amador, uns três ou quatro que estão bem empregados e não saem por nada”, garante Petit.

criação do  Haras Agae
Haras Agae

E ela reforça: “Hoje não temos um CT igual ao do Lu e do Vaguinho, que todo mundo treinava. E a procura de cavalos por amadores é grande. Cavalo que você põe a mão no pito e ele vira. Então, a gente tem essa linhagem, Castanho Red, Shady Lee, Shady Blue, não são animais com linhagem fechada em Corrida, e que dão super certo para amadores. É isso que a gente tem feito”.

No dia a dia dentro da pista, o Haras Agae, além da Petit no gerenciamento e treinamento, tem o Bryan domando os potros e o Lu Moreira voltou ao rancho para treinar os cavalos depois de domados. Finalizando a entrevista, ela conta que não se vejo, hoje em dia, em nenhum ambiente diferente desse. E se diz muito grata por toda sua família ser tão apaixonada por cavalos como ela.

“É um esporte que exige muito apoio, a pressão é muito grande. Não ter um apoio familiar torna tudo mais difícil, principalmente nos dias ruins, né? Eu valorizo muito a família, sempre fui criada assim e acredito ter esse respeito pelos meus pais e irmãos foi essencial para eu fazer o mesmo tratamento com meus cavalos, que considero todos como meus filhos e depois que cria esse vínculo não tem mais como parar”, finaliza Petit.

Por Luciana Omena
Colaboração: Verônica Formigoni
ESPECIAL Bauru – Revista Tambor & Baliza – Ed. 83
Fotos: Cedidas/Arquivo Pessoal

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Brasileiro de Hipismo

Haras Cabana Boa Vista inicia projeto social envolvendo cavalos BHs

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Iniciativa tem como objetivo iniciar no hipismo crianças das comunidades próximas ao haras, em Paudalho/PE

O Haras Cabana Boa Vista – especialista na produção e reprodução de cavalos de esporte – começou no sábado (11) um projeto social com cavalos da raça Brasileiro de Hipismo.

De acordo com o proprietário do haras, Alexandre Teles, a ideia do projeto é iniciar no hipismo crianças das comunidades próximas ao haras, que fica localizado em Paudalho/PE.

“Sabemos da importância do esporte na formação das crianças, e do peso e responsabilidade que esse empreendimento traz consigo. Que Deus nos ajude a seguir em frente e nos dê ânimo e forças quando necessário”.

O ponta pé inicial desse projeto foi dado com ajuda do cavaleiro e professor André Ferreira. Com muita paciência, ele ajudou as crianças, ainda meio desajeitadas, a darem seus primeiros trotes.

“A escolinha nasce de nosso anseio em ajudar a comunidade. A inspiração vem de D. Isnal Barbosa, nossa avó paterna, professora do primário em Campina Grande, e que ao chegar a Recife, dirigiu por mais de quatro décadas o Orfanato Presbiteriano Vale do Senhor”, acrescenta Alexandre.

Dessa forma, o animal utilizado nas primeiras aulas foi a Brasileiro de Hipismo CS Ully. Uma égua nascida em 2003 no Haras Campos Salles, que já teve seus dias de glória saltando GPs no Brasil.

Ainda de acordo com Alexandre, inexplicavelmente, CS Ully foi abandonada sem qualquer cuidado. E, assim, foi adquirida no ano passado pelo Haras Cabana Bos Vista para tentar seu restabelecimento. “Ela está trabalhando feliz da vida, dócil e empenhada em ajudar. Parece até que sabe o que está fazendo”.

Fonte: ABCCH
Crédito da foto: Divulgação/ABCCH/Anna Carvalho

Veja mais notícias sobre o cavalo Brasileiro de Hipismo no portal Cavalus

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Criadores

Haras ST discorre sobre o projeto ST Dashin Leo

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Haras ST discorre sobre o projeto ST Dashin Leo

Em artigo publicado originalmente na Revista Tambor & Baliza, você irá conhecer um pouco mais a respeito da filosofia de criação do Haras ST

Há mais de 45 anos o Haras ST cria Quarto de Milha e detém inúmeras marcas que atestam a excelência do seu plantel. Assim sendo, é o Criador mais pontuado da história da ABQM, com mais de 16.000 pontos no RMT.

De acordo com as estatísticas, entre as dez melhores matrizes brasileiras, cinco formaram a base do criatório ST. Ou seja, 50% das melhores matrizes de todo o Brasil, incluindo a líder ST Cajuina, com mais de 3.500 pontos pela ABQM. Mãe, sobretudo, de ST Tapioca, que já tem com quase 2.000 pontos como matriz.

Ainda conforme os dados apurado, entre os atletas dois dos animais mais pontuados pela ABQM são a ST Tapioca, com mais de 1.400 pontos, e sua filha ST Taboquinha, com mais de 1.000 pontos. Os únicos animais com mais de mil pontos em pista nos Três Tambores.

Para exemplificar ainda a informação do começo do texto, o Haras ST acumula dez anos de ABQM Awards nos Três Tambores. Todos esses dados são oficiais da ABQM.

Do mesmo modo, consultando o arquivo do SGP Sistema, a liderança ST também impressiona: as três matrizes que lideram ganhos em R$ no Brasil são ST. E as únicas com mais de R$ 600.000,00 em ganhos.

Por fim, ao analisar o ‘Clube dos 16’, de cavalos que marcaram tempo na casa dos 16 segundos no Tambor, apesar de alguns dados ainda não terem sido atualizados, o ST lidera em número de tempos e a ST Cajuina como matriz.

Confira a análise do Dr. Marcio Tolentino!

Escolha dos reprodutores

“Muito obrigado pela oportunidade de abrir as portas do ST para falarmos da nossa filosofia de criação mais uma vez. Para começar, vamos pontuar algumas coisas. A importância da matriz já é bem conhecida e comprovada. Mas, um potro não nasce sem pai. Tem que haver um garanhão e há de ser bom: à altura do plantel de mães que o Haras ST possui.

O primeiro critério de escolha é pela morfologia e genética, que são inseparáveis: sua estrutura e suas proporções estão fortemente relacionadas à linhagem a que pertence. Nesse item procuramos observar detalhadamente as características que foram dominantes por parte de pai e de mãe (o que veio de um e o que veio do outro). Valorizamos particularmente a estrutura óssea, cascos e aprumos.

Sendo coerente com nosso pensamento, valorizamos muito a mãe na escolha dos nossos reprodutores. O ST Dashin Leo é filho da ST Cajuina. O terceiro ponto que analisamos é o caráter. Difícil de definir, mas desde novinho percebe-se um animal atento… mas manso, de boa índole. E a índole também é transmitida para os filhos.

Para nós é fundamental que os animais possam ser montados por amadores, jovens e principiantes. Acreditamos que isso é o alicerce do esporte que escolhemos. E tem mais: essas categorias é que sustentam a viabilidade econômica dos criadores, qualquer que seja seu tamanho. A escolha considerou também a beleza do animal, incluindo a cor. Sobretudo, há outros pequenos detalhes, mas sua exposição tornaria esse artigo muito longo!”

Escolhas semelhantes

“Os três garanhões que formaram o plantel do Haras ST foram escolhidos de acordo com os mesmos critérios da escolha do ST Dashin Leo. Dessa forma, o atual reprodutor-chefe do haras, ST Dashin Leo, carrega nas costas uma responsabilidade sem igual. Ele é o sucessor dos dois garanhões que iniciaram o criatório do ST há mais de 40 anos. Primeiro foi o Shady Leo e segundo o Fishers Fly.

Acima de tudo, tínhamos várias opções da geração de 2011 quando resolvemos escolher um garanhão. Inclusive, vimos alguns animais de outros criatórios. Mas ele foi o escolhido juntamente com o saudoso Dr. Kiko, presença fundamental na estruturação do ST a partir dos anos 2000.

O também muito saudoso Marcão Toledo domou o ST Dashin Leo. Certa vez nos disse: ‘é um carneiro doutor, garanhão para criança montar’. E o André Coelho foi escolhido como treinador: ‘entre os melhores animais que já montei’.

A campanha do ST Dashin Leo durou apenas três meses. Nesse curto período correu apenas seis provas e parou a campanha com a mudança do André para os Estados Unidos. Contudo, nesse meio tempo, foi campeão do Congresso ABQM Cavalo Iniciante Três Tambores 2015.

O ST considerou que a escolha do DL estava correta. Tinha tudo para gerar filhos velozes, mas sobretudo, mansos.

O projeto não parou aí: sempre entendemos que o planejamento de um criatório de cavalos deva ser a longo prazo, no mínimo cinco anos, sendo que para resultados mais sólidos é preciso no mínimo uma década”.

Parceiros do projeto

“Todos que compraram coberturas ou potros desse nosso garanhão são parceiros importantíssimos. Repetimos sempre que ‘ninguém se faz sozinho’. A partir de 2015 fizemos uma parceria especial com o Haras Flamboyant. Uma parceria gratificante, diga-se de passagem.

Havia e há um problema na utilização do Dashin como garanhão aqui no ST: consanguinidade com nosso plantel de matrizes. Das 25 matrizes em atividade no haras, 11 são irmãs dele, e uma é a própria mãe. Esse fato limita o volume de potros em pista para que fosse provada a sua qualidade como garanhão.

Dessa forma, estávamos, sim, aceitando parceria que participasse desse projeto. Necessariamente a longo prazo. E que aceitasse os custos que envolvem colocar até cinco gerações de potros em pista.

Novamente entra o Dr. Kiko, que sugeriu uma parceria com o Ivan Melo. O Haras Flamboyant tinha e tem um selecionado plantel de matrizes. Além disso, a parceira abriu a possibilidade de cruzamentos com éguas Tres Seis: cruzamento que achamos excelente para o DL.

Todo esse planejamento é importante para o projeto, mas, sobretudo, a nossa aproximação com o Ivan desenvolveu-se num ambiente de extrema confiança e amizade cada vez maior.

Acrescente-se a sintonia familiar, particularmente entre a Isabel e Ana Luiza, duas apaixonadas pelos criatórios dos pais e responsáveis pela sua continuidade. Isso tudo tem um valor inestimável”.

 Objetivos

“Entre os objetivos projetados, a longo prazo, para o ST Dashin Leo: com dez gerações em pista, ser um dos dez melhores garanhões produtores de Três Tambores no Brasil. Até agora há 2.494 garanhões produtores de animais pontuados na modalidade.

Estar entre os dez significa, hoje, estar numa elite representada por menos de 0,05% dos garanhões. E, acima de tudo, produzir cerca de 4.000 pontos. Com o passar do tempo esse número tende a aumentar.

O Haras ST acredita muito em avaliações estatísticas. Note-se que a estatística baseia-se em comparações com outros garanhões e índices: não avalia apenas números. Números são as ferramentas iniciais.

Assim sendo, para cumprir o objetivo citado os filhos do DL da primeira geração deveriam somar pelo menos 100 pontos no ano do seu Potro do Futuro (2018) e 350 pontos no final de 2019 com duas gerações em pista. Ainda 500 pontos no final de 2020″.

Avaliações

“O ST avalia os produtos do DL de cada geração e o desempenho de cada um individualmente. A estatística exige, como foi escrito acima, uma comparação com os melhores reprodutores e o estabelecimento de índices. Um bom índice é a média de pontos por filho. O ST Dashin Leo está superando todas as projeções estatísticas.

A tabela mostra os dez melhores reprodutores de Três Tambores da geração 2014, ano hípico 2018/2019. Foi a estreia da primeira geração do Dashin.

Haras ST discorre sobre o projeto ST Dashin Leo

A produção de cavalos velozes é importante! Valorizamos, sim, os chamados ‘cavalos de 16’. Até o fechamento desse texto, cinco filhos do Dashin já correram na marca dos 16. Contudo, achamos fundamental a produção de animais dóceis, facilmente montados por amadores e jovens. Nesse item o ST Dashin Leo tem se mostrado muito melhor do que o esperado.

Haras ST discorre sobre o projeto ST Dashin Leo
ST Caloca. Foto: Hugo Lemes

Desejamos também que o DL produza alguns ícones, que vençam torneios de renome nacional, Slots, Potros do Futuro e por aí vai. É gratificante que na primeira e na segunda geração eles já se mostraram.

Em números, os 12 filhos do ST Dashin Leo que correram Três Tambores no ano hípico 2018/2019: correram 346 provas; campeões em 18 provas; do primeiro ao quinto em 76 provas; do sexto ao décimo em 34 provas. Melhor, impossível!”

Haras ST discorre sobre o projeto ST Dashin Leo
ST Pansoti. Foto: Hugo Lemes

Andamento do projeto

“O projeto está em andamento, assim como o acordo inicial com o Haras Flamboyant. Projeta-se uma avaliação mais sólida em cinco anos. Nesse ínterim, o Haras ST investirá na doma e campanha de no mínimo 40 potros (cerca de oito por ano – nascidos entre 2014 e 2018). Essas cinco gerações correão os Potros do Futuro de 2018 a 2022.

O Haras Flamboyant está sendo o grande parceiro desse projeto a partir da geração nascida em 2015, quando começaram a nascer os potros DL desse criatório. A proposta é que em cinco anos também coloque 40 potros em campanha.

Há muitas variáveis que influenciam nos resultados: A qualidade do manuseio inicial do potro e sua doma; O treinador que monta o animal e sua adaptação a ele; As pistas em que o potro irá correr; A saúde do animal e seus cuidados veterinários.

Também avaliamos se econômicamente o projeto é viável e chegamos a conclusão que sim. Porém, em toda análise racional e técnica há muita coisa de difícil previsão: O mercado de cavalos é relativamente instável; A evolução da economia nacional; A política da ABQM com relação ao estímulo de provas para amadores e jovens.

A valorização dos pequenos e médios eventos é fundamental. Note-se que expressiva maioria dos consumidores do cavalo ‘do meio’ estão nesse grupo. Por isso mesmo que criar cavalos é um negócio sim! Mas, deve-se colher dele os prazeres que proporciona. Nunca deixará de ser uma paixão”.

Por Verônica Formigoni
Fonte: Editora Passos
Foto de chamada: ST Dashin Leo | Crédito: Gabriel Oliveira

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Criadores

Haras Lagoinha: conheça o trabalho de 20 anos de resgate da pelagem pampa

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Foi a partir do nascimento do garanhão Monteblanco do PEC que o criatório de Marisa Iorio mudou todo o caminhar da pelagem pampa do Mangalarga

Na década de 90, quando a pelagem pampa estava praticamente à deriva dentro da raça Mangalarga, a criadora Marisa Iorio viu um nicho de mercado que precisava ser preenchido. Assim, a proprietária do Haras Lagoinha, situado em Jacareí/SP, resolveu iniciar um trabalho de resgate da pelagem pampa.

“Eu já estava preocupada em atender essas pessoas que procuravam por animais de pelagem exótica. Mas todo mundo só tinha animais de pelagem sólida para oferecer ao mercado. Praticamente, não tinha indivíduos pampa na raça”, lembra.

Na época, ela tinha apenas um exemplar pampa de tordilho em seu plantel, uma égua de 28 anos chamada de Lili JL. Dessa forma, Marisa resolveu arrendar Charles J.O. e, com um pensamento muito positivo, tirar desse cruzamento um garanhão de pelagem exótica.

Dessa forma, em 11 de janeiro de 1997 nasceu Monteblanco do PEC. “Com a linhagem de cavalo J.O., Monteblanco foi esse cavalo que nós chamamos de pilar da raça da pelagem pampa. Ele realmente mudou todo o caminhar da pelagem pampa”, frisa a criadora.

Monteblaco do PEC mudou o rumo da história do Mangalarga Pampa

E foi a partir de Monteblanco do PEC que o andar do cavalo Mangalarga de pelagem pampa tomou um rumo totalmente diferente. Tanto que, atualmente, cerca de 80% dos animais pampa apresentados em pista, não só pelo Haras Lagoinha, carregam a genética do garanhão, que é um diferencial na raça.

Novos desafios

Após conquistar o tão sonhado Mangarlaga Pampa, Marisa se viu em mais um desafio: encontrar éguas pampas para Monteblanco do PEC cobrir. No entanto, segundo ela, não existia nenhum exemplar na época.

“Então o que nós fizemos foi comprar barrigas excepcionais, mas olha que caminhar longo e difícil. Porque Monteblanco não é um cavalo homozigoto, ou seja, ele não possui o gene que ao cruzar com éguas sólidas vai dar sempre filhos de pelagem pampa. O Monteblanco é filho de égua pampa com Charles J.O., que é um cavalo de pelagem sólida”, explica Marisa.

E, desse trabalho de mais de 20 anos buscando resgatar a pelagem Pampa, o Haras Lagoinha já colhe bons frutos. Tanto que é reconhecidamente um dos principais centros de criação da raça Mangalarga de pelagem pampa.

“Estamos nessa luta há 20 anos, e quando a gente fala de resgate da pelagem, nós também falamos de resgate de sangues que estavam também perdidos na raça Mangalarga. Hoje já chegamos a 47% do número de expositores participantes de pelagens em relação ao número geral de inscrições da raça como a Exposição Brasileira e a Nacional. Então, é um trabalho também de fomento que o Lagoinha proporciona”.

Monteblanco do PEC é o melhor garanhão pampa do Brasil

Reconhecimento

Diante de tanta grandeza, Monteblanco do PEC foi reconhecido pelos seus méritos e, assim, é detentor do título do segundo garanhão no Livro de Méritos da Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo da Raça Mangalarga (ABCCRM).  Consequentemente, ele é o melhor garanhão pampa do Brasil.

“Só existem dois garanhões até o momento, um é o Jambo da Sabauna, que é de pelagem sólida, e Monteblanco do PEC, segundo garanhão constando no livro. Tendo assim, sua performance é reconhecida através de filhos, netos e bisnetos em pista. Então, isso nos deixa muito felizes por estarmos num projeto de acerto, nessa linha de criação”, explica Marisa Iorio.

Se não bastasse isso, Monteblanco do PEC é o único garanhão Mangalarga Pampa com 98,5 pontos de Registro. Além disso, ainda figurou no ranking de Melhor Reprodutor da Raça Mangalarga Pampa por 10 anos consecutivos.

“O brilhantismo da rapidez de toda evolução não para por aqui, seus descendentes tanto de linhagem como de pelagem, sendo uma égua e um garanhão atingiram o título máximo de Grandes Campeões Nacionais da Raça Mangalarga no Geral. Monteblanco do Pec é uma lenda viva de evolução genética”, finaliza a criadora.

Mais informações sobre o Haras Lagoinha pelo telefone (12) 3956-1403 ou pelo WhatsApp (12) 9.9721-0527, com a Marisa Iorio. 

Por Natália de Oliveira
Crédito das fotos: Marisa Iorio

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